Um dia destes vim a saber que os ricos filhos, em certa hora do dia, e já avançada, até aí ambos haviam comido duas sandes. Quem fez o anúncio – pomposamente, pois claro – foi a rica filha. É bem capaz de, por junto, ela ter exposto o motivo da parca alimentação até então, mas não fixei, mas olhem que fixei o motivo do rico filho: foi para não mais desarrumar e sujar a cozinha. Enfim, por mais que se ensine as criancinhas, que se consiga que cheguem a homens e mulheres com os valores ajustados, a verdade é que nada bate o 'estar por dentro', o 'viver a coisa'. É. É, é.
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
terça-feira, 3 de novembro de 2020
Tiques
'Ela tem tiques de escritora. Tu falas e ela escreve, já viste?' Disse o Xano para o meu colega, por me ver sacar do bloquinho rudimentar e rabiscar. O Xano diz cada coisa mai linda. Ai.
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Dos vídeos, que não meus
No salão onde a Carminho processa tratamentos de beleza estava uma youtuber assaz conhecida. Trabalhando. É. Essa malta não pára, 'migos, eles não param. Esta cirandava pelo espaço, focando cenários, com os quais mais tarde comporia um vídeo, tenho a certeza, que seria massivamente visionado, tenho a certeza. Quando chegou a hora da manicura, pediu para posar a máquina de filmar e tenho como certo que a escolha do modo caiu sobre o time laps, as massas não veriam um vídeo onde limas desbastam e alicates cortam no normal ritmo da vida. Foi agradável presenciar como funciona os bastidores de uma pessoa em particular, quando esses bastidores não estão a ser captados. Ou seja: o que não falta no Youtube é vídeos sobre o modo como os youtubers preparam as suas publicações, mas eu, desta vez, vi o que não estará em vídeo nenhum. Pensei em me meter com ela e dizer-lhe estas coisas, mas a conversa com a manicura estava tão somente delas que desisti.
Novembro 2020
É oficial, a rica filha já não mora cá em casa. Porém, a escova de dentes ainda ali permanece. Há também livros e peluches e, de roupas, algumas. Noto a casa cheia de ar e quando fui ao supermercado já não comprei cereais nem mirtilos. Nem leite especial. O bicho-cão, a minha cadela, a Olívia, também não se encontra neste lar, que o que fazemos agora é guarda partilhada, uma vez que a cadela é tão da rica filha como nossa. Mais do que triste, estou vazia, mas já ando num corrupio, mudando umas coisitas de lugar e a cama dela já está longe da vista. O quarto tem eco. Aliás, se quando estou próxima ao quarto digo qualquer coisa, logo o eco se ouve, nem é preciso estar lá dentro. Portanto: se no quarto, então há muuuuuuito eco - eco!-eco!-eco!
Parede
Numa das paredes, num azul forte, está pintado um campo. Acho graça que, na base, o desenho termina a direito, sem curvas, portanto, o pintor/artista usou de fita autocolante para não borrar a pintura – aqui é que o dito popular fica bem. Tem duas árvores sem folhas (que giro, bem mais fácil de pintar quando nuas, olha a trabalheira de pintar folhas e folhinhas, né?), uma maior que a outra, um caminho com duas curvas e um casarão. Aliás, um grande casarão, tem duas portas, duas janelas e, na lateral, ou seja, em outra parede, um portão para o gado. Há também, e a propósito de gado, um boi (ou vaca, ah ah) que, assim de repente são mas é dois (ou duas...), um(a) atrás do(a) outro(a). Olhei melhor. São ovelhas. Há pedregulhos aqui e ali, uma sebe e alguns juncos. O nome do restaurante tem o 'Campo' em branco e 'do Caroço' em azul, aposto (apôsto, pois) em cima (adoro redundâncias) do branco e, este branco, é a vegetação que faz de base ao desenho na parede. Falta dizer que no cimo do desenho os remates são como calha, presumo que para dar a pala de cimos de vegetação, digo eu aquela situação do acaso, vá, ali mais acima, ali mais abaixo, uma vez que as plantas são umas de uma altura e outras de outra, grossas e finas, mais, ou então menos, raminhos despontando do mesmo pé.
Grafomania
Diz que tudo o que ressurge na mente como proposta para registo escrito é a validação para que conste nos canhenhos de quem pensou. Compreendo que me convém desdramatizar, uma vez que jamais conseguirei escrever o mundo inteiro, mas olhem que fico triste aos bués se não mais agarro o pensamento que surgiu em modo abstrato e que já aí considero ajustado à publicação no blogue, afinal sou grafómana. Portanto: assuntos que pipoquem repetidamente imagine-se lá a importância que têm... Muita, óbvio!
Sem vírgulas
Estou cansada do quão e como causo impacto pelo tipo e quantidade de comida que ponho no prato.
Almejante
Almejo pesar tanto de quilos como tenho de anos vividos. É questão de deixar passar uns três ou quatro e lá chegarei.
Fui eu que escrevi. E sim, parece-se comigo, ainda estou lá, embora tenha passado, no mínimo, uma década. Mas como já não me lembrava de tal, não sinto como sendo meu, e a verdade é que não é, é antes vosso, só que fui eu que escrevi, agora é essa a imagem de marca.
Imagem de marca
Ela escreve a vermelho
Cenas de sexo e afins
Despudorada
Mulher
Diz que sim
Diz que não
Adianta-te
Deixa-te disso
Gosto de ti assim
Não faças dessa maneira
O pior de tudo
(Escrever)
É a insatisfação
Ela escreve a vermelho
Cenas de sexo e afins
Despudorada
Mulher
Diz que sim
Diz que não
Adianta-te
Deixa-te disso
Gosto de ti assim
Não faças dessa maneira
O pior de tudo
(Escrever)
É a insatisfação
Novidades
E vá novidades na minha vida! Desta feita são três formas (^) com formas (´) diferentes → uma em coração, uma em redondo e outra em quadrado. E são daquelas de fundo amovível. Vem é com uns conselhos todos apaneleirados, lavar e secar antes de usar (bem, este não é apaneleirado, vá), untar com banha e levar ao forno dez ou quinze minutos (mas este é). Saltei esse passo, não por ter problemas com paneleirices, antes por preguiça. Entretanto já estreei o coração. Só que já foi há tempo suficiente para não me lembrar que bolo ou doce pus lá dentro. E não, dessa vez não 'coube' lá nenhuma laranja, que esse evento é de ontem e foi vez primeira.
domingo, 1 de novembro de 2020
A laranja
Assei uma laranja. É verdade que ando a fazer coisas estranhas, mas
porra, encontrar uma laranja dentro do bolo, que só posso ter sido eu a a pôr lá
dentro... é qualquer coisa de. À escala, aquilo de ter deixado a porta da
bagageira do carro escancarada, é microscópico. Nessa vez veio o meu vizinho de
baixo avisar: «ó Gina, olha que» e tal e tal. Ah. Pois. Fui logo tratar do caso
e vi (ou lembrei, vá) que o resto das compras deixadas para a segunda viagem
estavam à mercê de larápios & outros, que não apareceram ou então não gostam de coisas
oferecidas de má vontade. Bom, com tudo e não o bastante, o que vale é que vocês
gostam de mim na mesma.
Olá Novembro
Estamos em Novembro, portanto os rascunhos que tenho são todos de Outubro. Se por um lado me dá prazer publicar tudo o que escrevo naquele dia precisamente nesse dia, por outro não o quero fazer, ainda que os posts estejam prontíssimos para viajar até à blogosfera. Quando não os mando de viagem, tanto pode ser pelo apego que ainda lhes tenho, como para destacar o que já publiquei. É sempre uma coisa egoísta.
sábado, 31 de outubro de 2020
Tempos d' Outubro
Não quero ver.
[15Out2020]
Ouço canções.
[16Out2020]
Não digo.
Ela vai ouvir.
[18Out2020]
Escrevo debalde.
[20Out2020]
[15Out2020]
Ouço canções.
[16Out2020]
Não digo.
Ela vai ouvir.
[18Out2020]
Escrevo debalde.
[20Out2020]
Dias (que também são de uma grafómana)
E vai já numa data de dias de horário de Inverno, que é caracterizado por se agigantar o número de horas de escuridão e apequenar as de claridade. O meu primeiro dia desta mudança foi regido pela claridade, levantei-me quando o sol estava no 'meu' comum ponto e deitei-me sem querer saber se era cedo no relógio e eu já a enfiar-me na cama, afinal não há assim tantos lugares onde me enfie sem ouvir protestar.
A escova de dentes
A rica filha comprou uma escova de dentes e veio-ma mostrar toda contente, dando-se o seguinte diálogo:
Mãe, olha aqui. Não é tão fofa?
Oh, é igual à da menina (nome)!
Quem é a menina (nome)?
Expliquei.
Ah. Aqui diz que é dos quatro aos seis mas eu achei tão fofa que trouxe na mesma.
Ah. Aqui diz que é dos quatro aos seis mas eu achei tão fofa que trouxe na mesma.
A rica filha espalha também contentamento por mor de outras peças que tem vindo a adquirir para usar na sua nova morada.
Mãe, viste as minhas canecas?
Mãe, depois fazes as bainhas dos cortinados?
Mãe, e a minha televisão, que tal?
Mãe, estes panos não são tão giros e fofos?
Mãe! Ó mãe! Comprei...
sexta-feira, 30 de outubro de 2020
CC
A validade do meu Cartão de Cidadão terminou e por conta da pandemia obtive a benesse de me não ser obrigatório dirigir-me ao lugar físico para o actualizar, portanto: desde Agosto que recebo SMS noticiando como vai o processo. A primeiríssima questão foi se eu queria continuar com o mesmo frontispício, pois, quando não, teria que me dirigir ao lugar físico. E eu que 'não', claro! Quero lá saber se mantenho o frontispício de há cinco anos, tivesse ele melhorado e logo veria, mas assim, ora essa. Entretanto já o recebi e estive a conferir tudinho e tudo confere – nome pai, nome mãe, localidade, números e, até, frontispício. Tudo igual. Mas o mais giro de tudo é que a durabilidade deste CC é de dez anos, quer isto dizer que manterei a juventude que tinha há cinco anos por mais dez, totalizando portanto quinze. E vai ser esta a duração daquele clique, daquele momento, daquele frontispício. Quinze anos. Olarila.
quinta-feira, 29 de outubro de 2020
A nova presença. Nova e grande.
A Lila é uma cadela que tem um corpanzil que é qualquer coisa e é meiga que se farta. É mais ou menos como o gatinho amarelo naquilo de me seguir para todo o lado, só por dizer que se cansa amiúde e se deita onde lhe der o cansaço. Numa das vezes em que o cansaço ainda não a domara, tomou como destino a varanda, furando o espaço que havia entre a porta e o sofá que eu havia arredado. Subi para o sofá pelas costas e demovi-a facilmente dos intentos, afinal a brandura dela é considerável. Depois percebi que só queria brincar comigo, vinha de bola na boca. Mesmo assim empurrei o sofá um bocado, pensando que era o suficiente para ela não passar, mas não era, o que me leva a pensar (agora mesmo) se o corpanzil dito acima está em cima da verdade. Enfim, posso eu não saber tirar medidas só de olhar, né? Empurrei mais o sofá.
Bom.
Então.
A Lila pisou-me e eu pisei o Miau mas continuámos a nossa vidinha todos três, e contentes na mesma. A Lila comeu a areia do Miau, fui dar com esse repasto duas vezes. A Lila roeu a bola do Miau. O Miau subiu para a trave da cama da menina e cortou o fio das bandeirolas com os dentes. O Miau bebeu água da malga da Lila mas ela não viu. O Miau recolheu à caminha minutos antes de eu dar o meu trabalho por concluído (como contei aqui). A Lila deitou-se onde lhe apeteceu, encostando a cabeça em duas almofadas de chão. Quando saí ambos dormitavam.
Dias de um Ginásio
Há semanas que em cada treino alguém sobejamente conhecido no panorama musical deste nosso país geme ao meu lado. Sério. Assim como é sério que exercitar o corpinho dói a qualquer um. Ou uma.
Manhãs
Há muitos meses que deixei de usar o serviço do despertador e há meses que não ligo o rádio pela manhã, porém menos. Dantes não me tinha como gente normal sem estar a ouvir o que de outros partisse, como por exemplos a Rádio ou a TV. Mas, certa manhã, - ai este português antigo... - aborreceu-me tanto ouvir a cacofonia radiofónica - eis duas palavras que sempre considerei quase sinónimos - que me desliguei da emissão, premindo o botão do rádio. Este silêncio dura até hoje e já percebi que os 'barulhos' da minha cabeça são para estar aí e é para ser assim.
esquecimes
Um dia esqueci-me da mala no estaminé, dando por isso ao chegar a casa. Dias após aconteceu igual. Sim, a mala. No meio da enormidade de sacos a levar para casa passou-me o mais importante dos itens. Repito: duas vezes. Das duas vezes não houve outro remédio senão rumar ao estaminé e, numa dessas, as condições atmosféricas não foram fofinhas para a gente os dois. Em outro dia, montada na dita mota, meti na cabeça que não havia levado o telefone. Parámos, apeei-me, abri a top-case e assim que corri o fecho da mala vi o telefone. Entretanto, hoje... Esqueci-me do telefone e dos óculos. Ora bem, vamos lá a ver, brinco muito - mas muito, mesmo muito - com o telefone, mas é facto que é ferramenta deveras útil a esta que vos escreve. E dos óculos, pois que dificilmente trabalharia nos conformes, por esta altura da minha existência estou a modos que descompensada se não tiver as minhas lentes à frente dos olhos. Curiosamente, este esquecimento não nos fez voltar a casa porque calhou de os ricos filhos vierem para estes lados. Ele há dias de plena felicidade. Até o bicho-cão vinha com eles. Obrigadinha ó ricos filhos.
quarta-feira, 28 de outubro de 2020
Olhares
Em certas vezes a modos que me vejo pelos olhos dos outros enquanto observo a árvore amarela, noto-lhes estranheza. De supetão, eu própria me vejo com um ar suspeito: páro a marcha, empino o nariz e fico especada a olhar, fixando o que hei-de registar no blogue. Mas o que não falta é gente que gosta de observar, se não árvores, então outras coisas quaisquer. E também há gente que gosta de escrever, que tem blogue, que o mantém vivo e que, para tal, trava o passo e mantém a atenção no foco que escolheu. E a estranheza que vejo em outros que comigo se cruzam pode ser invenção minha, pois claro, mas a vida fica desenxabida de todo quando concluo que invento as coisas.
Casas
Casa azul e casa cor-de-rosa. Que giras. A que é azul foi em tempos de um creme que acinzentou com o tempo. Presumo que nessa altura seriam ambas da mesma cor. Há anos – muitos – escrevi um post baseando-me no ar marcadamente vivido que a tampa da caixa do correio aparentava. Já escrevi tantas coisas que às vezes acho que é demais, vinco os pormenores dos lugares e as ideias e acabo por estar sempre a escrever do mesmo. Até aí tudo bem, o que não quero é escrever o mesmo.
post editado posteriormente para dizer-vos que podem clicar aqui para verem como era a casa há nove anos atrás
post editado posteriormente para dizer-vos que podem clicar aqui para verem como era a casa há nove anos atrás
Quando a correspondência é homeless
Quando entrei no prédio estava um homem mirando atentamente um envelope A4. Eu componho a história, vá. Aquilo foi o carteiro que encontrou uma morada um tanto ou quanto ilegível ou incompleta e toca de a interpretar o melhor que pôde, retirando, pelo menos, a rua e o número de porta. Vai daí, despachado que é – todos o são! - encostou o grande envelope no rebordo das caixas de correio, esperando que alguém - quem de direito, pois claro - dali a retirasse. Dado este caso se encontre dentro da verdade, é certo que qualquer morador vai inspecionar o dito envelope e foi isso o que encontrei o dito homem fazendo. Não obrigo ninguém a acreditar na minha história – óbvio – mas olhem que, olhem que.
Quando a verdura é plasticized
Quando entrei no prédio vi uma folha caída no chão. Ao lado estava um vaso com uma planta de folhas verdes – verdes?! oh! que estranho! né? - e percebi que só podia ter caído dali. Quando a apanhei tacteei-a e notei que era feita de um tecido plastificado. Perante esta observância, não é que tenha ficado pesadamente triste – pois claro! - mas olhem que, olhem que.
terça-feira, 27 de outubro de 2020
j' ai dit, il a dit
J' ai dit le prix en français et Monsieur Armand a dit:
Oh-la-la! Je vais venir ici pour apprendre le français!
Oh-la-la! Je vais venir ici pour apprendre le français!
Na avenida
Vi que a vizinha Gislena entrava na grande loja da avenida. Sim, ela desinfectou as mãos à entrada. Pouco depois avistei a porteira de um dos números do meio da avenida e, entretanto, cruzei-me com uma mulher que mirava atentamente a barra de cereais recentemente esventrada, indo ainda a tempo de ver a vontade com que a trincou. Parei na cafetaria para comprar miminhos e enquanto esperava que mos embrulhassem ouvi uma cliente comentar com a funcionária que é muito bom que o filho lhe dê sustento - vulgo casa&comida - mas que não lhe dá amor. A funcionária respondeu com outro tipo de sofrimento mas - esperando que - no mesmo grau: foi forçada a abandonar os estudos no último ano da faculdade porque engravidou, não voltando nunca mais. De permeio, ia ouvindo duas clientes que sentadas ao fundo conversavam em francês.
Por mor de
Por mor de uma mudança de lâmpada no estaminé, o meu colega tocou em algo que fez o quadro eléctrico reger-se pela inteligência maquinal - ui! andam aqui a mexer? então disparo! agora não há!
Então pedimos ao Zé para amanhar o meu PC, que desde aí
mantinha no ambiente de trabalho uma imagem a pedir amanho.
ai o seu (meu) desktop não sei quê
ai eu sei lá amanhar isto
ai pá se o PC me falha oh porra
O Zé entrou no meu espacinho, deu-se conta da mesma perspectiva com que eu me dou diariamente, embora mudamente, mas já não foi mudamente que notou o espacinho que o rato tem para se mover. Ele chama mouse ao rato. Pronto, cada um sabe o que sabe. O Zé sabe que o rato é o mouse e eu sei que o mouse é o rato. Informei-o da tactilidade do ecrã – Zé, olhe que, olhe que. Mas ele que não, deixe estar. Preteriu a tactilidade do ecrã em prol de um rato que não tem onde rodar vivo.
Fotografia à esquina
Primeiro: escrevi no blogue (ver aqui) Segundo: tirei a fotografia (hoje). Lugar: esquina de duas avenidas lisboetas → Gago Coutinho e EUA. Perspectiva: vinda do Aeroporto, sentido Areeiro.
Sonho
Sonhei com um espaço que era uma mistura de parque de diversões com central rodoviária. Este é um sonho à moda da Gina – barulho, algazarra, gente amontoada, gritando, eu a não chegar a lado nenhum dos que quero, furando a multidão sem não avançar porra nenhuma. Para apanhar um comboio tinha que subir em outro comboio, mas depois percebi que era um teleférico, cubículo que me desconforta porque nele pairo. É frequente os sonhos que mais me desassossegam terem como cenário elevadores e nas peripécias ver-me a pairar descontroladamente, tanto faz que esteja dentro da cabine como fora dela.
Um e Outro
Ouvi Um homem a dizer a Outro que já tinha comprado cinco ou seis jogos da mesma cor. Ah isso são todos. - Disse o Outro. Não, isto não falha. Isto vai bater, isto vai bater! - ripostou o Um.
Os jovens
Andava eu a pensar que o Antunes nunca mais nos tinha cumprimentado com aquilo do 'ó juventude!' mas afinal ele ainda lá chega. Este cumprimento, que sempre considerei um tanto ou quanto original, vem dos tempos em que todos nós éramos ainda jovens, porém, entrados na era adulta há q' anos.
segunda-feira, 26 de outubro de 2020
domingo, 25 de outubro de 2020
Gina, numa relação com o supermercado.
Sabem aquela sensação dos dias quentes, em que se tem dificuldade em manter as mãos no volante? Pois bem, aconteceu-me isso, mas em frio.
As rodas dos carrinhos de compras são como que achatados, o que visto num repente parece que os 'pneus' estão sem ar. Dois factos: 1 - posso ter sido a primeira pessoa a reparar nisto; 2 - posso não ter sido a primeira pessoa a reparar nisto.
A primeira árvore de Natal que avistei este ano não é a minha. Oh. Mas foi a segunda, pronto.
Comprei um creme de limpeza doméstica. A senhora da caixa ficou a olhar para a nova roupagem que aquilo tem. Queria muito contar-vos o que ela estava a pensar enquanto mirava tão atentamente as cores, as formas e os dizeres, porque isso sim, seria escrever coisas.
Comprei chá de perpétuas roxas. Comprei porque é bonito e a beleza traz de arrasto a tentação e a fraqueza, porque é diferente dos demais cá de casa e eu gosto de variar os sabores, porque poderia servir para estimular a imaginação se eu não soubesse que é para males de garganta. Bom, sempre posso imaginar perpétuas de outras cores.
Notem bem: de volta ao automóvel, a temperatura do volante não mudou nada. Sorte é que, vá lá vá lá, nem para menos se mudou.
Parece que esta é a minha última visita ao supermercado nestes moldes. Parece. Mas quiçá não esteja ainda acabado o tempo. Se bem que tenha comprado menos coisas. Hum.
Post atrasado
Novidades no cortinado mais famoso do meu blogue?
Claro que há!
Os pássaros, cada um sendo o negativo do outro, nada de pousarem em ramos com a mesma curvatura, tamanho ou número de folhas. Ora essa. E peço desde já desculpa pelos chavões que se seguem: é cada um por si, iguais mas diferentes.
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