terça-feira, 25 de junho de 2019

Agora que já estou em casa e com ele na mão
(em sentido figurado, é bem mais fácil escrever a duas mãos )

Fiz 6176 quilómetros sem o Cartão de Cidadão. Isso – seis mil cento e setenta e seis quilómetros, sem identificação de pessoa cidadã da Europa, e Europa fora– hum-hum. Eu explico:
No dia em que retirei os documentos da carteira para os colocar numa pequerrucha, isto por modo a poupar espaço e peso ao veículo que me transportaria, confundi o CC com a Carta de Condução.
E agora acabo de notar que as iniciais são as mesmas, terá sido por isso a baralhação...? Bah, nop!
Sou mulher para conservar a antiga Carta comigo, sei lá, acho que faz companhia à recente, ensina-lhe coisas ou assim... Bah, nop! São meras parvoíces, meros esquecimentos. Alterei a Carta quando tive que alterar, à conta de ter atingido uns fabulosos 50 anos, e depois a velha Carta, inútil, desarrazoada, para ali ficou, esquecida. O CC foi preciso em Espanha, os espanhóis não dispensam a sua apresentação aquando dos registos de hospedagem. Ora calhou de no primeiro pouso a transação se ter dado sem nenhuma intervenção humana, é que até foto do CC queriam, e eu, toda feita, saco da velha CC, sem notar, notem bem: sem notar que era a CC e não o CC. Bom, a coisa correu como correu, que foi bem, seguiu-se viagem e voltei a precisar do CC novamente em Espanha, à conta de os espanhóis coiso e mais isto e mais aquilo. Quando o dito me foi solicitado pela humana que me atendeu e não o encontrei, é que nem nos confins da minha mala, e sim, despejei tudo para cima do balcão da humana... E vai que não. Não encontrei o CC. Pensei que teria ficado no primeiro alojamento de toda a viagem, o tal espanhol e onde vivalma alguma hay hablado castellano conmigo pero, mediante telefonema esclarecedor, eis que não. E é então que o meu mundo se alumia e rui. Sério.
E estou agora a perceber que há uma forma verbal de ruir que é como um nome. O verbo pode dizer sou como um Rui, longe não estará de uma verdade tola mas e inconsequente.
O mundo alumiou-se-me porque percebi a troca que havia feito e ruiu-se-me porque obviamente... né?, uma pessoa longe do seu país sem identificação? Ó pá, quer dizer...
Bom. Então.
Liguei para a rica filha logo que pude: Olha lá, vai lá aí onde deixei isto assim e tal e vê lá se. Ó mãe, responde ela, agora não dá para ir ver disso mas vou logo que possa. E é então que, logo que pôde, a rapariga me liga e me dá um raspanete: Ó mãe, tu fizeste uma viagem de milhares de quilómetros, sem o Cartão de Cidadão. És uma irresponsável, mãe. E mais isto e mais aquilo e o camandro. Pronto, que querem, é assim a vida, chegados à idade em que os filhos se nos igualam, os papéis invertem-se... Mas eis que tudo se resolveu e acaba-se agora esta conversa. E teria sido bem mais difícil escrever esta trama com ele na mão. Tenho-o na carteira, de lá não sairá, a menos que mo peçam.

2 comentários:

  1. :)))

    (a maior parte dos países europeus que conheço aceita a carta de condução com documento de identificação, menos mal.)

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    1. :))

      Pois, por isso é que a primeira maquineta não desconfiou, e a humana do último alojamento não se importou nadinha de a minha identificação lhe ser dada através da CC.

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