domingo, 15 de novembro de 2020

Éramos seis

Um dia destes vim a saber que os ricos filhos, em certa hora do dia, e já avançada, até aí ambos haviam comido duas sandes. Quem fez o anúncio – pomposamente, pois claro – foi a rica filha. É bem capaz de, por junto, ela ter exposto o motivo da parca alimentação até então, mas não fixei, mas olhem que fixei o motivo do rico filho: foi para não mais desarrumar e sujar a cozinha. Enfim, por mais que se ensine as criancinhas, que se consiga que cheguem a homens e mulheres com os valores ajustados, a verdade é que nada bate o 'estar por dentro', o 'viver a coisa'. É. É, é.

Lisboa, Lisboa

Durante a infância e adolescência o rico filho teve uma ligação tão forte com o futebol que, se vejo algures uma bola, imediatamente relaciono a imagem com ele. Esta bola, fui dar com ela na rua Aquiles Monteverde.

Lisboa, Lisboa


É a Avenida da Liberdade. Sempre bontia... ai perdão, bonita, né? Por entre fotos, no blogue: o texto, na vida: comer uma maçã. Em tempos vivi uma semelhança, só não sei em que modos preparei o blogue, tampouco lembro se cá pus alguma coisa que se lhe referisse.
~~~Vou pesquisar.
~~~~Encontrei.
~~~~~É registo de Dezembro do ano passado e pode ler-se se se (três ses, ó pá tóin xiru!) clicar aqui. De resto, desta vez senti também a trepidação do Metro nos pés. Olarila. Ah, as fotos é a apresentação das duas perspectivas, se em uma apontei para os Restauradores, na outra apontei para a Rotunda do Marquês de Pombal. Porém e todavia: não se lhes vê nem um só pedaço.

sábado, 14 de novembro de 2020

Muitas vezes

Se dantes eu via o carrinho pecanininho circulando pela cidade a toda a hora, agora vejo o carro inglês.

Uma vez

Uma vez, num cabeleireiro, encontrava-me tão sedenta que pedi um copo de água a quem me estava a atender e que, percebi depois, era a manda-chuva do pedaço porque se apressou a incumbir uma das funcionárias na demanda de um copo de água. A escolhida mostrou má vontade e protestou que tinha que descer lá abaixo. Virei-me para a manda-chuva e expliquei que podia ir lá eu, ora essa. Ela travou-me com um 'não' e virou-se para a funcionária, repondo peremptoriamente a ordem: 'Vais lá abaixo e trazes um copo de água para esta senhora.' Na sequência senti-me no meio de alguns opostos, de serviçal a senhoril, da ralé à nobreza, de pedinte repelente a merecedora de deferência.

Nós por cá todos bem, obrigadinha.



Ando às malucas com lugares vazios, isto naquela de ver se os preencho e, de momento, tenho a escrivaninha dentro de um roupeiro, um pequeno móvel que pertence à rica filha dentro de um outro, roupas nas gavetas, no varão, sapatos e botas e chinelos e ténis nos compartimentos, toalhas em rolo em cima do tla... ai perdão, tal pequeno móvel. Pá, sempre quis que as minhas tolhas (de banho e companhia) estivessem enroladas e empilhadas. Não sei que forma é que aquilo tem (para além de rolo, claro), gostava de fazer a coisa poética – ah, as minhas toalhas são como um crepe! (falta-lhes é o recheio e ainda bem) Bom. Então. Abaixo e acima temos fotos mas qual mostrar o descrito neste post qual quê. Nada. Mas é que nada, mesmo. Se a de cima tem coisas, a de baixo pois que não.


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

é noite

agora que anoitece quando ainda estou no estaminé, há facilidade em se ver de fora para dentro e as pessoas vão poder ver-me a escrever, o que se assemelha àquilo que há tempos pus no blogue
id est - as pessoas que passam na rua vão poder ver-me escrever o que vocês vão ler, eles: sem que me leiam, vocês: sem que me vejam

Pois.

O aldrabagate tem duas partes. Uma contém em si duas peças, que numa extremidade tem um gancho e na outra uma argola. Nessa argola está preso um piton. A segunda parte de que falo é outro piton. Uns sem o outro vence-se bem mas havendo unanimidade das partes, estas conseguem uma segurança aldrabada. Já o nome o diz. Pois.

Caixa de correio

Na rua mais bonita de Lisboa, a caixa do correio já não está na casa azul. Presumo já ter registado algures neste blogue espectacular a ausência da dita caixa, a qual deu o mote para o post onde digo que 'Quanto mais se vive mais marcado se está. Mas nem por isso mais marcante'. Eu sei, eu sei, é também uma ideia espectacular, é juntá-la ao blogue e rebento com esta merda toda. Falta só dizer que o botão de campainha é o mesmo, creme, em plástico. Dir-vos-ia a série a que pertence mas é anterior à minha profusa sapiência acerca deste corredor de artigos.

Que aborrecida

Atenciosa. Atenta. Não é a mesma coisa. A atenciosa exprime-se. A atenta é muda. Contudo, as expressões da atenciosa nascem da atenta. Ninguém aguenta tanta atenção. É.

folhas

faço coleção de folhas, no fundo é isso
apanhei umas quantas
umas porque são bonitas, outras, se são feias, então passam a bonitas e, ainda, umas outras que são o que são em cores – amarelo, cor-de-laranja, vermelho e bordeaux
há até uma avenida lisboeta com muitas árvores e é cada uma de sua cor, gosto sempre de ver essa correnteza em cada Outono
não fora o Outono o que é, de importância, obviamente por mim falo, e a maiúscula destoava, assim: não

Novidade

Nem queriam saber o que é agora o meu bloquinho rudimentar! É aquele aglomerado – se bem me lembro foi assim que lhe chamei [não, não foi, foi amarfanhado, é ver aqui] – de folhas de linhas com furos porque são apropriadas para um dossiê A5, e foi precisamente os furos que usei para introduzir uma fita acetinada e amarela, dar-lhe voltas e mais voltas, umas bonitas e outras um bocado parvas, sim, mas capazes, e guardei este tosco caderno. Entretanto, por ter mudado os meus já preenchidos cadernos – os meus diários, pronto – de lugar, descobri este aglomerado e decidi que doravante vou usá-lo então como bloquinho. para tal tenho é que rasgar as folhas ao meio na sua horizontalidade, o que não é difícil.

imagem

a foto abaixo resume o texto que publiquei há dias
pode uma imagem dispensar mil palavras, dizem
fica assente que descrevi esta imagem sem considerar que a fotografaria
fotografá-la foi portanto uma pós-decisão


nota: espelhei a imagem, na ideia de tirar realidade ao lugar, como se ter imagem e texto de um só assunto não pudesse ser, por mim, feito

bye bye ó caderno que já por si diz bye bye

Já estreei o novo caderno, aquele que comprei lá na papelaria do primo (e também já chegou a agenda). Do anterior, o findo, achei por bem esmifrar-lhe as folhas. Foi até uma questão ecológica - Assim esmifro a matéria. Gasto. Uso. - pensei eu. Mas só pensei, que me fartei foi do fim, deixando folhas em branco, e muitas. Faço isto em cada mudança de caderno, é um facto.
A foto acima é do novo caderno. Acerca do anterior, podeis apreciar um retrato se clicardes aqui. E, ainda desse falo, há cento e trinta posts neste blogue que, antes de mais, foi lá que os registei. Sei este número porque costumo pôr um vê alto e de cor apelativa em cada coisinhazinha que de lá copio, só não tenho é comparação por entre os copiados e os que não, e, se não tenho, é porque considero um melhor emprego do tempo a escrever outras coisas, mais coisas, em dias vindouros.
Abaixo deixo uma foto que é como que contrária à de cima, tem o foco em outro lado, mostrando os desenhos que vêm nos pacotes de lenços. Desta vez não vou descrever os desenhos, mostro-os em imagem e acabou a conversa.

Coisas

Ando de roda de coisas que não lembram a ninguém. Guardado em dois frascos, encontrei, não o despropositado, porém, o inesperado:
^^três espelhinhos pertencentes a conjuntos de viagem – bolsa, pente e, lá está, espelho
^^um laço feito em baquelite e pintado a dourado
^^uma pulseira de plástico em espiral
^^seis pedaços de lacre, uns mais pequenos que outros que, obviamente, são maiores do que esses, mas é cada um com o seu tamanho e todos pertenciam a uma barra inteira que viajou do velho estaminé para estoutro e deve ter sido quebra resultante da viagem, o mais giro é que um dos pedaços diz 'commercial', tal e qual, com deois émes
^^um caroço (que presumo ser) de nêspera (e que presumo ter sido uma generosa oferta do Antunes, afinal é seu costume apanhá-las lá no pátio do lugar escondido e vir ofertá-las)
^^uma amostra de fio (se calhar em algodão e decerto em) branco
^^uma fita bordeaux que vinha na embalagem de bolso que comprei na pastelaria Philip's Biscuits
^^um rolo de cabelo mais velho do que eu, mais torto do que eu, tão enferrujado como eu
^^uma rolha de cortiça maior do que as de garrafão e que está muito mas mesmo muito envelhecida ^^uma partezinha em plástico que caiu de um gancho de cabelo
^^uma partezinha em plástico que caiu de um elástico de cabelo
^^três partezinhas em metal que vinham num cinto
^^uma bola de plástico furada como se em polos, era de um colar, daí os furos
^^uma porção de prego líquido seco em forma de cone porque o aplicador é um bico
^^uma ficha tripla castanha, no estaminé a gente chama-lhes de 'simplezinhas'
Não me aguentei sem captar o caroço (que presumo ser) de nêspera, mesmo destruído, afinal todas as coisas apresentadas por escrito estão velhas, gastas, feias, mas, com tudo e por tanto, o caroço é um organismo, daí ser especial o suficiente para conter registo fotográfico.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Lisboa, 10Nov2020

A árvore amarela está nua, há nela zero folhas, não mais dando, portanto, azo a erro. A não ser que não tenha dedicado tooooooda a minha atenção aos ramos. Se assim for, então venho cá rectificar isto tudo.

Lisboa, Lisboa

A Praça de Espanha está bonita, tem muito verde. Principalmente no chão. Ponho a bem-aventurança nas biclas, eu.

é uma limpeza

Sabem aquele gesto das maquilhadoras (vê-se muito no Youtube) de sacudirem o excesso de maquilhagem que subiu para o pincel? Então pronto, faço igual, isto em pincel, que a maquilhagem que sacudo é mas é as limalhas que as máquinas atiram para cima do balcão. Depois ficou limpinho, há foto da limpeza e tudo. Mas é bom que se suje sem demora, lá isso é.


 

fita métrica

Não há como jogar esta fita métrica:


… No lixo sem fazer um registozinho no blogue, ora essa. Trata-se de um bem que durante décadas regeu medidas no velho estaminé, mesmo que, em certa altura e de tanto uso, tanto tira-mete, tanto vaivém, os primeiros dez centímetros foram com o caraças:


É caso para dizer que foram números apagados pela regência do destino – dependia, e não era pouco, dos artigos solicitados pelos clientes, pela passagem do tempo – afinal é existência que tudo apaga. Ah, e para medir, era com o dez a fazer as vezes do zero, até dava para exercitar a cabeça, lá isso dava.

quero ser diferente

Num feed de rede social, um de venda de roupas, notei que uma fotografia juntava pessoas que aparentavam o peso certo ou então não, pessoas com deficiência e, ainda, de etnias várias. Presumo que queiram mostrar que eram, ou são, em suma, pela igualdade. Não tenho nada contra estas misturas, ora essa, até me alegrei de as ver, só que as imagens puseram-me a pensar que notar as diferenças não é o melhor caminho para sermos iguais... Enfim, encontrei um paradoxo. Hum, então até já.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Um (1) cliente

Por mor da pandemia e inerentes medidas de segurança, o espaço do estaminé reservado à clientela permite a permanência de um só cliente por vez. Ainda assim, se noto que há mais do que uma pessoa aguardando na rua, desloco-me ao limiar da porta e atendo daí o cliente que segue, ocorrendo este trâmite especial e extraordinário se o meu colega estiver a atender o cliente que se encontra cá dentro. O giro disto tudo é, principalmente, a minha movimentação. Vou até ao cliente, ouço ao que vem, respondo, entro e retiro da prateleira, levo, ouço o que lhe aprouver dizer, respondo. Se o cliente se desinteressar do(s) artigo(s) acaba aqui a nossa história, se pelo contrário, então trago o numerário, ouço os dados e faço o registo, levo o troco e a factura e é 'adeus, até uma próxima'. Mas, havendo o caso de o cliente preferir pagamento através da maquinaria wireless ao dispor de toda a gente, então ó 'migo, vai ter que aguardar que o cliente que lhe precedeu abandone o recinto. Fica engraçado aos bués chamar recinto ao espacinho que, por ora temos para a clientela.

asteriscos em modo subtil

Naquele fornecedor que tem um balcão igual ao meu hei-de ser ainda durante alguns anos a cara da Horex*, mormente porque, aquando do *velho estaminé, partilhava fornecedores com o meu colega. Portanto, na normalidade da minha vida comercial, da parte desses mesmos fornecedores, actualmente ainda persiste uma certa dúvida: a menina vem de onde...?

asteriscos

entalei a flor* no gatinho*
murcha está a flor e contente o gatinho
*flor...
*gatinho...

domingo, 8 de novembro de 2020

para recordar o sofá azul ad infinitum


 

Flores

Até parece que na foto não há flores, mas há-as. Em assunto de flores, já agora, cabe dizer que num dos passeios com a cadela e em outro dia, me cheirou fortemente a flores. Olhei em volta e vi toda uma colina (mas em pequerrucho, era uma inclinação, vá) atapetada de folhas castanhas. Não querendo acreditar que folhas secas cheirassem tão bem, reportei o sublime odor para os canteiros que ali habitam há qu' anos. O passeio deu-se, a chegada a casa deu-se, e o cheirinho bom mantinha-se... Porque era do meu cabelo que partia. Pá, às vezes uma pessoa lava-se e.



Consultório

«Grafico de puntos acupunturales estandarizados de China», li eu por três vezes, por em três posters estar como título. Ou tema, vá. O consultório é todo ele poliglota, isso já eu havia percebido, só não tinha ainda registado no blogue. Temos portanto Espanha, China, Inglaterra e Não Sei Que Mais mas vou pôr Portugal. Numa próxima ocnsulta... ai perdão, consulta certificar-me-ei se os posters contêm coisas escritas na língua de Camões e da Gina. Atente-se na diferença entre as preposições, por favor. Grata.

Sonho

Sonhei que pessoas minhas conhecidas liam o meu lbogue... ai perdão, blogue. Muitas, muitas pessoas, inclusive aquele cliente do estendal de tecto.

Mais receitas

Tenho mais receitas a experimentar, vindas na revista do supermercado. Trata-se de:

tarte de lima e coco
bolo de framboesas
bolo de dióspiros
dióspiros no forno

Qualquer uma destas quatro é interessante para experimentar. A tarte é feita com leite condensado de coco. O bolo de framboesas, de açúcar, é usado o em pó. O bolo de dióspiros, presumo que já tenha ouvido falar e até me parece que o cheguei a experimentar, assim como me parece que o que experimentei foi o de manga, do qual nenhum dos comensais gostou, por isso olhem, vou experimentar este, ai vou. Os dióspiros no forno, esses é que não experimentei, tampouco algum dia engendrei tal coisa. Entretanto, na revista, vinha também um caril de grão e recortei a receita para agrupar a estas, mas era mais naquela de lembrete do que para seguir uma receita. A ver se um dia desses faço caril de grão. Eh pá, se calhar já fiz...
Tem muitos anos, isto de rasgar as páginas das revistas almejando experimentar as receitas que me parecem de valor. Já tenho desistido de algumas. Umas desvalorizam porque são receitas apropriadas para o Verão, outras porque, precisamente, o Verão chegou e já não apetece, e assim vão passando os anos, eu a rasgar revistas, a idealizar bons repastos, contudo desistindo de umas ideias, todavia angariando outras.

sábado, 7 de novembro de 2020

sorrisos que parecem penas

Por que razão rio? Porque o sorriso vai buscar mais sorrisos, que, preenchedores e não mudos, explodem como sons felizes. Em suma: uma gargalhada não cabe nos lábios. Ou não se lhes atém, vá.


o bolo é de curgete e chocolate e creio firmemente que é mister ocupar-me com coisas que goste de fazer mas faço-as sem vontade
num repente ponho-me louca e desato aos gritos
diz que os ataques de pânico não duram mais do que sete minutos mas nunca contabilizei nenhum dos meus
e o que vale é que vocês gostam de mim na mesma


dois pontos

pragmatismo estanque:
há poucas pessoas na rua porque estão muitas em casa

dois pontos

aos amigos:
oferece-se bolos? (estão enfartados)
oferece-se livros? (não apurei o gosto literário)
conversa-se? (não quero conversar)

dois pontos

menstruação:
elemento regedor
toque de marcha

As pessoas da minha infância estão tão envelhecidas como eu, acrescendo que, a pessoa da papelaria, continua séria e, pior, é que agora já não desenruga.

quando a palmeira não tapa o cipreste

não é preciso, ora essa, mas agradeço na mesma


  • retirar as roupas da cómoda e depositá-las no móvel embutido no roupeiro
  • lavar a janela, o estore e o chão – assaz e esmeradamente
  • esvaziar e limpar o outro móvel, levá-lo... aliás: arrastá-lo até à varanda e recolocar o conteúdo
  • terminar de enfeitar a Árvore de Natal
 

por conta de listar e apresentar estas tarefas estou mesmo a ver que depois de lido este post vou ter visitas por mor de serem mas é ajudantes desta que vos escreve, mas que, porém, antes de mais, foram leitores/as

considerei uma boa ideia que uma caneta de cor normal fizesse companhia às que já comigo caminham, não propriamente ao lado, mas dentro da mala – é que às tantas ia eu querer escrever, precisamente, numa cor normal, e não teria como


a foto nada tem que ver com o extenso título deste post, trata-se, apenas, de um caderninho que encontrei e no qual tinha apontado o que apontei, fazendo o registo de uma experimentação

Chocolate


A vida vai-nos correndo bem, a mim e aos bichos-gato, havendo – todavia - notas a registar. Relembro - somente, antecipadamente – que casa da senhora foi remodelada.
Nas primeiras vezes amandei gandas coquinadas numa esquina de armário de cozinha, isto porque a torneira está no mesmo lugar mas os armários são mais profundos. Portanto, enquanto não me habituei a estas novas medidas, foi pumba e pumba e pumba. Três vezes. A primeira foi um aviso do mundo, a do meio foi a mais dolorosa, a terceira foi a mais estúpida, porque à terceira eu já era para saber desviar a porra da cabeça da esquina do armário.
Bom.
Então.
Kat, Miss Slim, com a dita remodelação ficou desterrada. Pobrezita. Kat é uma gata tímida e desconfiada, dantes o cimo do armário era o seu spot predilecto, dali observava e dava o seu parecer acerca do meu trabalho, e eu, à laia de pessoa extremamente comunicativa, ia conversando com ela. Mas agora o cimo do armário encosta-se ao tecto, o que faz com que não exista cimo nenhum. Então, o spot que Kat escolheu foi uma entrada do móvel onde estão os fios e a box e, como é bem funda, afunda-se tanto que não lhe chego. Mas, a propósito de chegar, quando o aspirador chega à sala, a bicha sai rasteirinha e mete-se dentro da máquina de lavar, de lá já não saindo.
Kit, Mr. Kit, pois que para ali anda, comendo pano sempre que lhe aparece à frente. Sim, ele não só rói todo e qualquer trapo que encontre, como o ingere, aqui há tempo esteve deveras doente à conta disso. O que fazemos é não lhos deixar à mão. Ou à pata. Melhor: à boca.
Nota de fim de post:
A foto acima acompanha este post porque, como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, chocolate tem que ver com nomes como Kit e Kat. Contudo, o chocolate retratado é uma simples barra de um vulgar chocolate para uso culinário. Simples e vulgar, sim, mas bom que se farta. Procurem por um chocolate para culinária mas que é de leite. É novidade no mercado. Experimentem.

Laranjas

Ontem à noite fomos apanhar laranjas daquela árvore do jardim que acompanha, por assim dizer, a entrada para a antiga escola. São ácidas, já eu disse em outros posts. Gosto de laranjas ácidas, já eu disse em outros posts. Na colheita, o único critério que usei foi a distância entre as laranjas e o meu braço, acabando por colher algumas que, percebia depois, estavam um tanto ou quanto verdes. Mas era só na cor, são boas na mesma, gosto de laranjas ácidas. Sei-o porque esta manhã o pequeno-almoço foi agraciado com o sumo, das laranjas colhidas ontem à noite, que são ácidas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Lisboa, 06Nov2020

A árvore amarela tem trinta folhinhas, salvo o erro, e salvo-o porque é inócuo e estéril.

Por que razão rio?

Porque o sorriso vai buscar mais sorrisos, que, preenchedores e não mudos, explodem como sons felizes. Em suma: uma gargalhada não cabe nos lábios. Ou não se lhes atém, vá.

Cinco

Sim, às cinco da tarde - ou noite ou lá que é isto - há muita gente ao redor da estátua que sorri, dos comboios e da avenida. Tão atenta estava a este 'redor' que me esqueci de fabricar o sorriso da estátua.

Gina, a estafeta

Entrei no escritório do senhor doutor para dar despacho à tarefa de que me incumbira o meu colega e revi a parede com as colunas desenhadas na parede do corredor. São umas colunas que estão ali para dar graça e iludir o aprofundar do espaço que, pequeno, parece que engrandece. O blogue está pejado de referências a este escritório e, até, à secretária, que, alto lá, mesmo havendo as metálicas, é de osso. O blogue contém também, e muito, referências a uma certa janelinha que está quase smepre... ai perdão, sempre aberta e que espreito por lá e que vejo o jardim. Pois bem, ó:

 

 

nota: com a ajuda do meu telefone, 'pintei' este retrato a lápis de cor

Post protector

Para tratar de uma certa papelada, o meu colega foi a uma reunião que havia sido agendada por mor da actual questão pandémica. No email vinha expresso que tivesse em conta o uso da proteção adequada e pâ pâ pâ. E vai que o meu colega, esse poço de previdências, achou que devia levar também um preservativo.

Lisboa, Lisboa

ir' ai éme, disse ise mi!
Está alguém de roda da caixa do correio em muitas das vezes em que entro neste prédio.
ir' ai éme, disse ise mi!
Há muitas, muitas semanas que o recorte da Popota se mantém naquele terraço. Ainda nem sequer se ouvia falar do, sei lá!, estranho Natal 2020. Não, atípico, para que, em espécie, condiga com o ano.

voltar a
encontrar em

bicho-cão voltou a lar de sempre
e encontra quarto de rica filha estupidamente vazio
e encontra roupeiro de rica filha ocupado com roupas de mãe e toalhas
e encontra, ou por outra, não encontra sua cama nem seus cobertorinhos, tampouco própria de rica filha
e encontra sala sem sofá azul e com sofá castanho, sendo este mais alto, mais confortável, porém! mais escorregadio, mais frio, e menos bonito que aquele
e encontra taças de comida e água meio metro a lado direito, contudo taças são de sempre, ração sai de mesmo saco e água de mesma torneira
lembrete: mesmo assim bicho-cão é feliz porque aprenderá alterações e tomá-las-á como suas, tão certo como pessoa que escreve este blogue estar a escrever em este momento



Rafeiros

O lugar da musa continua a ter uns queques que considero muita rafeiros, ainda que, oh-oh, desde que o bicho-cão coabita com esta que vos escreve, a palavra rafeiro perdeu o sentido pejorativo, porquanto a gente sabe lá da raça dela!

terça-feira, 3 de novembro de 2020

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Gin'A'nime

Dos vídeos, que não meus

No salão onde a Carminho processa tratamentos de beleza estava uma youtuber assaz conhecida. Trabalhando. É. Essa malta não pára, 'migos, eles não param. Esta cirandava pelo espaço, focando cenários, com os quais mais tarde comporia um vídeo, tenho a certeza, que seria massivamente visionado, tenho a certeza. Quando chegou a hora da manicura, pediu para posar a máquina de filmar e tenho como certo que a escolha do modo caiu sobre o time laps, as massas não veriam um vídeo onde limas desbastam e alicates cortam no normal ritmo da vida. Foi agradável presenciar como funciona os bastidores de uma pessoa em particular, quando esses bastidores não estão a ser captados. Ou seja: o que não falta no Youtube é vídeos sobre o modo como os youtubers preparam as suas publicações, mas eu, desta vez, vi o que não estará em vídeo nenhum. Pensei em me meter com ela e dizer-lhe estas coisas, mas a conversa com a manicura estava tão somente delas que desisti.

Novembro 2020

É oficial, a rica filha já não mora cá em casa. Porém, a escova de dentes ainda ali permanece. Há também livros e peluches e, de roupas, algumas. Noto a casa cheia de ar e quando fui ao supermercado já não comprei cereais nem mirtilos. Nem leite especial. O bicho-cão, a minha cadela, a Olívia, também não se encontra neste lar, que o que fazemos agora é guarda partilhada, uma vez que a cadela é tão da rica filha como nossa. Mais do que triste, estou vazia, mas já ando num corrupio, mudando umas coisitas de lugar e a cama dela já está longe da vista. O quarto tem eco. Aliás, se quando estou próxima ao quarto digo qualquer coisa, logo o eco se ouve, nem é preciso estar lá dentro. Portanto: se no quarto, então há muuuuuuito eco - eco!-eco!-eco!

Parede

Numa das paredes, num azul forte, está pintado um campo. Acho graça que, na base, o desenho termina a direito, sem curvas, portanto, o pintor/artista usou de fita autocolante para não borrar a pintura – aqui é que o dito popular fica bem. Tem duas árvores sem folhas (que giro, bem mais fácil de pintar quando nuas, olha a trabalheira de pintar folhas e folhinhas, né?), uma maior que a outra, um caminho com duas curvas e um casarão. Aliás, um grande casarão, tem duas portas, duas janelas e, na lateral, ou seja, em outra parede, um portão para o gado. Há também, e a propósito de gado, um boi (ou vaca, ah ah) que, assim de repente são mas é dois (ou duas...), um(a) atrás do(a) outro(a). Olhei melhor. São ovelhas. Há pedregulhos aqui e ali, uma sebe e alguns juncos. O nome do restaurante tem o 'Campo' em branco e 'do Caroço' em azul, aposto (apôsto, pois) em cima (adoro redundâncias) do branco e, este branco, é a vegetação que faz de base ao desenho na parede. Falta dizer que no cimo do desenho os remates são como calha, presumo que para dar a pala de cimos de vegetação, digo eu aquela situação do acaso, vá, ali mais acima, ali mais abaixo, uma vez que as plantas são umas de uma altura e outras de outra, grossas e finas, mais, ou então menos, raminhos despontando do mesmo pé.

Grafomania

Diz que tudo o que ressurge na mente como proposta para registo escrito é a validação para que conste nos canhenhos de quem pensou. Compreendo que me convém desdramatizar, uma vez que jamais conseguirei escrever o mundo inteiro, mas olhem que fico triste aos bués se não mais agarro o pensamento que surgiu em modo abstrato e que já aí considero ajustado à publicação no blogue, afinal sou grafómana. Portanto: assuntos que pipoquem repetidamente imagine-se lá a importância que têm... Muita, óbvio!

Sem vírgulas

Estou cansada do quão e como causo impacto pelo tipo e quantidade de comida que ponho no prato.

Almejante

Almejo pesar tanto de quilos como tenho de anos vividos. É questão de deixar passar uns três ou quatro e lá chegarei.

Fui eu que escrevi. E sim, parece-se comigo, ainda estou lá, embora tenha passado, no mínimo, uma década. Mas como já não me lembrava de tal, não sinto como sendo meu, e a verdade é que não é, é antes vosso, só que fui eu que escrevi, agora é essa a imagem de marca.

Imagem de marca

Ela escreve a vermelho
Cenas de sexo e afins
Despudorada
Mulher
Diz que sim
Diz que não
Adianta-te
Deixa-te disso
Gosto de ti assim
Não faças dessa maneira
O pior de tudo
(Escrever)
É a insatisfação

Novidades

E vá novidades na minha vida! Desta feita são três formas (^) com formas (´) diferentes → uma em coração, uma em redondo e outra em quadrado. E são daquelas de fundo amovível. Vem é com uns conselhos todos apaneleirados, lavar e secar antes de usar (bem, este não é apaneleirado, vá), untar com banha e levar ao forno dez ou quinze minutos (mas este é). Saltei esse passo, não por ter problemas com paneleirices, antes por preguiça. Entretanto já estreei o coração. Só que já foi há tempo suficiente para não me lembrar que bolo ou doce pus lá dentro. E não, dessa vez não 'coube' lá nenhuma laranja, que esse evento é de ontem e foi vez primeira.

domingo, 1 de novembro de 2020

A laranja

Assei uma laranja. É verdade que ando a fazer coisas estranhas, mas porra, encontrar uma laranja dentro do bolo, que só posso ter sido eu a a pôr lá dentro... é qualquer coisa de. À escala, aquilo de ter deixado a porta da bagageira do carro escancarada, é microscópico. Nessa vez veio o meu vizinho de baixo avisar: «ó Gina, olha que» e tal e tal. Ah. Pois. Fui logo tratar do caso e vi (ou lembrei, vá) que o resto das compras deixadas para a segunda viagem estavam à mercê de larápios & outros, que não apareceram ou então não gostam de coisas oferecidas de má vontade. Bom, com tudo e não o bastante, o que vale é que vocês gostam de mim na mesma.


 

enquanto uma gaivota manifestava apreço ou descontentamento


 

Olá Novembro

Estamos em Novembro, portanto os rascunhos que tenho são todos de Outubro. Se por um lado me dá prazer publicar tudo o que escrevo naquele dia precisamente nesse dia, por outro não o quero fazer, ainda que os posts estejam prontíssimos para viajar até à blogosfera. Quando não os mando de viagem, tanto pode ser pelo apego que ainda lhes tenho, como para destacar o que já publiquei. É sempre uma coisa egoísta.

sábado, 31 de outubro de 2020

Tempos d' Outubro

Não quero ver.
[15Out2020]
Ouço canções.
[16Out2020]
Não digo.
Ela vai ouvir.
[18Out2020]
Escrevo debalde.
[20Out2020]

Dias (que também são de uma grafómana)

E vai já numa data de dias de horário de Inverno, que é caracterizado por se agigantar o número de horas de escuridão e apequenar as de claridade. O meu primeiro dia desta mudança foi regido pela claridade, levantei-me quando o sol estava no 'meu' comum ponto e deitei-me sem querer saber se era cedo no relógio e eu já a enfiar-me na cama, afinal não há assim tantos lugares onde me enfie sem ouvir protestar.

A escova de dentes

A rica filha comprou uma escova de dentes e veio-ma mostrar toda contente, dando-se o seguinte diálogo:
Mãe, olha aqui. Não é tão fofa?
Oh, é igual à da menina (nome)!
Quem é a menina (nome)?
Expliquei.
Ah. Aqui diz que é dos quatro aos seis mas eu achei tão fofa que trouxe na mesma.

A rica filha espalha também contentamento por mor de outras peças que tem vindo a adquirir para usar na sua nova morada.
Mãe, viste as minhas canecas?
Mãe, depois fazes as bainhas dos cortinados?
Mãe, e a minha televisão, que tal?
Mãe, estes panos não são tão giros e fofos?
Mãe! Ó mãe! Comprei...

convite para jantar




 

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

CC

A validade do meu Cartão de Cidadão terminou e por conta da pandemia obtive a benesse de me não ser obrigatório dirigir-me ao lugar físico para o actualizar, portanto: desde Agosto que recebo SMS noticiando como vai o processo. A primeiríssima questão foi se eu queria continuar com o mesmo frontispício, pois, quando não, teria que me dirigir ao lugar físico. E eu que 'não', claro! Quero lá saber se mantenho o frontispício de há cinco anos, tivesse ele melhorado e logo veria, mas assim, ora essa. Entretanto já o recebi e estive a conferir tudinho e tudo confere – nome pai, nome mãe, localidade, números e, até, frontispício. Tudo igual. Mas o mais giro de tudo é que a durabilidade deste CC é de dez anos, quer isto dizer que manterei a juventude que tinha há cinco anos por mais dez, totalizando portanto quinze. E vai ser esta a duração daquele clique, daquele momento, daquele frontispício. Quinze anos. Olarila.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

A nova presença. Nova e grande.

A Lila é uma cadela que tem um corpanzil que é qualquer coisa e é meiga que se farta. É mais ou menos como o gatinho amarelo naquilo de me seguir para todo o lado, só por dizer que se cansa amiúde e se deita onde lhe der o cansaço. Numa das vezes em que o cansaço ainda não a domara, tomou como destino a varanda, furando o espaço que havia entre a porta e o sofá que eu havia arredado. Subi para o sofá pelas costas e demovi-a facilmente dos intentos, afinal a brandura dela é considerável. Depois percebi que só queria brincar comigo, vinha de bola na boca. Mesmo assim empurrei o sofá um bocado, pensando que era o suficiente para ela não passar, mas não era, o que me leva a pensar (agora mesmo) se o corpanzil dito acima está em cima da verdade. Enfim, posso eu não saber tirar medidas só de olhar, né? Empurrei mais o sofá.
Bom.
Então.
A Lila pisou-me e eu pisei o Miau mas continuámos a nossa vidinha todos três, e contentes na mesma. A Lila comeu a areia do Miau, fui dar com esse repasto duas vezes. A Lila roeu a bola do Miau. O Miau subiu para a trave da cama da menina e cortou o fio das bandeirolas com os dentes. O Miau bebeu água da malga da Lila mas ela não viu. O Miau recolheu à caminha minutos antes de eu dar o meu trabalho por concluído (como contei aqui). A Lila deitou-se onde lhe apeteceu, encostando a cabeça em duas almofadas de chão. Quando saí ambos dormitavam.

Dias de um Ginásio

Há semanas que em cada treino alguém sobejamente conhecido no panorama musical deste nosso país geme ao meu lado. Sério. Assim como é sério que exercitar o corpinho dói a qualquer um. Ou uma.

Manhãs

Há muitos meses que deixei de usar o serviço do despertador e há meses que não ligo o rádio pela manhã, porém menos. Dantes não me tinha como gente normal sem estar a ouvir o que de outros partisse, como por exemplos a Rádio ou a TV. Mas, certa manhã, - ai este português antigo... - aborreceu-me tanto ouvir a cacofonia radiofónica - eis duas palavras que sempre considerei quase sinónimos - que me desliguei da emissão, premindo o botão do rádio. Este silêncio dura até hoje e já percebi que os 'barulhos' da minha cabeça são para estar aí e é para ser assim.

números

tenho o mesmo número de anos que:
semanas tem um ano
de jacarandás tem aquela rua
a minha mãe tinha quando foi avó


 

esquecimes

Um dia esqueci-me da mala no estaminé, dando por isso ao chegar a casa. Dias após aconteceu igual. Sim, a mala. No meio da enormidade de sacos a levar para casa passou-me o mais importante dos itens. Repito: duas vezes. Das duas vezes não houve outro remédio senão rumar ao estaminé e, numa dessas, as condições atmosféricas não foram fofinhas para a gente os dois. Em outro dia, montada na dita mota, meti na cabeça que não havia levado o telefone. Parámos, apeei-me, abri a top-case e assim que corri o fecho da mala vi o telefone. Entretanto, hoje... Esqueci-me do telefone e dos óculos. Ora bem, vamos lá a ver, brinco muito - mas muito, mesmo muito - com o telefone, mas é facto que é ferramenta deveras útil a esta que vos escreve. E dos óculos, pois que dificilmente trabalharia nos conformes, por esta altura da minha existência estou a modos que descompensada se não tiver as minhas lentes à frente dos olhos. Curiosamente, este esquecimento não nos fez voltar a casa porque calhou de os ricos filhos vierem para estes lados. Ele há dias de plena felicidade. Até o bicho-cão vinha com eles. Obrigadinha ó ricos filhos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Lisboa, 28Out2020

A árvore amarela apresenta-se pouco folhada.

Olhares

Em certas vezes a modos que me vejo pelos olhos dos outros enquanto observo a árvore amarela, noto-lhes estranheza. De supetão, eu própria me vejo com um ar suspeito: páro a marcha, empino o nariz e fico especada a olhar, fixando o que hei-de registar no blogue. Mas o que não falta é gente que gosta de observar, se não árvores, então outras coisas quaisquer. E também há gente que gosta de escrever, que tem blogue, que o mantém vivo e que, para tal, trava o passo e mantém a atenção no foco que escolheu. E a estranheza que vejo em outros que comigo se cruzam pode ser invenção minha, pois claro, mas a vida fica desenxabida de todo quando concluo que invento as coisas.

Casas

Casa azul e casa cor-de-rosa. Que giras. A que é azul foi em tempos de um creme que acinzentou com o tempo. Presumo que nessa altura seriam ambas da mesma cor. Há anos – muitos – escrevi um post baseando-me no ar marcadamente vivido que a tampa da caixa do correio aparentava. Já escrevi tantas coisas que às vezes acho que é demais, vinco os pormenores dos lugares e as ideias e acabo por estar sempre a escrever do mesmo. Até aí tudo bem, o que não quero é escrever o mesmo.

post editado posteriormente para dizer-vos que podem clicar aqui para verem como era a casa há nove anos atrás

gosto de folhas multicolores, especialmente quando permanece o verde, mesmo que em poucochinho


 

Quando a correspondência é homeless

Quando entrei no prédio estava um homem mirando atentamente um envelope A4. Eu componho a história, vá. Aquilo foi o carteiro que encontrou uma morada um tanto ou quanto ilegível ou incompleta e toca de a interpretar o melhor que pôde, retirando, pelo menos, a rua e o número de porta. Vai daí, despachado que é – todos o são! - encostou o grande envelope no rebordo das caixas de correio, esperando que alguém - quem de direito, pois claro - dali a retirasse. Dado este caso se encontre dentro da verdade, é certo que qualquer morador vai inspecionar o dito envelope e foi isso o que encontrei o dito homem fazendo. Não obrigo ninguém a acreditar na minha história – óbvio – mas olhem que, olhem que.

Quando a verdura é plasticized

Quando entrei no prédio vi uma folha caída no chão. Ao lado estava um vaso com uma planta de folhas verdes – verdes?! oh! que estranho! né? - e percebi que só podia ter caído dali. Quando a apanhei tacteei-a e notei que era feita de um tecido plastificado. Perante esta observância, não é que tenha ficado pesadamente triste – pois claro! - mas olhem que, olhem que.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

j' ai dit, il a dit

J' ai dit le prix en français et Monsieur Armand a dit:
Oh-la-la! Je vais venir ici pour apprendre le français!

Na avenida

Vi que a vizinha Gislena entrava na grande loja da avenida. Sim, ela desinfectou as mãos à entrada. Pouco depois avistei a porteira de um dos números do meio da avenida e, entretanto, cruzei-me com uma mulher que mirava atentamente a barra de cereais recentemente esventrada, indo ainda a tempo de ver a vontade com que a trincou. Parei na cafetaria para comprar miminhos e enquanto esperava que mos embrulhassem ouvi uma cliente comentar com a funcionária que é muito bom que o filho lhe dê sustento - vulgo casa&comida - mas que não lhe dá amor. A funcionária respondeu com outro tipo de sofrimento mas - esperando que - no mesmo grau: foi forçada a abandonar os estudos no último ano da faculdade porque engravidou, não voltando nunca mais. De permeio, ia ouvindo duas clientes que sentadas ao fundo conversavam em francês.

Por mor de

Por mor de uma mudança de lâmpada no estaminé, o meu colega tocou em algo que fez o quadro eléctrico reger-se pela inteligência maquinal - ui! andam aqui a mexer? então disparo! agora não há!
Então pedimos ao Zé para amanhar o meu PC, que desde aí mantinha no ambiente de trabalho uma imagem a pedir amanho.
ai o seu (meu) desktop não sei quê
ai eu sei lá amanhar isto
ai pá se o PC me falha oh porra
O Zé entrou no meu espacinho, deu-se conta da mesma perspectiva com que eu me dou diariamente, embora mudamente, mas já não foi mudamente que notou o espacinho que o rato tem para se mover. Ele chama mouse ao rato. Pronto, cada um sabe o que sabe. O Zé sabe que o rato é o mouse e eu sei que o mouse é o rato. Informei-o da tactilidade do ecrã – Zé, olhe que, olhe que. Mas ele que não, deixe estar. Preteriu a tactilidade do ecrã em prol de um rato que não tem onde rodar vivo.

Flor à esquina

Esta flor é um despojo da florista de rua. Largou o trabalho cedo e deixou esta beleza que, não tendo sido com o intuito de marcar a sua permanência naquela esquina, o certo é que o fez e, já que faço este registo, passa a marca indelével.


 

Fotografia à esquina

Primeiro: escrevi no blogue (ver aqui) Segundo: tirei a fotografia (hoje). Lugar: esquina de duas avenidas lisboetas → Gago Coutinho e EUA. Perspectiva: vinda do Aeroporto, sentido Areeiro.
 


 

Sonho

Sonhei com um espaço que era uma mistura de parque de diversões com central rodoviária. Este é um sonho à moda da Gina – barulho, algazarra, gente amontoada, gritando, eu a não chegar a lado nenhum dos que quero, furando a multidão sem não avançar porra nenhuma. Para apanhar um comboio tinha que subir em outro comboio, mas depois percebi que era um teleférico, cubículo que me desconforta porque nele pairo. É frequente os sonhos que mais me desassossegam terem como cenário elevadores e nas peripécias ver-me a pairar descontroladamente, tanto faz que esteja dentro da cabine como fora dela.

Um e Outro

Ouvi Um homem a dizer a Outro que já tinha comprado cinco ou seis jogos da mesma cor. Ah isso são todos. - Disse o Outro. Não, isto não falha. Isto vai bater, isto vai bater! - ripostou o Um.

Os jovens

Andava eu a pensar que o Antunes nunca mais nos tinha cumprimentado com aquilo do 'ó juventude!' mas afinal ele ainda lá chega. Este cumprimento, que sempre considerei um tanto ou quanto original, vem dos tempos em que todos nós éramos ainda jovens, porém, entrados na era adulta há q' anos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Olha!

Passo por este portão há algum tempo. Logo no primeiro olhar engracei com a espécie de ó encimando o agá. Eu leio 'olha!' Se é: importa-me; se não é: importa-me. Eu olhei.

O chique da moda


Este modelo é 'o chique da moda', como diz a minha mãe.

domingo, 25 de outubro de 2020

Árvore de Natal

Já fiz a Árvore de Natal mas não acabei de a decorar, deixei enfeites amontoados aos pés e não liguei as luzes. Fi-la por causa da minha mãe, que também não está acabada. Porra, hoje estou um bocado por acabar.
 

Gina, numa relação com o supermercado.

Sabem aquela sensação dos dias quentes, em que se tem dificuldade em manter as mãos no volante? Pois bem, aconteceu-me isso, mas em frio.

As rodas dos carrinhos de compras são como que achatados, o que visto num repente parece que os 'pneus' estão sem ar. Dois factos: 1 - posso ter sido a primeira pessoa a reparar nisto; 2 - posso não ter sido a primeira pessoa a reparar nisto.

A primeira árvore de Natal que avistei este ano não é a minha. Oh. Mas foi a segunda, pronto.

Comprei um creme de limpeza doméstica. A senhora da caixa ficou a olhar para a nova roupagem que aquilo tem. Queria muito contar-vos o que ela estava a pensar enquanto mirava tão atentamente as cores, as formas e os dizeres, porque isso sim, seria escrever coisas.

Comprei chá de perpétuas roxas. Comprei porque é bonito e a beleza traz de arrasto a tentação e a fraqueza, porque é diferente dos demais cá de casa e eu gosto de variar os sabores, porque poderia servir para estimular a imaginação se eu não soubesse que é para males de garganta. Bom, sempre posso imaginar perpétuas de outras cores.

Notem bem: de volta ao automóvel, a temperatura do volante não mudou nada. Sorte é que, vá lá vá lá, nem para menos se mudou.

Parece que esta é a minha última visita ao supermercado nestes moldes. Parece. Mas quiçá não esteja ainda acabado o tempo. Se bem que tenha comprado menos coisas. Hum.

Sonho

 Sonhei que tinha ganho um concurso qualquer e o prémio era um funeral grátis. 

Post atrasado

Novidades no cortinado mais famoso do meu blogue?
Claro que há!
Os pássaros, cada um sendo o negativo do outro, nada de pousarem em ramos com a mesma curvatura, tamanho ou número de folhas. Ora essa. E peço desde já desculpa pelos chavões que se seguem: é cada um por si, iguais mas diferentes.

Estás bem?