quarta-feira, 14 de abril de 2021

instagrammer


 

Material cirúrgico

Não fora a quantidade de vezes que a 'máscara' é proferida e não teria ainda notado que há pessoas que proferem 'másquera'. Ouvi há coisa de meia hora, de alguém que estava na avenida, conversando, e foi passagem que ouvi.

Lisboa, Lisboa

Numa das ruas lisboetas que mais se me apresenta em cada jorna, o número 30 está numa posição quase disparatada, não fosse eu já lhe ter incutido uma certa seriedade. Colaram-no na ombreira do portão, que, por precisamente ser portão, não se acha naquela entrada uma bandeira onde colar o dito número.

Cinco minutos

Se alguém encontrasse o meu blogue e tivesse apenas cinco minutos para lê-lo, recomendar-lhe-ia os posts onde refiro os ricos filhos, ou então aqueles em que falo de comida. São os posts onde a minha verdade é uma verdade feliz. Hoje é catorze de Abril e há precisamente quinze anos eu dava início à minha vida de blogger. À data tenho para aí trinta mil posts publicados (em váriso... ai perdão, vários blogues) e garanto que a maioria foi debitada atrás do balcão.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Quase

Um (quase) cliente parou a marcha da viatura no meio da faixa, pôs-se na rua e foi daí que perguntou 'tem sacos de ráfia?' Estava portanto entre a gente os dois uma boa meia dúzia de metros mas depois aumentou para quilometragem porque eu lhe havia dito que 'não'.

Quentinhas

O cliente pediu que copiasse a chave por quatro vezes. Pediu ainda que as fizesse «assim quentinhas». Não precisei de grande estafa para pôr quentura nas chaves, ocorre inclusive que jamais conseguirei que uma frese (metálica) em rotação sobre si e em colisão com um corpo (metálico) não sobreaqueça, quanto mais. No Inverno mal se lhes nota a quentura mas, dê-me este Verão muitos dias de quarenta graus e que coincidam com clientes querendo chaves, que facilmente as conseguirei bem bem bem quentinhas.

no fim, um reparo:
'quentinhas' é outonal, lembra o pregão das castanhas assadas, que está à distância de meio ano

Sonho

Sonhei com pessoas enleadas na compra de uma loja que ficava no segundo andar do mercado. Estavam felizes (mesmo que enleadas), acenavam-me da janela e tudo. Não me lembro se correspondi ao aceno, é bem possível que não, que eu, mal educada, até em sonhos.

realmente

a minha secretária está incrivelmente livre e alegadamente sozinha

Lisboa, 13 de Abril de 2021 - Está um lindo dia de chuva.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Chão

Passei na rua mais bonita de Lisboa e vi uma mulher sentada no chão, entre dois carros. Pensei perguntar-lhe se estava tudo bem mas fui notando duas malas ali ao lado, abertas, mexia em papelada, enfim, ia meter-me na sua vida por conta de quê? Da empatia, claro. Que não tenho. Pois. E eis que me surgiu a hipótese de afinal as malas não serem suas e por isso se escondera entre dois carros, o dia chuvoso e tal, desagradável, e bem, sentar no chão molhado, está um frio do caraças, ainda que em Abril estejamos... Será que as malas não eram suas? Hum, logo eu que não vejo policiais, tampouco os leio, venho para aqui com estas imaginações todas... Au eva, o certo é que 'imaginação' tem o meu nome no meio.

Daí virá Elvira.

Simplesmente terrestre.

realmente

não há nada no meu corpo de que goste particularmente ou precisamente

Envolvimentos

Envolver claras em castelo numa massa não é uma boa metáfora para as relações interpessoais. É certo que as claras se envolvem por partes até se ligarem à massa e o mesmo parece acontecer com as pessoas até se ligarem a, e com, outras pessoas. Contudo, se numa primeira vez as claras são envoltas à bruta na massa e as restantes partes o melhor é tentear o envolvimento para não acabar com a harmonia, com as pessoas acontece precisamente o contrário.

Fermento

Comprei um fermento especial para massas doces. Agora já posso fazer pãezinhos de leite com maior probabilidade de me saírem altos e fofos. Não cheguei a ler a descrição na embalagem mas não duvido que seja no mínimo algo nesta base o que lá vem escrito. Posso até fazer waffles de Liège e usar, finalmente, aquele açúcar granulado que comprei em Zowelle vai para dois anos. Pronto, este é um post daqueles em que preparo o meu futuro e viajo até ao passado. É bem que é, na mesma, uma casualidade, digo: ter encontrado uma prateleira no supermercado com este produto que inova pela especificidade e que quero muito experimentar. É que, vamos lá a ver, as minhas massas brioche não saem assim tão fofinhas quanto isso e, de cabal que este produto augura que é... Então vá. Ah, e sim, tenho um açúcar grosso que quero pôr em waffles, sendo estes uns que são feitos com uma massa daquelas que calha bem levar o tal fermento-novidade. Quando os fizer conseguirei uma camada de açúcar beeeeeeem queimado nas placas da tostadeira. A lavá-las é que decerto o fermento não actua, qual cabal qual quê.

realmente

a minha cozinha está estranhamente arrumada e estupidamente suja

Lisboa, Lisboa

retratos

imagens que retratam o meu pai
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imagens que retratam a minha mãe
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retratos de um pial que adoro
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O pial encanta-me desde sempre. Dantes, nos idos anos da minha infância, todas as portas daquela rua tinham um pial, uns com um degrau, outros com dois, e, se bem me lembro, havia um com três. Divertia-me percorrer a rua para os comparar – ah este é cinzento, ah este é castanho, ah este é feio e... tcharan!, este é lindo! Se comparado com os restantes da sua espécie, o pial retratado era liso, aprumado, vistoso. Era o meu preferido. Actualmente é o único pial de toda a rua, todas as outras casas foram remodeladas e em nenhuma se manteve os piais à moda do Alentejo. Recordo também que as paredes terminavam (ou começavam, sei lá), aliás, as casas eram, e são assentes em xisto, daí que na base se visse partes dessas rochas, que lascam facilmente. Para mim eram pedras que escreviam, obviamente porque escreviam. Passava algum do meu tempo a escolher a melhor pedra, a mais pequena, a mais confortável, para escrever em outras rochas. O que escrevia não sei, talvez o nome e a data. Saio ao meu pai, e 'quem sai aos seus não degenera', lá diz o ditado.
escrito em 16 de Setembro de 2020 e copiado hoje

... Faltou dizer que o pial em questão era o mais bonito da rua, sim senhoras e senhores, mas porque, à época, estava bem conservado. Actualmente não. O que se deve, presumo, ao facto de a casa estar desabitada há largos anos.
escrito em 20 de Setembro de 2020 e copiado hoje

nota:
as fotos deste post pertencem ao dia de ontem - 11 de Abril de 2020

sábado, 10 de abril de 2021

Nuvens azuis. Hum. Imagino um pedreiro na estratosfera fazendo uso do bate-linhas.

Desistir é ficar mais longe

Por tanto visitar recantos da mente, ao longo de anos fui consciencializando medos e inseguranças e, se essa consciência me trouxe a firmeza de saber - ah, então é isto o que tenho que erradicar (epifania!) - acrescentou o medo de não conseguir manter-me fiel ao propósito de ser mais feliz. Enfim, crescer dói. Pois (ponha-se aqui o contrário de epifania - consultei um dicionário e obtive 'escondimento' - vá, afinal isto de doer já se sabe, né?).

Dérbi

Há dias em que uso a vontade de viver para colmatar a vontade de morrer. Bem esgalhado, o 'colmatar', hã? Bom. Então. É com a vontade de morrer que percebo que tenho vontade de viver. Este dérbi tem resultado sempre num empate. Hum, ok, vá – vá de prosseguir.

Dores

Lembrei-me de elencar: O ponto de cada dor. A causa. A durabilidade. A periodicidade. O que piora. O que alivia. O drama contido. A passividade. O que põe no esquecimento. E estaquei.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

dois pontos

hoje é:
sexta-feira

dia perfeito:
um em que não sinta fome

fim de semana perfeito:
um em que não sinta fome

vou andando e chegando

vou porque ando e, porque ando, chego

«quem quer que seja que esteja»

letras abaixo da linha:

q q q j q j

9600

post 9600

título sem post

post sem título

as palavras

a palavra d' ele p'ra ela
força
a palavra d' ela p'ra ele
ânimo

era um érre entre o bê e o i, lá isso, mas ignorei-o,
sei lá porquê (nem por quê)
entretanto, note-se a banda sonora

elos

decobri e registei aqui e copiei daí para aqui

transição - Inverno/Primavera

foco - pares condizentes

Os dizeres da Olívia

Os dizeres vêm no postal que acompanha a ração e os biscoitos da Olívia, a minha cadela, e são puramente humanos. Se bem que se dirijam ao bicho-cão, a verdade é que somente humanos lhes poderão aceder, por mais que eu lhe transmita esses recados. (Na verdade nem tentei ler-lhos, por ser já sabedora do debalde.) Bom. Então. Vem um dizer manuscrito, que (oh quanto adoro redundâncias!) diz assim:


Entretanto, e depois de efectivar o clique acima, percebi que a mensagem nem é bem bem bem dirigida à Olívia que está, tampouco aos humanos que a acolheram, está num estilo abstrato - ah, a gente aqui não se direge a nada nem a ninguém e tal e tal. Depois tem mais coisinhas, o dito postal, pero en castellano:
«Perro sano, familia feliz! Gracias por darle lo mejor a tu peludo. De ahora en adelante, la caja violeta será sinónimo de una dieta sana y más rica en nutrientes, con soporte veterenario para tu perro, siempre. Bienvenido!»
De volta à mui amada Língua Portuguesa, eis Olívia com uma ração super especial, super indicada, super personalizada, super mais mais mais. Diz que obterá «amor em cada refeição»: «sabor javali e cordeiro mini» (hum, não curti o 'mini', penso imenso nos leitões... isto quando a ocasião mos lembra); «27% proteína, 16% óleo e gordura, 3.5% fibra» (percentagens indicadas para séniores e, se sénior, quer-se o quê? cópia aparecerá já já já); «sempre jovem - com 3 suplementos nutricionais para articulações fortes, saúde gastrointestinal e um pêlo sedoso e brilhante; melhor digestão, mais sabor - com carne ou peixe fresco para máxima absorção de nutrientes, níveis de energia óptimos e mais sabor; mais vitalidade - complexo adicionado, um suplemento inovador com ação antioxidante e reparadora da imunidade»
Veio também um copo medidor da dose diária recomendada, que, diz o postal: «não é um copo qualquer: é O COPO!» Lembrou-me um dos meus tiques de escrita, só por dizer que não é igualzinho, eu escreveria «o! copo». Não tenho tudo tudo tudo copiado do postal (que na verdade são três e um deles desdobra-se em quatro, mas por ora está de bom tamanho a cópia que deles fiz.

Olívia, onde estás?

Olívia, onde estás? - Perguntei. - Não quero pisar-te. Sabia-a ali porque a ouvira chegar e deitar-se no chão, mas a penumbra não molda da melhor maneira uma cadela preta. Percorri o quarto com cuidado e vagar. No corredor já não teria como a pisar, há meses que a Olívia deixou de me acompanhar ao pequeno-almoço.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Por interesse

É do meu interesse registar que as 'Lisboa, Lisboa' de hoje - que são quatro e estão imediatamente abaixo deste mesmo post - estavam alojadas no telefone em modo oral há uns dias e que as redigi, precisamente, hoje.

Lisboa, Lisboa

Um drone sobrevoava a área. Filmava, presumo. Havia também camiões com dizeres cinematográficos e pessoal de bastidores. Os camiões estavam estacionados e o pessoal circulava. Aquilo tudo era para fazer filmes, presumo. Mas vamos mas é ao concreto. Cruzei-me com dois miúdos, ambos interessados no trajecto do drone. Um deles comentou: «estar com a cabeça toda para trás até parece que vou cair».

Lisboa, Lisboa

Acerca dos desenhos que há agora em cada esquina que rodeia o estaminé, devo dizer que já as espezinhei todas. Devo dizer também que a esquina que contém o maior desenho é a que mais próxima está do estaminé. Maior e mais bonito. Não me lembro se no outro post onde debitei este assunto fiz registo de que era em esquinas que os desenhos assentam praça – da escola de condução à pastelaria e daí à tasca, da padaria ao cabeleireiro, da mercearia à lavandaria, do mercado à frutaria e daí à retrosaria.

Lisboa, Lisboa

Já conheci uma catrefada de escritos na parede branca. Que já foi meio que amarelada (meio que amarelada é amarelo que branqueou, pronto). Logo mais outros artistas lá escreverão as suas mensagens. Tem sido sempre assim, lá isso.

Lisboa, Lisboa

«A menina não vá para aí!» Avisou o magnata, que, ao meu «porquê?», explicou que estão em obras. Mas fui - não sem lhe deixar um sorriso agradecido, todavia vão, o aviso, mas - à data era já sabia quais eram os pedaços de calçada onde podia circular, bem como os cortes e os desvios. Para mim estas obras já deixaram de ser notícia, já dei, inclusive, notícia no blogue, faltou-me foi uma coisinhazinha: naquela altura em que as placas estavam ainda por assentar, um dia pareceu-me ver jeitos de serem também retiradas as grandes e rudes pedras que fazem de passagem por entre as metades da calçada desta avenida. Fiquei estarrecida, pá, isso não, né, atão...? É um pavimento icónico, vá lá, não enfeiem aqui o pedaço, tá?

bebi o café com a asa à esquerda

a flor que sempre me lembrará o «lugar para pensar»

pus flores nos contactos dos ricos filhos
doravante é cada chamada uma flor

domingo, 4 de abril de 2021

Almoço de Páscoa

Dois cubos de peito de frango frito com temperos (que sei lá eu quais lá pus) mantidos (para aí) por vinte e quatro horas, que acompanhei (um resto de) arroz basmati e massa chinesa (feita na hora). Há semanas que me não sabia tão bem um prato de comida de garfo. Sério. Pratinho, quero eu dizer.

sábado, 3 de abril de 2021

faz de conta

faz de conta que ia para o meu quarto escuro (para dormir)
(mas ficava era à espera que começasse a aula)

faz de conta que permanecia (propositadamente) na sala às escuras
(era a primeira a entrar e não me apetecia acender a luz)
faz de conta que (esperava) pela luz do tecto
(porque algures no tempo chegaria alguém que a acenderia)

seres de luz
ser da luz

Lisboa, Lisboa (lá isso é)

guê de Gina__fez-me lembrar

Lisboa, Lisboa (lá isso é)

segunda-feira, 29 de março de 2021

#prefirovírgulaaté

Gosto de estar sozinha. Prefiro, até. O concreto não inviabiliza o desejo, lá isso... Agora deixei de estar estupidamente certa de que vocês gostam de mim na mesma, mas outros dias virão, lá isso.

Companhia

Senti barulho no átrio do prédio e fui ver. Vi então um funcionário de uma empresa abastecedora de um dos consumíveis que mantém este lar funcional e confortável, vi também que abriu a porta onde está o meu contador desses itens. Sabendo que de mim jamais precisará, o que lhe interessava era os números que, mais a mais, eu não saberia como lhos indicar senão pelos mesmíssimos meios pelos quais ele soube, daí debalde seria qualquer interação da gente os dois. Portanto: não abri a porta, não falei, nem mesmo cá de dentro. Mas, giro giro giro, é que ele vinha a ouvir música, posso presumir que saía do seu telemóvel, e era uma música alegre. A música é uma companhia do caraças.

Post nojento. E ao quadrado porque os nojos são dois.

Cheguei ao poiso da escrita e notei que as folhas de chá de lúcia-lima ficaram aqui, em cima de um papel que está em cima da secretária. Foi assim: no dia anterior, à hora desse chá, havia trazido a caneca cheia de chá, mas como tinha tido preguiça de usar o passador, pensando «ah, as folhas são grandinhas, vou poder beber por entre, é na boa». Só que não. Era em cada gole uma folha a chegar aos lábios. Vai daí, retirava-a e colocava-a em cima do papel. Foi este o processo com todas as folhas. Depois esqueci-me delas e agora estou aqui a escrever isto. E no intervalo joguei as folhas no lixo, já aqui não estão por companhia.

Canetas

Já cá faltava este acerto de tintas. Tenho mais duas canetas, adquiridas na loja do primo. Uma nada tem de especial, ou por outra, nada tem de novidade porque é igualzinha a uma que já comigo anda diariamente. Tenho-a aqui ao pé de mim, em cima do teclado onde digito este interessantíssimo post, mas em teclas que têm uma probabilidade muito forte de não me serem necessárias. A outra sim, é notícia – de cor vermelho robusto, cómoda por deslizar maravilhosamente, prática porque facilmente se apaga o rasto que deixa, podendo inclusive usar-se uma mera borracha de apagar os rastos que meros lápis deixam.

ni comme, ni tout

Com uma revista que adquiri veio de oferta uma agenda que, percebi depois, era escolar, tem até uma folha para o horário. Em certas alturas, precisamente no cimo do conjunto de linhas destinado a cada dia, há uma correnteza de três emojis, cada um com seu estado: o alegre, o amorfo e o deveras aborrecido, intervalados por quadradinhos. Aquilo há-de ser para a malta pôr uma cruz no que corresponder à cara com que acordou nesse dia. Tenho usado essa agenda para registar ideias para vídeos, tanto temas como modos de editar. Não, eu não estou a usar a agenda comme il faut. Quando concluo as ideias, quando estão inclusivamente publicados os vídeos, rasgo as folhas. Não, não guardo tout ce que j' écris.

lâmpedas...?

vendi lâmpedas
pronto, às vezes calha-me a vida assim, mal dita
«lâmpedas...?» foi a perguntinha introdutória do cliente
e eu que «sim senhor!», óbvio

Nascer por igual

Somos tão torcidos que nascemos de cabeça. É certo que está ali alguém a aparar, pois, quando não, né, não era bonito, tampouco bom. Atiramo-nos de cabeça para o mundo, é o que é. Quero dizer: eu cá foi. Os ricos filhos também. Os demais não sei, mas, e, todos decorremos de um milagre: nasce-se.

A grossa fatia de bolo

A diferença está, por exemplo, se me vejo servida de uma grossa fatia de bolo e dissolvo imediatamente a culpa de parecer parvamente glutona só porque sou (era) gorda. Percebem? Nem é tanto os quilos a menos o que me deixa feliz, é, principalmente, a ausência de culpa.

Hoje é segunda-feira

Vinte e nove de Março, hoje. Este Março pisará ainda mais dois dias no decorrer desta semana. Porra, que comprido é este mês também. Digo eu a par com o Janeiro. Mas há mais meses de trinta e um, só por dizer que um ocorre na Primavera, tempo bestial, dois no Verão mais Verão que há, o outro no Outono, que sempre será bonito e o último no Natal, pá, que é aquela festa, né? E pronto. O Janeiro e o Março são meses da porra. Mesmo.

domingo, 28 de março de 2021

Olá, bem vindos a mais um blogue.

Olívia 😉

É uma pena.

Musgo



Não vá que daqui por dois meses já não me lembre o que é isto, isto é:

Um pedaço de vidro que foi colocado num dos cantos da janela do ex-quarto do rico filho - posteriormente meu ex-quarto - porque, por questões de azar, se havia partido. Para que o canto não ficasse sem proteção às intempéries, o Luís fez-lhe uma caminha, encaixando, não só este pedaço, como outros dois, tendo permanecido aí por largos anos. O giro é que este pedaço adquiriu musgo, daí este post como resultado, porque, como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, sou uma amante do pormenor, registo coisinhazinhas e blás e mais blás. Descobri o musgo porque este fim-de-semana serviu para que - finalmente, oh glória terrestre! - tenhamos - oui-oui! tout les deux! - desencaixado as velhas janelas, que, vai-se a ver e não tinha jeito nenhum que estivessem à frente das novas. Esta dupla de janelas é - também - coisinhazinha explicável. Lembrando-me, esparramar-me-ei num post com essa brilhante temática, esses importantes porquês, essa sondável questiúncula.

sábado, 27 de março de 2021

Cumplicidade

«É na boa, mana», foi o que disse o rico filho em resposta a um favor pedido pela mana. Não é tão fofo que aos vinte e tais se mantenham manos?
|3 Março 2018|

É. E continuam fofos e manos. E cúmplices. A melhor parte é que não os ensinei a serem assim, é uma questão que tomaram como sendo a melhor.

há cave, há homem

Recomendação do rico filho: mãe, não escrevas caveman, escreve man cave. O rico filho tem, portanto, 'a cave' (ler à inglesa, por favor) e é 'man' (aqui já não baralha) porque tem uma divisão lá em casa que contem toda uma série de 'cenas de gajo' – bar e televisor, isto só para exemplificar. Podia até exemplificar só com o bar e já estaria o esquema montado na cabeça de quem ler isto. Mas a maior piada está no dizer da porta. Sério. Pá. É lindo:

Não cola

Contou a rica filha que de um ex-colega guarda a melhor piada de sempre, diz que até hoje ninguém superou. É a seguinte:
«O meu nome é manual em francês. Manuel.»
E a piada é tanta - notem que não ironizo, nada disso – que não tenho 'mão' para colá-la no texto.

Lembrete

Quando andei de roda da despensa, mexendo em coisas que, de certo modo não lembram a ninguém e, portanto, mesmo sendo coisas minhas, o certo é que já não lembrava de, por exemplo, ter escrito um lembrete cá dos meus. - Confesso que lhe ia chamar 'sui generis' mas contive-me, que afinal não o é suficientemente, não para chegar até ao 'latim'. - Agarrei numa folha de papel de linhas e cortei-o à medida que considerei ideal, usando uma tesoura que corta em pequeninos triângulos, obtendo, assim, um orlado triangular e miúdo. Bonito. E isto vezes dois. Colei então os papéis. Fiz-lhes riscos nas quatro pontas e umas bolas aqui e ali. Redigi a mensagem. Notem bem: é capaz de não ter sido esta a ordem de trabalho, mas, também, pá, vamos lá a ver, p'ra qu' é qu' iss' int'ressa? Mais: com uma tesoura normal fiz-lhes um corte em forma de losango para inserir uma fita que agregaria o lembrete aos objectos que eu queria lembrar porque existem. E também por que. Só que, pronto, era isso mesmo, não sabíamos porque existem aqueles dossiês. Nem por que. Mas andei de roda da despensa e os dossiês já foram colocados no contentor do papel para reciclar, é, actualmente, material a esquecer porque existiu. E também por que. Entretanto o lembrete tem andado comigo para todo o lado, agarrado ao bloquinho rudimentar, esperando que eu, digníssima escrevente deste blogue, construa um post cuja patente seja, precisamente, ser um lembrete digno de registo.

há quanto tempo não deixava algo do género no lbogue...
ai perdão, blogue!

sexta-feira, 26 de março de 2021

Lisboa, Lisboa

Sempre que ouço um restolhar de folhas atrás de mim lembro aquela cena do filme 'Charlie e a Fábrica de Chocolate' em que o puto corre atrás do bilhete dourado que lhe daria acesso a um passeio dentro da maravilhosa fábrica. O benevolente petiz (melhor assim, a chamar o antigo, a concordar temporalmente com a película) primeiro quase consegue agarrá-lo, depois não consegue, depois quase consegue, depois não consegue, depois quase consegue, depois não consegue e, depois, finalmente, consegue! Consegue agarrá-lo e segurá-lo e levá-lo e fazer a família feliz. Au eva, não tenho memória para outras descrições detalhadas, mas desta cena lembro ainda um restolhar de apreensão por parte do pessoal lá de casa, aquando da novidade que o benevolente petiz lhes levou. Retomando o primeiro restolhar deste post: folhas que rodopiaram para mim.

Material cirúrgico

Enormíssima vantagem no uso regular da máscara: colocar dentro da boca o último bocado de maçã, recolocar a máscara no lugar mais comum destes dias e de imediato me jogar no atendimento ao balcão e ir ouvindo o que o cliente tem a dizer. Enquanto retribuo o 'bom dia!' vou dando cabo desse bocado e a máscara veda a visão que o cliente teria, digo eu aquela nojeira que, em termos sabedores, é apelidada de bolo alimentar, e assim já não. Pois. Nojo. É. E é assim – por vezes mais veloz - a minha vidinha de balcão.

pois, pois é, pois foi, pois sim, pois não

Distrai-te, ó Gina! 👀

com filtro 'literário' 👀
com filtro 'nitidez' 👀

sobrancelhas alinhadas e buço limpo é para tapar

quinta-feira, 25 de março de 2021

Dia de (não! disseram na Rádio)

Hoje é dia de Gina. Foi o que disse a senhora, ao telefone com a colega, que eu estando, é dia de Gina. Significa que é dia de a Kat se enfiar no tambor da máquina da roupa, de tímida e medricas que é. Diz a senhora que a bicha-gata se lá não enfia em mais ocasião nenhuma senão quando lá vou. Dia de Gina, emoji sorridente aos bués, assim: 😁 Ah, e temos, portanto e afinal, eu e a Kat, todo um ritual, emoji sorridente e bué corado de feliz que está, assim: ☺️ Ah, outro ah, acho que já contei isto do enfiamento no blogue, mas vá, emoji irónico e a não querer saber disso pra nada ou lá que é, assim: 😏

Distrai-te, ó Gina!

que horas são

meio-dia 🕛
que linda borboleta branca
que vai na rua
que só tem um sentido
que escolheu o bom sentido

até parece

não tenho ouvido o piar dos passarinhos pela manhã - têm-me acompanhado na tristeza 

quarta-feira, 24 de março de 2021

Quadro

A última cliente do dia tinha um quadro enorme à entrada de casa. Era um tanto ou quanto abstrato, mas consegui perceber umas partes bem vermelhas. Lembrou-me papoilas. Vivas, presentes, apesar da penumbra. Tudo a ver com a Primavera já sentida e instaurada no próprio calendário, e apesar da penumbra, pois. Assentava no móvel uma moldura com o desenho de uma pistola, bem como dois bibelôs em forma de porco, focinhos meio que no chão, em pose de cão adorável. Contrastavam vivamente, portanto, e muito.

Lisboa, Lisboa

Desabafo

«Obrigado a quem me atura quando preciso desabafar!», vi eu no Instagram, em concreto: no feed da Rádio Comercial. Falando de desabafos mas seguindo no sentido contrário, ouço-os aos bués. Osso do ofício, dizem. O balcão desmultiplica os de dentro e encoraja os de fora, digo.

Sonho

Sonhei que estava aflitinha para fazer chichi. É um clássico, já sei, eu estava aflitinha na vida real, daí o sonho descer. Mas, seguindo com o sonho: eu vinha da rua e a aflição era tanta que pensei pedir à vizinha do rés-do-chão que me deixasse livrar da aflição chez elle. Os incríveis estão não só no facto de, no sonho, eu não ser capaz de aguentar subir três andares para me livrar chez moi, como, na verdade, aquela vizinha não mora no rés-do-chão, é, inclusive, ai a porra das vírgulas, uma vizinha que deixou de ser minha vizinha vai para muitos anos. Voltemos outra vez ao sonho: ansiosa, fiz o meu pedido e ela consentiu, sei lá se por mor da ansiedade, se pela aflição, se por ambas as aparências. Entrei então para uma divisão ampla, que unia a cozinha e a sala, envidraçada nas quatro paredes. Da soleira da porta percebi a bancada no lado esquerdo e, por trás, uma sanita. Estranheza? Bués, mas oh que bués! Privacidade? Zero, mesmo nada, se afinal, a bancada, ai a porra das vírgulas, tapar a sanita é que não tapava. Alívio? Não me lembro.... Quero dizer: no sonho não me lembro, que depois disto tudo, acordei, levantei-me e vai que então é que.