terça-feira, 15 de outubro de 2019

Sustos

O meu colega assustou-se imensamente duas vezes.
A primeira, quando ao almoço entrou uma senhora no restaurante que olhou para o prato dele e depois para ele e exclamou 'já sei o que vou comer!'
A segunda, quando ao lanche estava à porta do estaminé comendo uma banana com a vontade que o caracteriza e um senhor que passava o olhou longamente.

Rima

Escorre-se a amêjoa
Para soltar algum grão que lá esteja

(a ideia acima é do meu colega, a construção que apresento é minha)

Piada

Quando digo coisas a que a Carminho acha piada ela ri-se assim:
ss-ss-ss-ss-ssss!
Eu cá dá-me jeito pensar que não é só com as minhas coisas que ela se ri . É que na minha cabeça é bem melhor que ela passe o dia a rir com toda a gente que atende lá no gabinete de estética, mesmo que se ria assim:
ss-ss-ss-ss-ssss!

Chá 🍵 ou café ☕

Tinha em cima da mesa uma chávena de chá ainda meio cheia.
Tinha em cima da mesa uma chávena de café acabado de sair.
Tenho em cima da mesa a chávena de chá meio cheia.
Tenho em cima da mesa a chávena de café vazia.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Graminhas, principalmente, mas também é Lanchinho.

mil e trezentos gramas de bananas
quatrocentos e trinta e cinco gramas de uvas
quatrocentos e noventa e cinco gramas de tangerinas

De lanchinho comi uma banana que subtraí à lista anterior. Podia desvendar quantos gramas de banana tenho ao momento no bucho, que tenho balança no estaminé, podendo inclusive descontar o peso da casca, isto em caso de optar por um resultado correcto. Mas não fiz nada disto, o que julgo ter dado para perceber, comi a banana e acabou a conversa.

Conheces-me tão bem, caro colega...

Noto que a minha desconcentração é afamada quando, por exemplo, o meu colega me aconselha e incentiva a almoçar antes de ir ter com o cliente porque, dizia ele, normalmente os meus níveis de concentração já são baixos e se eu vou para lá antes de comer...

Confissão

Tudo pode obter descrédito se observado sob determinada perspectiva e não será a minha grafomania a constituir a diferença. Ou seja: eu, que escrevo e escrevo e mais não sei o quê (grafómana, pronto), não descodifico alguns tópicos que aponto à mão e, ainda, por vezes releio textos meus (com meses, semanas, dias, tanto faz) onde é estupidamente notória a ausência de vírgulas, isto quando fazem lá uma falta do caneco. E é sobretudo por conta da ânsia de tudo escrever que isto acontece. Depois, e decerto a ânsias se deve isto também, ponho-me a escrever e desenvolvo o assunto, sim senhoras e senhores, mas tomo uma rota diferente e o destino inicial fica no esquecimento. É o caso, por exemplo, deste post. Já agora, conto. Fui dar às folhas mas, ao início, o que eu queria era contar-vos o giro que foi escrever no rolo, que eu escrevia e escrevia as minhas coisinhazinhas e o papel desenrolado já era tanto que encaracolou.

Frasco

Na bancada da maquinaria do ferro há um frasco que, por sua vez, contém ferro, mas em limalhas. Consta que um amigo do estaminé faz artigos belos, ou belos artigos, sei lá, e pediu para a gente guardar tudo quanto cair na bancada em forma de limalha, que ele aproveita para embelezar os seus artigos, que ficam lindos, que um dia nos oferece um desses e mais não sei o quê. Esse frasco veio das mãos do Ângelo, numa altura em que trouxe mais uns quantos e mos ofereceu porque eu gosto de frascos de vidro. O giro desta questão, o grosso do post, é que o frasco vinha já com uma vinheta onde está escrito 'amaciador de barba'. Portanto, vai-se a ver e o frasco que antes era usado para armazenar o amaciador de barba, actualmente é usado para aproveitamento de limalhas e eu acho que a vida é, quantas e quantas vezes, feita de contrários, um amacia e apraz o outro pica e faz doer.

101

Cento e um anos tem aquela senhora ali. Eu sabia que eram muitos, porém, nem tantos assim, 'migos, nem tantos assim.

Fila

Numa loja onde estive, quando na fila para pagar, notei que a senhora que me precedia era deveras chata. Vai daí previ que em chegando a minha vez de ser atendida, a funcionária seria atenciosa e amável para lá de muito, tanto porque se havia livrado de tal fardo, como porque eu não sou assim. Não pude comprovar, a senhora foi chamada para uma tarefa longe da caixa registadora, abandonou portanto o lugar, que não foi ocupado pela colega a quem ela pedira colaboração antes desse abandono. Eu esperar um pouco esperei, especada atrás da senhora que me precedia, cheia de paciência e tal, no braço o que escolhera e provara e decidira que sim, levo estas peças. Depois acabou-se-me a paciência. Pá, coiso.

Matizado sem filtros e, quero crer, sem intenção de.

Lisboa, Lisboa

domingo, 13 de outubro de 2019

Dobras

Dobrei a factura do supermercado em dois e depois em três. É comprida. É um pedaço de papel que comprova muitos itens comprados. Não os comprei, só, ensaquei-os, transportei-os em três viagens e arrumei-os. As viagens são: a primeira, corredores do supermercado afora; a segunda: da caixa para o meu automóvel de matrícula portuguesa; a terceira: daí para casa. Eu sei, eu sei, é giro que se farta.

Paz

Não se pode deixar as pessoas em paz, não as de baixa autoestima e desoladas no coração. Principalmente essas.

Escrever

Para escrever, imagino uma montra de assuntos à disposição, é agarrar no que mais interessa ao momento e pumba. Mesmo no caderno é assim que apuro o assunto. Ainda que escrever para esconder (caderno) seja diferente de para mostrar (blogue), escrevo sempre sem o interesse de interessar. Mas pronto, já se sabe que, o que vale, é que vocês gostam de mim na mesma.

Açúcar

Tenho algumas coisas para registar acerca da embalagem de açúcar branco que encetei esta manhã.
Tem (tinha!) um quilo.
Diz que:
o açúcar branco é um açúcar de cana que pode ser utilizado para adoçar todos os seus (meus, portanto) alimentos,
é apto para vegetarianos,
Conserva-se em local fresco e seco,
é isento de odores fortes
a validade é ilimitada.
Uma tabela diz que cem gramas de açúcar podem ser convertidos em quatrocentas kcal,
mil e setecentos kj,
zero gramas de lípidos, dos quais, saturados, idem,
cem gramas de hidratos de carbono, dos quais, açúcares, idem,
zero gramas de proteínas,
zero gramas de sal.


Nota:
Que a validade do açúcar é ilimitada já eu sabia há algum tempo, agora que não contém sal absolutamente nenhum é que para mim é uma grande novidade.

Notazinha:
Hoje fiz caramelo mas não o fiz salgado.

Factura

A factura deste caderno foi descoberta hoje, entalada sei lá onde, na mota. É um A5 notitieboek. Pronto, se traduzido, podia ser simplesmente caderno mas ocorre que o tradutor de Mr. Google diz que é um notebook, e notebook de português não tem nada, mas vá, singremos no caderno que singraremos bem. A compra foi efectuada às onze horas e nove minutos da manhã de onze de junho do corrente ano. De nada, ora essa.

Pernas na perna

Tenho umas calças tão largas nas
pernas
que cabem as minhas duas
pernas
numa só
perna
das calças.
E uma camisola cor-de-laranja também já eu tenho.




Pequeno-almoço ao lanchinho

De pequeno-almoço ainda pensei comer a meia cenoura que havia sobrado do jantar de ontem, mas não, foi panquecas com manteiga e sumo de laranja. De lanchinho é que comi então a meia cenoura.

Mostrar-vo-lo (adoro estas formas verbais, ai)

É como está o cabelo ao momento.
Já mo têm elogiado.
Agradeço educadamente
(mas não sei se sempre)
e há até umas vezes em que
concordo destemidamente.
Afinal se, né?
Vou mostrar-vo-lo:

sábado, 12 de outubro de 2019

Velho dia

De maneiras que é isto: o dia é velho e passei-o a escrever parvoíces no lbogue… ai perdão, blogue. Não é estagnação, não é mais do mesmo. Não. É engano meu.

Vem aí o Natal

É tão bom quando encontro um sorriso sincero. Às vezes vejo por aí um ou outro. Há os que aparecem num repente, a gente olha e pumba, lá está o sorriso da pessoa. Todo. Até ao limite. Não há mais. E em nanossegundos.


Little baby
Pa rum pum pum-pum
I am a poor boy too
Pa rum pum pum-pum
I have no gift to bring
Pa rum pum pum-pum
That's fit to give our King
Pa rum pum pum-pum
Rum pum pum-pum
Rum pum pum-pum
Shall I play for you
Pa rum pum pum-pum
On my drum

Protector solar

Já arrumei o protector solar, que me andava para ali em cima da cómoda há tudo isto de tempo: um mês. Sabe-se que, no geral, um protector solar é coisa para andar em lugares próprios, como por exemplo, o armário da casa-de-banho. Pois bem, foi lá que o pus. Para o ano é um achado. Diz o comércio e as gentes do estilo de vida (é a minha tradução - barroca, bem sei - para lifestyle) que não se guarda produtos deste género. Hum, ok, vá, haverá alguém que?

Supermercado

Um euro e cinquenta por dois sacos de rede que não têm a costura até ao fim por modo a poder dobrar a bainha e enfiar aí o fio de puxar para fechá-los. É para fazer as vezes dos afamados e malfadados (adoro escrever palavras parecidas de seguida, adoro adoro adoro, vai parecer que me enganei, mas não, vai parecer 'olha-m' esta!, e sim) sacos de plástico que desenrolo, encaixo numa ponta e puxo, um por espécie de fruta e ou legume que queira adquirir, sendo estes, obviamente e também, reutilizáveis. É bem, sim senhoras e senhores, mas porra, é caro. Já pensei foi em comprar um conjuntozinho desses mas para pôr as peças miúdas na máquina de lavar. É que, sendo assim, fica mais barato. Ok, pode não ser material assim tãããããão duradouro, ok ok. Ou pode. Sei lá. Mas pronto, eu ainda não. Digo aquilo dos sacos do fiozinho.

Supermercado

Este é um post especial, isto no sentido de registar que o corante amarelo continua a fazer parte da lista de supermercado e, como vos parecerá óbvio, presumo, as 'coisas pó cão' saíram da mesma.

Supermercado

Do supermercado devo dizer que levei a rica filha comigo, isto porque ela quis vir: ó mãe, preciso de comprar umas comidas que tu não comes. Pá, pronto, então vá, só te faz é bem misturares-te nestas andanças. Vimos a senhora dos fiambres enxofrada com a cliente que nos precedeu. Quando terminou o atendimento perguntou, para o ar e não para mim, se podia respirar, abrindo muitos os braços, quase como a espreguiçar-se. Mesmo sabendo que a o pedido não era feito a mim, sei que era, por isso respondi 'ó minha querida, eu tenho tempo'. Mas não tinha, e ela foi uma querida na mesma. Fiambre dinamarquês, aquele bué da bom, e queijo flamengo redondinho, aquele bué da bom. Trezentos gramas de cada item. Isso, trezentOs. E a senhora nem me corrigiu. Mesmo querida, pá. Bom. Então. A rica filha admirou-se de eu ouvir sempre a mesma música a caminho do supermercado (questão que desenvolvo um tudo-nada neste post), lembrando que podia variar e mais não sei o quê. Pois podia, mas é tão giro que

não me abras assim o teu mundo
o teu lado lunar só dura um segundo
não é por ele que te quero amar
embora seja ele que me esteja a enganar
(Lado Lunar, Rui Veloso)

me acompanhe em cada ida ao supermercado e assim a memória se fixe nesses dois pontos, viagem + canção, que poderiam eventualmente serem outras, pois claro, mas não, são aquelas. Quero dizer: ao momento são aquelas. Depois a rica filha considerou esta minha questão, não só estranha como curiosa. Vou agora buscar dois posts de um blogue anterior, onde apresento esta interessante temática de canções a repetirem-se e viagens ao supermercado (quase sempre) feitas ao sábado de manhã.


O radio do carro... Autorrádio, não é. É. No autorádio ia a Marina and the Diamonds a cantar I'm not a robot. Que novidade, só por dizer que eu ia para Lisboa, não para o supermercado. Guess what, I'm not a robot. O botão do volume de som marcava o 22. Depois fartei-me daquilo, afinal a Marina estava a cantar o robô e eu circulava na avenida Santos e Castro, à procura do bom porto. Nada a ver com supermercado. Fartei-me daquilo, dizia eu, e cliquei na setinha que tem o bico a apontar para a direita. Cliquei até ouvir uns acordes clássicos, smoke on the water, Deep Purple, déun-déun-déun déun-déun-déun. Depois aquilo acabou e a Marina apareceu outra vez, my life is a play, is a play, is a play...
|3 outubro 2015

Não ouvi a Marina e os seus diamantes cantado que não é um robô. Sei lá, não me apeteceu, o ano está no fim, ando já a pensar noutra melodia para me embalar os quilómetros que faço até ao supermercado. Falo do ano estar no fim porque já estipulei que esta é a canção dois mil e quinze e que outra virá em janeiro, só por dizer que ainda ando a escolhê-la.
|21 novembro 2015|

Cara de cu

Cara de pescada,
ideia que retirei pela presença da rede.

E a engraçadinha de mim aproveita já
para fazer a piada fácil:


'Ah ah, rabo de pescada é que era!'



Vermelho

Tenho em cima da mesa da cozinha três ou quatro malaguetas do mais vermelho que há. Quem mas trouxe e quem mas deu são duas pessoas distintas, e quem mas deu foi o serralheiro, aquele que tinha uma mulher que fazia bolos para fora e que, portanto, era uma espécie de concorrente da dona Adelina.

Novo dia

Levanta-te mas é.
E já me levantei, não consigo escrever deitada.
A lista de supermercado contém 'coisas pó cão', que entretanto foram adquiridas. Tenho portanto a lista desactualizada e ainda nem estou lá.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Velho dia

Passo o dia a escrever parvoíces porque sou de tão boa índole que deixo as inteligentes para outros poderem brilhar. Generosa, vá, qual boa índole, qual quê.

Pensamento

(do título: tudo o que aparece neste blogue provém do pensamento, mas vá, este é mais pensamento ainda)

Atão... Então... Não é atão, é então. Então o que é que eu vou dizer? No dizer o érre é palatal quando é para ser fricativo. É um érre claramente clarividente. Já sei, é clareza a mais, já sei.

Os meus agradecimentos

Perante uma amabilidade qualquer sempre posso agradecer sem reserva:
'Ficar-lhe-ei grata para todo o sempre mas só me vou lembrar desta ocasião nos próximos dois minutos.'

Eh pá, porra, quão bem soaria... Um dia experimento.

São como são

As lâmpadas são como as pessoas, sabe lá a gente se vai durar mais cinco minutos, né? Pois então é isso, com as lâmpadas é igual, logo seguido do enroscar, tanto podem durar décadas a acender e a apagar, como no primeiro arranque se fundirem. Não há explicação. Esta questão lembrou-me as pens. Uma pen, quando lhe dá a travadinha, pode dar-lhe ao início da sua utilidade ou pode durar anos e anos. Entretanto, e por sua vez, as pens lembraram-me que, sempre que me encontro a escrever as coisinhazinhas que futuramente porei no blogue, mas directamente na pen... Se ela se lembra de lhe dar a travadinha precisamente nessa circunstância... Fico perdida da minha vida de escrevente, lá isso fico, é que às vezes são às (muitas!) centenas de palavras.

A sala

A sala não tem cortinado mas tem uma espécie de colcha pregada na parede. Não me vou pôr para aqui a dizer que tem isto ou aquilo e desta ou daquela maneira. Não. Tem bolas formadas por um desenho e umas são maiores que outras, tem franjas em duas das extremidades e pronto. A piada está no pregar da colcha à parede. Quem a pregou não fez uso da matemática, idealmente teria, antes de mais, posto um preguinho em cada ponta e um mesmo no meio. Não era difícil, via onde calha a bola do meio e pumba, martelava aí, depois partia para outros meios, que obviamente encontrava por entre os três preguinhos que já conhecemos neste post. Mas não. A pessoa foi indo foi indo, abordando o tema desordenadamente, resultando portanto em espaços de diferentes tamanhos por entre cada preguinho. Bom, resta-nos a glória da imperfeição, a poesia do acaso. Este final é cortante, bem sei, mas a ironia às vezes veste-se assim.

Pronto, a pessoa que escreve neste blogue usou desajustes ao nível do pincel e do frasquinho e vai que a tinta se enraiveceu tanto que transbordou.

Novo dia

Vai para o novo dia. Não tenhas medo. Nem vigor. Nem saudade. Nem carácter.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Noite

É boa ideia que o cliente do fim do dia tenha um quadrinho com uma oração na casa-de-banho. À noite, ou, neste caso, mais à noite, enquanto se prepara para passar a noite, este cliente olhará para o quadrinho e orará sob a orientação do que lá está escrito, na esperança de melhorar a sua existência. Não posso deixar-vos o teor exacto da oração porque já necessito de óculos para ler, isto se há pequenez nas letras, e no momento não os tinha na cara, e nem os ia ter, tanto por pudor como porque me encontrava de mãos ocupadas, ajudando o meu colega a segurar um resguardo de banheira, em vidro. Adianto, porém, que descortinei palavras como mudança, querer e aperfeiçoar. Haverá alguma religião cujas orações não promovam a mudança do ser? Não digo mudar quem se é, calma lá, é mudar hábitos que não edificam e o que fazem é transtornar. Não há, pois não? O objectivo é, sempre, ser melhor. E o limite é, acho eu, almejar a perfeição. Almejar. Isso.

Posta-restante:
Outono → Há tanto tempo que não percorria a avenida, quando de noite. E o banco hater, de noite? Oh, é tão triste quanto de dia. Talvez não seja Afinal não é assim tão fixe estar aqui.

A mesma


Eumes acha que é a única que não fala no mundo inteiro.
E que os demais, ou seja, o mais de todos, ou seja, um alto número de um todo que é todos os outros:
expelem, sangram e parem as falas que todos ouvimos.

Troca

A cliente trocou-se e disse 'morremos' quando, em contexto, percebi que queria dizer 'moramos'. Entretanto, um funcionário de uma transportadora, ia-me fazendo entrar no estaminé quatro volumes pertencentes a um fornecimento. É a vida, 'migos, é a vida, e tudo posso registar no blogue.

Visto numa gelataria*

«Il gelato é un piacere. Si non é buono, che piacere é?»
Num quadro na parede. Podia até passar despercebido, segundo recordo era um bocado escuro. Só que não passou.

«Don't touch the glass. It makes the ice scream.»
No vidro da montra de gelados. Fartei-me de rir com o trocadilho.

«Quem souber e quiser, pode tocar.»
Recadinho junto a uma viola, exposta no espaço, obviamente à disposição da casualidade.

*La Fabrica, Arco do Cego, Lisboa

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Tu vais ficar

Tu vais ficar aqui, perguntou-me a menina. Vou, respondi. Foi a minha vez de ficar expectante, querem ver que a petiza se vai opor a que eu fique de plantão num lugar que é seu? Mas não, ficou satisfeita com a minha resposta, a vida dela seguiu e eu fiquei sozinha. Passado um tempo, lá para o fim da jorna, falei com a menina, mas por gestos. Encontrei uma ponta de lápis de cera e entalei-o no braço de uma bonequinha que tinha ficado esquecida no sofá. Sentei-a, que me aflige ver as bonecas sujeitas ao mesmo cenário, neste caso o tecto. Não. Já no outro dia deixei uma, mas maior, sentada no mesmo lugar, perninhas dobradas e bracinhos como se a aceitar colo. Ou a pedi-lo, isto agora já depende da imaginação de quem ler este post.

gostar por gostar é gostar na mesma

gostar das pessoas sem ser amiga é:
proximidade sem intimidade
à-vontade sem abuso
confiança sem intrometimento

ser amigo passa por exageros:
o íntimo é invadido
o à-vontade é abusado
a confiança é avassalada

e eu que sei (oh se sei)
que a sinceridade é um repelente do caraças
contradigo-me assim
desavergonhadamente

Escrever

Assim, por escrito, parece deveras dramático mas, na verdade, penso que qualquer dia morro e as pessoas nem me conheceram. No outro dia eu e o Luís fomos almoçar num restaurante, onde já em tempos havíamos ido e recordei que nessa primeira vez achei um piadão ao modo como o guardanapo estava dobrado. Nessa mesmíssima altura construí um post onde usei de minúcia para descrever o modo como o guardanapo estava dobrado. Referi que em tempos escrevi um post assim e tal e tal e pesquisei-o para lho mostrar. Quando terminou de ler o Luís disse que, se eu interagisse com as pessoas usando o mesmo tom irónico que tantas vezes ponho no blogue, perceberiam como realmente sou divertida. Portanto: vai-se a ver e a ideia de que quando escrevo no blogue sou diferente da realidade, é verdadeira. Embora escreva com a verdade no comando, sei que as minhas palavras estão (tantas e tantas vezes) camufladas, encapotadas, encriptadas, moldadas, romantizadas. Duvido muitas vezes que seja eu a escrever este blogue. Sério.

Na verdade encontrei dois posts referentes ao tal dobrar do guardanapo, é ver aqui, em querendo.

Post com título

Pois é, no cabeleireiro, tinha eu começado há bocado (que é um 'há bocado' que não está no lbogue... ai perdão, blogue, mas no caderno, só por dizer que me apetece pôr tal e qual como lá está) estava uma senhora no lavatório, a ser-lhe lavado o cabelo, e depois veio a massagem, à cabeça, que lhe foi feita longamente. Este apontamento existe por conta da descontração que a cliente aparentava: olhos fechados, disposta, merecedora, e, a cabelerireira: tensa, compenetrada, envolvida. Achei curioso que, numa mesma ocasião, num mesmo relacionamento, os intervenientes interagissem pelo oposto.

Quase acabados

Tenho o caderno de manuscrever as coisinhazinhas nos fins e também a caneta prateada. Esta caneta tem uma tampa verde, que pertenceu a uma outra, que escrevia a verde (ah, que estranho, pois é) mas já não malembra da história que levou a caneta prateada a não ter tampa, isto em maneiras de, sendo assim, a encapuçar como tem estado encapuçada. Posso pesqusiar, claro, e, bom, já vejo se. Entretanto, como tem dado para ver que a tinta se lhe está a acabar, repus para já uma outra caneta que nos acompanhará enquanto lhe durar, por sua vez, a tinta. É que eu não me aguento sem canetas que escrevam, e nem ando só com estas duas, não, ando com mais duas, uma de bico fino e que escreve a cor-de-laranja, e uma de feltro, que escreve a verde. Pá, pronto, sou grafómana, eu lá me aguento sem escrever?! Ou, então, com a ideia de que posso querer escrever e não posso escrever por não ter como?! Eu não. Quero ainda falar da caneta substituta. A caneta substituta veio de França, mas não é aquisição do ano corrente, não, é de dois mil e dezassete. Da vila onde a encontrei é que não malembra o nome, o que lamento, mas sei que era uma papelaria cheia de material, que o senhor era muito simpático e que trouxe mais coisas, mas, lá está, já não malembra quais, o que também lamento. Agora o caderno. Escolhi a mais recente aquisição numa loja em Ede, na Holanda, tem a capa em plástico cor-de-rosa e umas letras que dizem 'YAY', também em cor-de-rosa mas mais carregado. Como o 'YAY' já vinha de antes, achei um piadão que a vida mo mostrasse outra vez. Mas olhem que o caderno ainda não anda comigo, que é lá isso, o caderno é mais fácil de prever quando se finda, daí estar já escolhido, sim senhoras e senhores, mas na fila de cadernos que tenho em casa e que comporta não só cadernos vazios como cheios. E pronto, por ora tenho as minhas histórias contadas.

Banco hater e sus sombras

Olá banco hater, está tudo bem contigo? Diz a minha mãe que 'quem cala, consente', de maneiras que já se sabe, né?

Azul

Não levou nada de tempo até ficar tudo desarrumado e empoeirado. Felizmente, pois com certeza.

Lisboa, Lisboa

Gostei tanto desta foto que lhe pus filtros. Não é para a melhorar, é para não ir já embora.

 

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Não é que eu seja bonita, os cremes de rosto é que são muito bons.


Encontrar simpatia e naturalidade em alguém faz com que a minha timidez, se extrema e portanto indisfarçável, não nos pese.

Mandíbulas, ou assim

Cliente: Crocodilos, tem alguma coisa?
Eu: Eh pá... Crocodilos...? Não me quer traduzir isso, por favor...?

Sim, o cliente explicou clara e sucintamente o que procurava. Sim, não me foi difícil imaginar pecinhas que agarram fios e compará-las a mandíbulas agarrando pernas e ou braços e ou cabeças e ou e ou. Sim, não tenho crocodilos à venda no meu estaminé.

Disposições

Passem então a saber que, profissionalmente, a pessoa que escreve neste blogue é tão versátil quanto pode ser quem se empoleire numa sanita (na disposição de lavar uma janela) e passe o pano húmido no lavatório que expõe na montra do estaminé (na disposição de o alindar).

Respondona a perguntas vindas de longe

Em resposta a um questionário (que um dia aparecerá por extenso no blogue) dei azo à espontaneidade para me descrever em algumas palavras. Escolhi três:

mentira
vaidade
pudor

Pois é, foi o que surgiu e não, não é bonito o juízo, não. Bem sei que é lugar-comum dizer que podia ser pior. E podia, e isso serve de atenuante. Olha se tivesse pensado muito, aniquilando assim os repentes da minha vida, e me lançasse na estupidez, na incapacidade e no tédio? Ná, nada disso. 

Lisboa, Lisboa

Posso pesquisar que Igreja é, a que se vê na foto abaixo. Posso, até, perguntar, mas, para não fraquejar, para não aborrecer, prefiro pesquisar. Na vida, é em lugares como este que concluo que sim, a Internet isola-me.




Estamos então a zeros. A foto é, também, para que conste a sombra.

Uma boa dúzia de tiles

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Não é assim tãããããão difícil fazer coisas boas e capazes,
o difícil é nãããããão esperar retorno, e aditivado.

O que dissemos ao almoço

Faz-me impressão que não estejas a comer salada, disse eu ao meu colega.
E eu faz-me impressão que não estejas a comer arroz, disse o meu colega a mim.
Então, disse eu, são duas questões que se assemelham bastante e, a gente querendo, podem até ficar iguais.

Lisboa, oito de outubro de dois mil e dezanove

Vou-me agora aos corantes. Comecei por querê-los, em gel, aos dezoito de julho do ano passado, e apontei na lista de supermercado: corantes alimentares. Na próxima lista, aos vinte e dois do mesmo mês, não constam, presumo que por esquecimento, voltando a apontá-los aos trinta. Estão também presentes aos 4 de agosto e, de novo, aos onze, catorze e vinte e nove dias do mesmo agosto. Em setembro apresentam-se em todas as listas, porém, em outubro, especifico as cores que quero e, segundo recordo, havia comprado o vermelho, faltando-me assim, o azul e o amarelo, e é especificado que prossigo nesta demanda tola e inútil. Em novembro e parte de dezembro é idem. Notem bem: do dezembro disse parte, pois eis que aos vinte e um de dezembro já só me falta o corante amarelo. Dessa data, vinte e um de dezembro de dois mil e dezoito, até esta data, oito de outubro de dois mil e dezanove, o corante amarelo aparece na minha lista de faltas de supermercado, sempre! E na primeira posição, sempre! Ainda não comprei, pois claro, actualmente não estou certa de o querer ter. Ainda não tingi nenhuma cobertura ou massa, não estou certa de os corantes em gel serem melhores do que os líquidos, e queria estar, se afinal os comprei. Não obstante, a falta (ou falta dela, a falta) ser registada na lista de supermercado é um despropósito, se afinal sempre soube que os adquiriria numa loja de produtos para doçaria, que serve principalmente as vias profissionais, sem que contudo feche as portas ao cliente que meramente quer aprimorar o aspecto dos bolos que faz lá em casa.

Novidade

Quero dizer: novidade novidade (título) até nem é, mas é sempre com alegria que recebo a agenda do ano que vem para usarmos no estaminé. Desta feita alude ao ano vindouro (pronto, essa parte realmente não! é novidade, que o ano é sempre vindouro) que, de giro, tem um piadão: 2020. Pá, é um número que aspira à capicua, eu cá acho. Acho, ainda, que com os mesmo números vivemos uma real e efectiva capicua há precisamente 18 anos. Decerto vos pus a fazer contas de cabeça. De nada, ora essa.

só


frase:
um dia vais

antes que se me acabe
dois pontos
sipipirifiripiu
de nada
vírgula
ora essa


iei!   iei!  iei!

Os bichos-gato, bem mais

Molengão, Kit, (bem mais)
Curiosa, Kat (bem mais)

Bactérias

A rica filha adquiriu recentemente uma daquelas maquinetas que dão cabo do sujo da pele do rosto e propôs que a partilhássemos, dizendo que não há problema nenhum - ó mãe, és minha mãe, que mal é que tem?
Nenhum, pronto.
A maquineta em questão tem a forma de uma bolinha achatada, um dos lados tem filamentos - responsáveis pela limpeza profunda - o outro tem um botãozinho para ligar, funciona a pilhas, é cor-de-rosa e, no geral, é gira que se farta. A ideia é a gente molhar a cara, aplicar o agente limpador e, com os filamentos, massajar em movimentos circulares. O resultado, percebi-o dias depois - mais brilho e lisura. Contudo, noto que usando regularmente fico com a pele muito sensível, como se estivesse queimada. Tenho, portanto, várias hipóteses de melhorar este uso, se considerar aceder ao Youtube para procurar por tutoriais. Tutoriais! Cucu! Olhem aqui a Gina! Tenho mesmo que fazer isso, a bem de o meu aspecto continuar brilhante e liso. Tenho, também, que comprar uma maquineta daquelas para mim. Escolherei verde, em havendo, e estou bem esperançada, ai.

A foto


Pá, pronto, esta foto foi tirada usando a aplicação espelho do meu amado telefone. Ocorre que queria perceber em que lãs é que a dita se tece e vai que escolhi um momento em que precisava de ver umas certas questões de perto e aumentadas, tipo assim à conta de uma lupa, que é afinal o que a aplicação é. É que é, e é mesmo. A gente quer escrutinar as coisas, lembra-se da existência de uma lupa, mas vai que a modernidade tem substituição para o caso. Eu queria saber se as sobrancelhas estavam a precisar de arranjo, então escolhi a dita aplicação e cliquei para obter uma foto e assim poder observar confortavelmente. E diga-se já de passagem, isto de eu ter de pôr óculos para ver estas miudezas que, sem eles, jamais veria, é do caraças, já que toda a estrutura dos óculos mas tapa, e, tirando-os, já se vê. Ou seja: não se vê. E então é assim: vai que os cabelos tapam tudo, o melhor é eu ir ao cabeleireiro mas é. Ah, é verdade, lá que isto do espelho tira fotos, tira, mas não valem nada em definição. O que é obviamente fantástico, assim dispenso filtros e mais não sei ao quê.

Bloquinho rudimentar, primeira vez

Milena tinha fome e entrou numa pastelaria duma avenida lisboeta, aquela que tem três A's. Não gostou particularmente de nenhum dos bolos ou salgados à vista. Com os olhos baços de cansaço apelou ao funcionário:
– Hum, ora bem, tenho fome. Acha que estou no lugar certo?
Ele sorriu pela metade, balbuciando um sim praticamente inaudível e fingidor de amabilidade. Fez-lhe saber dos croissants, que ainda estão no ponto, deseja um... Milena apontou para um pão de deus pequeno e com boa cor.
– Será que já está seco? A esta hora, com este calor...
– Manda-se amornar.
Disse ele, ainda não refeito com a estranha forma de comunicar desta senhora, tão depressa se mostra intransigente como compreensiva. (...)
Milena pediu também uma água natural.
- Água natural, por favor, não água fresca. - Frisa. E senta-se à espera. O pedido é aviado e o homem ordenou a uma outra funcionária:
– Dê este pão e esta água àquela senhora, se faz favor.
Milena foi servida por uma mulher com ar de cozinheira, tinha uma touca encardida e um avental nodoso, e apresentou-se séria e muda. Pousou o pedido em cima da mesa e ao afastar-se comentou com o colega acerca das camionetas que ainda não passaram.
(Ainda não passaram, ainda não passaram, ainda não passaram.)
Havia um grande frenesim em volta desta passagem, o que espicaçou a curiosidade de Milena que se pôs a escutar, sem medos, a conversa dos dois. Ali ninguém a conhece, podia fazer figura de maluca à vontadinha. Ainda que estivesse com a atenção toda virada para eles não conseguia perceber nada que valesse o tempo despendido. Foi então que se lembrou do bloquinho rudimentar, escreveria outras casualidades, pouco importa o que escrever, tem de escrever e pronto. (...)
|3 agosto 2012|

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Lamiré

É deveras interessante limpar o pó a uma viola, sai-lhe sons com o passar do pano. Ou então toca a viola, porque lhe toco, e acho que sou eu que a desafino.

Lisboa, Lisboa

Durante anos trabalhei aqui tão perto, desci e subi tantas vezes a ladeira (não procurem, não se vê) e nunca havia notado o Tejo. Oh. Pouca idade a minha, na altura. Andasse eu à procura de desculpa para esta distração e usava essa.

domingo, 6 de outubro de 2019

Da saunde ofe sailance.
Eu estava a dizer que sim,
embora possa parecer que não.



Cavalo

Neste vídeo o cavalo faz o agradecimento de palco como se fosse uma pessoa, dobrando os joelhos à vez. Eu, hoje, o de mais parecido que tive com bichos (exceptuando desta história, obviamente, a minha cadela) foi observar um passarinho a pescar… Não, a catar… Não, a recolher comida do chão. Não. Caçar…? Não, procurar. Não. Debicar. Ah...

Figos

Descobrimos mais uma figueira, com figos roxos. Bom, na verdade nem tão roxos assim, a polpa é púrpura. Ou rubi. Sei lá. Sei é que é tão linda e mesmo assim dá gosto comer. Sabem aquela sensação de medo de comer o que é bonito? Pronto, é isso, os figos são lindos e eu como-os prazerosamente, sem culpa de morder, retraçar, mastigar. Até me lembrei que é capaz de ser esta a mais linda cor que vi na Natureza até hoje. De cheiro, é o da lima, isso já pus no blogue algumas vezes, e, de som, não é que esteja na Natureza mas está na Vida, é o do vinho a sair do gargalo da garrafa. Gló gló gló gló gló. Caraças, pá, que lindo som! E eu nem sou lá grande apreciadora dessa pinga, mas que importa isso, né? Nada. Há pouco vi uma cena num filme onde se despejava vinho para um copo, e lá estava o som. Digno. Digno de ser o melhor.

Casaco

Tive um casaco deste género, que fui eu que fiz. A confeção foi problemática, saíam bolinhas de pêlo às dezenas, que se espalhavam por todo o lado, obviamente o primeiro poiso era a máquina de costura, mas depois, de tão leves, iam até ao chão e rolavam facilmente, espalhando-se por toda a casa. Ademais, o tecido era pesadão, o que contrapõe a leveza das bolinhas que já mencionei, bem sei, mas. Ademais (um outro), o casaco, sendo compridão e véri véri véri cintado, implicou um montão de costuras. Então e forrá-lo? Oh porra. Bom, onde isto já vai, e tudo por conta do casaco que a Sinéad O'Connor apresenta, e lá bem ao longe, somente ao início do clipe. Já agora: esta canção deve ser do tempo deste meu casaco. Modas!

Umbigo




Este veio ontem comigo do supermercado. Na hora achei que a concavidade se assemelhava a um umbigo e, creiam-me, trouxe este tomate para vo-lo mostrar. Lamento que seja ilusão minha, isso do umbigo, em foto afinal até nem parece nada, mas fica o gesto, a intenção, o pensamento e a dedicação. Trabalho é que não, deu trabalho nenhum, é prazer. Só.

Está um ventinho mesmo bom para secar a roupa.

Comeres

Com as bagas de goji frescas acabei por fazer um bolo 4x4 (o mesmo peso de manteiga, açúcar, ovos e farinha - neste caso: duzentos gramas) e juntá-las. Temi que o sabor amargo passasse para o bolo, temi que os caroçozinhos se sentissem em demasia. Mas não. O sabor, é que nem nada disso, e, os caroçozinhos, sente-se um ou outro e deixam-se trincar muita bem. A maior surpresa foi as bagas atingirem o cor-de-laranja com a cozedura. Ah, o bolo está bom que se farta. Porra. Ai.

Fiz um montão de legumes. Mas antes fiz canja, usando asas de frango, a que juntei cenoura ralada e arroz carolino. Está tipo assim mais ou menos, vá, é capaz de, ou o frango não ser fixe, ou as asas serem de pouca monta para saborizar o caldo. Desfiei as asas e pus os fiapos a refogar com azeite e alho, juntei couve-flor picada no processador e espargos cortados para aí em quê?, três centímetros. Uma outra friginada de legumes foi com cebola em meias-luas, rodelas de (três) pimetinhos de três cores, tiras de couve-lombarda e tirinhas de cenoura. Pá, pronto, digamos que tenho a sopa feita. Ah ah.

sábado, 5 de outubro de 2019

impolutas, imponentes,

hoje editei um dos vídeos das férias, cujos clipes pertencem a 7 de junho último
foi o dia em que pisámos a Suíça, assim só ao de leve, pouco adentrámos
e, ao ver alguns desses clipes, recordei as sensações que tive ao deparar-me com aquela paisagem
mesmo sendo filme, mesmo que afinal eu não esteja lá, mesmo assim
as árvores são (ver título do post)
e não, as fotos que fui buscar lá atrás não fazem jus ao que digo, bem sei
mas repito-as, numa ânsia de contextualizar-me
mas com imagem, não com texto
tipo assim: comimagenlizar-me
sim, a mim
('sim, a mim', ah ah, a ver se alguém faz uma canção que diga isto)
e sim, não tentem pronunciar 'comimagenlizar-me', que é duro
folgo que ninguém a isso seja forçado ou forçada


Goji





São bagas de goji. Frescas. Não comprem, é ruim de sabor, apresenta minúsculos caroços num corpo que já de si é minúsculo e tampouco é agradável em textura. Não se macem, vá, têm a papinha toda feita, não comprem.

Canção

Canção na ida e vinda ao e do supermercado?
Ora essa, é a mesma de há meses:

Não me mostres o teu lado feliz
A luz do teu rosto quando sorris
Faz-me crer que tudo em ti é risonho
Como se viesses do fundo de um sonho


Lado Lunar, Rui Veloso

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Banco hater

Sentei-me no banco hater para apontar o que agora transcrevo:

há pessoas que não têm com eles o que tu tens contigo

Pá, pronto.

About the breakfast

No fear at all. Um, dois. No fear at all. É que nem de um estranho barulho dentro de um frasco. Logo seguido, notei que o cabo da faca balançava no bordo do prato. Fiquei a ver. Estacou, em equilíbrio. Boa! É o mundo a ajudar-me, dá um jeitão crer nisso. Ou seja: pousei a faca no prato no ponto exacto de equilíbrio e sem intenção disso. O melhor é que não vai ficar ali para sempre. Sim, era mesmo melhor o que eu queria dizer, que o equilíbrio, se demorar, é igual a estagnação.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Quinto

Olá Kat, está tudo bem contigo? Gostava de ter esse teu alcance, é que nem me respondes e eu gosto de ti na mesma.

Quarto

Não me sinto bem mas não fugirei desses sentimentos.
Não me sinto bem. Adeus.

Terceiro

Ora então vai-se a ver e estou sentada na minha mota, à porta do meu estaminé, a escrever este pedaço de vida. Não é a primeira vez que me encontro nestes preparos... É para aí a segunda, vá.

Segundo

Se há coisa que não enjoei foi o doce. Como em menos quantidade mas com gosto e valor. Uma amiga da rica filha trouxe-lhe alguns presentes comestíveis, dentre eles compotas. Lambuzei-me toda com uma de framboesas saborizada com irish poitín. Estou aqui que ó: coiso. O rótulo tem lá escrito: we hope you enjoy this yourself or as a gift for someone special. Eu já fiz a minha parte.

Primeiro

O chão da casa-de-banho pareceu-me estranhamente branco, sensação que creio advinda do sonho que tive - aparecia-me o corpo pintado de preto, mesmo eu andando cá, ou lá no sonho, na minha vidinha, descontraída e tal, alguém me sprayava os braços, as pernas, a cara.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Reciclagem à maluca

Quase pareço um daqueles loucos que não suportam ver-se ao espelho por se darem conta da sua loucura quando se encaram. Há coisas escritas por mim em todo o estaminé. Agora até os papelinhos que a gente usa para apontamentos vários têm coisas minhas no verso. Porra, é que não me largo. Mesmo.

Quando aquilo é isso

Ele disse para eu ir beber água, que aquilo passava. O aquilo dele, em mim, é isso. Fui, bebi, não passou. É capaz de ser uma coisa – um isso – de mente demente. Ai, as vezes que já fiz esta brincadeira no blogue, com estas palavras e com estes sentimentos.

Decisão

Doravante serei uma sombra. De resto, dificuldade não encontrarei, sou prodigiosa nisso. Portanto: eis que.

Contentamento

Fiquei contente quando hoje vi a planta à janela à janela. Espera, isto não está bem. Fiquei contente quando hoje vi a 'planta à janela' à janela. Assim, sim.

Hoje e dias já passados

Hoje a árvore amarela apresentou-me incontáveis folhas amarelas, inúmeras folhas verdes com laivos amarelados e um insondável, ou inquestionável, ou questionável, número de folhas verdes. Assim de repente são mais desta cor do que daquelas. Ainda não devia chamar-lhe árvore amarela, portanto. Contudo, árvore amarela é o que sempre lhe chamo, no real e no virtual da minha vida, até quando nua me é amarela.

Num dia já passado, vim para aqui dizer que tinha ido visitar a árvore amarela e que era visita pós férias, que é sempre louvável esta minha característica e este meu querer e assim, mas, findo esse dia e pisando o seguinte, lembrei-me que não havia registado que quase não havia diferença nos tons da minha amiga, ou seja: quase não havia folhas amarelas nela. Em ela. Não se usa eles e barra ou elas em árvores. Paciência. Neste caso não se digita barra, digita-se / e haja então paciência.

Num dia já passado, mais concretamente: no primeiro dia de Outono, vi a árvore amarela rodeada de gente como nunca vira, nem eu nem ela (paciência). Aparentemente tinha acontecido algo dentro do edifício enorme que fica mesmo ali, era só pessoal de trabalho escriturário, espalhados em grupos – fumando, rindo, conversando - uns ao pé da árvore amarela, outros ao pé da árvore arredondada, outros ao pé da oitava árvore que encontra ao lado direito quem desce a rua mais bonita de Lisboa. Quem sabe era ameaça de bomba. Quem sabe era inundação iminente. Quem sabe era roubo em grande, daqueles à mão armada, como nos filmes. Quem sabe. Sei lá. A TV há-de ter dado notícia disto, mas eu é mais blogues.

Ideias

Ter sido criada seja lá sob que ideia for, a verdade é que fiquei com essas raízes, essas crenças. É. É, é. Há ideias que recebi dos meus pais e que espero não ter passado aos ricos filhos, há também o inverso, as que espero, mesmo!, ter passado.

Almoço

O moço que servia à mesa perguntou-me se eu queria o ovo à espanhola. Em resposta, comuniquei que não sabia o que isso era, enquanto cá por dentro me mancomunava com a Gina maliciosa e imaginava que se era à espanhola, hum... Mas não, ovo à espanhola é, simples e desengraçado (achei eu), frito de ambos os lados (do que dissera ele). Oh.

O homem antigo

O homem da Casa Antiga, vulgo loja de antiguidades, que estava na avenida, trespassou, finalmente, a dita. E se há anos que por lá se via a tabuleta. Uma vez ou outra apontei-o no blogue, lembro-me que já o escrevi a lavar o chão com uma esfregona cujos fios há muito se haviam ausentado, aquilo era uma cabecinha, um coto, que mal lavava, suponho. A ver se procuro o post... E que tal agora? Sim, sim.



Há aquele homem que vende antiguidades. Sim, o mesmo que foi falado no post anterior desta nova leva de posts que criei.
O homem lava o chão da loja a um quarto para as três da tarde e tu mira-lo da montra. Ficas ali tanto tempo a ver os galos que os esqueces por momentos para ver o homem trabalhar. A esfregona deixou de o ser e não há balde. A esfregona deixou de ser esfregona porque não tem cabelagem, ou porque se gastou com os anos, ou porque o homem a cortou rente ficando um coto com que ele esfrega o chão lentamente, cantinho a cantinho. Depois refastela-se na cadeira, cansado de esfregar. E nos minutos que se seguem passa pelas brasas.
O homem é velho e tem a loja à venda. De uma maneira ou de outra, irás deixar de o ver em breve.



Escrito aos doze de maio de dois mil e dez. Eu não disse que havia anos que o homem queria vender a loja?! Pois é, ah pois é.

Trabalho nenhum

Há clientes que não dá trabalho nenhum atender. Foi assim:
- O seu colega não está aí?
O 'não' dele não foi ensejo para o meu, foi o facto ser que, naquele momento, o meu colega não estava no estaminé, o que me levou a responder que 'não', tão educadamente quanto sei ser, em se tratando, principalmente, dos 'nãos' desta vida.
- Ah, então deixe estar.
Disse o cavalheiro em questão e saiu. Trabalho nenhum. É. Mesmo.

De quando sou simpática, fofinha e queriduxa, mas ao contrário




Na foto estou a segurar uma senha de atendimento. Retirei-a logo seguida de um senhor que - é obviamente redundante referir que - me precedera. Entretanto, do balcão, a funcionária chamou-me e eu, mesmo sabendo que não era a minha vez, encaminhei-me para lá, esquecendo completamente isso da cidadania e do civismo e do amor ao próximo. A desculpa que tenho é que estava atrasada para a consulta, o que não é nada meu costume, e a minha pressa deu cabo d'isso da cidadania e do civismo e do amor ao próximo. Não se faz, é verdade, nem sempre sou fofinha e queriduxa e amante do próximo.

A minha vida


A minha vida está complicadíssima,
tenho um problema de tamanhão para resolver:
vem aí outra estação e não tenho roupa
que me assente de modo a.


desidratação

quando digo 'muito' dizendo 'mundo' e 'multidão'





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__o mundo está cheio de mulheres bonitas ___________multidão______

terça-feira, 1 de outubro de 2019

selfie



Banco hater, primeira vez

Não, ainda não ocorreu o intervalo grande, é meio-dia e tal, agora. Não há fotos hoje, ou fotos d' hoje, e hoje, sim, hoje, estou farta de escrever. Não, farta não, estou farta mas não estou farta no sentido literal, que ainda não me fartei de escrever, que é lá isso. Vou almoçar. Tenho pensado num dos posts que escrevi ontem, onde digo que a vida é dispensável. A conotação é depressiva, pelo menos escrevi tomada pela depressão. Às vezes acho que devia desviar-me dos caminhos de todos os dias, por causa das recorrências, largar a árvore amarela e os bancos de rua. Às vezes acho que estou doente. Às vezes acho que estou muito doente. Às vezes acho que não passo de uma mulher tola e preocupada com ninharias. Cinquenta e um, os minutos que passam do meio-dia, vou preparar-me para ir almoçar. Boa tarde! Outra vez, pois. E no mesmo post, para engordá-lo. Há pouco era meio-dia e tal e agora são três e qualquer coisa. Não sei que escreva, agora. Ora. Ora para rimar com agora. Atento, ele disse que estava atento e pela entoação sorria. Perguntei, disse ela, senão afirmava, reforma ela, categórica. No banco onde está escrito hater, do outro lado está violeta, hater a vermelho, violeta a giz. A violeta deve ser aquela miúda que canta e ao que parece tem montes de namorados, à vez. É um personagem, um boneco. Mais ou menos como eu no blogue, que às vezes o que me parece é que estou a recriar-me e que a pessoa atrás do blogue, ou do ecrã, afinal não existe. Na verdade isto são pensamentos, o que tenho escrito em alguns dos posts dos últimos dias, mas melhorados, estruturados, ninguém pensa assim, não do modo em que este texto, e os outros, está(ão) construído(s), a mente humana é um turbilhão e tantas vezes insondável, e não é a minha que vai ser diferente, não é. É. A menina que serve os cafés no lugar da musa vinha levantar a chávena, só que eu ainda não tinha terminado porque estava a escrever nos papelinhos coisas de outros dias que não deste. Pois, é isso, as pessoas sabem lá o que escrevo, não é. É. Ali sou uma senhora, ou uma mulher, que vem beber o café depois do almoço e que às vezes se põe a escrever. Dantes, há muitos, muitos anos, quando retirava o bloquinho de dentro da mala e me punha a escrever, achava que dava nas vistas, mas isso eram só ideias da minha cabeça, claro, com o tempo percebi que quem repara no meu acto de escrever e eventualmente sente curiosidade são as pessoas que se ocupam igualmente, ou mais ou menos, vá, muito embora nunca me tenham dirigido a palavra para se satisfazerem. Há tantos blogues cujo autor interpela pessoas nos jardins, nos cafés, ou onde for, que estão de livro aberto, debruçados sobre ele, lendo, e depois fazem perguntinhas acerca do livro aberto e até tiram fotos ao leitor, a ler, ou então não, se calhar depende um pouco da disposição da pessoa, e depois, com autorização da mesma, o autor põe tudo no seu blogue, ou outros autores há que somente publicam o post escrito sem que a pessoa saiba que está a ser retratada e pronto, não mexem mais. Podiam usar o mesmo princípio para abordar quem escreve nos jardins, nos cafés, no cacifro do ginásio, na sala de cinema, no supermercado, como eu. Sim, no supermercado, quantas e quantas vezes paro o carrinho e toca de sacar o bloquinho para apontar resumos não propriamente ligados ao espaço onde estou. Estou uma flecha, hoje, consegui escrever isto tudo... Fui contar as palavras, descontando umas coisitas que já por aqui andavam há algum tempo tenho mais ou menos três mil palavras escitas hoje, o que ronda os dezoito mil caracteres, isto até ao 'tudo' anterior, mesmo antes das reticências. Porra, não hei-de eu andar marada dos cornos. Não devia escrever tanto, não é. É. Olha esta coisa que inventei recentemente, isto do 'não é, é', agora meto esta merda em tudo o que é post, é a minha marca atual, o 'não é' pergunta mas remato-o com ponto final, o 'é' sou eu a responder-me laconicamente. Não sei se me resta muito tempo para engordar este post. Isto da casualidade que a minha profissão comporta é interessante que se farta, eu sei lá se vou poder... Escrever... Mais... Ná, as reticências era eu a fazer suster a respiração do leitor, ah Gina não vás mulher, tu não te vás, fica comigo. Bah. Tretas. Então alguém vem ler posts longos...? Ah ah. A maioria dos bloguistas não tem pachorra para ler os posts longos de outros bloguistas. E se eu revelasse que horas são agora...? Mau maria, já são reticências a mais, não sou fã das ditas. É essas e as vírgulas, que, vá-se lá saber porquê, ultimamente tenho usado mais. Hum. Bom, sou um bocado criativa, essa faceta ninguém ma tira que eu não deixo, sinto uma quase permanente necessidade de mudar, chocalho a cabeça e lá vem outra ideia. Ou pouso o olhar numa folha diferente, uma folha de árvore. Árvore amarela. Um post deste calibre, interior, quero eu dizer, e a árvore amarela que ainda não tinha desenhado as suas letras neste post senão lá em cima. O que significa para mim. Então, é uma amiga que eu tenho ali. Se a árvore amarela lesse o meu blogue ia querer saber qual é a oitava árvore, não é. É.

|2 novembro 2015|

Coisas

Ser maluca é giro
Ser parva também
Isto, se à parva acrescente a maluca, aí sim, é giro
Agora, parva por parva, só parva, isso não
Ou seja:
a maluca é! coisas
a parva não! é coisas

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Previsão

Logo vou ao Ginásio. (mudo o tom e repito que) Logo vou ao Ginásio. Logo vou comer sopa. (mudo o tom de voz e repito que) Logo vou comer sopa. Logo vou dormir. (mudo o tom de voz e prevejo que) Mal. Presumo. Liberto o tom de voz dos parênteses e deixo-me mas é de prever a noite. Não quero escrever. Mas quero, e tanto. Para quê o blogue, então?
Estive, portanto, numa conversa comigo só. Este só não é de solidão, é de somente. Ah, e é monólogo, já que conversa implica duas cabeças.