Há partes do corpo que me crescem com carícias, como por exemplo o cérebro. Tem de ser carícias, muito embora eu ache que bofetadas e empurrões também me aumentam o tamanho do cérebro, mas é que as carícias são tão melhores.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Plano para depois
Filmar a escreveção das etiquetas, quando datar e nomear a garrafinha. Ainda tenho de comprar a fitinha e tudo. É para atar, é.
Tenho de
Tenho de
pôr no lixo uma bolota seca e sugada, de onde já retirei todos os assuntos que queria, uma borracha de má qualidade e uma borracha tão pequenina que já não é manuseável com o conforto que espero, um relógio ao qual se lhe saltou o botãozinho da corda.
Tenho de
ah... eu também me jogar no lixo ou coisa assim, mas como deita mau cheiro, pois que não.
Conhecidas
Uma conhecida comparou-me a alguém, desfavorecendo-me subtilmente, mas eu que não ficasse melindrada, ora essa, sou tão como. Oh.
Uma conhecida ouviu-me gargalhar na rua e até parou a marcha, atentem que até, para me contar que me ouvira e se decidira a parar porque. Ah.
E agora vamos
E agora vamos falar de açúcar. Descobri recentemente que a marca Sidul tem nos seus pacotes um saborímetro, o que é montes de interessante. É um gráfico de sabor, que vai de 1 a 5.
O açúcar mascavado é 1
O açúcar amarelo é 2
O açúcar morenito é 3
Curtia saber quais são o 4 e o 5. Às tantas não se aguentam, de tão saborosos.
Comentário
Como não fazer o registo do primeiro comentário infeliz e portanto dispensável num vídeo do meu canal no Youtube? Mas como não?! Ah... Quanta alegria, sinto-me tão importante! Tão super fixe! Agora já sou uma youtuber como deve ser. Sim, que youtuber que se preze e que se queira distinguir tem de ter haters, quando não será merda nas paredes duma retrete. Vejam lá o tamanhão do acontecimento que, primeiro, estou a registar o facto, ó pá, há que retribuir o manifesto, segundo, estou felicíssima com a interação, eu que estou sempre tão sozinha. Ah... Quanto prazer pela companhia das pessoas, a sua atenção desmesurada, os seus sábios conselhos. Ah...
Escovas de dentes
Era uma vez uma mulher que trabalhava numa loja de artigos diversos e de vez em quando tinha de fazer pedidos mas eis que algumas encomendas chegavam assim como que descomandadas. Foi o caso dumas escovas de dentes (ah... só pelo título, ah só pelo título) muito rijas e ásperas que ela em tempos recebeu, tendo anteriormente pedido escovas de dentes que arrancassem eficazmente a palca bacteriana dos dentes dos clientes, pois sim senhores, mas sem fazer sangue e, ademais, que lhes coubessem dentro da boca enquanto se esfregavam capazmente, e capazmente não era nem foi, nunca, com aquelas escovas. Bom, essa mulher (ó mulher, olha, ó tu, ó mulher, vem cá a casa) vendeu (incrivelmente, mas é que incrivelmente mesmo) duma assentada três dessas escovas a um cliente que já experimentara uma e ficara maravilhado. Pronto, é facto que a vida surpreende as gentes deste mundo. Foi, portanto, um total de quatro escovas vendidas àquele cliente, mas em duas vezes. Foi uma coisa parcelada, vá, creio ser consabido que um total, qualquer um, existe somente por meio de parcelas.
Palavra do dia (disseram na Radio)
Hecatombe a palavra d' hoje. Já usei, já, e também a mim me deu para fazer um trocadilho com o 'eh ca tombo!', tal como os senhores fizeram na Radio Comercial. Pois foi. Ah ah. Vejam lá que nem é preciso ir pesquisar para me lembrar do 'eh ca tombo!' Ah ah. Mas vou na mesma. Ah ah.
Treze do um; eh ca tombo. O hecatombe iniciou neste dia, há cinco anos. Ficarei diferente, há esperança no porvir. Morro. Pois.
Agora a sério: não creio que algum dia melhore extraordinariamente das minhas coisinhas parvas.
Agora muito a sério: hecatombe tem que ver com o número cem, sacrifiquem-se cem bois ou algo do género, portanto em parte alguma contende com o número cinco. Paciência.
Cem é múltiplo de cinco. Está feito. |13 janeiro 2015|
Primeiro
Bom dia. São dez e onze. Ontem, depois dos longos posts que publiquei, quando ia para fechar a máquina da louça eis que vi uma mosca pousada num dos tabuleiros. As moscas d' agora são grandes mas moles, sei lá eu se devido ao peso, se devido à humidade que se lhes aglomera nas asas e daí a agilidade não ser assim tanta, então que, vai daí, consegui fechar a máquina, pô-la a lavar e deixar a inseta lá dentro. Tadinha, não é. Não. De resto está tudo bem, obrigadinha, e com vocês, que tal, hum, espera lá que já te respondo, está bem. Vai ter que estar.
domingo, 16 de outubro de 2016
Amendoim
O amendoim tem uma substância que elimina a substância que se dá bem com a boa-disposição. O móvel rangeu, não é alma penada, é companhia. A mosca morreu, acho eu.
Mosca
Aspirei uma mosca. Malta, é assim: eu aspirei uma mosca. Não é só presumir que a aspirei, é que a aspirei mesmo, e fui eu.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Último
Berlão! Berlão! Lê-se como a capital alemã mas com o ão no lugar do im, ó-im, ó-ão. São vinte e duas e seis, muito boa noite a quem.
Sabes
Sabes uma coisa?
Só sei uma e não deve ser essa.
Sabes que falas sozinha porque não queres falar com ninguém e tu sabes que quando falas te libertas mais e melhor e tu sabes que o plenamente convinha a esta ideia mas não queres pôr porque eu, a bem dizer, não sei escrever.
Post outonal
Ai o outono, o outono. Ai o outono, o outono. O outono. Ai. Não creio que venha a vestir mais algum vestidinho este ano. Felizmente vem aí a primavera, pensando bem não falta assim tanto, quaisquer seis mesitos fazem por isso, têm é de ser corridos, pronto, tipo assim uma correnteza deles, sem parar, um atrás do outro.
Vou almoçar.
Ó Gina, leva a máquina, tu leva a máquina fotográfica não tão espectacular assim, mulher.
Posta-restante:
Afinal, pois qual banco hater e sua folha lá colada, qual quê, entretanto complicou-se-me a vidinha e já não deu para. Mas eis que trago fotos na mesma. E lindas, oh se são lindas, upa-upa.
Dia de (disseram na Radio)
Olha só o dia que é hoje
Dia da Sobremesa!
Oh céus!
Ah!
Parágrafos, muitos parágrafos. Parágrafo quer dizer parar de grafar, ah ah. Bom, então hoje é dia da sobremesa e eu ontem, incrivelmente, deixei no blogue as ideias todas que tenho em termos de doces para fazer no fim-de-semana. Sim, plural, porque acho que vou mesmo fazer dois tipos, como aliás registei. Na Radio disseram para a gente mandar bitates de receitas doces e também divulgar qual o doce preferido. Sempre tive uma dificuldade enorme nisso de escolher a coisa de que mais gosto, é que nem uma cor preferida tenho, quanto mais um doce. O que pode acontecer comigo é que há fases em que me apetece um determinado doce, isso sim, e posso já avançar que ando com uma vontade imensa de comer crumble de maçã, especificamente de maçã. Presumo que seja o estado outonal d' agora, pois como se sabe crumble é coisa do outono – maçã, canela, aveia, açúcar amarelo... é iguaria que se presta a comer ainda morno... reconforta... reconforta a boca, o estômago e a cabeça.
Ontem, no blogue, deixei ainda um post referente aos açúcares que preciso comprar e uma breve explicação acerca dos mesmos, mais de como os aplico na minha doçaria do que grandes saberes e sabores dos ditos. Mas breve, tudo breve. Podia ter acrescentado que preciso inclusive, vejam só, de abastecer o pote do açúcar baunilhado. É que eu tenho lá em casa um desses, com vagens de baunilha que permanecem há anos dentro dele. Não, não se estraga, antes pelo contrário, a vagem de baunilha é uma coisa podre. Sim, a vagem de baunilha, conforme ela se nos apresenta, está apodrecida. É que está apodrecida e cheira bem. A Natureza é capaz de coisas incríveis. E sabiam que a baunilha é um odor e não um sabor? Pois é, 'migos, pois é, a gente mete um pedaço de bolo abaunilhado na boca, sente o sabor mas não é o sabor que sente, ai não é não, é odor.
Primeiro
Bom dia. São nove e cinquenta e oito. Hum, olha eu outra vez tão cedo, óié. Sabem que eu evito o óié ao início das frases só para não ter de lhe pôr letra maiúscula? Pois. É que não fica bonito, ó:
Óié
Pois não?
Sabem que não gosto de espetar com parágrafos nestes posts 'Primeiro'? Obviamente que não. Ai, espera lá, deixa-me ser fofinha: presumo que não. Mas fiquem sabendo que neste teve que ser por conta de querer enfatizar o óié, deixando-o sozinho numa linha. Logo pela manhã, e agora já não mudo de parágrafo, portanto se foi logo de manhã foi muito mais cedo que as horas d' agora, vi as luzes da minha praceta apagarem-se. Calhou. Eram sete e trinta e eu estava na varanda a observar a quantidade de carros que lá estavam estacionados, enquanto observava também os lugares vazios e me espantava imensamente com esta comparação. Ou há muitas pessoas que entram cedo pra caraças, ou por ora tenho efetivamente poucos vizinhos que possuam viatura, ou, ainda, por conta da crise, há menos casas com mais do que uma viatura. Mas que sei eu, ora essa, sei lá eu.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Açúcares
Na minha lista de supermercado constam quatro tipos de açúcar. Incrivelmente, fiquei sem os quatro mais ou menos ao mesmo tempo. Geralmente gasto pouco açúcar branco, isto por conta de arrecadar os pacotinhos de açúcar que acompanham o café, e os outros, pois que se vão gastando, são eles:
o amarelo,
o mascavado,
o moreno
São portanto quatro açúcares ao todo, como já tinha referido. Estes três não são assim tão diferentes na sua essência, o gosto a caramelo consta em qualquer um, muito embora conste mais no moreno que nos outros dois, não sei, é assim mais intenso ou lá que é. O mascavado é caracterizado por ser de grão grosso, que é ótimo para as bolachas ficarem crocantes e ainda dá um toque especial em finalizações, como quando por exemplo queremos o topo dum bolo crocante, lá está. O amarelo, então, ora essa, o açúcar amarelo é o açúcar amarelo de sempre, adoça menos, presumo que se adequa a quem gosta de diminuir calorias nos doces, muito embora eu creia firmemente que para isso o melhor é não comer doces nenhuns, mas pronto, eh pá, é o açúcar amarelo e pronto. Usem-no. Eu substituo o branco pelo amarelo montes de vezes.
Isto de não
Isto de não andar com a máquina fotográfica não tão espectacular assim... O que tem é que deixo de tirar fotos que supostamente seriam belas. Hoje sentei-me no banco hater, que estava seco porque a chuvinha não passou disso mesmo, inha, e dei com uma folha de árvore lá colada pela água. Não pude fotografar porque não tinha a máquina comigo e o telemóvel não me deixa ver o ecrã em condições quando estou na rua. Oh. Se amanhã lá estiver a folha colada, ah se amanhã lá estiver a folha colada... Tiro fotos, claro está, porque conto não me esquecer de levar a máquina comigo.
Ó Gina, tu leste?
Sim.
Deixo excerto que é tão comigo. Tão. Comigo. Tão. Eu.
«A Lottie sempre pensou que a senhora tinha ciúmes da Srª Murray porque era mais bonita que ela, porque o marido era mais jovem e atraente que o marido. Não sei, às tantas tinha inveja dos seus livros, porque as duas se dedicavam à mesma actividade. Não sei, mas às vezes penso que a senhora não sente piedade de ninguém, nem dos mortos. Os seus amigos, de quem diz gostar tanto, às vezes causam-lhe cansaço e dores de cabeça.»
'Um quarto que seja seu' de Alicia Giménez Bartelett
Plano doce para o fim-de-semana
Olhem, não sei o que fazer. Não sei o que fazer porque quero fazer tudo.
clafoutis de framboesas e lima
bolo de maçã e canela
pães doces
pudim de ovos
bombons
Não sei o que fazer. Estou inclinada à primeira e última ideias. O clafoutis porque tenho ainda framboesas no congelador e adoro o sabor que a lima deixa onde quer que pouse. Os bombons porque há semanas e semanas que quero experimentar a receita como deve ser, uma vez que quando os fiz pela primeira vez resolvi tirar a receita da minha cabeça e eis que me dei mal, os bombons ficaram moles, muito embora não tivesse sobrado nenhum.
Em busca
Tenho andado à cata dum casaco giro, bom e barato, que ainda por cima me sirva e me assente bem. É difícil, é muito predicado na mesma peça, daí ainda não ter encontrado. Entretanto comprei uma camisola com todas as características acima referidas, excetuando uma: a de ser de qualidade. Obviamente não é, pois quando não, seria cara.
Borracha
Tenho uma borracha de má qualidade. É de tão má qualidade que escreve ela também no papel. Imagine-se eu a querer apagar registos errados, a passar a borracha por sobre e esta a deixar um rasto de si mesma no papel. Tenho uma outra muito eficaz, só por dizer que está tão pequenina que mal a consigo segurar. Parece uma pessoa: viveu e gastou-se.
A pergunta ingénua
A pintora perguntou-me como andavam os meus livrinhos. Fqieiu... Eu queria digitar fiquei, fiquei esquisita cá por dentro, como é aliás meu costume ficar sempre que alguém se me dirige com este assunto. As pessoas não sabem que tenho um blogue. As pessoas que me rodeiam desconhecem completamente que escrevo coisas neste computador. As pessoas sabem lá. Tenho tanta vergonha quanto temor de lhes dizer. Agora pergunta o leitor: eh pá, ó Gina, então se ninguém sabe, como é que a pintora sabe? Ela sabe sem que tenha sido eu a dizer-lho. É uma história um bocado chata de contar, há anos que estou no modo solitário, deixei de querer escrever para que se perceba, pronto, já não quero nem procuro especializar-me na arte da comunicação e deixei de fingir que não sou fóbica também ao nível da escrita. Sou fóbica na vida, sou fóbica no blogue.
O primo e o abraço (e eu)
O primo abraçou-me e quando lhe correspondi senti-lhe as costelas. Ele, não sei o que sentiu, mas tenho para mim que foi chichinha da boa.
Dita-me
Vamos usar o raciocínio, ó Gina, vá, vamos lá usá-lo. O trabalho é daquelas coisas: tem de ser feito.
Palavra do dia (disseram na Radio)
e também
Dia de (disseram na Radio)
A palavra d' hoje é miaúfa, que significa medo. Eu às vezes uso... aliás: presumo que já usei cagufa nos blogues e também presumo que nunca usei miaúfa. Deste modo o que o que vai acontecer é que nem sequer vou gastar tempo com pesquisas pelos meus blogues. Au eva, aproveito este post para registar um facto relacionado com este tema e que é o seguinte: as pesquisas que faço são unicamente pelos blogues que já abandonei e não por este, este não conta. Decidi assim, nem sei muito bem porquê, mas palpita-me que é uma maneira subtil de avivar o que está inerte, uma vez que ambos os blogues estão fechados ao público. Outro facto que vou registar é que doravante não vou mais dar uma atenção diária à palavra do dia, ou seja: vai ser tema dispensável, uma vez que pode não me apetecer fazer o registo ou coisa assim, vou portanto deixar-me levar puramente pelo apetite. É aliás assim que faço com o tema 'Dia de', só faço o registo quando me dá na cabeça e todos os dias ouço a rubrica. Mas hoje vou fazer... Ai vou, vou... hoje é muito giro... ai ai ai... Hoje é dia de andar sem sutiã. Só que não. Façam o dia de andar sem cuecas e eu penso nisso, pondero sobre a ideia, vá, agora sem sutiã, não.
A vida é-se tão avessa a si própria que eu não ando na rua sem sutiã. Pois. É que ia perceber-se que não tinha sutiã, prefiro que se perceba que tenho sutiã, percebem. Claro que sim, mas não é por isso que termino a prosa aqui.
Primeiro
Bom dia. São dez e vinte e oito. Ah! Dez e vinte e oito! Que engraçado! Nunca tinha começado o blogue a esta hora! Fantástico! Fenomenal! Formidável! Ena pá, tanta coisa boa a começar por éfe! Já chega de pontos de exclamação. Vou continuar, mas com menos entusiasmo. Hoje vim de botas. Saudades? Não. Vinha por aí abaixo e ele era fitas no cano das botas e ele era fitas na base do casaco, isto sem que eu queira aludir ao faroeste, é simplesmente uma questão de logística. As roupas, calçado e acessórios vão buscar os temas que alguém ditou como moda, e então são lançados no mercado milhentos artigos que lhes aludem. É muito simples. Obviamente as pessoas aderem ou então não, mas a verdade é que as pessoas geralmente aderem. Eu aderi às fitinhas – avivam-me, dançam-me.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Ao pé da árvore
A caneta que achei ao pé da nona árvore que encontra do lado direito quem desce a rua mais bonita de Lisboa ali anda, na minha mala, acompanhando a que já lá andava. Aquela é azul, tanto no corpo como na tinta e até na tampa, esta é cinzenta mas ocorre que não tem tampa e vai daí eu uso a da caneta verde que entretanto morreu e eu fiz-lhe funeral e tudo. Post, fiz post. Um post é cerimonioso, assim eu queira, e aquele foi.
Ainda não registei no blogue que a caneta achada (azul) é do mesmo fabricante da tal (cinzenta) que já andava na minha mala, só por dizer que esta é cinzenta (já tinha dito mas não vá não se perceber...) no corpo e na tampa e preta na tinta e aquela é toda ela em azul. Ora acontece que, ao compará-las, notei que onde eu pensava que ia a tinta da caneta preta, e portanto ainda lhe falta (ou faltava, sei lá) muito tempo para morrer, pois que não senhores, qual quê, eis que a caneta azul vem nas mesmas condições, é assim tipo uma linha avisadora que não avisa mas é porra nenhuma.
Ó Gina, tu leste?
Sim.
Eu tão fofa. Eu tão querida. Eu tão dentro do esperável. Tantas pessoas lendo lá no lugar (que também pode ser) da musa. Mas obviamente não o mesmo livro que eu. Tantas pessoas. Tantas cadeiras transparentes.
Sabes
Sabes uma coisa?
Só sei uma e não deve ser essa.
Sabes que gosto de andar sozinha e/mas que me sinto demasiado sozinha e tu sabes que para não te sentires sozinha tens de acompanhar alguém.
Sabes que me apego aos objetos numa ânsia de fazer amigos e tu sabes que os objetos não são verdadeiramente amigos de ninguém, bem como sabes que os objetos são mesmo teus amigos.
O saco
Tenho para ali um saco onde guardei uma bolota (sóri se aquilo ali não for uma bolota, muitos sóris) desde o passado dia vinte de setembro. Vi-a cair ao chão, daí o preciosismo de a guardar. Eu vi. Em direto. Descia a rua mais bonita de Lisboa, e duma das árvores do lado direito (bem sei quão faltosa de referências, mas não fixei qual delas) eis que caiu uma bolota (não sei, já sabem, ah ah). A poesia. O momento. A poesia no momento. O momento da poesia. Daí o preciosismo, que mais posso eu fazer do que guardar uma bolota (hum, pois...) muito bem guardada num saco e mantê-la num saco e espreitá-la quando está no saco. Posso por exemplo escrever um post parvo, que um inteligente é difícil, e podia por exemplo tirar uma foto, mas isso, como se sabe, é matar o encanto que tem a bolota (dizer o quê agora...?). Há um povo qualquer (não sei qual nem vou pesquisar) que acredita que a fotografia retira a alma às pessoas, suga-lha impiedosamente. Nunca considerei essa crença descabida, raramente tiro fotos à árvore amarela ou à rua mais bonita de Lisboa, sei lá, parece que se dá o extermínio total e que a culpa disso é minha, não sei explicar o sentimento melhor que isto, desculpem, é meu dever, mas não sei.
pertencentes ao coração
pertences do coração
Era para incluir também um pedaço de ferro corroído pelo tempo, que me tinha cá deixado um cliente por modo de lhe arranjar um certo quê, que entretanto arranjei sim senhores, só por dizer que fui mais rápida na parte profissional que na parte divertida da minha vida, vai daí, já cá não tenho o pedaço de ferro para fotografar. Oh. Ia inclui-lo porque a corrosão era muito bonita, fazia-me lembrar o apodrecimento duma banana com piquinhos escuros por sobre a matéria clara, contraste, vida, amadurecimento, apodrecimento, morte. Bom, agora já não vai dar para mostrar tudo isso ao mundo. Mil desculpas ao mundo, então.
Depois dos números que vieram depois dos números
Tinha de fazer uma conta complicadíssima. Mesmo. Até me saíu fumo, com a confusão nem o vi, portanto nem sei por onde. Eram dois artigos que vinham faturados ao metro, num total de 24, mas cujos preços diferiam, e eu tinha de fazer a entrada de stoks juntando dois metros, portanto 12 unidades, isto no mesmo código, portanto tinha de juntar todos os preços, dividir por dois e depois cada um desses dividir pelo meu total e não pelo do fornecedor. Parece deslindado o caso, bem sei, no fundo era mesmo só isso, só que se me instalou uma baralhação enorme e embora eu estivesse a perceber o que tinha de fazer para chegar ao resultado, não conseguia encontrar o enunciado. Eu cá preciso de saber não só dados como o enunciado. Note bem: saber, não era não perceber o enunciado, era não lhe chegar, saber traduzir os dados mas não o problema. Foi um bocado complicado, tanto que saiu fumo e nem vi de onde, como já referi.
Depois dos números
Depois.
Depois temos o 4 na pequena cartolina. Se o fizer encontrar-se com o seu semelhante resulta em 16. Se dobrar dá 32. Se dividir por 4 encontro 8. Ah...
Números
Num outro lugar, menos frequentado, sou o cliente número seis mil trezentos e setenta e um (6371). Olha só a lógica da batata:
1736
7361
3617
6371
Máquina fotográfica, 2
A semana passada andei com vontade de compor um vídeo com partes não só inéditas como tocadas pela estranheza, portanto: peculiares. A vontade de filmar um pouco da descida da rua mais bonita de Lisboa fez-se sentir, daí eu querer voltar a levar a máquina comigo aquando do intervalo grande. Era só isto. Não é que tenha desistido da ideia, que ainda ontem me movi nesse sentido, mas não o suficiente. Pronto, está explicado, afinal era (só) isto.
Premiados
Prémio melhor blogue, ou blogue do ano, ou lá que é, sim, eu também tenho uma opiniãozinha nada sui generis. Ser considerado o melhor disto e/ou daquilo é tão subjetivo que desencoraja o apuramento, acho eu. Au eva, o meu blogue, não sendo o melhor, âu mai gudnâsse itse nóte, é o blogue que eu mais gosto. Ah ah. Sim, passou-me pela cabeça inscrever-me, mas bani o pensamento rapidamente, creio que não tem qualquer pilhéria a gente inscrever-se numa coisa deste tipo, o que tem montes de pilhéria e um sabor especial e único é alguém inscrever alguém, isso sim. Quando bisbilhotei o saite, consegui não perceber patavina acerca de como votar, depois percebi que só lá estão os grandes blogues, destes assim pequerruchos como o meu, nada, mas é que nem um, então deixa lá isso, vá.
Primeiro
Bom dia. São dez e trinta e nove. A chuva chegou ontem à noite, perdurando hoje o tempo nublado, o que faz jus à expressão: 'está de chuva', embora não esteja a chover ao momento. A palavra do dia, a que disseram na Radio, é berbicacho. Vou pesquisar nas minhas coisinhas escritas, está bem. Vai ter que estar.
Cliente quer uma lanterna, tem o marido idoso e algo dependente no átrio do prédio às escuras, esperando a luz que ela há-de levar.
Droguista avia-a o melhor que pode mediante a rapidez solicitada.
Cliente está muito ansiosa, o marido ainda se mete escadas acima.
Droguista explica (mediante a rapidez solicitada) como funciona o pequeno objeto.
Cliente anui, acalma-se um pouco.
Droguista vai buscar as pilhas, insere-as no compartimento e... Tcharam, faz-se luz.
Cliente ainda quer uma esponja de banho macia para lavar o marido.
Droguista mostra o que há.
Cliente escolhe, pede desculpa por estar tão apressada, agradece imenso, estende a nota.
Droguista responde 'deixe lá isso, não há problema' e busca o troco.
Cliente com gestos imprecisos prepara-se para sair mas deixa cair no chão a lanterna cuja tampinha lhe salta o que faz com que já não acenda. Marido à espera, 'ai meu deus que ele vai por ali acima e noutro dia caiu, veja lá'.
Droguista segura na lanterna, meio atarantada, clica no sítio que supostamente faria aparecer a tão desejada luz e percebe que mantendo o dedo ali a luz também se mantém.
Cliente diz que não faz mal nenhum, mete o dedo ali e pronto, para agora, para já, para este momento serve bem, ir ter com o marido que a espera ou estará na iminência de se mover escadas acima é prioritário. Despede-se, então.
Droguista retribui o adeus e logo depois dá por falta de uma esponja, há pouco mostrara dois tipos à cliente... Certamente com a pressa a cliente pusera tudo de rompante dentro do saco. Espera-se então até amanhã, a ver o que dá.
O amamnhã chega e é encontrada no chão uma rodela em acrílico, o que faz lembrar esta droguista que é bem capaz de aquela coisinha ser da lanterna da dona Marta. E era, horas depois lá vem ela, ao chegar a casa, depois de sossegar, com calma, verificou que levara uma esponja a mais inadvertidamente. E já agora, se não haveria pelo chão uma chapinha ou algo assim...
E agora falo eu: ou seja, ontem não quisera saber ou esperar, estava muito bem assim, resolvia e tal, e hoje, depois de acalmar os ânimos lá vem ela toda lampeira para eu lhe resolver o berbicacho.
Não sei porque é que as pessoas correm. Mas correm. Corremos todos. Se há recompensa no final...? Também não sei. |30 novembro 2012|
Posta-restante:
Começou a chover às onze e sete, hora que sempre me faz lembrar o meu aniversário. De nada, ora essa.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Bengala verbal
'Não é' é a principal bengala verbal desta que escreve, tanto quando escreve como quando fala. Fujo dela mais e melhor quando escrevo, fugir-lhe enquanto escrevo é mais fácil porque o falar é mais espontâneo, não é. É. Ah ah. Não, não apresento ponto de interrogação na minha bengala, basicamente isso deve-se ao seguinte: tenho a mania. E tenho mais bengalas, ah ah, oh se tenho, mas esta é recorrente, o que me remete para aquele grupo onde as pessoas são iguais e. Portanto. Vai. Que. Desinteressam. Ninguém quer ser igual a ninguém, muito menos a todos, portanto todos queremos ser diferentes, mas já que assim é, então seríamos diferentes se quiséssemos ser iguais a todos, não é. É. Bom, nem sempre me sinto criativa, é um facto que a vida é esférica e seja em que vertente for, há que dar as voltas do vira: 'ai vira que vira e torna a virar'. O verso está na minha memória desde a infância e pertence a um qualquer cancioneiro popular, não é. Não sei. Portanto o esférico faz a gente ir parar ao ponto de partida, ao que já se conhece, não é. É. É, é, não é. Não sei, estou baralhada.
Nota montes de importante:
Não consegui desenhar um ponto de interrogação verossímel com os clipes, ou tampouco um ponto final, o que lamento deveras. E não estou a ser irónica.
Máquina fotográfica, 1
Na semana passada resolvi que voltaria a andar com a máquina fotográfica não tão espectacular assim, a qual uso (ou usava...) habitualmente na rua. Isto por conta de querer filmar ou fotografar... Pois é, sei lá o que queria fotografar ou filmar! Não sei. Ando uma desmiolada do caraças, oh que porra. Vejam lá que no fim-de-semana fiz um pudim de ovos à portuguesa, aquele que leva quantidades iguais de ovos, açúcar e leite, com raspas de limão esfregadas no açúcar antes de juntar e bater tudo e tal, e não é que não consigo lembrar-me se efetivamente coloquei o leite ou então não? É que não me está na memória ter posto ou não ter posto o raio do leite, pá. Claro que o pudim estava bom, aliás: estava bom à brava, oh se estava, mas como foi uma primeira vez eu queria mesmo saber se as quantidades eram aquelas e coiso. Resultado: vou ter de fazê-lo outra vez...
E eu queria filmar o quê? E eu queria fotografar o quê?
Já me lembrei, escrever ajuda-me tanto em desvarios como em lapsos, já me lembrei, ah já me lembrei.
Já me lembrei.
Mas fica para outro post, tipo assim para criar suspense e coiso, as pessoas sofrendo horrores, roendo-se de curiosidade.
Ai ó pá conta lá.
Não. Ainda não.
Ó Gina, tu leste?
Não.
Ocupei parte do tempo do intervalo grande com um cliente demorado e, juntando as tarefas do costume (sim, eu ando por aí a passear mas tenho muitas vezes tarefas a desempenhar na rua), fiquei sem tempo para a leitura. É que nem levei o livro, mas ao menos não andei carregada debalde, lá isso é verdade.
Quarto azul
Já devia estar pronto, o quarto azul.
Não, o quarto azul não está pronto.
Eu devia ter vergonha de registar (ainda que o tenha sempre feito superficialmente) o desenrolar destas remodelações mas não tenho. Au eva, o pêcê já lá mora, junto à janela. É chato pra quando está muito sol, questão que não adivinhara somente por imaginar e desejar que ali seria o seu lugar. Bom, mas ali ficará, fecho completamente um dos estores, a sorte é que tenho dois, deixando-o portanto fechado, o que me protegerá do sol, vai daí não sofro. Mas isto das remodelações vai lá. É fios por colar, portas por levar para a arrecadação, roupas de verão para repor. É esse tipo de coisas, o que ainda falta. Entretanto já decidi que as roupas de verão vão ficar ali porque vem aí o frio. Creio que o melhor a fazer é deixar as roupas que andam a uso mais à mão, no quarto laranja.
Palavra do dia (disseram na Radio)
É lampeiro/a, a palavra do dia, hoje. Hum... Será que há registo nos blogues...
A rica filha fez uma comidinha que pela primeira vez não regou com natas em demasia, abuso de que já tinha sido advertida diversas vezes, não para se abster de colocar natas nos pratos que confeciona mas para não usar tanta quantidade. Então: um dia desses aí, diz ela toda lampeira:
«Olhem, eu hoje fiz massas e pus só um bocadinho de natas.
Mãe: tu podes escrever isto no teu blogue.
Pai: tu podes contar isto a todos os teus amigos.»
Eis duas das mais banais e díspares formas de divulgar a vidinha de qualquer um. Hoje em dia temos a divulgação virtual e o diálogo vivo e presencial ao dispor.|5 fevereiro 2014|
O meu carro fez plim! Desceu aos quatro graus centígrados. Que horror, que desconsolo...
Poça!, diz um senhor de nariz vermelho e olhar húmido ao passar por mim. Dizer poça é pouco para o frio que está!, digo eu toda lampeira.
Ai, caraças!, queixa-se um careca. Encostara o cucoruto à parede gélida. Ainda bem que tenho cabelo!, respondo eu.
Indaguei acerca do seguinte: fazer chichi de luvas postas dispensará a higiene nas mãos? Ninguém me respondeu nada de concreto.
Descobri recentemente que ter as mamas grandes está intimamente ligado à grossa camada de roupa que trago vestida. Não é outra coisa, não, é a roupa. |17 dezembro 2010|
Primeiro
Bom dia. São dez e um quarto. Não é que não me apeteça escrever, que é lá isso, não me apetecia era estar de pé mas cá estou eu, tipo árvore. Estou cansada mas não sei se as árvores se cansam, tipo eu. O treino cansa-me mais nuns dias que noutros e o de ontem cansou-me pra caraças mas não sei se as árvores treinam e, se treinam, se ficam cansadas, e pela lógica da batata percebe-se que também não sei se não ficam. Sério que me cansou, o treino, até estou ranhosa e ensonada mas não sei se as árvores produzem ranho e sentem sono. Vai haver uma festa no Ginásio já no próximo sábado sob - e sobre – a temática faroeste. Quem manda naquelas coisas decorou o recinto com fardos de palha, ratazanas, candeias, dinamites, isto dentre outras coisitas que já não fixei. Está giro, aquilo. Está tão giro. Reforcei a ideia, portanto, e supostamente, o mundo inteiro vai agora pesquisar que Ginásios em Lisboa andam ao momento tratando duma festa temática do faroeste só para saber em que Ginásio ando. Qual supostamente, qual quê, olha eu a ser poucochinho, o mundo vai mesmo pesquisar-me, ora essa, sou tão boa a espevitar os outros que ninguém resistirá à pesquisa imediata.
E a propósito de pesquisas por Lisboa e coisas assim, não irresistam já, há mais uma questão curiosa.
Há tempo, numa dada rua de Lisboa, dei com uma porta ladeada de letras. A pessoa queria escrever 'Paulo', eh pá, pronto, fazer tipo assim uma assinatura, e na verdade conseguiu não só assinar como fazê-lo com originalidade, porque usou a porta para fazer as vezes do éle. Portanto: temos numa parede um pê, um á e um ú, temos então a porta que se lê éle e o ó. Achei um piadão àquilo. Vá, vão lá percorrer as ruas de Lisboa à procura, vá.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Ó Gina, tu leste?
Sim.
Depois da leitura ainda fiquei sentada mais um bocado a ver sei lá o quê, hoje não havia septuagenárias para usar de minúcia e vir para aqui registar as coisinhas, muito embora ainda por lá habitem, e folgo que assim seja, as benditas cadeiras transparentes, que são transparentes ao ponto de deixarem passar os assuntos, de maneiras que, não tendo mais nada para fazer, me pus a enrolar a fina bainha da minha blusa. Enrola o rolinho, desenrola o rolinho. Enrola o rolinho, desenrola o rolinho. Enrola o rolinho, desenrola o rolinho.
Já agora fica neste post uma coisinha que nada tem que ver com o lugar (que também pode ser da) musa, ora essa, que mal é que tem, o blogue é meu e tudo.
Sentei-me no primeiro banco que encontrará quem descer a rua mais bonita de Lisboa. Estava meio coberto pela sombra da terceira árvore que encontrará ao seu lado direito quem descer a mesmíssima rua, que é a mais bonita de Lisboa, é sim senhores. Fez-me pensar em junho. Em junho, a sombra dando assim até meio, devem ser para aí umas seis da tarde, hora a que não é costume passar por aí. Sentei-me... ah, pois, já tinha dito. Fiquei a sentir a brisa e a descodificá-la. Ah... agora, em outubro, o sol é mais fraco, vai daí há um frio por baixo do calorzinho que em certos dias ainda se sente, como por exemplo: hoje. Ah... mas em junho, se calha a temperatua descer mais que o normal, ocorre que o frio se encontra em cima do calor próprio da época. Em outubro o frio engole e esmaga e abafa o calor. Em junho o calor esmaga e engole e abafa o frio. Parece que é a mesma coisa, mas olhem que não é.
Post com sons e letras e letras a parecerem sons e sons feitos de letras
inɐjʃˈplisitu – inexplícito
é tóin xiru, pois é,
o primeiro grupo de letras, onde algumas não se parecem lá muito com letras,
o que se vê ali é a forma fonética da palavra inexplícito tranformada em letras.
é tóin xiru, pois é,
o primeiro grupo de letras, onde algumas não se parecem lá muito com letras,
o que se vê ali é a forma fonética da palavra inexplícito tranformada em letras.
A propósito
A propósito de palavras estranhas, no livro do momento (Um quarto que não é seu', Alicia Giménez Bartlett), na página 120, aparece a palavra rubicunda, a qual, eu, a leitora, estou a esforçar-me aos montes para usar montes de vírgulas, considerei que, dado o contexto, rubicunda teria que ver com a cor vermelha. Cá pra mim rubicunda é corada – rubi, rubor, ruborizada, enrubescer. Vou ver a rubicunda no dicionário Priberam ónelaine e vai daí, pumba e coiso
ru·bi·cun·do
adjectivo
vermelho
Ah ah. Mas é que nem podia ser mais direto. Ah ah.
Palavra do dia (disseram na Radio)
Olhem, fica já aqui a seguinte ideia:
Na passada sexta-feira não cheguei a ouvir na Radio qual era a palavra do dia, vai daí, no sábado, dia não mais desafogado em tarefas, que é lá isso, mas com acesso fácil e rápido às netes, pesquisei e descobri que era trungalhunguice. Entretanto, no saite da Radio Comercial, vi por lá outras palavras estranhas, invulgares e montes de felizes, tudo isto em simultâneo, que foram lembradas e jogadas noutros dias, como por exemplo, e dentre outras, nicles e afinfar. Bom, é que estas são as que ao momento me lembro, muito embora rebolasse de alegria se me lembrasse de todas, óié, mas não. Ora bem: não vou pesquisar trungalhunguice nos meus blogues porque jamais escreveria tal palavra, uma vez que desconhecia a sua existência até ao passado sábado e, ademais, pelo vídeo que a Radio deixou no saite, não consegui perceber o seu significado. Não me jogo ao afinfar porque também creio firmemente que nunca me espojei nesse conjunto de letras, mas, já o nicles, pois que sim senhores, espojei, ó:
Esta é a etiqueta do meu casaco novo. Não sei se já tinha anunciado no blogue que tenho um casaco novo.
Já, não já?
Já.
Pois, bem me parecia. Então pronto, é isso, a foto mostra todas as propriedades do meu casaco novo, que isto não é só vir para aqui dizer vezes sem conta que tenho um casaco novo e não debitar pormenores acerca do mesmo.
Enumero as características, ainda que mostre imagem, porque acho que este assunto é fantástico para embelezar o blogue.
O meu casaco, novo, é então composto por:
Trinta por cento de mohair, que se escreve mohair numa série de línguas, portanto está escrito exatamente do mesmo modo quatro vezes;
Dez por cento de lã, que é lana em castelhano, laine em francês, wool em inglês e wolle em não sei quê, que não reconheço, mas às tantas é em italiano;
Sessenta por cento de acrílico, que é acrilico em castelhano, acrylique em francês, acrylic em inglês e polyacryl em não sei quê, que não reconheço, mas quase de certeza que é em italiano.
(E assim se conclui que português, a língua mais linda do Universo, nicles-batatóides.)
Depois há ainda estas informações:
É made in Italy... - Ah não resisto, meide ín Ítali;
Não pode ser lavado a mais de trinta graus;
Tem de ser passado a ferro com pouca temperatura;
Tem um P envolto por um círculo que não sei o que quer dizer;
Não pode ir à máquina de secar.
|terça-feira, 24 de novembro de 2015|
Das palavras inexistentes, sem significado, sílabas inventadas, coisas que a cabeça tem necessidade de dizer. Nicles. Não há. Sou pobre, qual síndrome qual quê, tenho uma grande pancada nos cornos e acabou a conversa. |terça-feira, 29 de julho de 2014|
Esta é a etiqueta do meu casaco novo. Não sei se já tinha anunciado no blogue que tenho um casaco novo.
Já, não já?
Já.
Pois, bem me parecia. Então pronto, é isso, a foto mostra todas as propriedades do meu casaco novo, que isto não é só vir para aqui dizer vezes sem conta que tenho um casaco novo e não debitar pormenores acerca do mesmo.
Enumero as características, ainda que mostre imagem, porque acho que este assunto é fantástico para embelezar o blogue.
O meu casaco, novo, é então composto por:
Trinta por cento de mohair, que se escreve mohair numa série de línguas, portanto está escrito exatamente do mesmo modo quatro vezes;
Dez por cento de lã, que é lana em castelhano, laine em francês, wool em inglês e wolle em não sei quê, que não reconheço, mas às tantas é em italiano;
Sessenta por cento de acrílico, que é acrilico em castelhano, acrylique em francês, acrylic em inglês e polyacryl em não sei quê, que não reconheço, mas quase de certeza que é em italiano.
(E assim se conclui que português, a língua mais linda do Universo, nicles-batatóides.)
Depois há ainda estas informações:
É made in Italy... - Ah não resisto, meide ín Ítali;
Não pode ser lavado a mais de trinta graus;
Tem de ser passado a ferro com pouca temperatura;
Tem um P envolto por um círculo que não sei o que quer dizer;
Não pode ir à máquina de secar.
|terça-feira, 24 de novembro de 2015|
Das palavras inexistentes, sem significado, sílabas inventadas, coisas que a cabeça tem necessidade de dizer. Nicles. Não há. Sou pobre, qual síndrome qual quê, tenho uma grande pancada nos cornos e acabou a conversa. |terça-feira, 29 de julho de 2014|
Primeiro
Bom dia. São nove e onze. Eh pá, ó Gina, escrevendo já tão cedo? Pois é, ó Gina, ah pois é. É que levantei-me uma hora mais cedo, isto por conta daquela coisa a que na Radio chamaram protesto dos taxistas, isto por modo a não me encontrar com o temível trânsito compacto, isto para não chegar estupidamente atrasada, que isso, 'migos, isso é estupidamente desnecessário. Vai daí, acabei por chegar bem mais cedo, mas bem mais mesmo, qual encontro com o temível trânsito compacto, qual quê, o que fez com que, a esta hora, ai tanta vírgula, já tivesse despachado as merdas do costume aqui no estaminé, o que resultou numa questão adiantada na minha vida profissional, refletindo-se mais ou menos do mesmo modo na minha vida de bloguer. Perceberam? Acho que vou mas é passar a usar o ponto de interrogação nos meus escritos. Claro que sim, por isso termino a prosa aqui.
domingo, 9 de outubro de 2016
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Destino: praça
Entre subir a avenida mais inclinada e a outra menos, optas por subir a que trabalha a caixa torácica. Ora acontece que sobes tanto que para ires ter à praça tens que descer um pouquinho. Isto quer dizer que para o mesmo destino, e neste caso, ou sobes bués e depois desces um tiquinho, ou então sobes quase sem dar por isso, mas sobes, e alcanças a praça sem descer porra nenhuma.
Ó Gina, tu leste?
Sim.
Sim! Sim! Sim! Ia-me esquecendo, olarila, mas sim! Eu li! Quando dei por mim estava de olho nas septuagenárias e o livro ali, em cima da mesa, aberto, inerte, como objeto que é. Mas li, óié, eu li.
Sem título
Ingerindo somente o mainde não sei quê abala-se-me o raciocínio rápido e eficaz, o qual uso para trabalhar e tantas vezes para escrever, parece que alguém me sopra para dentro do cérebro e a informação se põe longe do meu alcance, é eu a esticar a massa cinzenta e ela a não chegar lá.
Se juntar o veinece começo a ficar sem nervos e mergulho na tristeza. É horrível. Horrível. Quero mover-me rapidamente mas qual quê, não dá, o veinece não permite. Não é apatia, é tristeza, apatia é outra coisa, apatia é a ausência de nervos, os nervos espevitam-me, a tristeza trava-me. É como se quisesse chegar a algum lado e estivesse um vendaval a segurar-me os passos.
Se me virar para o óldabádi oh céus caramba que genica ninguém me para a falação é que nem na língua nem no blogue e depois não ponho vírgulas nos meus textos nem nada é uma coisa incrível o meu blogue parece um chorrilho de temas e eu tenho sempre mas sempre uma opinião acerca de tudo mas é que de tudo tipo assim eu a preencher o blogue com breine stormes que traduzo para textos que medem para aí uns trinta centímetros.
Gina, deixa-te disso, não tomes nada. Está bem, então vou ali ser montes de infeliz e dar um tiro nos cornos, depois volto, isto por modo a ir atualizando o blogue, seja lá como for escrevo (quase) sempre muito, principalmente debaixo de sentimentos deveras contraditórios.
Gina, tu consegues, vais ver que consegues. Claro que sim, ora essa, não tenho conseguido nos últimos dois mil quatrocentos e cinquenta e nove dias?
Inventário
Espreitei a caixa para inventariar o seu conteúdo. Poucos são os meus pertences, afinal.
a caixinha cor-de-rosa
o estojo metálico com golfinhos
a cartolina com o número 4
o rolo de fita-cola que dantes habitava no estojo do rico filho
a caixinha cor-de-rosa
o estojo metálico com golfinhos
a cartolina com o número 4
o rolo de fita-cola que dantes habitava no estojo do rico filho
Da vergonha de fazer os vídeos
Ao fim-de-semana:
Posso pôr a mesa lá fora (não vou pôr...)
Posso falar lá fora (não vou falar...)
Não vou ter vergonha de pôr a mesa lá fora (mas pouco me importa!)
Vou ter vergonha de falar lá fora (que me importa isso?)
Posso pôr a mesa lá fora (não vou pôr...)
Posso falar lá fora (não vou falar...)
Não vou ter vergonha de pôr a mesa lá fora (mas pouco me importa!)
Vou ter vergonha de falar lá fora (que me importa isso?)
Palavra do dia (disseram na Radio)
E agora venho fazer ressalvas à ideia que me surgiu e apresentei ontem. Os meus blogues continham para aí uma meia dúzia de posts com a palavra chinfrim, contudo republiquei apenas dois. É que achei demasiado, o post ficaria pesado pra caraças, senti que desencorajaria o leitor. Pronto, então vamos fazer assim: republico não todos os posts que contenham a palavra do dia, mas apenas os que na hora sentir que devo republicar e acabou a conversa. Não acabou nada, falta dizer que são onze e cinquenta e dois e ainda não ouvi qual é a palavra do dia d' hoje. Agora é que acabou a conversa. Não acabou nada, falta dizer que pode acontecer eu não ter a palavra do dia em nenhum blogue, creio que ontem descurei essa importantíssima questão. E assim acabo a conversa.
Antes de mais: Bolo de Feijão Preto e Cacau
(quiçá escrever de coisas doces me acabe com a tristeza)
É um bolo extraordinariamente fácil e rápido de fazer e bom pra caraças, tanto em sabor como em textura. De material precisamos de: um liquidificador, uma forma e um forno. Eu disse que era um bolo fácil... Ademais, é pobre em calorias, principalmente se aderirmos à stevia, que é como o bolo é adoçado na sua origem (programa 'Prato do Dia', apresentado pela Filipa Gomes, passa no canal 24 Kitchen), mas usei açúcar branco, ah ah, tinha de procurar stevia no supermercado e não estive para isso. Para fazer este bolo coloquei dentro do liquidificador:
5 ovos
500 gramas de feijão preto
1 cup de açúcar branco
5 colheres de sopa de manteiga amolecida
3 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato e sódio
1 colher de chá de essência de baunilha
Colocar todos os ingredientes dentro do liquidificador, ligá-lo e deixar até que tudo esteja desfeito, o que demora para aí dois minutos.
Colocar numa forma untada de manteiga e polvilhada de cacau em pó.
Levar a meio do forno a 180º durante 35 minutos.
Desenformar e polvilhar com cacau em pó.
As ressalvas deste bolo são:
»»polvilhar a forma com cacau em pó resulta melhor sob o ponto de vista estético, sendo um bolo muito escuro não se verão quaisquer resquícios de farinha, portanto, e obviamente, a gente pode polvilhar a forma com farinha
»»não deixar o bolo mais do que o tempo que recomendei é altamente recomendável, ah ah, é que este bolo, cozendo demasiado, alcança uma textura seca e longe de saborosa, o forno deve ser desligado assim que o topo do bolo se apresentar luzidio e firme, o que acontece mais ou menos quando decorridos os tais 35 minutos que...recomendei, ah ah
É um bolo extraordinariamente fácil e rápido de fazer e bom pra caraças, tanto em sabor como em textura. De material precisamos de: um liquidificador, uma forma e um forno. Eu disse que era um bolo fácil... Ademais, é pobre em calorias, principalmente se aderirmos à stevia, que é como o bolo é adoçado na sua origem (programa 'Prato do Dia', apresentado pela Filipa Gomes, passa no canal 24 Kitchen), mas usei açúcar branco, ah ah, tinha de procurar stevia no supermercado e não estive para isso. Para fazer este bolo coloquei dentro do liquidificador:
5 ovos
500 gramas de feijão preto
1 cup de açúcar branco
5 colheres de sopa de manteiga amolecida
3 colheres de sopa de cacau em pó
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato e sódio
1 colher de chá de essência de baunilha
Colocar todos os ingredientes dentro do liquidificador, ligá-lo e deixar até que tudo esteja desfeito, o que demora para aí dois minutos.
Colocar numa forma untada de manteiga e polvilhada de cacau em pó.
Levar a meio do forno a 180º durante 35 minutos.
Desenformar e polvilhar com cacau em pó.
As ressalvas deste bolo são:
»»polvilhar a forma com cacau em pó resulta melhor sob o ponto de vista estético, sendo um bolo muito escuro não se verão quaisquer resquícios de farinha, portanto, e obviamente, a gente pode polvilhar a forma com farinha
»»não deixar o bolo mais do que o tempo que recomendei é altamente recomendável, ah ah, é que este bolo, cozendo demasiado, alcança uma textura seca e longe de saborosa, o forno deve ser desligado assim que o topo do bolo se apresentar luzidio e firme, o que acontece mais ou menos quando decorridos os tais 35 minutos que...recomendei, ah ah
Primeiro
Bom dia. São dez e vinte e sete. As horas das fotos (é ver abaixo, querendo) eram sete e vinte e seis (olha, decorreram apenas cerca de três horas e no entanto parece que passou todo um dia, e dos pesados), tanto numa como noutra, obviamente os segundos hão de ser diferentes mas como a máquina não mos diz, não os posso dizer eu também. Não com veracidade.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Palavra do dia (disseram na Radio)
Há umas semanas que a Radio Comercial designa uma palavra como sendo a do dia e depois joga-se a um jogo. Vai daí, a malta querendo fazer uso das regras que os locutores instauraram para se jogar, insere a palavra
(que é sempre especial, gira que se farta - eventualmente fofinha, ah ah - e como não fazendo parte do vocabulário corrente)
numa conversa. Tenho andado tristinha com o facto de não ter ainda encontrado uma maneira de usar a palavra no blogue, desafios de escrita não são o meu forte, queria uma maneira de meter a palavra num post sem me sentir desafiada, o que, como já disse, não me atrai, não me provoca, não me espevita. Entretanto, hoje, num repente cá dos meus, lembrei-me: ah!, pesquisarei nos meus blogues quando e quantas vezes usei a palavra do dia, é isso!, é isso mesmo! Bom, logo depois amainei o fulgor, eh pá, então e naqueles dias em que chego tarde a casa e sem pachorra para pesquisas? Simples, ó Gina
(sim, falo muito comigo, se falasse muito com muita gente punha a palavra nas conversas quiçá muitas vezes... porque se eu falasse muito, possivelmente falaria tanto quanto falo no blogue, só por dizer que quando falo, falo pouco, mas se falo, falo como falo no blogue, por exemplo: quando falo nos vídeos, o que falo, falo igual ao que falo no blogue, só que com gaguezes e pausas para pensar)
nos dias em que não há tempo e/ou pachorra deixas para o dia seguinte, se no dia seguinte também não, deixas para o dia seguinte, se no dia seguinte ao dia seguinte... bom, já se percebeu. O qu' é qu' achas? Acho bem, ó Gina, acho muito bem. Mas notem por favor, e ainda, e muito bem: pode acontecer eu nunca ter usado a palavra, olarila, é que sendo grafómana, que sou sim senhores, não impede o não-uso ou então o total desconhecimento da palavra escolhida. Ora então vamos lá, a palavra d' hoje é chinfrim. Tu queres ver que começo logo com uma palavra que nunca escrevi em blogue nenhum...? Escrevi, escrevi, ó:
Os papagaios verdes na alameda fazem grande chinfrim. Acho que já fiz este registo algures no blogue mas é que hoje está de chuva, Ora, chuva, humidade e trópicos (papagaios) tem tudo a ver, só por dizer que nos trópicos não há esta porra deste frio.
A alameda tem um tapete esverdeado toda ela. Tudo lindo, tudo brilhante, tudo encharcado. |6 de dezembro de 2012|
Duas senhoras passeavam na livraria do bairro. Muito compostas, de braço dado. Mãe e filha, presumidamente. Presumo eu, quero dizer. Mas não presumi que conheço uma delas, a mais nova. Conheço-a, efetivamente. É a senhora doutora do cão, aquele cão que corre pela casa fazendo um chinfrim desgraçado, que o chão é de madeira corrida e muito polido, o bicho escorrega em cada passada e cai em muitas escorregadelas. O cão é giro... E a 'mãe' da senhora doutora também:
– Comissão das lágrimas?! Ai minha nossa senhora!
Exclama ela muito espanta ao ler o título do novo livro de António Lobo Antunes, que se encontra em lugar de destaque, estrategicamente colocado para quase esbarrarmos nele. Que o compremos, é o desejo da gerência, e aqui volto a presumir.
Não deve vir a ler este livro, a dita senhora, presumo uma vez mais, e é a última vez que o faço neste dia na forma escrita.
A 'filha' sorri-me, como que a desculpar-se do grande drama da 'mãe', mas não me reconheceu. |7 de novembro de 2011|
Patamar
Quando fui ao escritório do senhor doutor deixei uma lembrança no patamar que fica ao meio dum andar e outro, pu-la ali assim no parapeito da janela que deita para o jardim. O entusiasmo era tanto que me esqueci de olhar para o jardim. Eia, estou mesmo esquecida das coisas, já vem do post anterior.
Ó Gina, tu leste?
Não.
Esqueci-me. Sério, esqueci-me. Pus-me a beber o café e esqueci-me de ler o livro. Que porra.
Esqueci-me. Sério, esqueci-me. Pus-me a beber o café e esqueci-me de ler o livro. Que porra.
Lugar (que também pode ser) da musa
Estava um pacote de açúcar esquecido na mesa.
Hum.
É daquelas situações: que mal é que tem se eu trouxer o dito comigo?
É daquelas situações: quem vai notar a falta?
Senhoras bem-falantes mandavam bitates acerca das férteis temáticas: a puta da secretária e a merda do serviço. Já se sabe que estes são assuntos inesgotáveis.
A questão entre as septuagenárias e a menina era como colocar dois cafés numa só chávena e o que era um abatanado e em que chávena o fazer. Parece que era duma chávena das pequeninas que todas falavam. Uma dessas cheia até cima é uma bica cheia. Eu cá acho. E acho também que um abatanado é um café que encha até cima uma chávena como que de chá e que geralmente se usa – também – para as meias de leite. Acho. Este acho tem cheiro de presumivelmente.
Ingredientes
O que fazemos com um litro de água, um dedo de gengibre fresco, meio limão e meia dúzia de folhas de hortelã?
Ditóxe.
Diz que é bom para a tripa. Hum, eu depois não dou notícias.
Ó Gina, tu leste?
Ainda não.
Ah ah, mas trouxe o livro, ai trouxe, trouxe. Até calha mesmo bem, tenho que ir ao escritório do senhor doutor receber a fatura e assim levo o recibo dobrado em três às páginas tantas. Percebem a diferença entre deixar e receber a fatura, não percebem, conto com isso. É que no outro dia registei no blogue que a deixava e hoje deixo que a vou receber não tarda.
Primeiro
Bom dia. São dez e vinte. Dia seguinte ao dia feriado não é feriado mas independentemente do dia da semana que seja o dia seguinte ao dia feriado – tinha saudades de me repetir, ah ah – parece uma segunda-feira. Eh pá, só por dizer que não é, não é. É. Este dia seguinte ao dia feriado é quinta-feira. Tinha também montes de saudades de escrever parvamente. Ó Gina, tu ontem não escreveste? Escrevi pois, uma pessoa pode escrever sem despejar num blogue aquilo que escreveu, não é. É. Uma pessoa pode por exemplo e eventualmente atualizar a lista do supermercado sem correr a registá-la no blogue, não é. É. Atualizei ontem a lista porque fui ontem ao supermercado. Coloquei, incrivelmente, açúcar branco na lista, eu que raramente compro açúcar por conta de aproveitar os pacotes que vêm com o café, só que de vez em quando... lá me faz falta, não é. É.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Era uma vez uma empregada de balcão fixe pra caraças
Sou mulher para dizer a uma cliente indecisa acerca dos metros de corda que vem comprar:
A senhora é que tem que saber, essa é a sua parte.
Sou uma mulher aparentemente confiável, quando não cliente nenhum – com falta de vista - me estenderia a carteira cheia de moedas, dizendo:
Escolha daqui as que mais gostar.
eu e ele
eu escrevo como se fosse muito importante
ele segura um saco como se fosse muito importante
ele segura um saco como se fosse muito importante
...
marcar a próxima visita ao cabeleireiro é tarefa a um tiquinho de ser elevada a premente
quando chegar lá, eu aviso o mundo inteiro
quando chegar lá, eu aviso o mundo inteiro
todos juntos
eu sou um bocadinho
tu és um bocadinho
ele é um bocadinho
nós somos um bocadinho
vós sois um bocadinho
eles são um bocadinho
tu és um bocadinho
ele é um bocadinho
nós somos um bocadinho
vós sois um bocadinho
eles são um bocadinho
Árvore amarela, atualização
É de notar que algumas das folhas estão amarelas, sim senhores, já eu tinha dito ontem, mas atualizo hoje que o amarelo me parece desmaiado, creio que ainda não é este ano que lhe verei de novo o amarelo resplandecente daquele ano.
Praça, atualização
Lavaram as letras 'basta' mas nem só, também lavaram, ou aliás, pintaram por cima do desenho do cão basta, aquele que vivia naquela coisa grande e castanha que está no meio da praça. Grande, castanha e metálica.
Dos fogões
Trocar os fogões
Lavar os fogões
Lavar o(s) lugar(es) do(s) fogão(ões)
Não!
Lavar os lugares dos fogões e os fogões. Pois.
O cliente disse: o fogão da família da minha família foi lá para casa em 1967.
Há quase 50 anos, oh céus, ainda eu digo que o meu fogão está velho, é que nem chega à metade da idade do deste senhor. Brevemente vou mudar para um outro mais ou menos da mesma idade, mas com muito menos uso. Mas muito menos mesmo. Tenho que os lavar, aos ditos e aos lugares que deixam. O meu, mas que vai deixar de ser meu porque o vou dispensar ao rico filho, que está precisado, e o meu. São os dois meus. Por enquanto, claro está.
Antiquário nº 48
A minha máquina de costura é quase da minha idade, ah ah: +/- 32 anos
A minha tesoura de costura é ainda mais próxima, ai: +/- 33 anos
A minha tesoura de bordar é ainda mais e mais chegada ainda, hum: +/- 35 anos
Já a fita métrica é bem mais jovem que qualquer um dos ricos filhos: ½ dúzia d' anos, + coisa, - coisa
Quando a máquina chegou lá a casa fiquei maluca com ela. Maluca. Fazia ziguezague nas orlas, caseava, pregava botões, e conseguia vinte pontos, um assim às bolinhas unidas por um fio, outro assim quadriculado, um assim às ondinhas fortes, outro assim às reviravoltas. Bom, eram vinte. Sempre gostei de levantar a tampa da máquina e observar demoradamente todo o mecanismo. Os tais pontos eram escolhidos por meio de discos, uma palheta era acionada e encontrava o disco que eu escolhesse. Uma maravilha. Não continuo a descrição porque não tenho a máquina ao pé de mim e vai que ainda me espalho, era efetivamente uma maravilha na minha vida adolescente e acabou a conversa.
Quando comprei a minha tesoura de costura fui aconselhada a comprar uma com a estrela. É tão velha, tem tantos cortes na sua história, já foi tantas vezes amolada, está por isso tão gasta, a tal estrela tão sumida... Tudo tanto e tão devido ao tempo que tem.
Havia uma loja de máquinas de costura, peças e alguns materiais de retrosaria. Aí uma senhora ensinava a bordar à máquina e a minha mãe mandou-me para lá. Sou tão obediente que fui sem contestar, ademais sentia que precisava de me ocupar, um sentimento muito adulto para pessoas de apenas 13 anos. Ná... O sentimento era incutido, afinal de contas é assim que se educa os filhos, incute isto, incute aquilo. Comprei uma tesoura de pontas reviradas, que é portanto a indicada para cortar as pontas das linhas dos bordados, isto porque quando não, as pontas enfiam-se no bordado propriamente dito e ninguém quer estragar o trabalho que já fez.
A fita métrica é oriunda do estaminé do meu colega. Ah ah. Não malembra se lha comprei eu o se ma ofereceu ele. Pouco importa isso, afinal. Mede um metro e meio em ambas as faces, mas em vez de começar e acabar na mesma ponta, pois que não senhores, começa e começa e acaba e acaba.
Recadinho
Querem saber o que é um recado explícito? É assim, ó:
Boa noite sr. Luís
Moro no 7º esq e preciso que me empreste ou deixasse aberta a porta do R/C onde está a bomba do elevador (aquela amarela junto as escadas) para que os tecnicos da Vodafone possam concluir a instalação na minha casa. Já falei com o sr. Pedro e ele disse-me que deveria ter a chave. Já tentei falar consigo mas nunca encontrei ninguém em casa. De qualquer das formas a minha esposa vai tentar falar consido depois das 20h para arranjar uma solução.
Muito obrigado pela atenção prestada
vizinho do 7º esq
Nota importantíssima:
Omiti somente a rubrica deste cavalheiro (sim, é muito simpático), de resto está tal e qual, copiei inclusive os erros ortográficos, ainda ponderei digitalizar o documento mas por ser manuscrito achei que seria invasivo, é que a caligrafia é uma coisa pessoal, vai daí: desta vez não.
Primeiro
Bom dia. São dez e vinte e quatro. Voltei a esquecer-me da porra do livro em casa, o que significa +1dia100ler.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Diálogo irónico
1. A senhora faz-me uma chave?
2. Faço.
3. Bem feita?
4. Sim. Ficava estranho dizer-lhe que não...
5. Mas eu só poderia ficar surpreendido se me dissesse que não, há-de concordar.
6. Não posso supreendê-lo dessa maneira, não me convém.
7. …
8. Mais alguma coisa?
9. Pagar. Parece-lhe bem?
10. Muito. Deseja número de contribuinte na fatura?
11. Não, deixo essas complicações para outra altura, se não se importa.
12. Não me importo nada, ora essa.
2. Faço.
3. Bem feita?
4. Sim. Ficava estranho dizer-lhe que não...
5. Mas eu só poderia ficar surpreendido se me dissesse que não, há-de concordar.
6. Não posso supreendê-lo dessa maneira, não me convém.
7. …
8. Mais alguma coisa?
9. Pagar. Parece-lhe bem?
10. Muito. Deseja número de contribuinte na fatura?
11. Não, deixo essas complicações para outra altura, se não se importa.
12. Não me importo nada, ora essa.
(Parece um diálogo demasiado aprumado para que da boca dos intervenientes tenha saído tal e qual isto. Ah, querem ver que a Gina romanceou exageradamente uma cena do seu quotidiano? Garanto que não. Nos números ímpares são as frases do meu cliente, nos pares são as minhas, sendo que o número 7 corresponde à pausa para duplicar a chave.)
Ó Gina, tu leste?
Não.
Não li porque me esqueci do livro. E tenho pena, que ando montes de encegueirada com a leitura, até sinto uma saudadezinha da história, vejam só, o que para mim é para lá de invulgar. Eu gosto de ler, quero dizer: eu não gosto sempresempresempre de ler, como escrevo bués tenho a cabeça mais ocupada com a escrita.
Do intervalo grande
A cada dia que passa a árvore amarela está mais amarela, contudo permanece ainda mais verde do que amarela. Agora já não me posso sentar lá debaixo, levaram o velho banco e ainda não voltaram de lá com o novo. Oh. Portanto já não me deixo estar, a cabeça inclinada, observando e observando, imbuída daquele sentimento que dita 'posso-estar-aqui-infinitamente', sem que na verdade possa, mas o sentimento está cá. E a árvore amarela está lá. E eu transporto-a para o blogue.
A cor das árvores da rua mais bonita de Lisboa não têm muito de amarelo em si, a essas o outono dá-lhes com o castanho. Já há umas quantas muito acastanhadas, mas observando minuciosamente a primeira que encontrei ao meu lado esquerdo porque descia a rua, concluí que não está assim lá muito castanha, quiçá a clorofila ainda vigore por conta das milhentas folhas que tem essa árvore. Sério, é enorme, todos os dias me despeço dela, que qualquer dia aqueles senhores que mandam nos senhores jardineiros destinam-lhes como tarefa urgente cortar os ramos à pobre, é que realmente já incomoda os transeuntes, caso estes queiram ter uma visão alargada. Mas eu cá não quero nada disso, está bem. Está. Dou-me bem com ramos que sejam largos em baixo e incomodem a passagem. Não cortem a árvore, ó senhores que mandam nos jardineiros, vá lá. Obrigadinha.
Limparam o banco que continha a palavra 'basta'. Isto há dias, é que andei pouco grafómana, portanto ainda não tinha registado esta questão sumamente importante. A praça esvaziou um pouco com essa limpeza. As árvores da praça têm também as suas folhas envelhecendo. Na verdade estão mas é morrendo, mas pronto, compreendo que dizer que envelhecem traz poesia, a morte é fim, depois dela não há.
Peuqneo-almoço
Sim, pequeno-almoço, é o que é, e eu sei que no título digitei mal a palavrita. Deixo estar porque não sei que verdade acarreta o facto de eu trocar letras cosntantemente... ó, olhem lá as letras que troquei ao constantemente... Seria tão célere se não me trocasse constantemente, tão célere.
Mas o pequeno-almoço, vá. Foi chá de alfazema com pão feito por mim.
Ontem, domingo, e a par com tantos outros domingos da minha vida, fiz pão. O pão é um alimento de simples confeção, porém bastante influenciável, tanto pelos estados do tempo como pelos da alma de quem amassa, uma vez que basta a esfregadela não ser tão longa ou tão capaz e logo a massa se ressente, isto já para não falar do forno, que é algo crucial no resultado final do pão, só por dizer que acontece não ter forno de lenha nem tão despachado como o duma padaria, o meu é doméstico, portanto tenho o cão, tenho sim senhores, e estou a falar no sentido literal, mas caço com o gato, e aqui falo no sentido figurado. Mas sei que com a prática melhorarei consideravelmente os pães, olarila. Experimentei, uma vez mais, pôr um tiquinho de azeite, tanto na massa como no fundo da taça onde a pus a levedar e também no topo da mesma, e o que aconteceu foi uma massa mais despegada da mesa e das mãos, creio que isso foi obra da gordura, contudo sei lá se foi, ora essa, não pesco nada de pães, e lá estou eu no sentido figurado outra vez. Ah... Ficaram tão bons, oh céus. Lembrei-me de os cobrir com uma mistura especial, uma que aqui há tempos, muitos e muitos tempos, vi fazer num programa de culinária. Eh pá... Só por dizer que nem sei se foi assim que vi fazer, mas foi assim que fiz: duas colheres de sopa de farinha e um bocado de água, ora aí é que está, não medi o tanto de água, mas é um bocado, pronto, até se obter uma pasta assim mais ou menos como quando a gente faz gesso para tapar buracos e não se pode pôr muito gesso quando não a massa engrossa rapidamente, é essa consistência assim, vá. Pincelei o topo dos pães e tal e por cima toca de lhes pôr sementes de papoila e de sésamo. Nalguns experimentei o seguinte: uma folha de manjericão. Note bem, nada de pôr folhas de manjericão seja lá em que alimento for e levar ao forno, ok, é que queimam, sério, mas eu a estas cobri-as com a tal mistura e só depois então as polvilhei com as sementes que já referi. Ficou bom, mas não ficou tão melhor, dá realmente para perceber um sabor a manjericão, mas é uma coisinha assim muitomuitomuito suave, quase nem vale a pena pôr.
A receita
1. quinhentos gramas de farinha T65
2. dez gramas de fermento de padeiro seco
3. uma colher de sopa rasa de sal
4. uma colher de chá de açucar
5. duzentos mililitros de água morna
6. cem mililitros de azeite
misturei a água, o açúcar e o fermento numa tacinha
coloquei a farinha na bancada, abri um buraco ao meio, pus o sal na borda de fora
deitei o azeite e a mistura de água e fermento no buraco aos poucos
amassei vigorosamente mais ou menos o tempo que durou a canção que estava a dar na Radio
coloquei dentro duma taça com o fundo untado com azeite e passei o azeite também no topo da massa
cobri com montes de cobertores e deixei levedar para aí umas três horas
retirei a massa levedada da taça e amassei brandamente um pouconhinho de tempo
dividi a massa em doze, estendi um pano limpo por sobre os pãezinhos e deixei descansar mais uns dez minutos num tabuleiro muito bem preenchido de farinha
cobri os doze pãezinhos com a mistura e as sementes que já mencionei acima
levei a cozer a meio do forno que estava a cento e oitenta graus, durante mais ou menos meia hora
Um muito bom e grande apetite!
Primeiro
Bom dia. São dez e um. Capicua nas horas outra vez – 10:01 - a mesmazinha que da outra vez, ah ah, ó pá tóin xiru! No início, quero eu dizer aquando da criação da expressão com que termino a frase anterior, punha acento no u do xiru porque queria que todas as palavras da expressão tivessem acento, mas entretanto achei melhor começar a escrever com deve ser, ah ah, porque a tónica está no i. Olhem: agora são dez e três. Que lentidão, não é. Não. Podia o minuto um estar no fim e o três no princípio, ah ah, portanto vamos todos pensar que sou montes de rápida a escrever coisas, está bem. Vai ter que estar.
domingo, 2 de outubro de 2016
sábado, 1 de outubro de 2016
Nas moscas
Esmaguei uma mosca na janela do quarto azul. Limpei. Nisto aparece outra, esmaguei-a, limpei a janela. Foram os momentos mais emocionantes do dia, que ainda não acabou. A esperança está sempre no porvir.
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