sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Lista de supermercado

Tenho mesmo de ir às compras, ainda bem que é já amanhã.
Há dois gavetões do meu congelador completamente vazios, ao todo são três.
Há duas prateleiras do meu frigorífico vazias, ao todo são quatro.
Já o móvel que está na despensa para suportar os víveres doutro género não está tão vazio assim, mas não tenho, por exemplo, farinha. E eu sem farinha na despensa não sou uma pessoa de jeito.

Pacotes de açúcar

Adoro este tema. Neste blogue, e nos anteriores, é um fartote de pacotes.
Estes aqui por baixo são da Christina e quero explaná-los porque lhes acho um piadão. Ora bem, então, há pacotes alusivos a isto e àquilo, e o que acontece com estes é que não são alusivos a coisa nenhuma. Sério. A gente que escreva conforme os apetites e para isso use as linhas em branco. Foi o que fiz.






Mas há mais. Há os pacotes da Camelo, que tanto têm o camelo na horizontal como na vertical. E eu demoro-me um pouco a ver estas coisas pequeninas, que por serem pequeninas têm a ver comigo, e já anteriormente havia notado. Não só notado como guardado durante dias e dias, à espera de oportunidade de fotografar estas coisas pequeninas, escrever estas coisas pequeninas, publicar estas coisas pequeninas.



E estas são

E estas são fotos mais velhas que as anteriores. Trata-se dum assunto que quero ver explicado no blogue, é assim como que um aviso à audiência:
Sempre que nos meus vídeos eu me encontrar à frente deste cenário...






… Olhando de minuto a minuto, algo expectante, à minha direita, tal olhar deve-se ao facto de me encontrar no estaminé, em pleno horário de funcionamento e, portanto, na iminência dalgum cliente entrar no espaço comercial. Deixo vídeo onde se vê estas coisinhas e tudo. De nada, ora essa.



Sim, voltei

Sim, voltei às fotos. Ontem tirei algumas aos meus grampos coloridos, depois escrevi acerca dos mesmos, só por dizer que quando publiquei o post me esqueci completamente de publicar as fotos por junto. Vai daí, publico-as hoje. São tão bonitas. E originais. Sério. Estou em crer que jamais alguém se lembraria de tirar fotos a grampos coloridos, ou tampouco sob estas perspetivas.



Post com dedadas e pó

Já limpei as dedadas e o pó dos meus óculos de ver ao perto e mais ou menos ao longe. Usei um paninho próprio, um daqueles que vêm nos óculos. Eu cá tenho o hábito de não me pôr a lavar esses paninhos sempre que a imundície é muita, sei lá, parece que não ficam nada bem lavados, este tipo de sujidade neste tipo de pano entranha-se, máquina nenhuma com detergente nenhum lhes retira as manchas. É por isso que tenho vindo a esgotar tudo o que é pano, pois como é consabido, a cada par de óculos, claros ou escuros, seu paninho.
E eis que este paninho se me veio do par de óculos escuros mais estiloso que possuo ao momento, são cremes com laivos acastanhados, lentes gradas, que a cara aguenta, e escuras, assim meio pretas e meio cinzentas. Ou então são mas é castanhas, eh pá, não malembra, que já não os uso desde o ano passado. Mas faz de conta, pronto. Esses óculos são da marca Dior, é só estilo, não é. É. O paninho que lá vinha era enorme e vai que o dividi em dois, tendo o cuidado de não retraçar as letrinhas da Dior, que é lá isso, eu vou lá perder a oportunidade de mostrar que tenho uns óculos escuros da Dior, não é. É. Mas sendo assim fiquei com a divisão mal feita. Mas pronto, ora essa, então.
Isto aconteceu tudo porque eu andava de roda do recheio do quarto do rico filho. Pronto, vai ter de ser, tenho de tratar daquilo e mais não sei o quê. Andei então a limpar profundamente a cama dele, que como já referi num post anterior, será herança para a rica filha. Usei Dabri para limpar. O Dabri é um produto antiquíssimo, com décadas de existência no mercado, o qual, se não me engano, mantém a mesma imagem desde sempre. E é um produto muito bom, daí a longevidade, tem na sua composição algo que limpa e algo que dá brilho. Quando esguichava, que eu cá ponho o produto num pulverizador, fez como que um ricochete de líquido e umas gotinhas aterraram nas lentes dos meus óculos. Fiquei aflita. Oh céus. As gotinhas secaram imediatamente, o Dabri é agente limpador, sim senhores, mas também é verniz e contém ainda um secante célere que eu sei lá. Fiquei com as lentes abrilhantadas por pintinhas de verniz. Oh céus. Quem manda não tirar os óculos da cara, pá? Eu não preciso, ainda, de óculos para limpar pó entranhado... Oh céus. Mas pronto, tenho vindo a limpá-los delicadamente e neste momento já não há sequer vestígios de Dabri nas lentes dos meus óculos de ver ao perto e mais ou menos ao longe.

Ó pá tóin xirú!

E agora, senhoras e senhoras, apresento uma multiplicação de emoções alegres. Ah ah. É que vinha ontem no assunto dum dos imeiles que recebi e achei tão bonitos, vinha também um pedaço de estante onde se vê livros minúsculos tombando para dar aquele ar desorganizado do pessoal que escreve, que é artista e tal. Queria fazer uma linha horizontal com essas emoções alegres mas não deu, sei lá porquê, cá pra mim não sou artista suficiente.














Ná... O senhor Blogspot não é compatível.

Primeiro

Bom dia. São dez e vinte. Dia chuvoso, olarila. Ao que consta por aí, nesses saites do tempo que faz e coiso, a chuvinha durará mais dois dias. Depois disso, não sei, mas o contrário de estar a chover é não estar a chover, não é. É. Então, pronto.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Isto sou eu a escrever sem pensar:

Fantasmas? O que é isso?!
É o desconhecido acerca do qual se conhece um bocadinho.

Leitura

Hoje, onze de fevereiro de dois mil e dezasseis, desisto da leitura do livro 'O Monte dos Vendavais', de Emily Brontë. É melhor desistir, é. Lamento mas considero ser a melhor opção, uma vez que ando a perder tempo lendo um livro que não me apraz. Às vezes leio livros que não me agradam imensamente, agradam-me só um bocadinho, vá, e forço-me a lê-los, mas este estava mesmo a ser aborrecido de ler. Pronto, já desisti, já confessei que desisti. Agora é guardar o livro naquela prateleira onde guardo (quase) todos os livros que ainda não li, esperando que um dia, quando já tiver esquecido este episódio, lhe deite o olhar repentinamente e me dê na tola pôr-me lê-lo e pronto.

Lugar da musa

O moço que tira cafés no lugar da musa mas não o faz lá muito bem continua pressionando o manípulo mais que muito e a dar uma atenção desmesurada à quantidade de pó de café que lá coloca. Todos os seus gestos são ansiosos quando se dedica a tratar da minha cabeça. É consabido, presumo, que um dia lá longe lhe deixei um recado entalado entre a chávena e o pires, onde escrevi conselhos para ele conseguir tirar um bom café. É também consabido, e também presumido, que a partir daí toda eu me enervava muito quando era 'forçada' a conviver com este moço. Pronto, que querem, eu escrever as coisas escrevo, mas depois é uma aflição saber que alguém vai ler. Mas isto do especial cuidado que o moço tem com a minha cabeça não é impressão da mesma. Ai não é, não. É que surtiu efeito, o meu recadinho escrito. Sério. Só posso concluir que as palavras escritas são efetivamente mais poderosas que as outras.

A cor preta

Já comprei a forma de vinte e quatro centímetros de diâmetro para fazer bolos. Redondos. Ah ah. Pois. Ah ah. Acabei por comprar uma daquelas que são como que forradas a teflon ou que raio é aquilo, pronto, são pretas e dificilmente se lhes pega a massa dos bolos, havendo até quem alegue que nem precisam de unto mas eu cá não vou nessa conversa. Não. Continuo a untar, enfarinhar e forrar as minhas formas de bolos. Olarila.
Agreguei à compra da forma uma caixinha de grampos daqueles que servem para prender uma série folhas de papel, sabem, aqueles grampos, geralmente pretos, este post devia chamar-se a cor preta, e vai mesmo chamar-se a cor preta, já decidi, mas dizia eu aquelas grampos que têm duas orelhas que viram dum lado ao outro, são assim como que acrobáticas, essas orelhas. Pronto, são esses grampos. Mas em cores. Pois. E não vão servir para prender folhas de papel, que é lá isso, vão mas é servir para prender algum pacote de massa que eu encete e tenha de reservar o resto do pacote. Sempre podem servir para tal efeito, não é. É.




Ah...! Quantas saudades do meu ', não é. É.' Tenho-lhe fugido propositadamente.

Quarenta e sete e quinhentos + um mês

Tenho quarenta e sete anos e meio + um mês. Ah ah. Este mês está como que a mais mas paciência, é que tenho vindo a protelar o tema. Fica cá hoje e pronto.
Sempre achei um piadão aos setes por conta dos quinhentos do tempo dos escudos. Sim, quando fiz dezassete anos e meio lembrei-me mas não tinha blogue nem diário manuscrito. Sim, quando fiz vinte e sete anos e meio lembrei-me mas não tinha blogue nem diário manuscrito. Não sei se quando fiz trinta e sete anos e meio me lembrei mas na altura já não circulavam os escudos, eu ainda não tinha blogue mas já tinha diário manuscrito e não pus lá nada disto. Hum, ok, vá, agora também não andam escudos por cá, mas vai que me lembrei dos quinhentos na mesma, ora essa. Ah, e não sei se quando fiz sete anos e meio me terei lembrado de tal coisa, mas era menina para isso, e/mas, não só não existiam blogues em qualquer parte do mundo, como diários manuscritos na minha vida. Nessa altura ainda não. Pois.

Post das plantas

Devo dizer que hoje mirei novamente as coordenadas que ontem plantei no blogue e vai que vi ao longe, naquela serra que ontem plantei no blogue um mamarracho qualquer lá plantado mas que com a vista despida não sei identificar. Pois. Afinal eis que não mirei a serra tão atentamente assim.

Tenho um champô

Tenho um champô novo. Ena, que tema. Pois. Vem numa embalagem branca com tampa vermelha, falo obviamente do champô, não do tema, e destina-se a que se aproveite a lavagem para reparar as pontas de cabelos, quando estas se encontram espigadas. E faz efeito. Gosto de variar, o único tipo de champô que não uso é aquele para caracóis, não por não ter caracóis, nada disso, mas porque me parece que tudo o que é champô para definir caracolada tem, ou terá eventualmente, muito sebo, logo, pumba coiso, deixem-me cá estar com o meu óleo natural de escalpe e acabou a conversa. Mas isto dos champôs é muito xirú, uma vez que independentemente da marca, as cores levam-nos a perceber a que tipo de cabelo se destina esta ou aquela cor.
os esverdeados: cabelos oleosos
os vermelhos: cabelos pintados
os amarelos: cabelos secos
os pretos: cabelos caindo
os rosa: cabelos longos
os azuis: cabelos escorridos
os liláses... pois, não me lembro, será para a caspa?
E é assim. Mas é que é mesmo assim, e é fácil de fixar, isso das cores e dos champôs e das cores que põem nos frascos é uma maneira óbvia de a malta decorar.
Agora o que tenho a fazer é completar este post anunciando que tenho de comprar a máscara de cores iguais ao champô com que o comecei. Comprar portanto uma máscara de cabelos em que o pote seja branco e a tampa seja vermelha, convindo-me que diga o mesmo destino no rótulo, claro, tipo assim, ó: «total repair». Credo, até parece que estou a falar de betume para paredes...

Finou

Sabem esta caneta?



Acabou, finalmente. A imagem acima é dos primórdios deste blogue, foi arranjada quando o ano passado estava mesmo a findar e achei muito xirú constatar que a caneta de que mais gosto estava também no fim, só por dizer que passou mais um mês e meio por sobre ela, e ela sempre a escrever, sempre a escrever. Foi hoje que se finou, já não pinga nada. Então adeusinho, ó 'miga de muitas letras.

Chapéu-de-chuva

Ora indo no seguimento do post anterior, em termos de dia disto e dia daquilo, eis que ontem foi dia do chapéu-de-chuva, registo que fiz sim senhores, e também registei que foi muito xirú o dia estar tão chuvoso, portanto agora estou mas é a rerregistar, e foi mais xirú ainda, isso sim é novidade, eu ter jogado no lixo um chapéu-de-chuva que me acompanha há uma boa meia dúzia de anos*. É que o dito foi-me entregue à porta do estaminé, num dia de jogo de futebol montes de importante, creio que chama derby a esse tipo de evento socio-desportivo&cultural, ah ah, mas dizia eu da porta do estaminé, pois era, eis que se nos dirige, a mim e ao meu colega, um transeunte que nunca víramos, pedindo-nos que lhe guardássemos o seu chapéu-de-chuva porque se lembrara repentinamente que às tantas não iam deixá-lo entrar no estádio com um objeto pontiagudo, na altura andava tudo cagado de medo com as claques e mais não sei o quê. E assim fizemos, guardámos um chapéu-de-chuva dum desconhecido. Este transeunte é ainda tão desconhecido que nunca mais o vimos. Entretanto, eu, espertinha da cunha, e não querendo saber se o padrão do dito chapéu-de-chuva é masculino, quero lá saber disso, tenho-o usado. Ao longo destes anos tem-me dado um jeitão, uma vez que não é muito comprido, o que é porreiro, claro, livro-me de arrojá-lo no chão devido à minha estatura, enfim, não muito alta, vá. Mas há mais: é feio, portanto não é nada apelativo e vai daí não mo roubam nas grandes lojas em que a gente tem de o deixar à porta, dentro dum vaso que está sempre tão longe da beleza mas bem perto da utilidade. Há ainda mais: está todo torto, com pontas soltas e varetas a caminhar para também se soltarem, Então, ontem, duranto o intervalo grande, houve uma série de momentos em que julguei que ia cegar, vislumbrei uma daquelas pontas soltas enfiando-se-me num dos olhos todo um rol de vezes, portanto joguei no lixo o chapéu-de-chuva que mais histórias tem na minha vida e acabou a conversa. Adeus 'miguinho de longa data, foi mesmo bom conhecer-te.

*Fui pesquisar a posteriori da feitura deste post a idade do chapéu, ora então a história dele é datada de... Pois, incrivelmente faz hoje seis anos (eu bem que falei em meia dúzia lá em cima, até parece que, mas não) que registei o facto assim:

«No chuvoso dia do derby, um senhor entrou para pedir que lhe guardasse o chapéu, que ia para o jogo e saiu de chapéu porque viu a chuva e não sei quê mas no caminho se lembrou que não iriam deixá-lo entrar com ele. Se não se importa e tal guarde-mo aqui que amanhã venho buscá-lo.
Ainda não veio, acho que já ganhei um chapéu.»

Dia de (disseram na Radio)

Hoje é dia do cento e doze, o número das emergências. Bem hajam por todo o trabalho, nomeadamente o vão, uma vez que há tantos engraçadinhos ocupando a linha com ninharias. Olhem lá, ó engraçadinhos, não façam isso, vá, há pessoas verdadeiramente aflitas, com casos de caráter urgente, que precisam das pessoas que estão a atender esses telefones, não as empatem com coisinhas, 'migos, está bem?
Hoje é dia de fazer um amigo novo.
Quem quer ser 'miguinho/a da Gina, quem quer?
Quem quer casar com a carochinha, quem quer?
Hum, é melhor não continuar, que não me dou nada bem com estas merdas.

Primeiro

Bom dia. São onze e três.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Desconhecido

Saber quantos quilómetros de letras tenho no(s) blogue(s), é um desejo que jamais concretizarei mas certamente poderei inventar. Olha, mais ou menos uns cinco, pronto. Cinco quilómetros de letras já é muito. Mas não demasiado. Nunca sei se é para escrever 'demais' ou 'de mais', por isso me safo sempre com o 'demasiado'. Só a registar este merdice acrescentei uns dez a quinze centímetros ao blogue.

Há aquela vez

«Aquela vez em que...»

Aquela vez em que o quê, pá?! A sério, esqueci-me. Falo mesmo a sério, esqueci-me completamente.

Dias dum Ginásio

Isto sou eu a escrever sem pensar:

Ginásio, oh ó Ginásio.
Oh é oh de lamento e não de chamamento.
Ginásio, ó Ginásio. Chamar o Ginásio, ah ah. Não faria sentido, não é gente. E há cá tanta gente. A verdade é que ouço as pessoas mas fazem-me impressão, desorientam-me. Até dum balneário cheio eu fujo, vim de lá agora.

Dias dum Ginásio

Isto sou eu a escrever sem pensar:

Estive a ver se me lembrava de mais coisas de mala aviada, e no banco corrido, aguardando respostas. E agora ainda tenho de ir de mota... Mota é nome. Ah ah.

Lugar da musa

É mesmo a caneta que cheira a tinta, não é o meu nariz que inventa cheiros, que é lá isso, ou tampouco eu que escrevo em muito.

Leitura

Trouxe o livro.
Urras.
Quer isto dizer que terminei o jejum da leitura...?
Não.
Este clássico (O Monte dos Vendavais, Emily Brontë) não me serve. Talvez clássico nenhum me sirva. Talvez precise de deixar passar um tempo, montes de tempo, ah ah. Sei lá. Podia considerar-me o máximo, ah e coiso eu escrevo num blogue, é por isso que sou esquisita com as leituras, vejam lá que nem consigo ler este clássico, sou mesmo boa. Mas não. É que considero importante variar de autores e tipos de escrita, e este era um livro que eu queria mesmo ler.

Afinal, praticamente nem li nem nada, mas escrevi bués.

As folhas bicoloridas

A árvore arredondada (consta na rua mais bonita de Lisboa) deu folhas no outono, o que é tão estranho quanto belo, folhas essas que entretanto também envelheceram, só por dizer que envelheceram na extremidade e apresentam ao momento dois tons, verde e castanho, com finos laivos amarelados por entre essas duas cores. Ora eu acho isto muito xirú. Uma árvore que dá folhas na primavera e no outono é muito xirú. Há dois dias arranquei duas dessas folhas e trouxe-as comigo, ato de que estou verdadeiramente arrependida, tanto que as tenho para ali aos rebolões na minha secretária, sem que consiga mas é metê-las no lixo. Para que é que servem? Para escrever um post? E hoje, neste dia chuvoso, estive a observar as que restam, tanto as bicoloridas como as unicoloridas, filmei-as, falei um poucochinho de tempo acerca de, envergonhei-me com as pessoas que passavam, já deitei o vídeo no lixo. As folhas para ali estão.

Almoço

Pois que tal como previra ontem comi arroz de pato hoje, sim senhores. Pois que não cheguei a morder a bochecha direita*. Pronto, ok, vá, tenho consciência do possível resvalar de dentes por conta dos duros grãos de arroz, que no caso do pato vão ao forno a gratinar, e depois há aquelas partes que esturricam e mais não sei o quê, mas dizia eu que tenho consciência e tenho-a também porque sei perfeitamente para onde devo dirigir o bolo alimentar, que é o direito, se aquela bochecha estiver cheia de comida, essa mesma comida protegê-la-á de mordeduras.

Daquela vez

Daquela vez em que o meu pai ligou e referiu que gosta de passear sozinho porque anda à sua vontade, dentre outras coisas, disse isto:
«Se eu quiser dar voz alta, dou.»
Se o meu pai quiser falar sozinho, falará destemidamente, pois o isolamento boicota o desdém e traz uma libertação muito boa.

Coordenadas

Estamos em Lisboa, o leitor ponha-se na avenida João XXI, dando as costas ao cruzamento com a avenida de Roma, no passeio do lado direito, ali assim quando começa a subir. Termine a subida. Aí há-de encontrar uma rua à sua direita. Quando o boneco verde se iluminar, atravesse-a e pare imediatamente. Dê um quarto de volta à esquerda. Agora espere que um outro boneco se ilumine em verde. Atravesse a larga avenida, João XXI, respeitando o sinal, por favor, mas apenas até meio, deixe-se estar na divisória... O leitor rode agora um quarto de volta para a sua direita, assim poderá ver parte do resto da avenida sem que contudo veja a descida, mas seja lá como for sei que a avenida desce a partir daí e desemboca na Praça de Touros com o seu jardim mal semeado. Mas o leitor talvez não, portanto mantenha-se, sustenha-se, não avance nem recue e eleve o olhar até ao horizonte mais longínquo. O que vê? Uma serra? Pois, é uma serra, não faço ideia que nome tem ou onde fica, mas é uma serra, um monte de terra despovoado. Quer então isto dizer que dum ponto civilizado se avista um ponto por desbravar, sendo que tal coisa acontece numa capital da Europa. Olarila.
Conheço Lisboa com a consciência de a conhecer há uns bons trinta anos, conheço esta zona particularmente bem desde há vinte anos para cá. E nunca, note bem: nunca, tinha reparado neste horizonte e fiquei maravilhada mais que muito, é que não tem nada a ver e é por isso mesmo que esta descoberta foi o que foi.

Post incrível

Tenho um subscritor no canal do Youtube, o que é incrível. Sinto-me incrivelmente surpreendida com esta presença, é que foi muito xirú perceber que havia alguém gastando o seu tempo a ver os meus vídeos. É realmente incrível, toda eu me embasbaquei, queixo caído e quês, tanto que não consigo escrever, ainda que obviamente o problema não esteja alojado nos dedos, mãos, braços, portanto podia escrever. Mas não. E depois, como é uma coisa boa, parece que não tem parte com a escrita, o que é incrível, a alegria e a tristeza deviam ser assumidas igualmente, eu que gosto incrivelmente de escrever. Se é um sentimento que transborda, porque não consigo escrevê-lo?

Dia de (disseram na Radio)

Hoje é dia do chapéu-de-chuva e está um dia de chuva, dia-de-chuva, ah ah.

Primeiro

Bom dia. São dez e quarenta a três. Quarta-feira de Cinzas, hoje, melhor registar. Melhor registar, também, que está um dia cinzento e chuvoso, sendo esta chuva um bocado miúda, portanto, se é miúda, é miudinha, e dizer que é um bocadinho miudinha não fica nada mal.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Última vez

A última vez que tirei uma fotografia foi no dia vinte e sete de janeiro último. Um dia em que havia sol e nuvens e me decidi a fotografar o céu como sendo o mais importante a fazer no momento. No mais, é igual, é sempre estupidamente importante ter um blogue para registar coisinhas  no momento em que as registo.


Da mudança

O quarto do rico filho já não é o mesmo, a cama está desmontada, herdá-la-á a rica filha, cá por coisas, e já jogámos umas quantas inutilidades no lixo. Faz tanto eco, o quarto do rico filho. Ainda é o quarto do rico filho, sim, mesmo assim, ainda é.

Amanhã

Amanhã é quarta-feira, dia de Pilates, quando já for noitinha. Como pintei há pouco as unhas num lindo prateado e os colchões da sala de Pilates são dum lindo prateado, amanhã sentir-me-ei a combinar.
Amanhã é quarta-feira, dia de arroz de pato lá no restaurante do costume. Como mordi a bochecha por dentro uma vez e outra vez e outra vez, amanhã vou ver-me aflita com os grãos de arroz que sempre esturricam nas pontas e ficam rijos que eu sei lá. É que assim são perfeitos para fazerem pontes entre dentes, mas como são frágeis, quebram, resvalam e eu mordo-me.

322

O post anterior era o post 321.
Ó pá tóin xirú! 
Pois.
Mas como ia estragar todo o percurso que o meu jantar pode ter no (meu) blogue, calei o facto.
Tudo isto quer portanto dizer que este é post número 322, um conjunto de algarismos algo gago. É para rimar, principalmente, isso do algo gago.
Mas era (321)
E é. (322)

Jantar (que já vem do post anterior)

Epifania: havia massa folhada no frigorífico, acabando esta que escreve por fazer uma espécie de almofadinhas, umas de frango, outras de delícias do mar. Para as diferenciar, às de frango dei-lhes a forma retangular, às outras, a de trouxinha. Estão no forno, agora. Restos disto e daquilo e pouca vontade de me abandonar na cozinha, foi o que foi. E sopa. De feijão e bróculos. Não me livrei foi de preparar o béchamel para envolver os restos.

Jantar

Não sei se faça scones para aconchegar a sopa. Não sei se faça tarte para aconchegar a sopa. Não me apetece fazer nem uma nem outra massa, muito embora os scones nem precisem de grandes medidas, é a gente pôr para ali dois cups de farinha, cem gramas de manteiga fria aos cubinhos, dois ovos, um pacote de natas e vai que se mistura tudo com as mãos até encontrar uma massa que fique entre o 'esfarelada' e o 'húmida', uma coisa assim meio que coisa e mais não sei o quê. Já a massa de tarte... eh pá, então, pronto, dá trabalho.

Post numérico

Há dois. Há duas horas que há dois.

Segundo

A tarte de maçã está em cima da bancada. Já a depeniquei um pouco, está boa que se farta. Afinal não fiz as filhós dos pobres...

Primeiro

Boa tarde. Passam trinta e cinco minutos do meio-dia. Eu ia imitar-me, uma vez que sempre digo são estas horas ou aquelas, mas usei outro verbo e construí a frase doutro modo por conta do meio-dia. Há aquelas vezes em que o meio-dia é meio dia, acho eu, vai daí pumba e coiso.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Fotografias

Há para aí uns quinze dias que não tiro fotos, em termos de imagem tenho-me dedicado aos vídeos e pronto. Vai daí, ora be, então, lembrei-me de terminar o dia mostrando, novamente, ai credo tanta vírgula mas é que elas dão realmente ênfase, mas dizia eu, lembrei-me de mostrar novamente uam fotografia que gosto e não é pouco.


Cliente

Ela quer pastilhas para matar os ratos que lhe entram rés-do-chão adentro. Ri-se muito. Ri-se tanto. Parece feliz. Sério, parece mesmo feliz. Às vezes não é nada mau a gente lidar com gente assim, contanto não caiam no exagero, claro.
«Ah, eu estou sempre a cantar! E sabe porque é que eu estou sempre a cantar, minha senhora?»
A senhora a quem ela se dirigia era eu e vai que fiquei à espera da resposta, era um tipo de pergunta que na verdade nada quer com respostas. Nada de tempo tive de esperar...
«Porque tenho muitos prédios e aviões, minha senhora! Ah ah. Não, não é nada, é porque oro todos os dias. Tenho dois filhos, um é médico e está lá fora, outra é advogada e exerce ali assim na avenida. Por isso já vê, minha senhora, foi com o poder da oração que consegui isto tudo...»
E blás e blás e mais blás que já não retive. Bem haja, querida, a sério que sim, mas agora vá lá ser feliz noutro lado.









Ah ah.

Dos vídeos

Ontem fiz imensos vídeos, uns apresentei no blogue, outros deixei-os longe da blogosfera. Entretanto lembrei-me que tinha deixado de fora um que pertence indubitavelmente à blogosfera: o do plano doce para o fim-de-semana. Há portanto um vídeo que vai figurar no blogue...



Mas há mais. No vídeo acima estou numa divisão da casa onde ao momento acontece um esvaziamento de pertences. Vai daí, calha que a minha voz faz um eco do caneco (gosto tanto desta expressão!), isto sem que faça referência a tal facto. Explico então no vídeo abaixo que...




E agora a receita do bolo em questão no primeiro vídeo, pois claro.

Bolo Crumb de Nova Iorque

Para o crumb usar:
150 gramas de manteiga derretida
300 gramas de farinha
200 gramas de açúcar mascavado escuro
1 colher de sopa de canela em pó
1 pitada de sal
Para o bolo usar:
200 gramas de manteiga amolecida
350 gramas de açúcar branco
4 ovos
400 mililitros de natas azedas
1 colher de chá de essência de baunilha
500 gramas de farinha
1 colher de sopa de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal
Preparação do crumb:
Numa taça misturar muito bem os ingredientes secos e juntar a manteiga amolecida. Mexer até estar tudo ligado, com aspeto de crumb. Reservar.
Preparação do bolo:
Bater a manteiga com o açúcar. Juntar os ovos, um a um. Bater. De seguida adicionar a baunilha e as natas. Bater. Por último peneirar a farinha, o fermento, o bicarbonato de sódio e o sal e juntar à massa. Mexer. Untar uma forma de manteiga, forrar a base com papel vegetal, voltar a untar e polvilhar de farinha. Deitar a massa na forma e por cima espalhar o crmb. Levar ao forno, na base (não no meio), convém que este bolo coza rápido (daí o forrar a forma ser indispensável) para não esturricar demasiado o crumb. Levar ao forno, dizia eu, durante 40 minutos

Notas:
• retirei esta receita do programa televisivo 'Doce Diário' que passou em tempos no canal 24 Kitchen.
• usei natas frescas e não daqueles pacotes que têm um prazo de validade alargado.
• uso (na verdade uso sempre) farinha sem fermento.

Planos para o feriado

Tal como costumo ter planos para o fim-de-semana, costumo também tê-los quando ocorre algum feriado na minha vida, como é o caso do dia de amanhã, que é Terça-feira de Carnaval. Em comida quero ver se faço
Costeletas de Porco com Arroz de Legumes
Filhós dos Pobres
Esta última receita está apontada toscamente num papel que guardo por cima do microondas, a qual, creio eu, já mencionei no blogue algumas vezes, a ver se é então amanhã.
Noutros afazeres domésticos quero ver se despacho a
Desmontagem da cama do rico filho
Colocação dalgumas coisas no contentor do lixo
No âmbito da passeata quero ver se vou
Saber onde fica exatamente o salão para onde o meu cabeleireiro se mudou

Hei-de fazer

Aqui há uns dias descobri um canal no Youtube duma chef de nome Rita, que no canal do Yuotube se apelida de Rita do La Dolce Rita (linque do canal aqui) Adorei a descoberta. Sério. Ó pá, é que a gente dificilmente encontra youtubers portugueses que não estejam ligados à maquilhagem e à moda... Mas pronto, lá fiz esta descoberta e adorei. Os vídeos não são nada de especial mas são divertidos e as receitas são realmente interessantes, o que me satifaz e não é pouco. Ao que parece, pelo que vi até agora, a Rita apresenta somente receitas doces. Num dos vídeos que vi, e que deixo ali em baixo, está demonstrado como se prepara uma mousse que diz ser a mais fácil do mundo por só levar dois ingredientes, chocolate e natas. A proporção é dois para um. Leva-se a banho-maria partes iguais de chocolate e de natas até derreter. Entretanto bate-se a outra parte de natas, que deve estar pelo menos quarenta e cinco minutos no congelador para ser mais fácil engrossar. Depois é só juntar ambas as partes. Assim de repente vamos adquirir uma mistura um bocado líquida, mas depois de repousar duas ou três horas no frigorífico ficamos com uma mousse de textura agradavelmente cremosa. E saborosa.
Entretanto talvez experimente a versão do chocolate branco, só por dizer que esse chocolate é bem mais difícil de se aguentar sem gelatina, o que aliás é também referido no vídeo. Vamos então a ele.


Lista de supermercado

Está na hora de me organizar em termos de faltas lá em casa. Há montes de tempo que não preencho o meu blogue com estas coisinhas e tenho-lhe sentido a falta.
Tábua de passar a ferro. Sabem o que acontece quando a gente tem um filho a montar a sua casinha? Pois, é isso, o rico filho levou a minha. Não que ma tenha pedido, nada disso, eu é que lha entreguei com aquela conversa de mãe, olha lá, leva a minha tábua de passar, deixa lá que a mãe logo compra uma e tu assim escusas de estar para aí a gastar dinheiro nisso. Pronto.
Forma de bolo com vinte e quatro centímetros de diâmetro. Nem mais, nem menos, vinte e quatro. A ideia é vir a experimentar um certo bolo que se diz mágico, e essa coisa da magia e quês quer-se dentro de certos parâmetros, ou seja: se eu calho a fazer o bolo numa forma que tenha só que seja dois centímetros a mais, o bolo perde a magia toda. Ao que parece, numa forma de diâmetro vinte e dois, acontece um processo químico que não acontecerá se a massa do bolo ficar mais fina, pois como se sabe, numa forma mais larga a massa espalha-se mais, logo; é mais fina. Este item não o vou encontrar no supermercado, mas fica aqui como pertencendo à lista. Já agora acrescento que andei há pouco numa loja a ver da dita, realmente vio por lá umas formas em alumínio de quase todos os diâmetros, menos... Pois, já se vê que o único diâmetro que não há é exatamente aquele que me faz falta. Ó pá, há de vinte e dois e de vinte e seis e não há de vinte e quatro... Mas, e há sempre um 'mas', há umas dum outro material, aquelas escuras, que têm como que uma capa de teflon ou lá que é aquilo, e que efetivamente têm os tais vinte e quatro centímetros de que preciso. Mas, olha outro 'mas' para o 'mas' anterior, são consideravelmente mais caras. Bom, depois logo vejo se me disponho a gastar esse dinheiro ou então não.
Chocolate de culinária. Já não tenho. Oh céus. Eu não sou ninguém sem chocolate para culinária naquela prateleirinha da minha despensa. Ninguém. Tenho de comprar de várias qualidades, negro, branco e de leite.
Café. Vou ter visitas no próximo fim-de-semana. Café que não falte.
Batata branca. Aquela batata a que vulgarmente chamamos de batatinhas novas. São ótimas para saltear com maneiga, alho e alecrim. É que nem as descasco. Corto-as em duas ou quatro partes, depende do tamanho, e coloco-as num tacho largo que enchi para aí a três quartos, junto sal e deixo ferver. Quando cozidas, escorro-as e deixo-as estar a descansar, com o tacho destapado para secarem, e é então que jogo lá para dentro uns cinquenta gramas de manteiga, manteiga a sério, ok, manteiga mesmo manteiga, três dentes de alho esmagados, aos quais nem sequer me dou ao trabalho de retirar a casca, e um raminho de alecrim. Depois é ir mexendo para não pegar. Pelo menos para não pegar muito, vá. Isto até que as batatinhas apresentem uma cor lustrosa e aparentem estar como que fritas. São tão boas, oh céus, são tão boas.

Primeiro

Bom dia. São dez e vinte e oito. Escrevo estas linhas sob observação distraída dalguém tremendamente parecida à sua mãe. Oh céus. É que eu conheci a sua mãe aos cinquenta e tais e é cinquenta e tais que ela, a que me observa distraidamente, tem hoje. A gente vai todas lá parar a isso da parecença às mães e quês. Olarila. Já o filho dela está incrivelmente parecido com o seu pai. Tem hoje trinta e tais e foi com trinta e tais que o conheci, falo do pai deste filho agora. Vamos todos lá parar a isso das parecenças com os progenitores. Olarila outra vez.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Loures, 7 de fevereiro de 2016

Olá, estimada audiência, eu hoje fiz um montão de vídeos.
Comecei por não saber o que dizer e, não me contentando com isso, deslindei o caso e pus-me a explicar a minha falta de assunto, que, bem vistas as coisas, não é falta nenhuma, o facto de não ter assunto é um assunto!
Depois dou para aqui uma reviravolta e encontro um assunto interessantíssimo para debitar - água.
E eis que continuo, toda eu muito espontânea. Sério, vejam esse vídeo, é ótimo. E acrescento já que não é meu costume pôr-me a fingir que sou modesta, o vídeo é bom, bom de verdade.
Dá-se-me a fome. De nada, ora essa.
Agora é um momento confessional. Quem quiser saber um dos meus segredos, que, neste caso, não são de culinária, não perca este vídeo.
E, finalmente, é chegada a hora de conhecer um subscritor do meu canal no Youtube...
Há muito mais para escrever acerca de. Às tantas hoje este blogue devia mas era chamar-se 'Dias duma falómana'. Mas pronto, olha, era isto e eu agora vou ser feliz noutro lado.














Primeiro

Boa tarde. São treze e vinte e cinco. Almoço...

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Primeiro
e
Último

Boa noite. São vinte e duas e trinta e quatro. O dia foi bué bom. Bué bom, como diz o rico filho.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A guerra dos sexos*

Eu, ao balcão:
Gaja com gajo não dá, por conta do domínio que eles têm sempre que manter por sobre tudo quanto aparente um ar feminino.
Gaja com gaja não dá, mas comigo geralmente dá, tenho assim como que uma aura de patinho feio, portanto a coisa dá-se, que assim elas são sempre muito mais giras e mais boas.
Eu, como cliente:
Gaja com gajo é uma merda. Defesa aguerrida do território, tipo assim 'quem manda aqui sou eu', bem como a necessidade imensa do tal domínio sobre as gajas e esse tipo de coisas.
Gaja com gaja não vai dar... É que nessa posição estou um degrau acima, afinal de contas já não sou eu quem tem que baixar os cornos... E alguém tem de os baixar... E não quero nada ser eu... Mas às vezes sou...

*Gostava à brava de rever a novela com este título e que passou na tv nos anos oitenta

Lugar da musa

Não estive triste. Não era tristeza, era apatia, estado que, olhando sob determinada perspetiva, me é necessário e não é pouco. Escrevi coisas, portanto: não estava nada apática, que é lá isso. Ou estava, ao meio, não à imaginação. De momento sinto-me um bocado mecânica nisto de escrever.

Lugar da musa

O moço que tira – não muito bem, vá – cafés no lugar da musa, depois daquele meu recadinho escrito, o tal onde lhe recomendei que pusesse mais pó de café e apertasse o manípulo com mais vontade, desde aí, parece mais disposto a agradar-me. É claro que isto tudo pode ser somente a minha cabeça a funcionar nesse sentido, afinal de contas dou pouco nas vistas e tenho a mania de colocar uma lupa por sobre tudo aquilo que observo. É isso, é, deve mas é ser impressão minha. Até porque é – quase – sempre impressão minha. Falo da lupa que me assiste e coiso.

Adenda:
É sempre impressão minha. Não sei se é assim com toda a gente, não sou toda a gente, mas acho que é impressão. É impressão, é. Só minha.

Lugar da musa

Entreguei, finalmente, olha aí as vírgulas, estou a usá-las por conta do ênfase, da ênfase?, do ênfase?, não sei, nunca sei, e desta vez não vou consultar o dicionário. Mas a entrega. Entreguei, finalmente, o papelinho que conta coisas da minha vida, e eu que nem tinha pensado nesses termos, mas conta sim senhores, para obter um cartão que dá descontos sempre que me apetecer, apetecer, não, quiser, comprar um livro ou algo assim no lugar da musa. Ora bem, como ando há que tempos com o dito aos rebolões na mala, estava assim como que um bocado amassado, vá. Ao entregar o papelinho, papelinho, não, que papelinho é outra coisa, o papel à livreira mais ou menos simpática que o lugar da musa tem, desculpei-me um pouco com o estado do mesmo. A resposta dela foi assim:
«Ah não se preocupe com isso, não precisamos de saber a sua vida toda só para fazer este registo.»
Bom, não curti a cena. Mas é que nada. Mesmo. Mau maria, mando-te daqui à merda, ó puta dum cabrão, uma vez que presencialmente não tenho coragem para tanto. Mas posso ter interpretado mal a senhora, claro que posso. Não gostei da resposta, é certo, e admito que sou muito sensível, mas tenho o direito à opinião, e a opinião é: não curti nada o desfecho da nossa conversa. Mas posso ter interpretado mal... Ah pois, já tinha dito. Mas é, posso ter e coiso.
Hipótese A
Foi uma piadinha sem maldade da parte dela. Azar, a maldade está deste lado daqui, ó.
Hipótese B
Eu tenho razão, ela não estava com tempo e/ou paciência e mandou para o ar algo que na hora não lhe pareceu tão inapropriado assim.
Hipótese C
Ela farejou nesta que escreve uma certa propensão para a pacatez e acanhamento e vai que me manda calar usando outras palavras.
Hipótese D
Não sei, encontro-me esgotada, que usar a imaginação é-me penoso.

Planos para o fim-de-semana

Planos para o fim-de-semana? Se há?! Claro que há!
  • Bolo de Chocolate
  • Bolo Mágico de Baunilha
Farei dois bolos porque amanhã vou visitar o rico filho, conhecer a sua casinha. E vai que quero fazer dois bolos porque um pode não chegar e mãe que é mãe é sempre à grande e faz tudo em quantidades industriais, sei lá, não vá faltar e assim.
Ambos os bolos serão uma primeira vez. O de chocolate é um apontamento que fiz, retirando à pressa dum livro que estava exposto no lugar da musa, o bolo mágico idem. O chato é já não lembrar o nome exato das autoras e dos livros, que eu cá gosto de dar créditos aos autores e registar o nome dos livros de onde retiro coisas, seja lá o que for. As receitas foram surripiados com a melhor das intenções, mas foi isso mesmo que fiz, surripiei, logo, nada melhor pra fazer do que creditar a quem pertencem as receitas. Bom, ao que parece não vou poder ser assim tão boazinha, nunca mais vi os livros lá expostos. Mas mantenho a esperança de.

Dias dum Ginásio

A menina anda aqui nos meus rascunhos há montes de tempo. O papel foi ficando, está assim como que amassado, mas deixou-se digitalizar, não sem que antes tenha preenchido quase todos os buracos da minha caligrafia. Esta menina era, e é, uma menina de quem um dia ouvi dizer:
«Ah, essa não, que é tão parvinha...»
Dias depois tive oportunidade de contracenar com ela. Calhou-me o cacifro mesmo ao lado do seu e, como se sabe, tudo que é cacifro de balneário, é junto, com uma espécie de madeira com não mais de vinte milímetros de espessura entre um e outro. Ela tinha deixado a porta do cacifro aberta, por se estar a despachar, pois claro, e eu também me queria despachar, portanto pedi licença. De notar que este post não trata do tema 'má-educação', não é nada disso, é que quando pedi licença e lhe fechei um pouquinho da porta, ela disse numa voz de desenho animado, assim como que a desculpar-se:
«Ah, as meninas da recepção puseram-nos mesmo ao pé uma da outra... Com tantos cacifros vazios...»
Pronto, ok, vá, percebi: é mesmo parvinha, pelo menos, se analisar de chofre, é. Não no sentido de ser realmente parva, mas de se mostrar como sendo. Há um certo quinhão de parvoíce nos tímidos. Os tímidos são tímidos, logo: não gostam de se mostrar, logo: são donos duma insegurança de elevado grau, logo: comentam as coisas mais banais duma forma... Parvinha... Não porque lhes falte inteligência, mas porque a carga da insegurança lhes é tão pesada que.

Olha...

Olha... Descobri agora mesmo que a impressora do pê-ó-ésse tem escrito algures que é star. E eu que nunca em tal coisa tinha reparado. Olha... E é realmente uma enorme estrela, esta impressora. Olarila. Brilha imenso, faz-me feliz e realizada, sempre disposta a trabalhar, não chateia nada. Sério, ainda bem que existe uma impressora assim na minha vida.

Mexer os cordelinhos

Mexer os cordelinhos, para mim, trata-se de trazer do lugar escondido todo um molho de cordelinhos, os quais cortarei do rolo grosso que lá está.

Cliente

Hoje fui a casa da cliente que mora numa rua que tem 'bosa' nome e não 'rosa' para receber uma conta. O menos importante é a importância, o valor. Não é o menos importante, é aquilo a que quero dar menos importância. O mais importante e valioso que se farta é eu ter visto uns prédios e umas árvores que vejo diariamente mas noutra perspetiva e serem igualmente belos. E foi tão bom.

Cliente

Ele quer trocar uma bilha vazia por uma cheia. Nada de anormal existe nisto, bem sei, mas é que a bilha em questão, aquele modelo, foi descontinuado, logo: jamais poderemos fazer negócio lucrativo para ambos os lados, não é. É. E eu agora ficava cá com um modelo descontinuado por troca, gratuita para o cliente, pois, dum modelo que sim senhores, anda aí de mão em mão, muito feliz e coiso, não é. É. Ai tão espertinho que ele é, não é. É. E eu...? Ah ah. Também.

Os lados de toda uma alameda

A alameda tem quatro passeios, isto não contando com os recortes que ruas e mais ruas lhe fazem, porque a atravessam e assim se somam esquinas. Então, num desses passeios, um dos do meio, onde há árvores, por ora nuas, e postes de base sempre avermelhada com candeeiros lá em cima, alguém usou tinta seprei, preta, para escrever no chão do passeio:
'vai tomar no cú'
Ah ah. Cú. Ah ah. Não é cú, é cu. Eu cá acho, mas como não sou doutora das letras, não me manifesto mais veementemente que isto. E, já agora, vou mas é buscar a veemência para registar que vou tomar no cu se/quando quiser. Assim de repente aquela frase parece ordenança, mas qual quê, ora essa.

Beijinhos

Olhem lá, no dia tal, no centro comercial assim-assim, às sete e qualquer coisa da noite, sentados num banco corrido de cor acastanhada, que termina em bico para aludir às canoas, eram vocês que estavam aos beijos? Oh como se beijavam, mas que grande vontade mostravam! Porra!
Agora a sério, ou mais ou menos a sério, vá, hoje em dia talvez não seja tão comum ver-se casalinhos aos beijos em cada esquina ou banco de jardim, foi por isso que estranhei ver um casal beijando-se com uma fogosidade tal que mais parecia que se iam mas era engolir um ao outro...

Calendário

Ainda é de manhãzinha, manhã sem manha, ah ah, e já ocorreu algo incrível na minha vida: acrescentamento dum item de afazeres estéticos, o C, de cabelos, tenho cabeleireiro marcado para o dia 16 do mês 2. Quer isto dizer que no dia a seguir a minha beleza vai estourar por aí. Bum.

Primeiro

Bom dia. São dez e trinta e sete. Olha eu a voltar ao sistema comum. Ah, como a vida é boa pra mim.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Loures, 4 de fevereiro de 2016

Boa noite. São dezoito e cinquenta e nove. Este é um post único, não é nem o 'Primeiro' nem o 'Ultimo', isto sob determinada perspetiva, já sob outra, é isso mesmo, o primeiro e o último post de hoje. E digo mais...














quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Grande Informação

Este blogue podia chamar-se 'Grande Informação', que não estaria longe da sua essência. A ironia estaria então em posts pequerruchos como este.

Endívias

No outro dia comprei endívias, sendo essa vez a minha primeira. É um legume da família da alface, a textura assemelha-se-lhe, muito embora não a cor, que no caso da endívia é bem mais desmaiada, chegando mesmo a ser branca junto ao caule. A parte mais amarelinha, ou esverdeadazinha, vá, é doce, doce esse que se vai dissipando ao chegar às partes brancas, que na verdade amargam. A endívia traz consigo uma boa dose de opostos, sim senhores, é muito bonitinha, muito docinha, muito crocantezinha nas pontinhas esverdeadazinhas, mas em se lhe chegando ao branquinho, ui, é com cada patada...

estiquei o pescoço

, por entre caixinhas de trocos e pacotinhos de açúcar, e cheirou-me bem, uau, coisa rara por aqui, depois descobri que era a rodela de papel que uma menina havia borrifado com cheirinho bom, vulgo amostra de perfume, e ma estendera, e eu, desajeitada, a deixara cair ao chão, e me havia dobrado para a apanhar, condoída com a falta, temendo mau-entender, que insegurança, oh céus, as pessoas não ralham, Gina,


Leitura

Adivinha o que aconteceu. Pois. Serei mais sensata desistindo de ler, creio, pois na verdade não quero ler. Sempre foi assim: quanto mais escrevo, menos arranjo disposição para ler e, se ademais, o livro não me entusiasma... Hum.

Lugar da musa

Eu a pensar que as putas vinham duma avenida e afinal elas vêm mas é doutra. Oh. Encontrámo-nos, como é bom de ver pelo título deste post, no lugar da musa. Éramos três ao balcão, clamando por café, ou então por cafeína. Elas conversavam.
Ah, que cheirinho a livros. Cheira tão bem a livros. (encantamento infantil)
Hum-hum. (sorriso complacente)
Diz que anda uma indústria qualquer a lançar um perfume que cheire a livros, sabias? (interesse desmesurado)
Sério?! Duvido que façam dinheiro. (ceticismo categórico)
A puta infantil e interessada é menos puta que a puta complacente e cética. Achei melhor acrescentar este pedacinho, esta opiniãozinha, não sei se caso me deixasse ficar logo a seguir ao diálogo se perceberia o grau de putice.

Senhora do Banco

Eu, ao despedir-me da senhora do Banco mais carismática de todas, disse-lhe assim, e ressalvo desde já que não retirarei ou acrescentarei palavra nenhuma:
«Então amanhã, à mesma hora, com uma quantia igual, preferencialmente.»
O carisma, ou outra coisa qualquer, quiçá o decoro ou a ética profissional, não lhe permitiu deixar-me senão um sorriso fingido.

Almoço

Ervilhas com entrecosto e ovo.
O ovo, vindo longe da cozedura total, como aliás é de bom tom neste prato, o que lhe fiz foi um corte no topo, quebrando a pelinha branca, essa sim, cozida, e introduzir umas quantas ervilhas e uma metade de rodela de cenoura na concavidade que arranjei. Este passo é ótimo para acabar de cozer a gema. Intento conseguido. Olarila.

Rascunho

, isto do não-ser, aquela coisa do não-ser, que me deprime, já vem da adolescência, desengraçadice, desinteressantezice, bah, o que dói é que na escrita é igual, dói,

Tinha também, e isto no seguimento dum dos posts d' ontem, este rascunho apontado há uma série de dias. Podia dizer que deixava como está, que, tal como nos rascunhos d' ontem, não recordo o que ia dizer acerca do tema apontado, que naquele dia fazia sentido, hoje não. Mas nada disso. Este tema fará sempre sentido para mim, tenho realmente a marca do não-ser. O escudo com que me protejo e acerca do qual falei ontem, arranja-me esta marca, eu nunca sou porra nenhuma porque não falo nem apareço. É isso. Só, e este só é tanto. Ora acontece que gosto pra caraças disto de escrever, ato que não implica falar mas implica aparecer, quando não ninguém me saberá escrevente das coisas que tanto quero partilhar. De chofre é isto, e isto dói que se farta todos os dias, só por dizer que às vezes estou esquecida da dor.

3 de fevereiro de 2016

O mês mudou, logo: tive necessidade de arrancar a folhinha do calendário. Mas, não contente com o passo de a colocar no lixo, colei-a ali assim, mesmo ao lado do resto do calendário. Olhando de repente, bem sei que fica esquisito, afinal o fevereiro está á esquerda do janeiro, mas para o mês que vem, quando colocar o fevereiro à direita do janeiro... Pois, vai ficar esquisito na mesma... Bom, então vá, paciência. Por cima do calendário de várias folhinhas, está um lembrete com letras e números:
SB a 15 do 2
P a 25 do 2
M ???
Então, quer isto tudo dizer que aquele cantinho ali está un tanto ou quanto confuso para quem não apontou nem preparou, portanto: para mim está entendível.

282

Capicua. Há tanto tempo que não registo uma capicua... Então já está.

Frasquinhos

O que está a acontecer é que acabo por ter no estaminé dois frasquinhos meio cheios de líquido para limpar os óculos.
E isto porquê?
Porque ontem não me lembrei de levar um deles para casa. É que dá-me jeito, imagina que estou em casa e tenho os óculos sujos e vai que num repente me lembro, oh pá, deixei os dois frasquinhos no estaminé. Pois é, ficam por limpar, e eu a gastar o meu olhar, aliás: a estragá-lo. A palavra 'estragá-lo' tem em si a palavra 'galo' mas com roupas de diferentes cores. Não sei se já alguém tinha dado por isso...
Não ponho já um desses frasquinhos dentro da mala porque durante o intervalo grande vou andar carregada com mais uma porcariazita. Quer isto dizer que vou guardar tal tarefa para a parte da tarde e vai que o mais certo é voltar a esquecer-me.

Primeiro

Bom dia. São dez e dezanove. Mesmo assim ainda não é tarde, há aqueles dias em que começo a escrever às onze e tal, outros há, raros, ao meio-dia e qualquer coisa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Assim é que é

Ontem terminei o dia de escritos envolta em sorrisos e poesia*. Foi bonito, mas afinal faltava algo. Hoje passei de novo junto ao monte de betão e ferro, reli a frase e verifiquei que ontem não a registara no blogue como realmente é.
«A todos os que passam e ousam deter-se», assim é que é a dita frase. Acabei por lhe roubar um pouco da alma, ainda que inadvertidamente, a ousadia faz ali muita diferença. Amanhã tenho de lá ir outra vez para fixar o latim.

Leitura

Esqueci-me da porra do livro em casa.
Ó pá...
Será que devia ter vergonha de confessar...?
Será que devia desistir da leitura...?
É escrever, então!

Rascunhos

Tenho dois rascunhos que dizem assim:
«Gina, do Verde Água»
«Senhor que não sabe nem quer saber»
Quero tanto saber o que quereria eu desenvolver quando apontei estes tópicos. Mas não. Não se me chega cá nada do que teria engendrado.
Bom, a Gina do blogue Verde Água é alguém de quem já só existe uma parte, não sei se pequena ou grande, mas é uma parte. Essa Gina era deprimida e triste e andava sempre perdida. Esta Gina é deprimida... triste... e perdida. Não, ou sim, pronto, ok, vá, continuo com essas características, só por dizer que estou no escalão abaixo, ou acima, sei lá, depende da perspetiva. Por exemplo, olha agora, eu estou a tentar descodificar-me e não consigo, e isto, na escrita, é deprimente que se farta. Entristece. Desorienta. Então uma pessoa não escreve para se organizar, encontrar respostas, separar o bem do mal? Não é?!
Bom, então e o senhor que não sabe nem quer saber... Que raio iria eu escarrapachar no blogue acerca de tão fantástico tópico...? Não sei. Mas agora posso dizer que... Quero dizer: posso arranjar ideias, é pesquisar na cabeça que elas aparecem, geralmente não me é difícil. É sempre algo prazeroso a gente não saber coisas, já não querer saber coisas é estúpido e desinteressante, ou é-se desinteressado e alguém desinteressado é alguém que se arrima um bocado da estupidez. O prazer de não saber coisas está no descanso, a gente não sabe, não sofre. A estupidez de não querer saber... Eh pá, como é que eu me vou desenlear disto... Sei lá, então, a gente não querer saber coisas é não querer evoluir, estacar no que parece bom só porque já nos habituámos, estagnar e portanto mais não fazer do que fuçar em águas sujas, tem também um certo quinhão de previsibilidade, portanto não vamos sofrer com surpresas, as quais nem sempre são boas. Limbo patetinha, é isto, não é?!

Do verbo dar

Dou-me bem com toda a gente. Sabem aquela vulgar frase 'ah e coiso eu dou-me bem com toda a gente, que é lá isso', essa mesmo. Dou-me bem com toda a gente porque na verdade não me dou com ninguém. O segredo - que não é segredo nenhum, e se fosse teria deixado de o ser neste momento - é a gente não se dar, porque quando a gente se dá, a gente choca e choca-se, depois faz bum, antes fizesse pum, que assim a gente ria-se do barulho e do fedor, mas não, faz bum e ocorrem o choque, o afastamento, a tristeza e a solidão. O meu escudo é esse, o de não deixar ninguém entrar. Antigamente contrariava-me bastante, falava comigo mesma, ó Gina, convive, vá, isto até é giro, tu sabes que é, há montes de lugares para conhecer, há montes de situações para viver, há montes de pessoas que vale a pena conhecer. Depois deixei-me disso, o mais que estava a conseguir era esconder a minha maneira de ser, levando todos a pensar o que dá tanto jeito pensar, ah e tal ela não se importa se eu disser isto ou aquilo, ah e tal ela é porreirinha, ah e tal ela não se opõe. Errado. Ó pá, isso está tão errado, eu estava tão mas tão errada. Não por ser porreirinha, não me importar e não me opor, na verdade sou tudo isso, sim, e portanto encontro-me terrivelmente cansada. Sério, estou tão cansada que não quero ter amigos. Não é não ter porque não calha, não é não ter porque não sei lidar com pessoas, não, é não ter porque não quero, e não quero porque já não sou capaz disso. Andar à procura de tentar, forçando e até fuçando, mais não faria do que acrescentar um sofrimento. Sou sensível e observadora em alta escala e sei ler extremamente bem as pessoas. Só alguém tão boa nisto como eu saberá a angústia que daí advém. Para contrabalançar, o que faço é tentar abusar dum certo destemor, que também possuo e que não é pouco, aquele que me permite ler as pessoas. Digo destemor porque é necessário ser destemida, aliás: muito destemida, uma vez que as pessoas são, também, coisas ruins, e eu dou-me bem com toda a gente. Pois.

Dormidas

Dormi tão mal, oh céus. Era o cabelo a fazer comichão, uma espécie de suor ou lá que era, era o frio, provavelmente devido ao dito suor a secar, era os ombros encolhidos por conta desse frio, era portanto as dores nos ombros mas também nos braços, era as dores nos dedos. Enfim. Foi essa dor que me acordou e que depois não me deixou dormir. Eh pá, é que tenho aqui uma polpinha, uma não, duas, mas uma é que faz sofrer bués, essa polpinha está infetada com algo, ainda não percebi se é pele a crescer junto à unha ou uma extensa frieira, ou então, e estou em crer nisso, é mas é uma mistura de ambas as situações. Sério, dói-me ainda que se farta, mas não deixo de escrever no teclado, que é lá isso.

Frasquinhos

Acabei por trazer o frasquinho cheio com o líquido para limpar os óculos, ao invés de levar daqui o vazio. Eu explico, que adoro explicar coisinhas. Pensei assim:
'Olha, o mais certo é lembrar-me que tenho esta tarefa somente quando notar os óculos sujos e vai que vou-me esquecendo e esquecendo e esquecendo.'
Portanto, ontem de manhã, calhou bater com os olhos no frasquinho cheio e pensei:
'Olha, vou mas é levar o frasquinho de casa e abastecer o frasquinho que está no estaminé.'
Entretanto ressalvo que o frasquinho vazio é um frasquinho vazio, não se tem mão nele, é uma coisa leve, tomba, resvala, sei lá, e deixei de o ver. Consequentemente, esqueci a sua existência, e hoje fui dar com ele casualmente, olhei para o chão e lá estava o frasquinho vazio, leve, que tomba e isso assim. Apanhei-o com a ideia de, finalmente, olha aí as vírgulas a dar enfâse, o abastecer, dividindo por dois frasquinhos o precioso e desejado líquido. Mas não. Ou seja: neste momento tenho:
os óculos sujos
um frasquinho cheio de líquido
um frasquinho vazio
Está portanto tudo na mesma. Ah ah.

Posta-restante
Antes de seguir caminho por entre assuntos de/no blogue, eis que já limpei os óculos, abasteci o frasquinho e notei que o paninho que os limpa já pede limpeza. É assim, uma pessoa nunca está descansada.

Janeiro no fim

Toda a vida tenho ouvido este provérbio mas nunca o retive na memória tempo suficiente para o registar. Até ontem, que o ouvi, uma vez mais, e fixei. Diz assim:
«Janeiro fora, quem bem contar, uma hora lhe há-de achar»
E é bem verdade, se o janeiro finda, o tempo de luz solar tem cerca de mais uma hora.

Primeiro

Bom dia. São nove e cinquenta e oito. Ena, a começar, uma vez mais, antes das dez e tal.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

1 de fevereiro de 2016

Às cinco da tarde é mesmo de tarde. No topo do outro lado da alameda, agora já os prédios e antenas, esse material obsoleto, recortam o céu dum azul clarinho e não dum azul escurinho, ou mesmo pretinho intenso. No topo onde estou há um monumento de metal e betão. Diz algo em latim e detenho-me a ler, ainda que não saiba traduzir. Entretanto noto que a frase por baixo do latim é portuguesa, diz assim:
'aos que passam e se detêm'
Fico abismada. Aquele pedaço de coisa inerte é-me dedicado. Eu passei e detive-me, para observar a frase em latim e lamentar não a saber traduzir, é certo, mas depois o acaso auxiliou-me, afinal a tradução estava lá. Sorri. Viro-me, disposta a retomar o meu caminho. Vejo um homem detido junto do respiradouro do Metro, cabeça inclinada, observando aquele abismo. Sorriu.
Ele sorriu por um motivo, eu por outro, não existiu qualquer cumplicidade entre nós, tampouco ocorreu uma troca de olhares, mas mesmo assim a vida é tão bonita, não é. É.

O fim do princípio

Iniciou-se hoje um mês. Fevereiro, não é. É. E este é o primeiro dia, não é. É. Só por dizer que está no fim, não é. É. Falo do dia, não é. É. É que o mês está mesmo no princípio, não é. É.

Lugar da musa

Escrevi tanto que o cheiro da tinta da caneta me chegava ao nariz. Também pode ser por estar num daqueles dias em que a sensibilidade aos cheiros é enorme. Mas vamos supor que não, que escrevi mesmo muitas linhas com frases e letras. Isso. Sou mesmo veloz, não é. É.

Era uma vez o oposto, esse cabrão

Sou mulher para me entristecer com a alegria. Mirava a lonjura daquela avenida, esperando o sinal verde, mirava tanto quanto admirava o espaço que afunila, tanto por conta da lonjura como pela perspetiva, quando se me deu a tristeza, e tinha acabado de pensar que este fim-de-semana foi fixe e estive muito alegre, estava portanto muito alegre e vai que fiquei muito triste.

Lugar da musa

Um senhor explica a um senhor que há uns parafusos que se metem ali e abre assim umas coisas para o lado e ficam presos lá por dentro. Ó colega, esses parafusos assim são para o pladur, não é. É. Borboleta, não é. É. É, quem disse que 'é' estas duas últimas vezes foi o meu colega. Eu também sei dizer que 'é', mas as palavras existem para serem partilhadas. A bem dizer nem existem para mais coisa nenhuma.

Se eu soubesse

Se eu soubesse escrever, ah se eu soubesse escrever... Escrevia do desalinho daquela casa e de como é vivaz. Sério, há vida naquele desalinho, uma vida muito própria, com tanta personalidade que jamais conseguirei transcrevê-la. Posso no entanto experimentar.
O móvel grande da sala foi disposto sem mais nenhuma intenção que não fosse a de o querer depositar nalgum lugar onde coubesse. Tipo: olha, isto cabe aqui? Então, vá. Pumba, ficou ali. Um outro móvel, o que apara o televisor, foi colocado de acordo com o sofá, um contra o outro, para se casarem e as pessoas se fazerem amigas do ecrã, para tal acontecer é forçoso que se sentem em frente do dito. Depois há toda uma série de lixo, restos de torradas, de chá, de compota, e pó, muito e muito pó por todas as superfícies. É a vida. Não se vê...? Lê. Não se lê...? Não sei, eu cá não sei, creio que é pouca informação, onde anda a paixão? Às vezes preciso tanto de respostas.

Leitura

Esqueci-me da porra do livro em casa. Pois.

O canal

O canal no Youtube já faz parte da minha vida, por muito que hoje não queira falar e prefira escrever.

...

cárá siri tá ti tautse

(há um receio enorme de não ser entendida, sei lá, mais uma das minhas inseguranças)

Cliente

Apoiei os pulsos no balcão com as palmas das mãos viradas para cima e os dedos descontraídos, fazendo assim como que uma flor. Uma, não, duas flores. Notei que a cliente olhou com interesse para o esquema (incrivelmente bonito, claro) que eu desenhara com as mãos. Não era porque eu tenha as unhas pintadas dum azul vivo, qual quê, era o desenho que fiz com as mãos. A flor. De pétalas azuis. Muito lindas. Que eram afinal as minhas unhas. Ainda tive para me desculpar (homessa, desculpas pra quê?), sabe, é que assim a pele das mãos não toca no frio do balcão, apoio mas é as extremidades das mangas do meu casaco felpudo. É isso. E é também uma flor com as minhas mãos em pose disso. E não é uma primavera que já espreita. Aqui não.

Uma primavera que já espreita

Diz que já andam aí andorinhas.
É natural, digo eu. Não é nada, diz ele.
É sim, estamos em fevereiro, 'migo.

A pessoa

A pessoa já abana a cabeça em sinal de 'não' mesmo antes de a tua resposta ser 'não'. Portanto: a pessoa já sabia a resposta. Este post é espectacular. Sou muito boa a fazer posts assim. Quando digo assim digo dentro da espectacularidade que este post encerra. Encerrei agora, quando não, nunca mais.

Ontem, eh pá, ontem...

Ontem recebi um comentário* no blogue daqueles de ficar ofegante. Cuidado comigo que eu cá também se me dá amoques quando estou montes de feliz, a sério, cuidado com isso de me alegrarem mais que muito, não recalquem a medida, por favor. Bom, mas o comentário... Foi bom, foi. Na verdade não tenho palavras para descrever o episódio. Pronto, ok, vá, comentários são comentários, as pessoas comentam quando querem e principalmente se querem, mas é que há pessoas cuja presença na blogosfera é muito especial, possuem uma aura imensamente luminosa, ou iluminada, sei lá, elas falam, aliás, elas escrevem e aquilo que se lê é duma beleza sentimental tão grande que fascina qualquer um, transcende, eu cá é-me difícil não ficar boquiaberta, pequenina perante tal mestria no seu escrever. E este homem pousou no meu blogue. Sim, é um homem. Sim, no meu blogue. Amaluquei com o comentário que me deixou, mas principalmente com a presença, sério, tipo: mas que raio é que este cavalheiro faz num lbogue... ai perdão, blogue como o meu? Eh pá, a minha alegria era tal que chamei a família para lhes explicar:
Olhem 'migos coabitantes, este homem move montanhas na blogosfera. Recentemente fez uma pausa no blogue e eis que o seu núcleo de amigos na blogosfera se levanta de lá com uma greve, tipo assim:
'Eh, senhor tal, ou volta a publicar textos no seu esplêndido blogue, ou a gente nunca mais escreve nos nossos! Vá, ande lá! Deixe-se de coisas e volte, olhe que a gente não se cala...!'
Sabeis o que é preciso para que se levante um movimento destes na blogsofera?! Sabeis o quanto uma pessoa tem de ser desejada para que se gere tamanho tumulto à sua volta? Não sabeis, pois não? Então deixai-me dizer-vos que é preciso muito, muito, muito, muito. É preciso ser-se muito bom tanto na escrita como no trato, e ele é exemplar em ambos. Este homem, este cavalheiro, este bloguer... Esteve no meu blogue, viu um dos meus vídeos e parabenizou-me pelo blogue inteiro.
Pronto, ok, vá, agora já deixei a conversa com os meus coabitantes e estou antes a falar com os leitores deste blogue. Não tenho grandes ilusões, sei que ele pode ter vindo até aqui apenas por me perceber sua leitora, eu tenho um linque para o seu blogue, e ele, notando a minha presença, veio ver-me para saber quem sou e tal, meramente curioso e mais não sei o quê, e o que tenho mais certo é ser visita e comentário únicos e acabou a conversa, daí eu estar tão à vontade a escrever este post. Pode ser isso, provavelmente é isso, mas pronto, eh pá, aquele bloguer, esteve aqui.

*...

segundo

, grande força pra hoje, eu pra mim, pois tá claro, de quem pra quem é qu' havia de ser, o blogue é meu, eu é que tou aqui, falando comigo, mas dizia eu pra mim, ganda força tenho d' arranjar, tenho de ou que, sei lá, tenho qu' arranjar pra não me pôr a falar e a falar e a falar, de mim pra mim,

Primeiro

Bom dia. São nove e quarenta e seis. Este post é também o primeiro do mês de fevereiro, ó pá tóin xirú!