terça-feira, 20 de setembro de 2016

Recolha

Sou capaz, também, de apanhar do chão as folhas bonitas e até as muito bonitas. Lá por serem bonitas, não são para desprezar.

Lugar (que também pode ser) da musa

É esquisito ouvir vozes e reconhecê-las como 'pertencendo' ao lugar da musa do antigamente, dentre elas a do homem que não se parece com nada nem com ninguém.
Joguei um boa-tarde para o ar. Era apanhá-lo, quem quisesse. A menina moveu-se sem demora para me atender: pousou o pires, o pacote de açúcar, a colherinha; tirou o café, colocou a chávena em cima do pires e recolheu as moedas. É que nem abriu a boca. Eu abri-a outras vezes, para beber o café.
As septuagenárias lá estavam, desta vez falando da novela, sei lá qual. Duma das septuagenárias ouvi duas exclamações: mataram o velhote!, ela coitadinha não tinha com o que dar de comer aos filhos!

É saudades

Tenho saudades do meu anterior blogue. Não é por uma questão de querer fugir das pessoas que moram neste, é aliás e exatamente pela sua presença que ainda não abalei daqui. A raposa tem razão, a responsabilidade que se sente em relação às pessoas que se cativa, é coisa real e paralizante.

Sonho

Sonhei que estava num consultório. Era tipo um acampamento ou assim, a doutora dava consultas numa tenda (acho que me inspirei, inconscientemente, claro está, em obras missionárias e coisas assim) e as pessoas queriam ser atendidas todas ao mesmo tempo. Quando me consegui abeirar da médica expus o meu problema facilmente, sem que no entanto um monte de gente sobrepusesse a sua à minha voz. Só por dizer que ninguém levou a melhor sobre mim, que a doutora era toda minha. Era mesmo um sonho.

Escantilhão

Quando sobrepus todas as cartolinas com as forminhas recortadas, deu nisto:




É tão bonito, não é. É.

Primeiro

Bom dia. São onze e dezasseis. O ruim-ratinho roeu o revestimento do raticida. Cadáver pelo chão: ainda não.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Tinta verde

A tinta da caneta verde falhou. Até parei de respirar. Depois retomou a escrita e eu a respiração. Tenho dois triângulos no rebordo da minha secretária, consegui-os porque por ora quem está no leme sou eu. Isto é para que conste no blogue outra vez, nada tem que ver com o assunto anterior, é que hoje ainda não me repeti, e dia em que me não repita, pá, olha.

Intervalo grande

Do lugar da musa ao fornecedor que eu precisava visitar, foram decorridos 35 minutos. O estaminé está no meio, portanto vá que tenha levado 17 minutos e meio em cada metade. Eh pá, isto está engraçado, um meio em cada metade. Depois, do fornecedor ao estaminé, fiz o percurso em 20 minutos. Eu explico, que eu adoro explicar coisinhas. É que eu vinha carregada com duas placas de coiso, uma com 120x 60cm, outra de 895x57cm. Ora acontece que o braço não se me chegava ao fundo, de maneiras que eu, o mais que pude fazer, foi agarrar muito bem no plástico-bolinhas que protegia as placas de coiso e vir por aí, sem vergonhas nenhumas. Sabem aquela sensação 'tem que ser e o que tem que ser tem muita força', é isso, vergonha pra quê, afinal de contas estava em trabalho, desde quando o trabalho é vergonhoso, ora essa, é que não há puta nem ladrão que a tenha, quanto mais. Pronto, isto tudo é para dizer que levei mais 2 minutos e meio só porque ia com uma carga no braço. Ah, e apoiei-a no chão três vezes, eu cá acho poucas.

As horas que são

Meio-dia e quarenta e seis. Vou para almoço daqui a nada. Passarei pela loja grande para comprar mais forminhas, desta feita noutras formas e cores. Para já tenho estas:





Eu já digo qualquer coisa, provavelmente neste mesmo post.

São dezesseis e cinco. Cá estou eu, ah ah, aqui e agora, ah ah. Trouxe comigo as forminhas, umas a parecerem mini queques, outras mini tarteletes. Fiz desenhos assim mais ou menos como que.


Bombons

Fiz bombons no fim-de-semana. A minha intenção era usar partes iguais de natas e chocolate porque estava convencida que eram essas as proporções, só que não, é uma parte para duas, sendo uma de natas e duas de chocolate. Ó pá, pronto, fiz como idealizei fazer, derreti ambos os ingredientes, pu-los dentro das forminhas e o restante coloquei num prato com o intuito de lhe dar outra forma, que não aquela toda bonitinha, de florzinha e isso. Solidificou somente no congelador, portanto comemos os bombons assim como que congelados, o que não é mau de todo, uma vez que estamos, ainda, no verão. O que ficou no prato, congelei, há-de dar para qualquer coisa um dia desses.

À segunda-feira

No caminho para o estaminé já eu vinha a pensar nos papelinhos e nos plásticozinhos (acho que foi assim que lhes chamei no passado sábado) que deixei em cima da fotocopiadora. Entretanto já estão no lixo, eh pá, pronto, estava na hora. Há ainda uns espalhados nas prateleiras, posso inclusive registar quantos e exatamente onde:
dois entre o ocre e os puxadores de plástico, tão juntinhos que pareciam só um, vejam lá
vinte ao pé dos limpa-metais, alguns desses, rebeldes, em pé, vejam lá

Outra coisa que aconteceu logo que entrei no estaminé, e que não é vez primeira, é ter encontrado vestígios de rato estaminé afora, ou adentro, sei lá, mais concretamente ratinho, porque pelo tamanho dos vestígios só pode ser inho. Roeu-me o pêssego, o ruim-ratinho, ao redor do qual deixou inúmeros vestígios. Entretanto, pelo que percebi, roeu o pêssego, sim senhores, mas somente a polpa, que a juntar aos vestígios havia também partículas de casca decomposta. Tão espertinho, o ruim-ratinho. Tenho companhia, portanto, e tenho um palpite que vou conseguir escrever uma novela do caraças só com esta temática. O raticida já foi espalhado por aí em forma de pastilhas. Mal seria, não é. É. Ora essa, então ando a vender raticidas das mais variadas formas e texturas há qu'anos e agora não punha o saber a correr, não é. É. É, é.

Posta-restante:
Hoje foi dia para conseguir dois triângulos daqueles, isto por conta de me encontrar ao leme.

Primeiro

Bom dia. São nove e cinquenta e nove. Gosto destas horas do quase-quase-quase. É melhor expor já neste 'Primeiro' post a foto que tirei de manhã. Quando levantei o estore vi um céu muito bonito, em tons de azul céu, ah ah, e laranja nascer do sol, ah ah. A máquina fotográfica, ainda que seja montes de espetacular, não fez jus ao que vi. Olhem, paciência, quero registar o momento e, como tal, pumba e coiso.


sábado, 17 de setembro de 2016

Contar – treze, nove, dois...

Há treze papelinhos e nove plásticozinhos. Estão aqui ao pé de mim, agora estão ao pé de mim, quero eu dizer, amontoados, dois montes em cima da fotocopiadora. Fui eu que anteriormente os tinha espalhado, assim como que a fazer de confetis, já que a vida é uma festa, e há pouco deu-me para os amontoar e ir contando, contagem que deu os números que já referi acima. Entretanto não sei que destino lhes dar, de maneiras que vão passar o fim-de-semana ali. Se entretanto tiver que usar a fotocopiadora, fica já assente que os deito no lixo.

Culpa

A culpa duma vida arruinada, presumo, é repartida pelos sistemas, as circunstâncias e a pessoa. Eu posso melhorar a minha vida. Desenterrar-me. Sempre. O que implica atitude, que me livra da culpa. 

Primeiro

Bom dia. São dez e vinte e dois. Avanço já que hoje é sábado e me encontro no estaminé, a trabalho, daí o costume das horas a que (re)começo o blogue, e continuo com o dito, mostrando duas fotos lindíssimas, e isto sou eu a exagerar propositadamente, a ver se lhes acho realmente uma graça suprema, ao menos no blogue. Quem lê este blogue regularmente, sabe que o mesmo é, na sua essência, o esforço descomunal de encontrar interesse na vida e, sobretudo, exagerar nos factos, isto no sentido de encontrar interesse na vida. E tudo isto porque é (também) essa a minha essência, tipo assim: vá, ó Gina, esmiuça lá umas coisinhas, quando não, a forca torna-se demasiado atrativa, e isto, claro está, sou eu cheia de exagero a mostrar a minha essência. Mas as fotos. De manhãzinha, estava na varanda a apanhar ar fresco, olhei em lonjura e vi os bidões azuis. Pensei
que lindos devem ficar com aquele filtro azul!
O ponto de exclamação é por conta do entusiasmo que senti dentro do pensamento, que é o tal exagero, o entusiasmo é o exagero, quero eu dizer, e o pensamento é a essência. Então fui buscar a máquina, preparei-a e cliquei. Entretanto tive vontade de usar também o filtro verde e agora mostro tudo.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Bom, vou falar

Bom, vou falar das pedras mediterrânicas e do~plano e mais não sei o quê. Estou a ver o meu plano ser seriamente arrasado, isto passa tanto pelo facto de o banco não constar debaixo da árvore amarela nem eu ter esperança de vir a constar brevemente. Portanto ando a pensar numa solução, a qual passa, obviamente, pela mudança de lugar onde fazer o depósito das ditas pedras. O pior vai ser gravar a cerimónia. Pois. É que eu queria mesmo que ficasse registado, para isso preciso dum banco, pá! Eu sou uma youtuber minimalista, não há mais ninguém e não me vou dar ao trabalho de carregar o tripé! Mas há solução, isto é preciso é ter calma. Há o banco hater, acompanhado (e bem) por outros bancos (também congnominados e importantes, se bem que nem tanto assim, mas pronto), portanto apoio a máquina num banco qualquer er faço o que tenho a fazer, que neste caso é colocar as pedras mediterrânicas na base do banco hater. Posso atuar da mesmíssima maneira com os bancos que estão na rua mais bonita de Lisboa, ou então escolher uma árvore, há-as também muitíssimo importantes na minha vida, como é o caso da árvore arredondada, que é a primeira que encontra ao seu lado esquerdo quem desce a rua, ou então a oitava, que é a oitava (pois claro) que encontra ao lado direito quem desce, uma por uma questão, a outra por tantas, mas ocorre que as rodelas no chão têm merda de cão (acho eu que é de cão...) e se há coisa que não me apetece que fique nos meus arquivos de imagem... é merda. Portanto, o tempo passando de tal forma que o intento esfrie, inclino-me para um desses lugares e acabou a conversa. Ah, espera lá, também posso pôr as pedras nas rodelas dalguma das árvores da praça. O ponto chato de não colocar as ditas pedras debaixo da árvore amarela, é que pondo-as assim como que mais à vista, em lugares de grande tráfego de transeuntes, como é o caso da praça, pode ser que me levem as pedras, ademais: se há ser vivo especial para mim, é efetivamente a árvore amarela. Bom, ainda estou indecisa, não é lá por escrever as minhas ânsias num lbogue... ai perdão, blogue, que as vou eliminar.

Esta é aquela

Esta é aquela altura do ano em que tenho vontade de apanhar todas as folhas do chão. É um querer que me chega independente, pouco me importa se as folhas são bonitas ou feias.


Já sei que

Já sei que nem todos podemos ser em bom, em muito bom, em excelente e, principalmente, iguais, portanto tu és coiso, eu sou isto, eles aquilo. Depois há fatores como a tendência, a genética e a década d' agora, a qual, oh céus, está no fim. Está bem, está tudo bem, está até tudo muito bem. Não está nada, ora essa, na verdade nada disto está bem, é que por ora não está mesmo nada bem, nada, sinto-me uma Popota mas sem a sensualidade e ainda por cima sem os vestidos giros e os acessórios espetaculares. E também sem a dança e a alegria. E sem as amigas.

Dois cantos

Percorri toda a rua onde está a árvore amarela, sei lá, quis saber se os bancos teriam sido jogados para ali algures, num lugar onde a vista não alcançasse, se percorresse o trilho de sempre. Mas não os vi. Ó pá, pronto, é assim: a zona está em remodelações de pavimento há meses e meses, tiraram os bancos dos seus cantos, um estava mesmo por baixo da árvore amarela, o outro no canto oblíquo, estavam realmente envelhecidos, quem sabe afinal tenham sido postos no lixo. Olhem: não acabou a conversa porque ainda quero dizer que desci a rua e desemboquei numa outra que antigamente tinha também bancos de jardim debaixo de árvores, mas bancos, hoje, não os vi. Depois, um pouco mais à frente, parei numa rua minúscula onde antigamente – cá está o antigamente, ah ah – havia um banco de jardim, mas sem o jardim, e hoje nada de banco. Andarão a retirar todos os bancos das ruas daquela zona? Chegarão a retirar os que estão na rua mais bonita de Lisboa? Oh céus.

Leitura

Hoje, incrivelmente, não interrompi a leitura para apontar coisinhas nos papelinhos. Ah... Teve um sabor bom, pelo frescor que a novidade contém.

As horas que são

Meio-dia e quarenta e seis. Olhem: vou para almoço não tarda, ah ah, que novidade, ah ah.

A última

É uma espécie de última sobrevivente do género 'sopeira que veio da terrinha para servir internamente'. Não sei se existem muitas mulheres assim, hoje em dia, esta de que falo é quase tão velha como a patroa e, ao que parece, ambas mantêm a mesma morada há décadas. Queria saber se não lamenta que a vida 'normal' lhe tenha passado ao lado. Pode ser que sim, ou então não, pois claro, portanto: é pela dúvida que isto traz que eu gostava mesmo de saber. Qualquer dia pergunto-lhe. Acrescento só, e ainda, que aparenta ser muito feliz e tremendamente realizada com a vida profissional que tem.

Dia de (disseram na Radio)

Hoje é dia do guacamole! Oh céus! Fiquei de fazer frente à câmara, não esqueci, e um dia faço. É efetivamente uma mistura saborosa e não adjetivo mais. A maneira de escolher o abacate é ouvir-lhe o caroço a bater lá dentro e são imprescindíveis: a lima, a cebola roxa, a pimenta, o sal o alho e, claro está, os coentros. Claro que isto é tudo uma questão de gosto e ademais, se há comida que pode ser alterada, é o guacamole. Eh pá, pronto, a cebola não tem que ser roxa, mas olhem que é bem melhor, que não pica tanto, o limão pode substituir a lima, mas olhem que a lima... ah, a lima, céus, e quem não gostar de alho, olhe, não o ponha, e porque não colocar antes salsa?, ora essa... ah, falta o tomate, eu costumo pôr tomate aos cubinhos, sem as grainhas, não vá o guacamole ficar fluído, o que, quanto a mim, não presta. Bom, vamos fazer guacamole? E fazer um feijãozinho temperado e arranjar umas tortilhas e fazer o enrolanço à mexicana? Ai pá, espera lá que falta o queijo creme por cima! Ou ao lado. Podemos, ainda, pincelar as tortilhas com azeite, cortá-las aos gomos e levá-las ao forno a tostar, depois enfiamos-las no guacamole... e pumba e coiso.

Plano doce para o fim-de-semana

Bombons de chocolate branco com framboesa. Não soa muitaa bem? Há junção que soe melhor do que framboesa e chocolate branco? Talvez maçã e canela? Borrego e alecrim? Coco e manga? Porco e maçã? Pois é, bombons feitos com chocolate branco e framboesas, mal, não hão-de ficar. A ver se me safo, então. Vou basear-me na fórmula das trufas, partes iguais de chocolate e natas. Ó pá, é que comprei umas forminhas de silicone onde tudo quanto se puser ali e que solidifique fica que parece uma flor! A ideia assim mais requintada, por assim dizer, é a tal da framboesa, que colocarei bem no centro da mistura, quando esta se encontrar mais ou menos densa e ainda mais ou menos quente, então a framboesa descongelará, o chocolate solidificará e... Oh céus!

Papelinhos

Estão já a uso os últimos papelinhos da série retangular, aqueles que são portanto propositadamente feitos em retângulo, quer isto dizer que vêm assim de fábrica, e que numa das extremidades têm uma tirinha que a gente pode destacar pelo picotado. Acrescento ainda que estes papelinhos foram oferecidos por um cliente que quando mos passou para as mãos comentou, como segundo propósito de semelhante oferta, o facto de os papelinhos que a gente usa serem 'tão feiinhos', e o primeiro propósito, já agora fica também cá registado, era andarem aos rebolões resmas no armazém, que ninguém lhes dava uso e mais não sei o quê. Quando a oferta aconteceu, tirei uma foto e fiz post. Tudo isto aconteceu em 16/02/2015, é portanto decorrido um ano e exatamente sete meses por sobre a permanência dos ditos neste estaminé. Não acabaram ainda, pois não, mas é como se, que já lhes vejo o términos. Sou mulher para me pôr a contar quantos tenho ainda agarrados à mola amarela, mas é que tenho tanto para escrever, o que, sinceramente, prefiro fazer.
Mas, já agora, não saio daqui sem deixar a foto dos primórdios destes papelinhos bonitos e capazes.
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Palavras

Há duas palavras que ouvi recentemente e não fui eu que as disse: zumificador; ennoitecer. De nada, ora essa.

Primeiro

Bom dia. São dez e quarenta e nove. Hoje é dia, 'migos, hoje é dia. Aquela parte em que vem o/a lamentoso/a (pode ser outro adjetivo qualquer, é escolher 'migos, é escolher!) diz 'olha lá, ó parva, todos os dias é dia, pá!' não interessa para nada, principalmente porque o dia, seja lá qual for, é dia para tudo. Tudo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Árvore amarela

Os bancos não estão no pequeno jardim que acompanha a árvore amarela, é que nem num frente-a-frente nem num lado-a-lado, nem porra nenhuma. Não sei o que vai ser da minha vida, ai não sei, não.

É uma pena

Virginia Woolf escrevia com uma pena. Eu, Gina Maria, interrompo a leitura, uma vez mais, para apontar que... Virgina Woolf escrevia com uma pena.

Lugar (que também pode ser) da musa

Em cima da mesa em que me sentei... Nada disso, sentei-me numa cadeira, por sinal transparente.
Em cima da mesa em que me apoiei estavam dois pacotes de açúcar fechados, quer isto dizer que as pessoas que tinham estado ali também não põem açúcar no café. Surripiei os pacotes. Provavelmente nunca registei no blogue que arrecado todo e qualquer pacote de açúcar que acompanha os cafés que bebo, mas certamente registei que não junto nenhum desses pacotes ao café, bem como registei montes e montes de pacotes de açúcar e de coleções de pacotes de açúcar, quando estes contêm dizeres, versos, iniciativas. Ultimamente registo este tema (também) em vídeo, mas tempos houve em que não fazia vídeos, logo, vinha tudo parar ao blogue.
À parte tudo isto, os pacotes de açúcar servem para adoçar os meus bolos, facto que não estou certa de já ter registado no blogue. Parecendo que não, isto de ser grafómana absorve todas as certezas - eu sei lá se já escrevi?! Pois. Bom, adiante. Por conta disto de aproveitar o açúcar e tal e coiso, acontece que raramente compro açúcar. Pois. O que me desgosta. Sério, desgosta-me, é que há uns açúcares fantásticos, ele é um fino, ele é um para compotas e gelados, ele é um para pasta de amêndoa, ele é um... Pronto, já sei que o mercado é extenso e o que as pessoas donas de fábricas mais fazem é aliciar as pessoas no sentido de experimentarem coisas, e eu cá sou uma fácil nisto assim, é que sou mesmo, a minha vontade é experimentar tudo e todos. Todos, salvo seja. Queria dizer todos os ingredientes.

Na Radio

Agora, na Radio Comercial, há 'a palavra do dia'. Geralmente é escolhida uma pouco usada, que é para a coisa ter piada. O jogo é tentar ao longo de todo o dia introduzir a palavra em conversa. Não mete escrever, este jogo, mete conversar, não mete falar, mete conversar.
Supimpa, a palavra d' hoje.

Primeiro

Bom dia. São onze e trinta e nove. Ó Gina, tu escreve, mulher, tu escreve no blogue, pá. Olha: começo já por dizer que tenho dois documentos importantíssimos junto do pote que contém as pedras mediterrânicas. Os documentos são de papel e sim, a importância é superlativa, tanto que não especifico.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Leitura

O livro do momento – Um quarto que não é seu, Alicia Giménez Bartlett – contem dentro de si duas faturas, uma do próprio livro, outra dum tecido, ambas as faturas estão datadas de 23/10/2013, a do livro foi emitada às 14:16, a do tecido às 14:38. Ora acontece que rubriquei e datei o livro na página morta, costume que tenho há anos, mas datei de 25/10/2013. Hum... Enganei-me...? Hum... Tenho na memória algo referente a este episódio, não propriamente do desfasamento de datas, mas algo em torno das faturas e do livro que comprara, bem como da distância de tempo entre as duas compras. É para isto que serve um lbogue... ai perdão, blogue, não é. É. A gente pode pesquisar, não é. É. Foi assim, ó:
Ainda não, tenho coisas a acrescentar antes de.
Geralmente compro os tecidos na Baixa, portanto a compra do livro deve ter sido efetuada na estação de Metro onde me apeei à vinda, de vez em quando surge por lá uma livraria ambulante. Entretanto, ao pesquisar, descobri um post onde regsitei um episódio passado na estação do Rossio. Agora é que é, eis os posts do antigamente, de 25 de outubro de 2013:

Horas
Por causa das faturas sei horas de coisas que comprei e por causa de esticar assuntos que não lembram a ninguém depreendo coisas que vou fazer.
Às catorze e trinta e oito (e trinta segundos) comprei um tecido para fazer um casaco que um dia faço oh se faço e vai ficar giríssimo e vai fazer-me ficar esplendorosa.
Mas às catorze e dezasseis (segundos não registados) havia comprado um livro: 'Um quarto que não é seu', Alicia Giménez Bartlett, o qual é contado pela criada de quarto de Virginia Wolf. De notar que o livro é fictício. Mais um para a prateleira dos livros ainda não lidos.

Na estação
Devia ter ido na carruagem anterior;
mal de mim ter ficado a descansar no banco de madeira;
tenho tempo
- tenho sempre tanto tempo... –
ai eu
- continuam-se-me os ais de ontem -;
uma mulher fala ininterruptamente com a completa desconhecida que é a sua companheira de banco, o banco de madeira
– assuntos: doenças dos ossos e chuvada algo inesperada e que estão todas molhadas -;
a outra olha para mim de vez em quando encolhendo ligeiramente os ombros não vá a faladora notar;
no lado oposto chega uma outra mulher, não havendo lugares vazios senta-se na pedra
– onde não é banco de madeira –
e vendo uma mancha amarela passa os dedos e leva ao nariz para cheirar
– não vá ser urina que secou e amarelou –
e mesmo assim tira um lenço de papel do bolso para limpar
– mas não consegue apagar a mancha –
e faz de conta que limpa, senta-se e olha-me com um desprezo insano.
São doidas, as três.
Não diferentes, nada disso.
Chega o comboio, as duas primeiras fundem-se com a multidão;
verifico que a terceira coxeia, se tivesse notado antes ter-lhe-ia oferecido o meu lugar no banco de madeira.

Como seria a minha vida sem escrever?

Não viria contar do cliente que disse pinhas em vez pilhas. Ah ah.
Não viria dizer que no tópico (que acabei por usar como título deste post) apontei morrer em vez de escrever. Ah ah. Não só me foge a boca para a verdade como os dedos. Ah ah.
Não viria contar que a menina do lugar (que também pode ser) da musa estava doente e vi-a combinar com uma outra a troca de folga, portanto uma trocou a folga por trabalho pra bem duma colega, a outra, coitada, trocou a folga pela recuperação. Ah ah.
Não havendo blogue eu passaria pela vida mais descansadamente, mas não menos ocupada a observá-la.

Faltar

Falta-me o líquido de limpar os óculos, o óculo, a luneta, as lunetas. Havia ainda uns pingos no fundo do frasco. Não quis saber, sacudi o frasco. Há que abastecê-lo. Não há nada, está no lixo, juntamente com o lixo daqui, ó.
Ó Gina, vais ter que comprar um líquido para limpares os teus óculos todos.

Listar

É escusado colocar na lista de faltas do supermercado géneros como iogurtes ou café. Não há semana nenhuma em que não ponha qualquer um dos dois no carrinho.


Aguardar

Pode aguardar até à proxima visita que segue a próxima visita
Aguarda até à vez seguinte à próxima visita
Aguarda até se cumprir uma visita e na próxima, pumba

Post celestial

A temperatura desceu drasticamente, vai daí, o sol aparece pelo meio das nuvens, elas é que mandam. Há-as de várias cores, então pois claro, e isto do-cinza-ao-branco e do-branco-ao-cinza. Umas quantas mostram-se num branco luminoso. É do sol, penso eu.

Almoço

Bacalhau à Brás. Nunca sei o Brás é o das batatas fritas, e é. Salvou-me o meu colega de fazer figuras tristes extra-estaminé, que eu indo perguntar ao Zé, já se sabe...

Groselhas & Framboesas

Comprei groselhas no outro dia. A rica filha fazia anos e gosta que se farta de alimentos ácidos e portanto já se sabe que frutos vermelhos são grandes em acidez. As groselhas são efetivamente muito ácidas. Muito. É fruto que nunca tinha ingerido, não posso dizer que não gostei, mas acho que. São uns frutinhos muito bonitos, parecem brincos com todos aqueles pontinhos vermelhos, mas ácidos. Provavelmente, sendo uma cultura diferente, seriam diferentes para melhor, como são, por exemplo, as framboesas que compro diretamente ao produtor. Sério. Estou feita uma dona-de-casa à moda antiga, já no outro dia falei do meu fornecedor de ovos, que é também o produtor, e agora venho falar do de framboesas. E são tão boas, oh céus, tão boas, não têm mesmo nada a ver com as que compro no supermercado. Note bem: no supermercado há framboesas o ano inteiro, neste produtor há-as somente de maio a setembro.

Montra

A montra tem que conter tabuleiros de pintura, rolos de pintura, fitas de pintura, produtos de pintura.

O apego ao lixo num dia
O apego no lixo noutro dia

Num dia...
Porque não deito fora coisinhas despropositadas e inúteis como:
as rodelas douradas que caem da minha t-shirt
o aro amarelado que saíu duma etiqueta de fio
a apara de lápis
a tampa da caneta que anda sempre comigo
?
Porque os amigos não se deitam fora.
Esta ideia não é nada que eu não tenha já apresentado no blogue uma catrefada de vezes, só por dizer que quando o faço, uso outras palavras.
Noutro dia...
Deitei coisas destas no lixo, afinal deu-me coragem. Neste momento, além das coisas que enumero acima, já lá estão:
a folha com as formas para bolo
o confeti
o isqueiro
o mosquetão
a ventosa sem gancho
!

Rasgar

Rasguei a folha do ler/ler/ler, a qual tinha criado há tempos, onde exprimia os pontos porquê e para quê disso de ler e da leitura e mais não sei o quê. Não faz sentido ter uma folha colorida, patética e foleira ao pé de mim, é que está tão perto que a vejo a toda a hora. Não. Guardei-a com o intuito de vir a fazer um jogo de letras manuscritas, expondo os porquês dum lado, os para quês do outro, com as respostas organizadas de modo a perceber-se o porquê de eu me forçar a ler, bem como para quê. Creio que ficaria mais explicado, porque na verdade a folha colorida não está ô puã. Agora então é que não está mesmo, porque a rasguei. Eu já tinha dito que rasguei a folha...

Dias dum Ginásio

Ontem, no Ginásio, fiz uma aula de alongamentos, modalidade que não fazia há muito tempo. Curti aqueles quarenta e cinco minutos, afinal não estava assim tão mal... quero dizer: estava, custou pra caraças esticar pedaços de mim que não esticava há muito tempo, mas acontece que os efeitos valem o esforço e as dores. Eu tinha muitas saudades do Ginásio. Muitas.

Primeiro

Bom dia. São nove e cinquenta e oito. Já fui ao lugar escondido. Trouxe fitas de pintor de duas polegadas e de uma e meia, três litros de ácido muriático e três fotos tiradas à tal planta que sobe do chão por entre uma cadeira desmantelada. E afinal são mas é duas plantas, de duas espécies e das fotos publico apenas uma.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

As horas que são

Cinco e quarenta e dois da tarde. Deixo uma folha comprida e estreita, dobrada em muitas. Aí podem ver-se formas para bolos de muitos tipos. É uma publicidade, vá. Com buraco no meio para fazer pão-de-ló. Com buraco no meio para fazer savarim. Com/sem fundo amovível, redondas. Com/sem fundo amovível, quadradas. Com/sem fundo amovível, retangulares. Para pastéis. Para queques. Para pudins lisos. Para pudins ondulados. Para tarteletes. Para pizzas. Note bem: pizzas.

andamos a ver se andamos
vemos se andamos
e se andamos vemos que andámos

andamos a ver se andamos
vemos se andamos
e se andamos vemos que andámos

o trabalho é uma terapia

o trabalho é uma terapia

Intervalo grande

Àquela hora o banco nadois é o único que tem sombra. Bem sei que brevemente o horário muda, vai daí, quando a gente tiver uma hora acrescida às nossas vidas, àquela hora já todos os bancos da praça terão sombra. Depois, em o tempo passando, em o outono adentrando nas tais das nossas vidas, pouco vai importar se está sol ou então não, interessa mais a chuva e, principalmente, o frio.
Por ora a temperatura amainou, o que significa que, eu querendo, já me vou poder sentar num qualquer dos bancos que ficam defronte às meninas-estátua, isto sem queimar as nalgas.

Almoço

Hoje limitei-me a pedir o empadão de vitela ao Zé, sem mais, ainda me apeteceu pedir-lhe que me mandasse a vitela, mas não, ora essa. É que por entre estas andanças ouvi uma senhora dizer que o melhor café das redondezas é o do Zé, portanto já lá estava uma espontânea, para quê eu também?

Lá em baixo

Lá em baixo, no lugar escondido, uma planta sobe do chão por entre duas partes de cadeira. É um quadro muito bonito. A ver se amanhã levo a máquina fotográfica.

Há três bolos na calha

»»» Há bolo de feijão na calha.
Tenho de experimentar fazê-lo, para já pela enormíssima curiosidade em testar a textura e o sabor. Pronto, podia ser outras coisas, quaisquer outras coisas, mas não, é mesmo a curiosidade mais comum que pode existir em termos de comida: textura e sabor. Eia pá, és tão fixe, ó Gina. Pois sou. Quem se teria lembrado de tal coisa, não é. Não. Já disse que não. Tenho portanto, e mas é, que me despachar a fazer o dito porque o programa sai da box não tarda. Pois, já sei que posso visitar o site do canal 24 kitchen e blás mas é que já uma vez me meti nessas andanças e não descobri o que queria. Logo: coiso.
De seguida registo também mais dois bolos que estão na calha. Trata-se de dois episódios do programa As Doces Iguarias de Rudolph, do canal supracitado, que foram para o ar no dia dos meus anos. E eu, como tenho uma grande pancada na cabeça, quero fazer esses bolos, se ainda por cima tenho o tempo do meu lado, que os programas vão estar na box até janeiro próximo.
»»» Há bolo de laranja na calha.
Ah... Parece muito fácil e muito bom e também muito diferente. Trata-se de forrar uma tarteira com massa vienense. É fundamental que a massa seja feita com açúcar em pó, assim obtém-se uma massa mais macia, mais fácil de cortar em fatias. Por cima da massa, ainda crua, dispor um bocado de pão ralado por modo a absorver o sumo dos gomos que depois se deitam lá. Chamo a atenção para o seguinte: é forçoso retirar as membranas dos gomos, quando não o bolo ficará amargo, e vai que se deita por cima um creme de pasteleiro feito com sumo de laranja, ao invés de leite. E vai ao forno. Sei que é um bolo francês e que ostenta um certo requinte. Pois... se é francês...
»»» Há bolo de chá verde na calha.
Este vou fazê-lo sem o matcha, o chá verde japonês. Creio que o matcha dá muito sabor a este bolo, portanto é um bocado tolo não o procurar ou então, por via das dúvidas, colocar no bolo o 'nosso' chá verde, assim muito miudinho, picadinho, esmigalhadinho. O matcha, conforme o Rudolph anuncia no seu programa, é um pó finíssímo, de sabor característico, portanto não me parece que o 'nosso' chá verde substitua o matcha capazmente. Então se não tenho o matcha porque raio vou eu fazer este bolo? Porque o resto da confeção é também ela diferente do comum. Começa-se por derreter manteiga, natas e chocolate branco, batem-se gemas (creio que seis) com metade do açúcar (creio que cento e cinquenta gramas) e bate-se claras (creio que seis, ah ah) com a outra metade do açúcar. Depois junta-se as claras às gemas, os ingredientes derretidos à mistura de claras e gemas e por fim a farinha (creio que duzentos gramas) e o tal matcha. Mas eu, não tendo o matcha... ponho o quê...? Canela? Baunilha? Cacau? Nada?

Post dourado

A rodela dourada estava em cima do banco-escadote. Caíu da t-shirt quando o usei para alcançar lâmpadas (tubulares, brancas, fluorescentes) de dezoito uótes na cor deilaite.

Post verde

Diz que é esperança, a cor verde. Aparas de lápis verde. Caneta verde. Ela escreve a verde. Rasguei o papel onde estava a frase 'não há' em verde. No mesmo verde. Escrevo com o mesmo verde.
Ndo a pensar carregar comigo também esta caneta, uma vez que a tal muito boa e cinzenta e de escrita grossa tem falhas, de longe a longe. Fico doida só de pensar que se me seca a tinta. Mas não tenho coragem de tirar a caneta verde daqui. Mas quero gastar a outra. E se. Ora.

Dia de (disseram na Radio)

Hoje é dia de pensar positivo. Ah... hum, ok, vá, então está bem. Não tenho muito a dizer, isto da positividade é uma porra que me fode os cornos até mais não. Pronto, já desabafei e acabo aqui esta conversa.
Hoje é dia de mudar a roupa dos armários. Não consegui ouvir esta questão lá muito bem, de modo que julgo que é dia de retirar as roupas de verão dos armários e colocar lá as de inverno, sendo que sobra uma questão do caraças: é uma troca de lugar?!
Oh... O verão tánutérminus... Oh...
Claro que ainda é cedo para mudar as roupas, claro que não se sabe mas eu ando a braços com roupas daqui e dali há semanas, tentando encontrar o melhor poiso para as ditas, sei lá se deixe os vestidos no quarto azul e mude as saias para o quarto laranja, ou ponha mas é os edredões todos no mesmo baú. Oh céus!

Primeiro

Bom dia. São dez e cinquenta e nove. Ó pá tóin xirú! São onze e três, tive de ir arrumar umas coisas, ah ah, mas fica aqui também, já agora, que cinquenta e nove não é pão nem bolo nem cara-metade de coisa nenhuma, é uma terra de ninguém.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Documento único (de nada, ora essa)

Primeiro
Bom dia. São onze e quatro. Ah...! Tanto tempo sem escrever coisinhas! Ah...! Que saudades de escrever. Ah...! Tanto tempo sem escrever, sem atualizar o blogue, mas, ah, esperem lá, eu afinal atualizei o blogue, pois foi, fiz-lhe assim como que uma divisão na vertical, vá, portanto agora tem uma barra na lateral direita onde já coloquei as minhas etiquetas e os meus arquivos. Tudo eu. Tudo meu. Tudo, tudo. Experimentei ainda colocar o meu perfil mas retirei-o logo por conta de a minha foto ser um bocado parva. Pode ser também falta de hábito, sei lá, não estou habituada a ver-me logo ali em cima, tipo a primeiríssima 'coisa' a ver-se, tão patxau, e ainda por cima numa foto um bocado parva. É do tempo em que criei este blogue, para aí de janeiro, na altura eu usava a máquina fotográfica não tão espetacular assim para fazer os filmes, acontece que essa máquina tira uma foto quando carrego no botão 'gravar', então, vai daí, a foto é de eu a ligar a máquina. Ó pá tóin xirú! Pois, não é nada xirú, qual quê. Então e escolhi-a porquê, não é. É. Escolhi-a porque na altura fez sentido esse clicar no botão, os meus filmes não continham cortes desnecessários porque eu não sabia mexer em nenhum editor. Então hoje em dia não faz sentido nenhum, não é. É. Então e porque é que eu não arranjo outra foto mais de acordo com os dias d' agora, não é. É. Porque ainda não me deu na cabeça fazer tal coisa. Falta a predisposição, a disposição, falta-me portanto tudo. Quero dizer: nem tudo, a cara está aqui.
Movimentação
Pois que me movimentei por casa durante todo o fim-de-semana. O quarto azul não tarda está pronto. Não ficará como inicialmente previsto, aquela situação de organizar os lugares dos roupeiros por modo a arranjar um triângulo onde encaixasse o camiseiro, pois que essa ideia perdi-a, foi melhor, aquilo não ficava nada bem. Aconteceu também desistir doutra ideia que me pareceu espetacular durante meses: a de colocar a máquina de costura de encontro ao parapeito da janela, a para com a secretária do computador, pois é, também não ficava bem, acabou por ficar ao lado do tal camiseiro, na parede que estava, afinal, vazia. Mas a secretária com o pêcê lá vai ficar, junto à luz. Só por dizer que às tantas...
Do filme
Um dia ouvi num filme qualquer alguém dizer que o ser humano tem uma compulsão por preencher espaços, daí o entusiasmo todo perante as palavras cruzadas. Então, quiçá debaixo dessa ideia, coloquei a caneta verde e o lápis verde na caixinha, por modo a preencher o espaço que o saquinho verde ocupou nos tempos áureos.
As horas que são
Meio-dia e cinquenta, vou almoçar não tarda. Gostava muito de comer perna de frango assada no forno, só que não sei, por não ser eu a fazer o meu almoço. A ver vou, então, não tarda nada.
Almoço
Pescada à espanhola, afinal, o meu almoço. O meu colega perguntou ao Zé como era a espanhola e eu, mesmo a conversa não sendo comigo, disse logo que a espanhola tinha as mamas grandes. A pescada estava boa, a espanhola é que não sei, que não cheguei a comê-la, tampouco lhe vi as mamas.
Lugar (que também pode ser) da musa
Há muitas pessoas que vêm aqui e que também iam (quem sabe ainda vão) ao lugar da musa do antigamente. Hoje lá estava um senhor muito bem-posto, um daqueles a quem nunca cognominei.
Chegou a septuagenária. Uma das, quero eu dizer.
A tábua, a forma e o plástico – como são?
A tábua
não é tábua, é um bocado de plástico rígido, decorado com desenhos de cores várias e mui alegres, contornos de objetos que habitam cozinhas: cafeteiras, colheres de pau, taças, espremedores de citrinos. Tudo no plural, que a dada altura há repetições. A tábua – que afinal é um plástico – tem um friso toda a volta em rosa-choque.
A forma
para pudim é a tal sem ondinhas, escolhi antes essa, quando não, com o uso, partículas de massa iriam ficando agarradas e vai que me dava nojo e coiso. É que é realmente difícil lavar formas deste género, sei do que falo, já uma vez joguei uma no lixo por causa do nojo.
O plástico
para pôr em cima do móvel da cozinha é tão bonito! Não é nada, é um simples plástico semi opaco, amarelo desmaiado e estanque. Eh pá, é um plástico e pronto. Não fica lá muito bem no móvel, gostava duma cor mais vistosa, mas acontece que não havia e havia, ah ah, isso sim, uma certa, para não dizer grande, pressa em cobrir a porra do móvel porquanto bátegas d' água caíam por sobre o dito de cada vez que se abastecia o depósito da máquina de café e qualquer dia tinha-o apodrecido.
Dourado
Uma das rodelas douradas da tal t-shirt que no outro dia tingi de bórdô, estava a soltar-se, já pendia por sobre si e tudo, puxei-a e pu-la junto às outras, aquelas que aguardam o clique fotográfico ao depois de, com as demais, eu construir uma flor por sobre um papel branco. Clique.
À despedida
Este escrever assim compactado já me deu um enorme prazer. Numa escala de zero a cem, deu-me cento e um em todas as vezes. Hoje não, hoje retirei para aí uns cinquenta e cinco de prazer desta apresentação. Note bem: apresentação.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Designação não comercial

A 984 tem anel em latão amarelo e polido e trevo na oposição ao palhetão.

Ela escreve a verde

Fiz um desenho no livro das faltas enquanto me decidia por entre pedir as mini-tintas ou os estendais.


A caixinha

A caixinha dos pertences está portanto mais vazia, isto do saco verde ter sido despejado fez um grande efeito em termos de preenchimento. Estive a observar o que resta, agora da parte da tarde. O aro triangular não dará para mais nada senão uma fotografia risível.

Ler

Ler dá-me conta da cabeça, não ler dá-me conta da cabeça, o meu aviso ler/ler/ler, o qual vive bem perto de mim desde que criei este post, dá-me conta da cabeça. Não li o livro do momento, este foi portanto outro dia sem ler. A patetice maior é eu andar carregada com o dito e não me pôr a lê-lo.

Banco hater

Para lá
O torpor era tanto que tive de me sentar num dos bancos. Escolhi o hater.
Para cá
São duzentos e doze, o número de passos que há entre a união dos dois pinos da torre com o banco hater. A união dos pinos dá-se quando um do pico e outro do rebordo coincidem, o que acontece para aí uns três passos antes do semáforo. CCXII, ah ah, 212, ah ah, caipcua, ah ah.

Lugar (que também pode ser) da musa

A menina está mal-disposta. Apoia ambas as mãos sobre a barriga enquanto espera que desça o café de cada um dos clientes que me precede.
Ailebidére, soam acordes que me espessam a tristeza, novamente.
Espera lá que isto pode ser 'dito' doutra maneira:
Ailebidére, ouço acordes que, uma vez mais, não espevitam nem por nada o lado feliz desta que escreve.

Espéráíófáxâvôr

A senhora do Banco pediu-me 'só um bocadinho' logo depois de eu lhe passar a mensagem 'é para depositar e são xis euros'.

Almoço: iscas de porco à portuguesa com batatas cozidas

Não sei o que dá na cabeça das pessoas para se porem a comer fígado de porco. Está bem que é cozinhado e, como julgo que se sabe, a fervura anula toda uma série de bactérias e outros bichos maus (e vivos), mas porra, que raio tem a gente em mente quando mastiga e ademais engole fígado de porco, pá?!
É que o fígado é um filtro, é por lá que passa toda a classe de porcarias que o porco ingere... o porco vive numa pocilga...

Nota montes de interessante:
Este é o post 1661, capicua, portanto. É que não me apeteceu fazer um post só a dizer 'ah e tal olha uma capicua, nem me apeteceu deixar passar a dita em branco. Registado, óié.

A tábua, a forma e o plástico - motivos

A tábua
Tenho uma placa redonda, feita num plástico branco e grosso, que chegou num certo dia cheia de sulcos e nestes dias se mostra rugosa. Tem mais de vinte anos, em nova tinha até um friso vermelho. Tinha. Preciso duma coisa nova, por favor. É que não é só estar velha, está encardida e faz-me impressão. Lixívia, não é. Não, não é, 'migos, ai não é, não. Quero uma coisa nova. Obrigadinha. Pode ser madeira, quero lá saber, a minha tábua de corte do costume é de madeira, revela cortes em todas as direções, está também encardida, vai lixívia para cima.
A forma
Quero muito experimentar fazer um pudim à moda de como-deve-ser, ou seja: tampa na forma, tampa, na, forma. É de ovos, o pudim que quero fazer. Vou fazer aquela receita das partes iguais, noutro post registarei incansavelmente os pormenores dessa receita.
O plástico
É que o móvel da cozinha tem em cima dele, desde há duas ou três semanas para cá, a máquina de café. Ora é consabido que uma máquina de café lida com água, logo: pingos cairão mais vezes do que desejo, vai daí apodrecerá rapidamente a madeira do móvel e eu não quero tal coisa na minha vida.

Posta-restante:
Já comprei a tábua, a forma e o plástico.

Legumes

A faina das sopas regressou às minhas lides domésticas. Que preocupação, não é. Não. Já adquiri uns quantos legumes mas outros ainda não. Ao momento tenho cenouras, curgetes, cebolas, raiz de aipo, alhos, pimento vermelho e couve-coração, bem como as leguminosas feijão de vários tipos e grão dum tipo só. Amanhã adquirirei abóbora, nabo, beterraba, alho-francês, beringela e chuchu, depois amanho aquilo tudo, uso o necessário e congelo o remanescente. Ressalvo que as minhas sopas não contêm sobredosagens, se colocar cenouras então não coloco abóbora, se colocar nabo então não coloco beterraba, se colocar alho-francês então retiro um pouco de cebola. Já os alhos, o pimento vermelho, a curgete, a beringela, a raiz de aipo e o chuchu são colocações de sempre.

Cortinados

Não odeio cortinados, mas dispenso-os. O quarto laranja ainda não os tem, o quarto azul duvido que venha a tê-los. Este fim-de-semana prevejo grande movimentação em torno de acabamentos:
»»»passar o produto bom numa parte do roupeiro que na altura não estava acessível, passá-lo também no camiseiro
»»»lavar o chão e a janela
»»»transportar a tralha toda por modo a acabar de encher os roupeiros, bem como transportar a máquina de costura e a secretária do pêcê... ah, pois claro, o pêcê também vai ter que mudar de poiso

Imeiles

De há uns tempos para cá, sempre que recebo um imeil, junto com o nome da pessoa vem uma bola (rosa-choque no caso das damas, azul-forte no caso dos cavalheiros) onde aparecem tingidas de branco as iniciais de quem envia. Gosto de ver as bolas, são bonitas, vistosas, sem serem pirosas. Imagino a minha bola rosa-choque chegando ao seu destino com dois enormes guês. Se são enormes guês, não serão pontos guês.

Saquinho

Cortei o saco verde em muitas partes e pu-lo no lixo. Fiquei com muitas linhas pequeninas no colo, portanto já se vê que esta operação, fi-la sentada. Dava-me pena, o saquinho, para ali estava, sujo, triste e só, também abandonado, de modo que hoje resolvi dar-lhe atenção. Se morreu, não sofre mais. A título informativo registo ainda que guardei o cordão vermelho que aprisionava o saco dentro de si mesmo. Sei porquê. Guardei-o para atar o saco dos flocos de espuma que está à porta do estaminé, ao ar, à publicidade. Esse saco está-se-lhe sempre a romper o fio, quando de algodão, assim, sendo de fibra, o uso abusivo não o destruirá. O algodão morre facilmente, a fibra dá luta.

Quando?

Quando os primeiros acordes duma qualquer canção te espessarem a tristeza, eis quando.

Queratina às corzinhas

Nas deambulações observo as unhas das mulheres com quem me cruzo. As unhas que noto pintadas, raramente combinam pés e mãos.

D' ontem

Ontem fiquei por casa, sem dia de férias/folga, nada disso, antes doente. Não escrevi no blogue nem fiz a ponta dum corno lá em casa, qual quê, pois se estava doente, doente estava, não é. É.

Dia de (disseram na Radio)

Hoje é dia da grávida. Não estou grávida. Nunca estive grávida a oito de setembro. Desse estado, o mais próximo que consegui foi ser puérpera em dois anos diferentes:
a oito do nove de noventa e um, estava muitomuitomuito puérpera
a oito do nove de noventa e quatro, estava a abandonar o estado de puérpera

Primeiro

Bom dia. São dez e quarenta e dois. Por ontem não ter escrito porra nenhuma, hoje estou desligada do escrever para ficar escrito, percebem. Claro que sim, por isso termino a prosa.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Momento extremamente criativo da grafómana

Prevê-se que:

Amanhã
Vai descer a temperatura







Ah...







Listas

Tenho compras a fazer, o que é também um afazer, oh que piada fácil, e blás, mas indo ao que interessa, e não é pouco, oh que afirmação reveladora de sentimentos bons, tenho compras a fazer, que são:

»»»tábua para corte de alimentos
»»»forma para pudim
»»»plástico impermeável

A tábua
podia ser aquela que tem as flores secas a decorar. É mesmo uma tábua, as normas da saúde não chegam aos lares. Ainda. É em forma de pera, foi o senhor Valdemar que esculpiu. Não se diz esculpir se o material é madeira mas eu agora não malembra como se fala da madeira. É um artigo rudimentar, como o meu bloquinho, como o meu blogue, como o meu canal, como eu.
A forma
para pudim está na lista pelo óbvio: falta-me uma coisa assim no armário. Estas formas têm uma tampa que fecha por meio de fechos (lá vem a redundante, ca porra pá), são três. Há umas que não os têm, é só um encaixe, o rebordo da forma entra à confiança no entalhe da tampa e pumba e coiso. Na verdade a tampa não é para estancar, estancar tanto que não entra nem sai ar nenhum, nada disso, estancarestancarestancar → não, é que ainda rebenta... Estas formas são ainda caracaterizadas por terem um buraco no meio, ou então um cone, ah ah, seja lá como for o pudim sai de lá com um buraco no meio. É ainda comum ver nas lojas dois tipos de forma, uma com ondinhas, outra sem elas, e em vários tamanhos, para aí uns três. Creio que escolherei a sem ondinhas por ser mais fácil, tanto desenformar o pudim como lavar a forma, muito embora as ondinhas num pudim sejam grande parte da graça.
O plástico
é para forrar o móvel da cozinha. Sim, esse móvel viveu até aqui sem plástico impermeável, e até sem plástico nenhum, mas.

Tenho tarefas a desempenhar e com este verbo não faço graçolas porque. Pois. Sei lá como.

depositar 
as pedras mediterrânicas junto da base do tronco da árvore amarela (à-parte: as folhas amarelas são cada vez mais, mas ainda não chegaram a um número que eu considere serem muitas)
colocar 
o saco verde na caixa, não colocar o saco verde no lixo
forrar 
o caixote do lixo piriri com a tabela desatualizada, mesmo que se vejam os furos do dosisê, principalmente porque as folhas da tabela não têm furos desses
destruir 
a pequena cartolina com o 4 da fonte não-se-das-quantas, negrito, tamanho 72, ou 80, ou mais
construir 
algo com o triângulo de papel que saiu da etiqueta do fio
desenhar
 a flor com as contas douradas que saltaram da camisola e tirar fotos
abastecer 
o pacote de lenços com guardanapos que assim fazem as vezes de lenços

Próxima tentativa

Não sei se da última vez o aviso da próxima tentativa avisava que tentaria em sete do nove, às duas e um da madrugada. A verdade é que a tentativa aconteceu nesse momento e o têpêá cuspiu o papelinho, o qual avisa por sua vez que a próxima tentativa é a cinco do dez, à uma e cinquenta e dois da madrugada.
Estas tentativas são uma espécie de telefonemas a amigos que se visita de longe a longe, ou a tios muito velhinhos, tipo assim:
Olá, então tudo bem, ainda mexes, certo?
Mas em modo máquina. Pouco importa, somos todos humanos, as máquinas foram inventadas e construídas por humanos.

Post amarelado

Agora ando numa de apontar as coisinhas em papéis virgens. Rasgo-os na mesma, ora essa, desvirgino-os, ah ah, para rabiscar mesmo assim. Para vez primeira ainda consigo oito partes de papel, daí o inho do papelinho. São folhas dum papel grosso e amarelado, não doente, que é lá isso, que no cabeçalho apresenta o logótipo do estaminé do meu colega. E agora pergunta o poupado leitor:
- Eh pá, ó Gina, essa papelada não é mal empregue para ser convertida em papelinhos?
Que eu lhe respondo:
- Eh pá, não é nada, ora essa! Aliás: qualquer papel se sente honrado de ser convertido em papelinhos! Ademais hoje em dia o digital/virtual impera!
Isto do digital/virtual parece que nos livrou dum certo tipo de tarefas, mas vai que não senhores, outras tomaram o seu lugar. A gente escreve mensagens à mesma, não é. É. Eu podia ser até bem poupadinha, só naquela de fazer fosquinhas a quem for efetivamente poupadinho/a e tal, e usar tanto a frente como o verso das folhas amareladas. Mas não.
As folhas já não interessam para nada ao meu colega, eis o porquê do uso que lhes estou a dar.

Lugar (que também pode ser) da musa

Estou tão, estou tão. Li. Não mergulhei no livro, nadei levemente por sobre ele, quase que só me pus a boiar durante esses dez minutos. Ou quinze. Gosto do livro. Sério. Pois, já sei, imagine-se se não gostasse. Conta a história duma escritora que parte em busca da verdadeira história duma das criadas da escritora Virginia Woolf, isto com base no seu diário, fazendo uma pesquisa imensa, tanto que retira partes do diário da criada, bem como do da própria escritora, sendo quase tudo ficção, presumo. Quando digo quase, digo-o porque os excertos do diário da escritora parecem-me realmente retirados dos seus registos. Para ter a certeza, aí seria eu a pesquisadora. Estou sempre tão. Ca porra pá. A companhia demora. Li. Sou tão triste, aí é que está, sou.

Quarto azul

Olhem, não sabem nem julgam, mas olhem: o quarto azul está quase pronto. É verdade que já se me acabaram as férias/folgas de agosto, dias em que trabalhei exaustivamente, não só no quarto azul, como na limpeza profunda da minha cozinha, e andei de roda dos vídeos e tal, e agora o quarto está quasequasequase pronto. Vou desviar um dos roupeiros para fazer o tal triângulo, para que lá caiba o tal camiseiro. Depois é só dispor a secretária e a máquina de costura à beira da larga janela, por modo de haver prazerosos banhos de luz. Mesmo assim ainda fico com uma parede livre. Hum. O quarto é azul, mesmo azul, num tom vibrante. Eu, que vendo tintas, sei que um catálogo de cores é coisa enganadora por demais. A cor enganou-me, julguei-a mais esbatida do que afinal é, mas não me enganou bem enganada, que eu gosto muito daquele azul, portanto: menos mal. Ah, é verdade, depois vou ter de passar para os roupeiros roupa aos montes, montes de pertences, caixas e caixinhas disso assim. Já agora fica registado neste post que vou ter dois roupeiros sem portas. Não é o máximo? Sim, tudo o que está lá dentro vai apanhar montes e montes de pó, mas eu não me importo, é que dois monstros escuros, de portas fechadas, trariam tristeza à divisão, se ademais a tinta é azul mais para o escuro do que para o claro, creio que ficaria uma divisão sombria. Não quero. Sempre quis ter um quarto de vestir onde pudesse aceder a todas as roupas facilmente. Está então quase, não é. É. E aquele chão, o que vai ser difícil de lavar...? Bom, uma parte já eu raspei, nas tais férias/folgas, mas ainda falta um bom pedaço, é que a gente pondo jornais a proteger, realmente protege muito, mas não totalmente. Ao trabalho, então, já no próximo sábado de manhã, depois das compras. Hum, espera lá, se calhar não. Hum. Falta dar a segunda demão na porta e não posso ser eu a dá-la. É que a primeira fui eu que a dei e só fiz asneira, segundo o especialista calquei muito o rolo, o que fez com que pedacinhos de espuma se soltassem do rolo e ficassem por cima da porta e por baixo da tinta. O horror. Depois, para mais graça dar, ah ah, pois, o rolo não se fixava, julgando eu, claro está, que sim, mas não, e vai que numa ou noutra altura o rolo saltava e o ferro deslizava pela porta, fazendo-lhe um sulco. O horror, já disse.

Dias dum Ginásio

Já regressei, já regressei, já regressei.
É verdade que geralmente registo muitas das particularidades da minha vida, é verdade também que geralmente sou grafómana, é verdade, ainda, que tenho andado pouco grafómana, mas, ainda assim, não me lembro se registei o facto de ter regressado, finalmente, ao Ginásio, o que ocorreu há cinco dias. Pois que foi muito bom. Ontem levantei-me antes do sol, sendo que não muito depois disso palmilhei quilómetros entre os dois pontos, aí já o sol pairava no horizonte. E que cor-de-laranja que ele estava. E que grande. É que a gente não vê os contornos do sol, senão quando nasce ou se põe, e isto se não houver obstáculos a tapar a maravilha. Guardo desde ontem a imagem do sol por trás dos mastros, que não são obstáculos, que é lá isso, pois o sol deixou-se ver por entre.

Lanchinho

O lanchinho d' há bocado foi uma nectarina, já tocada, minada, penetrada, pelo bicho da fruta. Pronto, é assim, a gente corta o pedaço mau apodrecido da fruta e come o que resta, que é bem bom. Mas isto é a gente, que agentes não sei como atuarão frente a uma adversidade deste calibre.

Dos vídeos

Olhem, é assim, já tenho uma conta verificada, isto no canal do Youtube, coisa que afinal era tão fácil de fazer e tanto jeito me dá. Agora:

»»»posso aplicar em cada vídeo a miniatura que quiser, não a que o mister Youtube capta do próprio vídeo a seu bel-prazer, o que nem sempre abona a meu favor, uma vez que às vezes fico para ali com umas caras assustadoras e muimuimui repelentes;
»»»posso publicar vídeos mais longos, sendo que nesta fase, o Youtube já não mede os minutos, que eram 15, mas os megas (ou gigas, sei lá), que são 128
»»»posso usar outras músicas e não mais serei molestada aquando dalgum som musical de fundo nos vídeos que carregar

A parte chata deste último item é que na verdade para pouco me serve poder usar outras músicas, uma vez que o poderia fazer, sim senhores, mas tendo um editor de vídeos à parte do Youtube, só que não, oh que chatice, é que o mister em questão fornece aquelas músicas e só aquelas músicas. Um dia terei um editor de vídeos diferente, que há esperança no porvir, mas, sendo assim, lá continuo eu a usar os sons deste mister pela via de sempre e acabou a conversa.

Porque é que não tenho tido planos para o fim-de-semana?

Nas duas semanas passadas não houve planos para o fim-de-semana no blogue, geralmente apresentados à sexta-feira, porque havia os bolos que eu tinha feito nas quintas-feiras, aquando daqueles dias especiais que apelido de férias/folga. Filmei a feitura dos dois bolos, eis os vídeos :








Primeiro

Bom dia. São dez e zero. Sempre quis, sempre quis, sempre quis – um zero num destes posts 'Primeiro'. Quem sabe não seja esta, afinal, uma vez primeira, mas, se bem me lembro: não é.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Mensagem da (por ora) pouco grafómana

...

o mundo de lá fora
o mundo por dentro
recortes, vá

Lugar (que também pode ser) da musa

Cinco, os dias que há que não visito o lugar (que também pode ser) da musa. Sinto menos saudades do que devia, sinto a inquietação do costume e um impulso menor, portanto estou a esforçar-me para escrever coisas, tanto disto aqui como de mim. Estou demasiado inquieta para não escrever, no entanto. E no entanto estou demasiado inquieta para escrever. Não li o livro do momento. Mas que grande admiração há nesta última questiúncula, não é. É. As pessoas estão todas morenas, só por dizer que há exceções, claro está. Exetuando portanto as exceções: as pessoas estão todas morenas.

Aos poucos vou

Aos poucos vou eliminando as ideias para vídeos, restam quatro: 1meias, 2ginástica, 3canto, 4cão. O mais certo é ser esta a ordem, por uma questão de facilidade e avanço, ou seja: 1 está a meio da execução, 2 é agarrar na vontade e estender-me no chão, 3 é ter a cantiga no pêcê, 4 é mudar o sofá e chamar o cão.

Primeiro

Bom dia. São onze e cinquenta e seis. O blogue anda à deriva porque, claro está, eu ando à deriva porque, escuro está, não sei. Falta o impulso, não o tema, a ideia, ou a construção do texto cá por dentro, não, é o impulso que me está a faltar. Está calor, aliás: está tanto e tanto calor, e já que a culpa é sempre do tempo... pumba e coiso. Olha, deixo mas é vídeo, este conta com partezinhas inéditas, são-no todas, menos a primeira, onde aparece a pedra da crua vermelha, lá longe, tanto no tempo como no terreno.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Quarto

Quarto quatro. 4, ah ah. Quarto de século, 25, a idade que a rica filha completa hoje. Sim, eu tenho uma filha com 25 anos. Um quarto de século, como ela própria diz, como eu própria disse há 23 anos, imitando, neste caso eu, a expressão que ouvira a alguém muito próximo uns 6 anos antes. A rica filha merecia um post diferente deste para registar o seu aniversário, mas olha, pumba e coiso. Ah, espera lá, vou mas é buscar uma questão das dela, uma assim como que adulta, como fiz com o post do rico filho, aquando do seu aniversário. Copio então uma questão - sei lá se muito adulta da rica filha, se muito idosa de mim - ó:


«Eu que não chore no lugar da musa, antes guarde as lágrimas, por exemplo, para a senhora do Banco, que é pessoa capaz de as notar e nada dizer. Eu que deixe as tais cadeiras transparentes, que por o serem deixam passar assuntos. Há uma filha sexagenária e uma mãe octogenária que comem cada uma seu cone de gelado. A filha faz papel de mãe. É assim a vida, ao fim dumas décadas os papéis invertem-se. Afirmação corriqueira, já sei, mas.
Às vezes vislumbro o meu futuro enquanto mãe duma filha, já noto a rica filha no papel de minha mãe e noto, também, que me revejo nela e não é só fisicamente, não, há tiques e expressões que me foi buscar. Não mos tirou. Não me imitou. Nada disso. Foi-mos buscar.
«Pronto, já lavei a tromba» anuncia ela, no fim de lavar a cara com esmero, e acrescenta «como diz a minha mãe». Eu sou assim: uma besta. A rica filha (ainda) não.»

1632

Faltam-me tantas etiquetas no blogue, tantas, tantas. Por exemplo:

blogue;
blogosfera;
redigir;

É que redigir não é escrever. Ou seja, quando ponho a etiqueta 'Escrever' num texto como o anterior, o mesmo em nada se refere ao ato de escrever, mas sim à preparação, a uma envolvência, a uma ideia. Mas vou pôr a etiqueta 'Escrever' neste post, ai vou, vou. E também pus no anterior. Assim como já pus em trezentos e cinquenta e sete outros textos, sendo que este é o post mil seiscentos e trinta e dois.

Terceiro

Enganei-me a digitar o título do post anterior, pus letras maiúsculas onde não deviam ser assim tão grandes, então vai que me lembrei de começar a intitular em letra maiúscula. Este post, por exemplo, ficaria: TERCEIRO, não seria o máximo?



















NÃO.

Segundo

O fim-de-semana foi muito bom, obrigadinha. Fiz lasanha duas vezes e tudo, numa: de cogumelos, noutra: de atum. Pode fazer-se lasanha daquilo que a gente quiser, até se pode fazer só com milho ou só com abóbora, muito embora não presuma que nesses casos se encontre uma boa lasanha ao depois de gratinar. Hum... não. Também fiz coisas com farinha, ovos, açúcar e manteiga. Há duas semanas que não debito os planos doces a fazer no fim-de-semana e isso deve-se ao facto de terem ocorrido vários dias de férias/folga, o que fez com que o dia da doçaria caseira fosse a quarta-feira ou a quinta-feira. É. É, não é. É. É, é.

Primeiro

Bom dia. São nove e dezoito. Em casa, eu, quem mais?, de férias/folga.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

1628



A Carminho tinha nas mangas uma faixa da mesma cor que o meu verniz. Na maca, o rolo de papel protetor de senhoras a serem depiladas tinha a cor verde-água. Verde Água era aquele blogue. No último setembro houve coisas assim:
Confissão
Está bem, sim senhores, vamos lá:
Eu, bloguer me confesso, este espaço virtual é todo ele escrito pelo alter-ego, aquele gajo que não se contenta, que quer mais e mais e mais. Eu, a mulher, pouco crio aqui, vencida que sou pelo dito.
Percebeste?!
É realmente difícil perceber se é a vida que toma contornos despropositados ou sou eu que ando à deriva. Sem propósitos, portanto.
A boa notícia será porventura esta: não é absolutamente necessário perceber nada do que se passa na minha cabeça.
Arrumações
Tenho um amigo. Não chamo amigo a qualquer um, se calhar este até nem sabe que o é tanto assim, mas considero-o meu amigo porque já deu mostras disso algumas vezes.
Um dia passou na rua e olhando de relance para dentro da loja viu-me de costas debruçada sobre o balcão e olhando sem pestanejar numa determinada direção. Entrou e diz-me que havia resolvido parar para me dizer que eu parecia o Gabriel Pensador.
O que eu mirava com tanto afinco era a prateleira das ceras. Os novos fascos não iam caber no sítio do costume, o que significava que ia ter de fazer uma série de mudanças. Então fiz menção de lhe explicar o motivo. Ele, apesar de ser meu amigo, não lhe apetecia ouvir-me. Fez-me sabê-lo mas lá se deteve um poucochinho de tempo e eu desbobinei.
Agora pouco mais resta para escrever. Só falta dizer que compreendo que nem sempre nos apeteça ouvir problemas que parecem tão minúsculos quando colocados diante dos nossos. E acrescento, já agora, que dói um bocadinho menos perceber a sinceridade das pessoas. Comigo é assim.
Maçã ferrosa
Uma cliente do meu colega comprou-lhe cavilhas para espetar numa maçã, diz que é bom para criar ferro, faz bem à saúde, à anemia mais concretamente.
Vai daí, pergunto eu, do meu pedestal:
- Então e depois a mulher come a maçã ou chupa o prego?
Aflição
Escrever é aflitivo.
Hoje despi o casaco mas as pulseiras ficaram presas nas dobras das mangas.
É uma aflição escrever (agora está a ser) porque eu queria escrever comicamente para a gente se rir, descrevendo a verdadeira saga que é as mangas dum casaco ficarem presas em meia dúzia de pulseiras, ficar ali com as mãos escondidas, como que enclausuradas num pedaço de malha fina que por as pulseiras terem ficado lá enroladas não me consigo libertar, sendo que as mãos são o principal instrumento para a libertação... E não consigo ter piada absolutamente nenhuma. Bolas.
Substâncias
Estou convencida que o trazodone me faz falar. É como um dreno, aquilo. Tenho impurezas e a substância fá-las sair. Sai tudo o que não presta, frustração e raiva. Falo, digo parvoíces, algumas frases saem em rajada. Pode ser que faça bem este não-acumular de coisinhas.
A cafeína é outra. Mas essa é mais tipo mola impulsionadora, põe-me a rir (leia-se cacarejar) e faz-me saber que a vida é bela. Podia dizer que me faz ver a beleza da vida. Mas não. Faz-me saber. É diferente. Como se a cabeça se me abrisse para receber essa informação. A vida é sempre bela, eu é que não sei isso em todos os momentos.
Estou asténica e enérgica. Não em simultâneo, claro está, mas saltito entre um e outro estado há horas. Até estou um tudo-nada tonta.
Hum...
Esteve aqui um senhor bem-parecido e aprumadinho. Pediu-me um serviço e eu fiz. Ficou satisfeito, pagou e saiu.
Este post fica só assim para o leitor imaginar o que lhe aprouver. Ainda estou na onda de mistério (ver post anterior).
Não é uma maravilha esta interação entre nós? Eu dou o lamiré e o leitor desenvolve com a sua própria criatividade...
Conversa
Ela podia ter-me perguntado quais são os meus sonhos ou o que domino melhor. Só para a gente passar o tempo entretidas. Mas não. Podia ter perguntado eu, sei disso. Só por dizer que agora ando a ver se aprendo a não fazer perguntas.
Rebaldaria
Há sempre uma maneira de ridicularizar tudo e mais alguma coisa. Diz que as lojas de venda de ouro em segunda mão promovem o roubo. Usando a mesma bitola, a Feira da Ladra promove o roubo e a venda clandestina. Transforma os vendedores/compradores em cooperantes de graves crimes, é o que é. Mas é também a Feria da Ladra, esse nicho de sensações permissivamente ilícitas.
Comunicado
Quando começo a escrever o abstrato, ou por outra, o que ninguém quer saber:
«São 23:26, acabei agora mesmo de lavar duas frigideiras muito engorduradas e tenho as mãos a escaldar porque a água estava demasiado quente.»
É porque o que anda cá dentro dói que se farta mas não pode ser escrito sob pena de tomar uma forma física qualquer que me chicoteie ainda mais.
Eu sei que é assim, mas o leitor é capaz de não ter este conhecimento. Por isso o comunicado presente.



Hoje estou mais nostálgica do que grafómana.