segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Cliente

Ela quer pastilhas para matar os ratos que lhe entram rés-do-chão adentro. Ri-se muito. Ri-se tanto. Parece feliz. Sério, parece mesmo feliz. Às vezes não é nada mau a gente lidar com gente assim, contanto não caiam no exagero, claro.
«Ah, eu estou sempre a cantar! E sabe porque é que eu estou sempre a cantar, minha senhora?»
A senhora a quem ela se dirigia era eu e vai que fiquei à espera da resposta, era um tipo de pergunta que na verdade nada quer com respostas. Nada de tempo tive de esperar...
«Porque tenho muitos prédios e aviões, minha senhora! Ah ah. Não, não é nada, é porque oro todos os dias. Tenho dois filhos, um é médico e está lá fora, outra é advogada e exerce ali assim na avenida. Por isso já vê, minha senhora, foi com o poder da oração que consegui isto tudo...»
E blás e blás e mais blás que já não retive. Bem haja, querida, a sério que sim, mas agora vá lá ser feliz noutro lado.









Ah ah.

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