Entreguei, finalmente, olha aí as vírgulas, estou a usá-las por conta do ênfase, da ênfase?, do ênfase?, não sei, nunca sei, e desta vez não vou consultar o dicionário. Mas a entrega. Entreguei, finalmente, o papelinho que conta coisas da minha vida, e eu que nem tinha pensado nesses termos, mas conta sim senhores, para obter um cartão que dá descontos sempre que me apetecer, apetecer, não, quiser, comprar um livro ou algo assim no lugar da musa. Ora bem, como ando há que tempos com o dito aos rebolões na mala, estava assim como que um bocado amassado, vá. Ao entregar o papelinho, papelinho, não, que papelinho é outra coisa, o papel à livreira mais ou menos simpática que o lugar da musa tem, desculpei-me um pouco com o estado do mesmo. A resposta dela foi assim:
«Ah não se preocupe com isso, não precisamos de saber a sua vida toda só para fazer este registo.»
Bom, não curti a cena. Mas é que nada. Mesmo. Mau maria, mando-te daqui à merda, ó puta dum cabrão, uma vez que presencialmente não tenho coragem para tanto. Mas posso ter interpretado mal a senhora, claro que posso. Não gostei da resposta, é certo, e admito que sou muito sensível, mas tenho o direito à opinião, e a opinião é: não curti nada o desfecho da nossa conversa. Mas posso ter interpretado mal... Ah pois, já tinha dito. Mas é, posso ter e coiso.
Hipótese A
Foi uma piadinha sem maldade da parte dela. Azar, a maldade está deste lado daqui, ó.
Hipótese B
Eu tenho razão, ela não estava com tempo e/ou paciência e mandou para o ar algo que na hora não lhe pareceu tão inapropriado assim.
Hipótese C
Ela farejou nesta que escreve uma certa propensão para a pacatez e acanhamento e vai que me manda calar usando outras palavras.
Hipótese D
Não sei, encontro-me esgotada, que usar a imaginação é-me penoso.
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