Estamos em Lisboa, o leitor ponha-se na avenida João XXI, dando as costas ao cruzamento com a avenida de Roma, no passeio do lado direito, ali assim quando começa a subir. Termine a subida. Aí há-de encontrar uma rua à sua direita. Quando o boneco verde se iluminar, atravesse-a e pare imediatamente. Dê um quarto de volta à esquerda. Agora espere que um outro boneco se ilumine em verde. Atravesse a larga avenida, João XXI, respeitando o sinal, por favor, mas apenas até meio, deixe-se estar na divisória... O leitor rode agora um quarto de volta para a sua direita, assim poderá ver parte do resto da avenida sem que contudo veja a descida, mas seja lá como for sei que a avenida desce a partir daí e desemboca na Praça de Touros com o seu jardim mal semeado. Mas o leitor talvez não, portanto mantenha-se, sustenha-se, não avance nem recue e eleve o olhar até ao horizonte mais longínquo. O que vê? Uma serra? Pois, é uma serra, não faço ideia que nome tem ou onde fica, mas é uma serra, um monte de terra despovoado. Quer então isto dizer que dum ponto civilizado se avista um ponto por desbravar, sendo que tal coisa acontece numa capital da Europa. Olarila.
Conheço Lisboa com a consciência de a conhecer há uns bons trinta anos, conheço esta zona particularmente bem desde há vinte anos para cá. E nunca, note bem: nunca, tinha reparado neste horizonte e fiquei maravilhada mais que muito, é que não tem nada a ver e é por isso mesmo que esta descoberta foi o que foi.
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