A menina anda aqui nos meus rascunhos há montes de tempo. O papel foi ficando, está assim como que amassado, mas deixou-se digitalizar, não sem que antes tenha preenchido quase todos os buracos da minha caligrafia. Esta menina era, e é, uma menina de quem um dia ouvi dizer:
«Ah, essa não, que é tão parvinha...»
Dias depois tive oportunidade de contracenar com ela. Calhou-me o cacifro mesmo ao lado do seu e, como se sabe, tudo que é cacifro de balneário, é junto, com uma espécie de madeira com não mais de vinte milímetros de espessura entre um e outro. Ela tinha deixado a porta do cacifro aberta, por se estar a despachar, pois claro, e eu também me queria despachar, portanto pedi licença. De notar que este post não trata do tema 'má-educação', não é nada disso, é que quando pedi licença e lhe fechei um pouquinho da porta, ela disse numa voz de desenho animado, assim como que a desculpar-se:
«Ah, as meninas da recepção puseram-nos mesmo ao pé uma da outra... Com tantos cacifros vazios...»
Pronto, ok, vá, percebi: é mesmo parvinha, pelo menos, se analisar de chofre, é. Não no sentido de ser realmente parva, mas de se mostrar como sendo. Há um certo quinhão de parvoíce nos tímidos. Os tímidos são tímidos, logo: não gostam de se mostrar, logo: são donos duma insegurança de elevado grau, logo: comentam as coisas mais banais duma forma... Parvinha... Não porque lhes falte inteligência, mas porque a carga da insegurança lhes é tão pesada que.

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