sábado, 6 de abril de 2019

É em barriga


Bitmoji de Gina está com dor. E é em barriga.




Chama-se a isto 'fazer a cabeça'

Lençolinho

Ao longo dos anos tenho dado cabo de toda uma catrefada de jogos de lençóis. De uns fiz recipientes de espuma, vulgo almofada, de outros, mais concretamente dos que iam ficando sem par, fiz toalhas de mesa e, de uns outros, fi-los parecerem quais jogos de lençóis aprumados e irmanados, lindos e fofos (só que não, mas vá) e, alfim, de outros uns, por tão coçados estarem, fiz coberturas de móveis, por modo a protegê-los de pingos de tinta aquando da pintura das paredes. Ora acontece que, num repente, me lembrei dos lençóis nupciais. É. Desde aí, poucas vezes os tenho usado, mas tenho, e houve um dia que decidi guardá-los, por serem especiais. Até agora. Pois é e digo eu: mas afinal do que estou à espera? Sério, de repente pumba e coiso, eis que se me deu o baque → espero o quê para usar as coisas, seja lá o que for? Estavam tão amarelados, os pobres, oh. Havia-lhes passado o ferro de engomar por cima, numa de portar-bem, de fazer-como-deve-ser. Um dia, há muitos anos, a minha mãe instruiu-me: Gina, não se passa a ferro a roupa que se vai guardar no malão. Desde aí, não é que tenha feito caso do ensinamento, o que aconteceu foi que deixei de passar roupa a ferro, e esse jogo de lençóis é do tempo em que ainda. Ora então vamos lá a ver: os lençóis deste post são macios e muito confortáveis, e eu que já nem malembrava disso.

Posta-restante:
A minha mãe diz lençolinho quando é de cama de bebé. Quando quis intitular este post foi do que me lembrei.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Refeição


Tomei uma refeição na casa de uns amigos
O amigo perguntou-me de onde são os meus pais
A amiga serviu de sobremesa um arroz-doce bem melhor do que o meu
Vida boa pode ser, por exemplo:

Alguém se interessar pela minha ascendência e proveniência
Comer um doce que não seja eu a fazer e/mas, principalmente, melhor

Lembrete

Tenho, no estaminé, apenas um guardanapo vermelho, tenho portanto o stock em baixo, desesperado por companhia e monte. Este post é um lembrete, sobretudo na questão da cor dos guardanapos a trazer, que hão-de ser verdes, ou eu não me consiga lembrar deste lembrete durante o fim-de-semana.

brevemente

o contrário é o possível do impossível do contrário

(brevemente não descortinarei este caso, ok, tudo bem, mas é que me saiu a frase há pouco e achei-a tão gira que vim a correr registá-la)

Detergentes

A senhora não me dá descanso. Ainda bem não terminei o detergente para o chão, que dá para aí para mais umas três ou quatro vezes, e já tenho um frasco inteirinho para usar quando. Oh. E isto já para não falar do limpa-gorduras... Que também já consta no armário uma embalagem por encetar.

Encomenda com pós


Está aqui uma encomenda pó seu colega - anuncia o entregador.
Então está bem, se é pó meu colega, está bem – adere a recebedora.

Doces ou isso

Não estou certa de ter registado no blogue (nem vou pesquisar) que houve aí um dia em que ofereci uma tira de uma mistura de cereais e frutos secos (receita minha, é ver abaixo, querendo) a uma cliente que vinha alterada por circunstâncias da sua vida, acabando por descarregar em cima de mim. Contudo, como é uma pessoa conscienciosa, reflectiu, recompôs-se e desculpou-se, acrescentando que além das circunstâncias do seu momento, ainda não tinha almoçado e, também por isso, estava numa consumição e sem tempo para comer. Foi aí que decidi oferecer-lhe a barra. Dias mais tarde ela voltou e eu, que entretanto tinha imprimido a receita, já com o intuito de lha dar, dei-lha. Ficou agradada e disse que havia de fazer a minha receita, sim senhora. E fez. E mandou fotos através do WhatsApp. Há poucos dias, e tendo já passado meses por sobre o que descrevi acima, apareceu aqui com uma caixinha recheada de quadradinhos, cuja composição era a minha receita. Ela tinha experimentado fazê-la com arandos e nozes e olhem estava bem bom, bem bom mesmo, hei-de fazer assim.
Com este post não pretendo glorificar as minhas ações na vida e posturas ao balcão do meu estaminé, deixo a glória com as selfies que às vezes ponho aqui:





Gostei genuinamente de ser como fui e fazer como fiz e esta combinação fez-me feliz. Até ficámos quase amigas. Ou mesmo amigas, vá. Bem sei que não é preciso as pessoas serem constantes ao ponto de não se perderem de vista, eu é que me custa horrores encontrar amigos, mas às vezes lá calha. Para este post ficar completo já só falta a receita. É ver abaixo.


Lanchinhos energéticos

250 gramas de tâmaras / alperces secos / figos secos
150 gramas de frutos oleaginosos (qualquer um, pode até misturar várias qualidades)
2 colheres de sopa de flocos de aveia
1 colher de sopa de cacau (no caso das tâmaras e dos figos)
1 colher de chá de canela (no caso das tâmaras e dos figos secos)
2 colheres de sopa de geleia de arroz (no caso dos alperces)(pode ser substituído por mel, mas convém reduzir a quantidade para metade)

Coloco tudo no processador, aciono o botão e deixo processar até formar uma bola, o que leva quatro ou cinco minutos. O formato bola alcança-se quando tudo está moído e unido. Retiro então a bola de dentro do copo e deito numa forma. Calco, tapo e ponho no frigorífico umas horas. Quando acho que está pronto a comer corto em barritas ou em porções do tamanho do apetite.

Ressalva 1: a forma pode ser uma qualquer, só não é boa ideia ser muito grande, quando não as barritas ficam demasiado finas – tenho usado uma caixinha de plástico com 15X20 cm, mais coisa menos coisa.
Ressalva 2: é boa ideia deixar umas horas no frigorífico, umas oito a dez, assim os sabores estarão libertos e mesclados au point.

Arranja mas é uns óculos novos, digo-me eu, já ao início.

#antes
#depois


Ainda ninguém me disse:
Ah, Gina, tens uns óculos novos! E são tão giros! E ficam-te tão bem!
Excepção feita à rica filha que, quando lhos mostrei, quase se indignou, mas em bom:
Uau! Mãe, com esses até podes andar na rua!
O «até podes» resulta de algum asco que a rica filha sempre teve aos anteriores, por serem de um modelo largamente usado por um certo estereótipo. Eram baixinhos e vermelhos, davam nas vistas pra caraças. Ao escolher estes, fiz questão de me inclinar para um modelo completamente diferente, as lentes são altas e arredondadas e a armação é fina, de um padrão que, presumo eu, se chama tartaruga e tem uns laivos de um subtil azul. Ora ocorre que os lugares da armação onde pousou a tartaruga e o azul são aleatórios, e foi acontecer que por cima do olho esquerdo se veja muito azul e do direito seja toda eu modo tartaruga. Quando os vi pela primeira vez pensei:
Oh que pena, a coisa ficou mal distribuída.
Tive vontade de manifestar o meu lamento ao senhor oculista, só que não. Entretanto, e, mais do que positiva, sou criativa, logo magiquei motivo para os meus óculos serem assim como que coxos em padrão, e é então assim:
há pessoas que têm olhos de cores diferentes
pois os meus óculos são uma espécie disso
Se o motivo não é conforme com nenhuma das plausibilidades desta vida, paciência.
Ainda a novidade, mas com outra gente.
Um dia lembrei-me de perguntar ao Ângelo:
Olha lá, já reparaste que tenho uns óculos novos?
E ele:
Eh pá, não. Esses são outros?
E eu:
São. Hum, vou ali buscar os velhos, ponho-os na cara e quando tu me vires, notas a diferença vais dizer ah-Ah!
E fui e pu-los e mostrei-lhe. E ele:
ah-Ah!

O mundo está cheio de regras, e algumas são prescindíveis.

Um dia, quando entrei no consultório, o senhor doutor cumprimentou-me assim:
Gina!
Quais boas-tardes ou bons-dias, quais quê. E eu, como sou de olás, vá de olalá-lo, prescindindo, portanto e também eu, dos costumes. Ah, e para quem não sabe, o meu nome é Gina. Prazer.



figuras que já fiz 
no consultório do senhor doutor 
e a que posso chamar, 
sim senhoras e senhores, 
de evolução


ONI, Objecto Não Identificado

quinta-feira, 4 de abril de 2019

13 ou 14

Em tempos há muito idos eu registava com frequência as horas e os graus que o placar da praça mai linda de Lisboa mostrava, e isto tanto quando ia para lá como quando vinha para cá. Um dia de Inverno notei que os números oscilavam entre o 13 e o 14, uma vez que as horas, para lá, eram sempre 13 e qualquer coisa e, para cá, 14 e tal, já os graus, daí não se moviam havia muitos e muitos dias, ou eram 13 ou eram 14. Fiz então um post com esta temática interessantíssima, revelando-me aborrecida com o impasse (não deixo link porque é do blogue anterior, ao qual bloqueei o acesso) e, ontem, vendo que o placar me mostrava que estavam 14 graus em Lisboa, e naquele lugar, lembrei-me disto e acrescento que as horas agora costumam ser outras, tanto pode ser mais cedo como mais tarde das 13 ou 14 horas de cada dia da semana.

Cortinado

Que há dois tipos de cornucópias... Hum, sei o que registei mas ao momento não me lembro como são as 'outras' cornucópias. O que vale é que posso certificar-me, e já não tarda.

A árvore amarela

Na passada segunda-feira, dia 1 de Abril, notei que...
… finalmente!... tcharam!...
A árvore amarela mostrou-me as suas folhinhas verdinhas e jovenzinhas e tenrinhas. Tirei uma foto para vos mostrar mas, aquando desse dia, e mesmo a foto tendo sido captada com o telemóvel, que é parco para panorâmicas ou grandes distâncias, tem, ademais, o condão de no-las mostrar em pequerrucho. Ora então decidi enviar-me a foto por mail e, com tempo, ver no computador e assim me certificar de que realmente se viam as folhinhas por mim tão aguardadas.
Bom.
Então.
Não se vêem assim lá muito bem as ditas, mas o momento da descoberta, sendo tão especial, é-o sempre, o que até se pode tornar monótono, mas não, portanto mostro na mesma. De maneiras que olhem, nesse dia era assim que estavam as folhinhas novas da árvore amarela:



#semfiltro


Cinquenta e dois

Na rua dos cinquenta e dois jacarandás cruzei-me com um homem que cheirava a sujo de muitos dias. Melhor é o cheiro dos jacarandás, ia eu pensando, tudo bem que parece urina, mas uma urina virgem e expelida há não muitos minutos.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Colorido

Não era carrinhos de linha, era frasquinhos de verniz. A ideia primária veio do colorido da prateleira, daí o singular na frase primeira disto que escrevo.

Estou mais magra

Estou mais magra, é que só pode ser. Agora, quando passo junto à entrada de um daqueles centros de estética e, mesmo que a menina à porta esteja incumbida da tarefa de espalhar folhetos publicitários a todo e qualquer um ou uma olhe para mim com os olhos, eis que não me anuncia com o estender de mão os seus produtos prometedores de boa aparência, tipo assim emagrecimentos de vários tipos e velocidades e preços. É que nem folhetos prometedores de belas cores e texturas de pele facial. É, devo estar mesmo mais magra. E mais gira, até, sendo assim.

Alfinetes

Lembrete:
Comprar alfinetes, ou coisa assim, discretos, funcionais, para prender os casacos. Convém dois a cada casaco, pois, sendo um só, uma badana abanará com o andar e se deslocará ao lugar de aperto, quero eu dizer o lugar onde terei colocado o alfinete. Terei, quero eu dizer de eventualidade, pois que ainda nada disto fiz. Nem coisa assim, nem nada, isto aqui é um mero lembrete.

Domingo

Um dia desses aí, um domingo, encontrei-me sozinha da vida e decidi agarrar no carro e ir ao Ginásio. Foi o melhor que fiz. Para começar, após sair do primeiro túnel(zinho) que se encontra logo que se dê início ao IP7, avistei Lisboa numa perspectiva que não me é habitual. É Lisboa moderna, mas é Lisboa. Só não fiquei siderada com o tamanhão do que a vista alcança porque me encontrava em movimento e, ainda por cima, em lugar de não se poder parar a marcha. Para continuar, o meu automóvel de matrícula portuguesa visitou a área do Ginásio, coisa que não fazia há um ano ou dois à conta de, da frota familiar, a mota levar a melhor há esse tempo todo. Para terminar, dialoguei com ele:
Carrito, olha, tinhas saudades disto aqui?
Sim. (ele é básico)
Hum, há montes de tempo que cá não vinhas, né?
Sim. (ele é consistente)
Pisar este chão, ver este rio, inspirar este cheirinho, né?
Sim. (ele é, também, concorde)

Portanto: ó tu que estás só, não estejas isso, fala com as coisas do teu quotidiano.

Pimentas

Na minha cozinha tenho vários tipos de especiarias, umas em estado único, outras compostas. Nestas, há dois ou três frasquinhos que na sua composição contêm grãos de pimenta. O que aconteceu com os grãos não foi nada de especial, para ali andam, só que os transpus para outro frasco, tipo pote, porquanto a tampa se partiu e assim era impossível a rosca do moinho desempenhar a sua função. De resto, ocorre que, da mistura, os grãos de pimenta são maiores e mais pesados e destacam a sua presença, levando-me a uma escolha difícil. Digo difícil não por indecisão mas por serem fugidios. Fizeram-nos redondinhos, o que os leva a rebolar. Fizeram-me os dedos arredondados, o que os leva a escapar-me. Agora ando então a retirar montes de grãos de pimenta até conseguir chegar facilmente aos outros ingredientes. Os finos. Fininhos.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Dia de (não era preciso dizer na Rádio)

Hoje é dia das mentiras. Supõe-se que se contem das credíveis. Olhem: este blogue vai acabar. Olhem: morri durante este post mas vou terminá-lo. Olhem: a praça mai linda de Lisboa já diz os graus - dezoito.

5838

domingo, 31 de março de 2019

Estou mais gorda







Amanhã faço dieta
Amanhã faço dieta
Hoje é que não me apetece
Para mim fazer dieta
É uma treta, é uma seca
É pior do que parece
Amanhã faço dieta
Morra a massa, fora o pão
Viva a água, abaixo o vinho
Amanhã faço dieta
Hoje ainda é que não
Porque me sinto fraquinho
Pequeno almoço quer-se bem ajuizado
Leite magro desnatado e uma tosta muito fina
Com um chá verde tipo meio medicinal
Com uma fatia frugal de uma fruta pequenina
Mas na altura de atacar a refeição
Surge uma indisposição, instala-se uma tremura
Já que um bolo está mesmo ali à mão
Devora-se um pedação que o açúcar é que cura
REFRÃO
Para o almoço aconselha-se a salada
Ligeiramente temperada com 3 pingos de limão
E uma coxa de galinha sem gordura
Velha seca triste dura
Como uma migalha de pão
Mas na altura de atacar a iguaria
Toca na telefonia um cantor napolitano
Em sua honra, põe-se a cozer uma massa
Devora-se numa taça com um queijo italiano
REFRÃO
Chega o jantar a decisão está tomada
Uma sopa deslavada feita de água mineral
Com meia couve, um puré requintado
Um tomate enlatado, de uma marca nacional
Mas num repente, vem-nos à mente a lembrança
Que dormir-se com a pança vazia é perigoso
Come-se um bife, frita-se uma batata
Embrulha-se tudo em nata porque fica mais guloso
REFRÃO


Herman José, daqui

sábado, 30 de março de 2019

Verdadeiramente genuíno


Verdadeiramente genuíno tem demasia. Se genuíno, por quê verdadeiramente?


A little sympathy I hope you can show me







título: daqui


E vá de supermercado

Na prateleira dos ovos, vi que os havia em branco. De casca branca. Tão bonitos. Se são melhores pouco me importa, embora me importe se forem piores. Mas presumo que não. A etiqueta impressa é em cor-de-rosa e um deles apresenta umas manchinhas de um subtil amarelo. Calhando algum que partiu nas viagens e borrou aquele com a sua gema e entretanto secou. Mas também pouco importa. Ou nada. O que eu sei é que tenho na despensa ovos de casca branca, até parece que estou num programa de culinária lá dos esteites.

Eu e as


Eu e as minhas olheiras do tamanho do mundo damos os bons-dias a todos quanto. 

Ontem publiquei muitos posts, mas não de rajada como é costume, já que vou escrevendo durante o dia e à noite é que despejo no blogue, mas ontem não, foi seguindo um post com uma ou duas horas de intervalo ou coisa assim, e considero que fiz uma companhia do caraças a todos quanto. Por isso, como este é um primeiro post e há várias horas que não publico, digam-me:


sexta-feira, 29 de março de 2019

A grossura

O caderno onde rabisco está quase no fim da sua vida. E está grosso. Gostava que fosse pela grossura das minhas palavras, por gostar de canetas que deixem um traço grosso e, se grosso, então, quiçá, alto também. Mas no fundo sei que não é de nada disto que trata a grossura em que está o meu caderno, é porque tem uso, cada folha foi virada e revirada, deixaram portanto de estar comprimidas, foi incutido ar por entre cada uma. É isso. É só isso, quero eu dizer.

Cortinado

Estive de roda de mais um escrutínio do padrão do cortinado. Descobri umas cornucópias enormes e outras do mesmo tamanho mas com arabescos diferentes. Em umas há meios-círculos apoiados no rebordo mais largo, há uma bolinha mesmo no centro e são para aí umas cinco ou seis, em outras não fixei, ficando, então e quiçá, para uma próxima oportunidade. Em certa altura o tecido acaba, cortando duas ou três cornucópias dessas. Como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, uma cornucópia é caracterizada por ter uma das extremidades arredondada, que vai afunilando e termina em bico. Então, o facto de o tecido acabar mais ou menos a meio de duas ou três, fá-las parecer, cada uma, uma baleia à vista num mar imenso. Uma, uma, ou duas ou três.

Antes que

Nota:
Ó dona Antónia, olhe que este vidro aqui está partido.
Orientação:
Então não o lave, não vá cortar-se ou coisa no género.

Queria, não, quero. A pedir, nunca em poucochinho.



(é pedir em muito, então)


Tentativas

Texturas


Uma Gina

Uma Gina de onze ou doze anos ia no carro dos tios visitar uns primos que se sabia ali – digo Vila Franca de Xira – e resolveu, durante a viagem, enquanto tios e pais conversavam, enfiar o fio que trazia ao pescoço na boca. Ora aconteceu-lhe o que não pensou: o fecho abriu e fechou, entalando-lhe o lábio por dentro. Depois foi uma aflição até conseguir abrir o fecho e aliviar-se. E tudo sozinha. É que se fosse queixar-se havia ralhete e ela, tão jovem ainda, sabia que não queria nada disso na sua vida.

Tinha a mania de enfiar coisas na boca, desde flores a dedos e a canetas e a bicos de lápis.

Boca





Tenho que ir ver esta boca, é que nem com beijinho me safo.


O BOM

Encostei o mindinho, frio, ao caixilho de alumínio, quente, e foi BOM. O vento a favor e tudo.

Sonho


De noite passei pelas florinhas brancas.
Sonhei que ele me dizia 'olha tão bem que cheiram' e eu guardei-as dentro do saco.
De manhã passei pelas florinhas brancas.

E vá café


E vá café.
Três, por ora.






Au eva, nenhum bebido com estes preparos que Mirror de Gina vos mostra, bâte ise óquei éniuei. Mirror de Gina é muito engraçada, Gina quer ser.

Os meus são em verde


Pequeno-almoço

O pequeno-almoço foi sumo de laranja e pão de sementes. Se tenho feito torradas as sementes estalavam ao calor, que eu bem sei.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Línguas


Sinto-me entontecida, se tenho a cabeça baixa muito tempo, disse a dona Marta. Disse.
Ó dona Marta, olhe que isso é por conta da gravidade, não da cabeça, pensei eu. Pensei.

Tendo a considerar que é mais difícil alguém entender a minha língua do que eu a dos outros. Pode ser porque me encolho, pois pode, mas também pode ser porque (a maior parte d) os outros não se me abrem. Nesta jogada, é na segunda hipótese que gasto todas as minhas fichas.

Eu que me ouça, então

O cliente desejava um insecticida. Depois de me ouvir dizer que o que lhe indicava -
'É fantástico.'
Ainda me ouvi acrescentar -
'Para si, não para os bichinhos.'

Nervoso grandinho


Logo ao início das consultas, bem que o senhor doutor me fez saber:
Quero que se sinta à vontade para me dizer o que quiser.
Só que a vez em que Gina não esteja como se vê em seu Mirror ainda não ocorreu. Ainda, repito.


á-Á!


á-Á!, queria eu dizer quando visse as folhinhas novas da árvore amarela. Só que não.

Avenida

Fui dar um giro e entrei pela Avenida de Paris, que notei diferente em sentidos, pois agora, quando se vem da rua Presidente Wilson, o trânsito divide-se em dois sentidos. Achei graça à diferença pelo inesperado e porque fica mesmo giro. Pronto, está bem que aquilo tudo é à conta de melhorar a circulação das bicicletas e mais não sei o quê, mas vá. Vão. Vamos. Quero dizer: eu, a pé.

Dias de um Ginásio

A sala de Pilates cheirava a perfume. Tomei consciência do cheiro para aí ao quarto de hora de aula. Fiquei indecisa por entre duas situações.
Sim, eu penso muito enquanto treino, mesmo que o treino seja uma aula de grupo, mesmo que me encontre sob comando doutrem. Sim. Sim sim sim. Sim, gravo frases e temas na minha cabeça, que dilato logo que posso por modo a pôr no lbogue... ai perdão, blogue.
Será que o perfume já lá estava e é portanto um difusor que difunde uma aroma artificial e só dei por ele, o aroma, depois de um quarto de hora de permanência na sala?
Será que o perfume emanava do corpo de alguém que, ao início, ainda estava frio, mas, com o constante mexer foi aquecendo e, vai daí, o aroma, que não deixa, neste particular, de ser artificial, se propagou mediante o calor conseguido com o mexer do corpo?

Tangerinas

Numa outra noite fomos, eu e o meu colega, à mesma cliente que nos convenceu a comer uma tigela de sopa. Aí houve então convencimento por parte da cliente a mamar três tangerinas cada um. 
Que eram mesmo boas. 
Que uma amiga as tinha a estragar lá no pomar. 
Que colhera uma data delas. 
Que lhas ofereceu. 
Que lá em casa mais ninguém pega naquilo que não ela. 
Que comêssemos. 
Eu cá não me fiz tão esquisita como da vez da sopa, o meu colega idem. Eu não cheguei jantada a casa, embora na hora de ter a pança cheia de tangerinas me parecesse que sim. Já do meu colega desconheço como lhe aconteceu o serão.

Lisboa, Lisboa

terça-feira, 26 de março de 2019

5/7

A semana tem sete dias e em cinco deles estive com o Tó Zé. Não houve portanto intermitência mas consistência nessas cinco partes de sete. Ou talvez tenha havido intermitência sim, afinal nenhum Tó Zé era o mesmo do dia anterior ou do seguinte. Não, não houve, intermitência não é nada disto, intermitência seria eu estar com o mesmo Tó Zé em dias alternados. Sim, a vida está cheia de cenas fixes para eu escrever, lá isso é verdade.

Post com título

O telemóvel da pessoa que tem a mão que embala a cadeirinha está a tocar. Baixinho. Não sei se devo incomodá-los. Todos. Os três. Olhe, o seu telemóvel está a tocar. Incomodo a mãe, o bebé e a pessoa do lado de lá da linha. Mas, se sim, dos três, qual interceptar?

O bebé já dorme, porém, inquieto. É favor não incomodar, é o que os seus sobressaltos me dizem. É incrível como as situações me dizem mais coisas do que as pessoas.

Há um penteado africano a ser feito. Olha, ó Gina, isto é um penteado, diz-me a situação que observo.

Uma cliente chega três minutos atrasada para a manicure. Desculpa-se. A manicura alivia a cliente, diz que três minutos não é nada, enquanto se afasta para guardar qualquer coisa lá dentro, numa salinha de arrumos, escondida, antes de se dedicar totalmente à cliente. Não esconde, porém, o bambolear das ancas ou o que diz. E esta é mais uma situação que me diz uma situação.

Dias de umas calças num Ginásio

Não deixa de ser giro o clima que a minha entrada no balneário faz sentir entre as gentes. É vê-las todas malucas pelo interesse desmesurado na indumentária mais fofa que trago, aquelas calças esponjosas de que já falei aqui. Quando abro o fecho e as empurro para baixo, deixo ver um outro par de calças, mais fino, igualmente preto, e elas a entontecer com o retrato cénico que é um emagrecimento verdadeiramente rápido. E duradouro. No casaco enchumaçado pousa também o vivo interesse, é certo, porém arredado da maluqueira, que aí já o retrato não se presta a cinema. «Oh, afinal é só um casaco de motard cheio de alturas, nada mais banal, agora aquelas calças... Ah!» Pensam elas, mas calam, vai daí ponho no blogue, porquanto é lugar onde posso, justamente, pôr o que eu quiser.

Sonho

Sonhei que me tinha aparecido uma borbulha enorme na perna. Era uma rodela transparente, na verdade um lago, onde se via inclusive peixinhos pretos de barbatanas e bigodes brancos. É bem capaz de haver peixes assim, mas o que eu acho é que fui buscar o aspecto da minha cadela, a Olívia, o bicho-cão. Bom, andemos. Entretanto espremi a borbulha e os peixinhos foram à sua vida, mesmo que dentro de um espaço com oxigénio. Depois foi acontecendo conclusões para aquela situação:
eu havia ido à praia;
um peixe entrara para dentro da minha barriga;
pusera ovos;
peixinhos haviam nascido (obviamente dentro da minha barriga)
A decisão seguinte era rumar ao hospital. Foi então que o senhor doutor retirou um peixe enorme de dentro de mim - com as mesmas cores dos peixinhos que já se haviam instalado no esquecimento do sonho – e que se nos apresentou ratado e gelatinoso.


Pronto, é sonho, que querem?

segunda-feira, 25 de março de 2019

Parto e à parte

Não posso afirmar que a árvore amarela tenha as suas folhinhas da época 2019 à vista, o que lamento. Não posso afirmar, não por as não ter visto, mas porque o que vi me fez pensar que, aquando de um parto, a cabeça do bebé estando fora e o corpo ainda dentro, não se diz ter efectivamente nascido, né? Então pronto, é algo desse tipo, lá que as folhinhas se deixam ver, deixam, mas apresentam-se-me de um verde mais escuro do que o por mim esperado, pois sei que serão clarinhas e, pelo que presumo, assim me parecem porque cada nódulozinho contém em si muitas e muitas folhinhas comprimidas que estão apenas a deixar ver as cabecinhas, afinal ainda não nasceram nem nada disso. 
À parte esta questiúncula do verde mais verde da minha vida, hoje foi dia para mostrar a pele dos braços ao mundo. Está calor. Muito. Pena é o placar da praça mais linda de Lisboa estar apagado - e há semanas que o está -, quando não, apareceriam os números a dizer os graus. Devem estar uns vinte e oito, vá. Ainda assim, todas as árvores que vivem aí continuam nuas. Umas outras, mais longe, do outro lado da estrada, não tapam ainda o poeta. E lá estive eu, sentada no banco hater, a dar conta disto tudo, para vos dar conta disto tudo e também para escrever isto tudo duas vezes, uma em papelinhos e em resumo, outra no blogue, estendendo até que me vá embora. Boa noite.

Bonecada de Gina




Descobri mais uma aplicação onde me posso retratar fielmente. Bom, mais ou menos, vá, esta boneca não é tanto a minha cara, só por dizer que tem uma particularidade montes de interessante: as legendas, quando as há, são em português; é certo que nem sempre o género se me aplica, que sou mulher e há coisas que se me chegam no masculino, mas é ok na mesma.
Acima temos então Bitmoji de Gina olhando para Mirror de Gina. Não é que uma esteja zangada por a outra não lhe ser bem vinda, está é um pouco apreensiva e muito expectante.

domingo, 24 de março de 2019

Ainda há moscas no chão


Matei dezenas de moscas no meu quarto azul. Era vê-las caídas no caixilho da janela. Havia-as também no chão, mas poucas. Por ter usado insecticida em dose cavalar, o chão ficou húmido e peganhento. Humedeci-o, por minha vez, mas com água e detergente. Lavei-o, em suma, não sei se tinha dado para perceber. Depois secou. Tudo. Fiz um funeral às moscas e tal. Era pegá-las pelas patinhas inertes e deixá-las cair do terceiro andar. Não lhes deve ter doído nada. Quer então isto dizer que ainda há moscas no chão. Este post vai-se chamar 'Ainda há moscas no chão', decidi agora. Antes tinha sido 'Moscas' e 'Moscas no chão'.

sábado, 23 de março de 2019

quinta-feira, 21 de março de 2019

Eis Gina armada ao pingarelho






(e ainda por cima mostrando uma foto que é mais do mesmo)



Mas pronto, a Primavera está aí há quase vinte e quatro horas, a foto foi tirada no Inverno, quando este já tinha muitos e muitos dias, andava-me a ideia em rascunho há quase tantos quantos esses, de maneiras que. Ah, hoje é o primeiro dia inteiro de Primavera, pois que a dita chegou-se-nos ontem pelas vinte e uma e não sei quê de minutos. Boa noite.




terça-feira, 19 de março de 2019

Árvores

Volto a dizer que a árvore amarela ainda não tem folhinhas, muito verdinhas, muito tenrinhas, muito pequenininhas e, por isso, muito espetadinhas. Ainda há pouco lá estive, a fazer a figura do costume, mas nada.
Volto a dizer que a árvore amarela não é minha, é, isso sim, uma árvore que observo com mais interesse do que qualquer uma das outras.
A árvore arredondada deixará de o ser. Mesmo. Ao presente já dá para imaginar como estará para aí em Junho. Nada frondosa. Alta, esguia. Jamais voltarei a sentir aquele misto de medo e prazer de passar debaixo dela, a folhagem ficará muito acima da minha cabeça. Quero dizer... jamais, jamais, não, que tudo cresce, e às vezes é para os lados.

On ira où tu voudras, quand tu voudras

Há dois ou três dias lembrei-me num repente do verso que aparece no título deste post e que pertence a uma canção de Joe Dassin. Senti-me iluminada, digo no sentido de ter sido preenchida por uma luz, a das palavras que não fui eu que pensei e expus. Ou seja, eu não me ilumino porra nenhuma com aquilo que escrevo, antes sinto uma ânsia enorme, uma compulsão quase, quase quase quase, doentia para registar tudo, e nunca, repito: nunca me sentindo satisfeita. Então, foi com prazer que abracei o verso, que, ademais, tinha surgido sei lá por que motivo, nem isso interessa. E não é meu. Foi tão bom, foi como um descanso inesperado.
Bom.
Então.
Hoje de manhã ouvi na Radio um anúncio onde se ouve um trecho da dita canção. Usam a parte em que o coro feminino cantarola lá lá lá, que alteraram para blá blá blá. É sério que eu ainda não tinha ouvido este anúncio. Mesmo. Embora esta seja uma daquelas ocasiões em que penso que pouco importa se havia ouvido ou então não, se estou a inventar ou então não, se estou baralhada ou então não. Mal algum virá ao mundo, se sim ou então não, quando afirmo do alegre repente que foi ter-me lembrado do verso de uma canção velhinha e que não se ouve lá muitas vezes.

Conceito

Cá no meu conceito, escrever é pensar.

Forma familiar

Estou sempre presente
Ouvindo o que não gosto
Sendo o que não quero

Do bolo

Um fim-de-semana desses aí que já passaram quis fazer um dos bolos mais maravilhosos que conheço, que é o Bolo Bakewell. A massa é essa maravilha de que falo porque é composta por amêndoa moída. Generosamente. A ideia propõe um sabor rico e uma textura húmida, e a amêndoa concretiza-a, portanto: lá vem deleite. Ademais, é um bolo composto por framboesas frescas. Ah... Eu já disse que este bolo é uma maravilha, não disse? Pois. Nesse dia, cá por coisas, havia resolvido trocar as framboesas por morangos mas, chegada a casa com os ditos no saco das compras, notei que de amêndoa teria para aí metade do que a receita pede. Hum, ok, vá, havia nozes e pus nozes, que moí. Não vou dizer que é a mesma coisa, a noz é um fruto mais acre, mais oleoso, mais profundo, e conferiu tudo isso ao meu bolo. Inicialmente eu só pretendia mudar o fruto mas aconteceu o imprevisto da amêndoa, o que me levou a fazer um bolo já um bom bocado afastado do Bolo Bakewell. Agora perguntará a estimada audiência:
Ó Gina, então e o bolo afinal estava bom ou não?
Que eu respondo:
Claro que sim! Magnífico! Ora essa!

Segunda-feira

Hoje não é segunda-feira, bem sei, mas é desse dia que venho falar. À segunda de manhã é tempo de pôr a sopa no frigorífico. Vai daí, lembrei-me, isto ontem, e hoje venho pôr no blogue que:
Há uns meses vi um programa de culinária da Martha Stewart onde ela ensinava a fazer caldos disto e daquilo e, chegada a certa altura da fervura, o caldo começava a formar uma espuma que ela recomendou retirar por se tratar de impurezas que a temperatura agrupa e faz subir à superfície. Proceder deste modo faz com que a probabilidade de o caldo sair perfeito e mantenha a frescura seja mais elevada. Ora o que é que, com base nisto, eu pensei? Quando acabo de triturar a sopa aparece uma espuma que, durante anos e anos, julguei tratar-se da espiral e daí não me movi. Mas, ao visionar este programa, pensei: espera lá, se calhar, às tantas, a espuma se deva, também, quiçá,
às impurezas presentes no caldo que ferveu um montão de tempo!
Desde aí, trituração efectuada, agarro numa colher e toca de retirar a espuma toda que se lembra de aparecer à superfície. Não estando certa de a sopa me durar mais tempo à conta deste passo, a verdade é que fico a sentir-me assim como que limpinha.

Dia de (não era preciso dizerem na Radio)

Hoje é Dia do Pai. Há alguns anos que o meu pai me liga todas as terças-feiras de manhã. Hoje calhou, então, de ser os Dias.

Lisboa, Lisboa

Pequeno-almoço


Permanece um mistério o facto de a primeira panqueca ficar estia e emborrachada, e as seguintes não. Já o que não se me apresenta misterioso é o facto de quatro laranjas darem sumo para duas pessoas e cinco para três. Chama-se a isto repartição de finanças, o que toda a gente sabe o que é, principalmente se for considerado que não há maiúsculas.