terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Proximidade

A minha sogra quer doar-me um dos seus pertences. A questão não é ela querer doar-me seja lá o que for, aceito de bom grado toda e qualquer oferta sua, é antes porque o impulso aconteceu por presumir que morrerá brevemente.
Portanto é a sua última oferta.
Ó Gina, não te esqueças de levar aquilo.
Portanto fiz-me de desentendida.
Ó Gina quando é que levas aquilo?
Portanto vou arrastando.
Ó mulher, leva aquilo!
Ai. Ó pá, é que é complicado. Tudo bem que a morte está ali. Ali. sinto-a eu, sentimo-la todos. Mas ainda não se deu, e eu, aceitando levar coisas da casa da minha sogra como sendo uma herança, parece mesmo que ela morreu. E não.

Entretanto já dei início à demanda de levar 'aquilo'. É algo volumoso, pesado e variado em partes desiguais, que por partes desiguais será levado. Não demorará assim tanto tempo a concluir a demanda, uma vez que actualmente visito os meus sogros duas vezes por dia, de segunda a sexta, e ao sábado à noite e domingo de manhã. Se de cada vez que lá vou trouxer uma coisinha, não tarda tenho tudo instalado na minha casa.

Este assunto é delicado, não sei se os leitores terão percebido o alcance da questão, as duas faces, a corda-bamba. Gosto muito da minha sogra. Não é a minha mãe, não, mas assemelha-se-lhe em muito.
Bom, é provável que torne a este assunto, afinal a vida não terminou. Ainda.

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