domingo, 20 de junho de 2021

foi a vizinha Gislena que mas e mos ofereceu

usei a aplicação do telefone para pôr uma camadadona de 'nitidez'
(na fruta, não no gesto da vizinha)
podia pôr, por exemplo, uma lente de aumentar
(na fruta, não no gesto da vizinha)
são espécimes pequeninos, são, e muito se desculpou a vizinha...
(nitidez e lente de aumentar)

sábado, 19 de junho de 2021

Vida sanitária

Na minha bancada sanitária vive toda uma série de cremes que ao rosto vão. As novidades são:
uma embalagem 2 em 1, que contém um creme de dia e um de noite
uma embalagem de protector solar
Quando li as informações acerca do 2 em1 fiquei meio que a pensar se a escolha foi acertada. Diz que duas pressões são suficientes, que fique atenta a quaisquer reações, que pare imediatamente as aplicações se sentir desconforto. Sim, bem sei que é assim com tudo e mais alguma coisa que este mundo contém, mas não me lembro de algum dia ter lido um 'papelinho' com tantos 'medos'. Cheira muito bem, este creme, e idem para o protector solar, fico cheirosa o dia todo. Que maravilha. 

Chegou

A máquina da louça já chegou. Dizia o senhor, em jeito de compor a circunstância, «agora é só enchê-la». Compus, por minha vez, a circunstância, «claro!, olhe aqui o que está à espera dela» e apontei para os tarecos sujos em cima do lava-louça. Só não é pilhas de tarecos porque a gente aqui é só dois. E nem estão bolorentos porque, enfim, fui tratando da questão por entre a avaria da velha e a chegada da nova. Por falar nisso, ou é porque me lembrei, a nova máquina diz «hotpoint» em letras gradas e bem o meio de si. Hum.

«nunca se deixámos de ver»

O título deste post é uma frase que ouço de quando em vez e, mas, sempre por oriundos de um reino, que é o saloio. Não venho dizer que está mal dito, tampouco corrigir, venho dizer que gosto de ouvir, e muito, e por isso, tem lugar no lbogue... ai perdão, blogue.

Actualização

Actualizei as minhas preferências no Google em termos de notícias e lembretes e acasos. Não lembro em quais me pus em vezes anteriores, mas pronto, isso na verdade não tem valor nenhum. Desta vez pus-me em alimentação, decoração, ar livre, música e cinema. A música nem sei porquê, provavelmente foi porque sim, o cinema foi porque pode ser que um dia me sinta preparada para me interessar por isso. Há uma boa meia dúzia de anos que não vou ao cinema e, de séries televisivas, ocorre que me desinteresso rapidamente. O cinema e a televisão, em geral, é uma daquelas coisas que eu gostava de gostar. Sério. Aquilo da alimentação e da decoração é porque são temas sobre os quais me é fácil debruçar. Ou então observar, meramente, e, mesmo que meramente retire daí prazer.

Lilás

Este ano o lilás é o chique da moda, como dizia a minha mãe. Dizia. As nabas do post anterior são mais roxas que lilases, mas pronto. Há dias tirei uma foto a uma peça têxtil nessa cor mas não resulta igual. Nem sempre a lente fotográfica é fiel à interpretação ocular. Uma pena. Não publico, portanto, essa foto, muito embora este seja um post dentro da gama dos 'das fotos'.

as nabas

sexta-feira, 18 de junho de 2021

invencionices

casíìnha

óòculos

Está um frio da porra, lá isso.

A minha vontade é enfiar-me na cama, como fazem os doentes, os malucos, ou, simplesmente, os que podem.

Parte do grupo. Agora. Eu.

Recebi uma mensagem que, ainda que haja surgido inesperadamente, era esperada. Pois que dona Gina Maria Tali Talé Tal, na data Assim, às 17:03, deveria dirigir-se ao pavilhão Coiso para levar a vacina contra o vírus que, oh porra, ainda é o do momento. Encaro esta situação como, sei lá, tipo lavar a louça, vá – não me apetecia nada nada nada, nem apetece, mas uma pessoa tem que encarneirar, né? Ou é avacalhar...? Pronto, faço, agora, parte do grupo de pessoas bem coisas. Falta a segunda dose. É. Fica por saber acerca de efeitos expectáveis, sensações normais, meras alterações, porque, como de mim falo, aconteceu tudo longe longe longe de pompa e mesura.

Gina, a blogger que queria ser «a blogger da árvore amarela»

As folhas amarelas, em cuja existência me apoiei para cognominar esta árvore, avistei-as há dois dias, aos 16 de Junho, e a foto é desse dia.

Não é nada

Não é nada aquilo de as minhas plantas terem nomes. Não é. Já lhes retirei os nomes.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Quem é que, quem?

Quem é que subiu a Calçada Poço dos Mouros sem desacelerar, quem foi?
eu
eu mesma
eumes
Quem é que ia à Travessa do Calado, quem era?
igual
igual
igual
Não fui, afinal não fui.

Furinho libertador

Era uma vez um verniz que estava preso numa lata. Como ninguém gosta de sentir-se aprisionado, o verniz intentou uma subida que o libertaria, conseguindo assim esta película mui linda. Está portanto assim a vida como a vida é, por vezes há uma beleza ou outra que aparece por conta do sofrimento.
Bom, no espaço físico e material que a vida contém, o que aconteceu aqui foi que a lata tinha uma ínfima entrada de ar, acabando por formar uma fina película que se acamou na abertura. Era assim uma espécie de fino rolhão, vá. A película estava plana quando a soltei do bordo, depois encarquilhou. Não é que lamente, é também uma consequência advinda da matéria, o que lamento é não ter fotos dessa planura. Porém contudo e portanto, apresento as que há, que são duas porque quis ficar no entremeio.

terça-feira, 15 de junho de 2021

15 de Junho de 2021

Fique este dia registado como sendo o primeiro em que sucumbi ao desejo e, ou, ideia de usar uns ganchos menores do que os habituais e, assim, poupar furinhos. O argumento mais dissuasor foi que o artigo em questão está de resto e sem hipótese alguma de reposição. Digo eu, obviamente a mim mesma, naquilo dos placares. Convém fazer estas achegas pois, quando não, daqui por tempos não descortinarei o que é isto neste post. Setas e assim é que não desenhei mais. Logo que desenhei uma a parecer-se mais com uma andorinha do que com uma seta, pois pois que não.

Graminhas

O meu colega mostrou-se desejoso de um quarto de melancia e eu dispus-me imediatamente a suprir-lhe a necessidade, pondo-me no encalço de tal coisa. Os graminhas dessa tal coisa foram dois mil novecentos e sessenta e lá vim eu, da frutaria do nepalês ao estaminé, exercitando os bíceps com saber e técnica. Eu e o meu colega rapámos toda a parte vermelha com vontade e prazer. Toda. Num repente conclui-se que cada um de nós comeu um quilo e meio de melancia, mas aprofunda-se a questão e sabe-se que não. Construiria um enunciado, sabendo como. Um dia que me lembre peso as cascas, que vai ter que ser as de uma melancia vindoura, e apuro um rácio.

Morangos

Os melhores morangos que comi até hoje, e quem dera a vida me desse a superação a isso, aconteceu-me há não muitos dias, provindos de uma frutaria onde até nem vou frequentemente. Eram absurdamente maravilhosos, doces, ácidos e sumarentos, tudo isto em muito. Não sei dizer mais. Às vezes percebo que, na verdade, não sei escrever, pois, como abordar o prazer de comer, por exemplo, morangos?! Como faz quem tem que debitar informações e, ou, características do verdadeiro deleite que é comer? A pessoa que constrói este blogue não sabe. Mesmo. Mas sabe que vai deixar aqui duas fotos que também têm dias.
A primeira mostra um morango que, oh pobre – considero pobre a fruta que – não avermelhou em quatro pontos. Presumo que estas lacunas tenham decorrido de uma folhinha ou outra que se puseram ali, impedindo aqueles pedacinhos de avermelhar. Será? Hum.
A segunda é um café de morangos. Não há muito a dizer acerca. Dizer que, não tendo onde colocar morangos já lavados senão numa chávena de café, não parece nada de especial. Pá, agora não parece. Dizer que tirei uma fotografia porque considerei o depósito e o conteúdo desajustados entre si? Hum.

Framboesa

Framboesa é uma palavra não-bonita, descombina com a lindeza do fruto que designa. Sei lá, a mim parece que o fram até é giro mas o boesa é feio que se farta, de maneiras que, os dois, pois que não. Experimento boesafram e também não satisfaz. Eu não faria o mundo desta maneira, não.

Clínica Veterinária

Não sei se o sonho de há dias foi premonitório, o que sei é que parece que sim porque esse sonho conteve meia dúzia de cães de uma só vez, dos quais só conhecia um, e tenho andado de roda de um lugar onde vou vendo cães e outros bichos. As condições em que lá chegam não são as melhores, é certo, ou então o motivo não é propriamente bom, vá, mas vejo bichos e, se posso, interajo com eles. Uma das divisões é dedicada ao recobro e já ofereci mariquices fofinhas a um cão e a um gato e tudo. Estão enjaulados, não é o melhor do mundo para ser visto, mas é o que é. O cão havia-se magoado numa pata, a senhora vet já o havia tratado e ele para ali estava, gemendo, desnorteado. O gato estava meio que ausente, parecia até triste. Se calhar estava mesmo. Quero dizer: se os animais têm sentimentos, então estava. Como já disse, ofereci-lhes mariquices fofinhas. Quero dizer: seja lá como for, jamais lhas venderia. Ah, não cheguei a perceber de que padeceria este gato. Pensando bem nem é preciso.

La semaine

Que maravilha isto de agrupar os dias de la semaine, cujos nomes coloquei en français dans le title de mon blogue. Parece-me bem, de maneiras que lá vai, assim fico aqui com um apanhado geral de uma semana desta portuguesa que escreve principalmente em português. Falta só dizer que o intervalo por entre publicações era de uma semana e um dia. Id est: se hoje, e porque é terça-feira, publicasse o post de mardi, então o post de mercredi seria publicado de amanhã a oito dias. Afinal ainda cá venho. Um dos intervalos por entre les jours de la semaine teve mais um dia, foi o caso do que foi de samedi a dimanche. Cá por coisas não pude publicar o dimanche no dimanche, então passei-o, por assim dizer, para o lundi a seguir e que, oh vejam lá, por acaso calhou de ser ontem. Mas la semaine, vá:

À segunda-feira de manhã ponho a sopa no frigorífico. Fiz ontem à noite, é de grão e pus umas couves que a Paula me deu na sexta-feira. Ou na quinta-feira. Ao domingo à noite, ou à tardinha faço sopa. Faço sempre sopa ao domingo, pronto.

À terça-feira, e sempre que a uma terça-feira noto que é terça-feira, lembro um dizer meu que tem figurado no blogue um montão de de vezes e já conta com uma porrada de anos:
'terça-feira é mais do mesmo no porvir'
É que à terça ainda falta vir de lá a quarta e a quinta que são 'mais do mesmo' e que se encontram 'no porvir'.

À quarta-feira não é mais do mesmo porque este dia é composto pelo comum pensamento de que se está a meio da semana. Eu, em certas quartas-feiras, noto o meio preciso da semana de trabalho, que é ali por volta das duas da tarde, ou coisa assim. Depois, obviamente, é pensamento que, noutras quartas-feiras, não me aparece.

Não julgo que goste tanto das quintas-feiras porque cada uma dará lugar a uma sexta-feira, cuja existência é a modos que sugada pelo fim-de-semana, gosto é das quintas-feiras porque têm um i. Gosto de is, pronto. Gosto até de gostar de is.
Todas as semanas temos uma quinta
(piadinha do povo)
e todas as quintas têm um i
(piadinha de mim para mim).

No último post desta sequência registei que as sextas-feiras são a modos que sugadas pelo fim-de-semana. Pois são. A importância da sexta-feira está sobretudo na proximidade ao fim-de-semana. Lembra-me a ideia, quanto a mim acertada, de que a viagem é melhor do que chegar ao destino. Se bem que o sábado me seja deveras agradável, lá isso... Mas contenho o sábado, em outro sábado logo me jogo. Ora bem, isto tudo não significa que não goste das sextas-feiras, gosto da tal preparação, que obviamente não vivo sozinha, há todo um burburinho agitado, porém feliz, energia e disposição boas. Pronto, todo um rol. Contente. Um rol contente. As sextas-feiras sabem mesmo construir um rol todo ele contente.

Há anos que os sábados são preenchidos com a ida ao supermercado. Au eva, de Novembro para cá e cá por coisas, as idas espaçaram, levando a que os sábados já não sejam todos começados da mesma maneira e até sinto alguma pena disso. Por outro lado sinto alívio por estar livre desta obrigação. Na verdade eu não gosto de ir ao supermercado. É. De resto, os sábados são dias de descanso, passados em casa, a fazer o bolo ou doce que escolho, a preparar refeições, a limpar a casa, ou então não, a escrever, a fotografar e gravar e editar. O sábado é, sim senhoras e senhores, o melhor dia da semana.
o texto abaixo, escrevi-o há dias, o acima, ontem
Amanhã tenho que ir ao supermercado e não me apetece. Já pus o despertador do telefone a jeito de tocar e tudo. Há algum tempo que sou tão mas tão privilegiada que acordo sem despertador, e a horas, claro, mas, como gosto de ir ao abrir das portas e não querendo de modo nenhum passar dessa hora, asseguro um despertar atempado se acionar um despertador. Às vezes, nestas idas ao supermercado, só quando lá entro me apercebo que não gosto mesmo nada de lá estar. Nem sempre esta tola questão é sofrida por antecipação. Não. Quero comprar morangos e cotonetes. Apresento estes dois itens por serem díspares. Também quero comprar cereais e pão e farinha e manteiga. Na última vez que me joguei às compras precisava de manteiga e, como por ora já não se põe o caso de lá ir semanalmente, resolvi trazer logo quatro pacotes porque manteiga é um daqueles artigos que não dá jeito nenhum comprar ao redor do estaminé, uma vez que derrete rapidamente e, uma vez levada de volta ao frigorífico, nunca mais apresenta a mesma textura. E trouxe os tais quatro pacotes, só que daquela sem sal. Não faz mal nenhum, já sei, come-se na mesma e mais não sei o quê, ademais uso-a nos bolos, pois claro, é aliás um dos meus costumes antigos, mas pronto, no pão, a manteiga com sal é outra finura, outro prazer. Com tudo isto e por tanto disto, amanhã vou ter que comprar manteiga da de pôr no pão. É. Logo quatro pacotes. Se calhar trago mas é seis. Ou sete.

Um domingo não é assim tão diferente de um sábado, o que muda muito, e obviamente de mim falo, é o sentimento, já que é o último dia de descanso e não o primeiro. Um domingo comum contém então limpeza da casa, roupas e louças a lavar e o fazer da sopa, quando ao entardecer. Há também dedicação a um certo descanso. Escrevo no blogue e, se raramente é pouco o que escrevo, ontem é um bom exemplo disso. Às vezes a família vem cá almoçar ou jantar, ontem veio, o que fez desse domingo um dos bons.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

14 de Junho de 2021

Daqui por uma semana chega o Verão e o Solstício que lhe pertence. Têm portanto os dias mais esse período para lhes crescer o tempo de luz. Daí em diante desce a luz nos dias e, se ao início mal se nota, ao meio é a pique. Nunca fui tanto da escuridão como agora. Noto também que permito desculpar-me por ser assim. Assim, ou de outra maneira qualquer, tanto faz, afinal alguma coisa tenho que ser. Sou eu, a Gina.

Agradecida pela célere resposta. No seguimento contactarei o cliente e mediante o seu desígnio assim actuarei.

(pá, não há nada melhor do que escrever pela parte de fora)

Sonho

Sonhei que estava desesperada com o número de horas que tinha para viver durante o dia porque não dormia de noite, procurava tarefas em número suficiente para me manter ocupada durante o maior espaço de tempo possível, dia e noite e dia e noite. Era demasiado tempo para viver acordada e ocupada, o que eu precisava mesmo era de dormir.

Dimanche

Um domingo não é assim tão diferente de um sábado, o que muda muito, e obviamente de mim falo, é o sentimento, já que é o último dia de descanso e não o primeiro. Um domingo comum contém então limpeza da casa, roupas e louças a lavar e o fazer da sopa, quando ao entardecer. Há também dedicação a um certo descanso. Escrevo no blogue e, se raramente é pouco o que escrevo, ontem é um bom exemplo disso. Às vezes a família vem cá almoçar ou jantar, ontem veio, o que fez desse domingo um dos bons.

domingo, 13 de junho de 2021

oh, les chiens!

Ah, Coco era leur chien que desaparecera, e ela incansável, procurando o bicho, cantando 'qui qu' a vu Coco', ah. Gabrielle Chanel apontava o número 5 como sendo o da sorte. E foi. Hum. Parece a mim, que nada sei, óbvio.

Do título deste post desce republicação. Lembrei-me. Foi assim, ó:

Para sempre recordadrei le chien de Seissan. Não cheguei a perguntar-lhe o nome, por saber de antemão que mo não diria. Não cheguei a perguntar à dona porque não. A dada altura ela desculpou-se com um 'oh, il passe partout!' e eu percebi que estava a chamá-lo de Barto (Bárretô), só que não. Em França les chiens andam livremente pelos espaços comerciais, mesmo os relacionados com a hotelaria, agora se a legislação permite ou não, hum. Mas este cãozinho era vraiment amistoso. Lembro-me dele a rondar a mesa onde jantei, esperançado de lhe ser oferecido algum pedacinho. Disto ou daquilo.

Este item é que já não sei onde foi vivido. Eu tinha entrado numa recepção para apreçar a estadia e enquanto falava com a senhora dois cães assim para o grandinho mostraram jeitos de não me quererem por perto. 'Oh, les chiens!', exclamou a senhora. A piada que teve foi o tom de voz ser de ralhete. Sei lá, talvez assuma automaticamente que a frase oh les chiens seja algo fofinho para se dizer aos bichinhos. Só.

E a minha casa, será que tem fita métrica?

Sim! Várias. Das do tipo para a ferrugem e das dos trapos. Das do primeiro grupo não sei quantas tenho, mas seguramente mais do que uma, afinal este é um lar de ferrageiros, e das dos trapos tenho duas. Ou três. Fui certificar-me, são três, são.
Uma vem dentro de uma rodinha que a suga logo que calco o botão para tal. Quando a quero usar puxo, simplesmente. No fundo é igual às da ferrugem mas em fofa. E alva, para credibilizar fofura. E redonda, que credibiliza algo, sei lá o quê. Fofura, pronto.
Uma vinha dentro de uma rodinha que, se não era igual igual igual à que descrevo acima, então distava bem pouco dessa aparência. Um dia, a mola puxadora - ou sugadora – brecou, cortei a amarra que tinha com a carapaça – leia-se rodinha - e passei a usá-la assim. Toda de fora, quero eu dizer.
Uma é herança da minha sogra. Ou espólio. Legado, também fica bem dizer. Andava lá por casa aos rebolões e o Luís trouxe-a. É daquelas mesmo mesmo mesmo à costureira, a cada dez centímetros muda a cor, frente e verso sem saberem qual é qual, pois que num lado de uma extremidade está o 1 e no verso dessa mesma extremidade está o 150. Jogo-me à outra ponta e dá no mesmo.
E pronto, são três, as fitas métricas feitas a pensar nos trapos.

(porque a pessoa é que manda nisto tudo)

pode-se tirar a pessoa do não-sei-quê mas não se pode tirar o não-sei-quê da pessoa

Não há mata-borrão.

Em tudo é para ser nem sempre nem nunca. Está bom de ver que à partida já há borradela. Hum-hum, no 'tudo'. E não há mata-borrão.

Surpresa

Vi num vídeo alguém dizer que em mudando a estação, muda a decoração da casa. Não numa de consumismo, mas assim como eu, vá, que mudo a roupa de sítio – se vem o Verão ponho no roupeiro a roupa dessa estação, quando já antes hei retirado de lá a de Inverno. No fundo no fundo faço uma troca, como, aliás, faz um grupo imenso de terrestres. Mas esta pessoa troca cortinados, coberturas de sofá (e de cama, mas esta não é assim muito estranha, sempre fiz isso, daí o registo no meio de parênteses), tapetes, almofadas e, até, peças decorativas. Expõe uns, arrecada outros. Como eu faço com as minhas roupas. Diz a pessoa que há coisas e cores que lhe conseguem inspiração e promovem harmonia se em determinada estação. Presumo que, agindo assim, se sinta uma brisa limpadora percorrendo toda a casa, lá isso. Mesmo que a nova estação seja o Inverno, sim sim.

O copo que, ainda assim, é bonito.

Comprei dois copos de pé com o propósito de os usar para o sumo de laranja. Na prateleira havia em azul mas escolhi o âmbar porque me pareceu que a laranja obteria maior destaque se em conjunto com a purpurina do que com o cobalto. Quando ensaiei a junção de cores, imediatamente antes de beber o primeiríssimo sumo de laranja por aquele copo, mudei de opinião. Gosto de mudar de opinião mas também não. Gosto porque acalmo o desassossego que brota perante as dúvidas. Não gosto porque me fico por tola e a par com o desnorte, e o desnorte é aquela sensação de não saber porra nenhuma, afinal. Mas os copos são bonitos na mesma. Gosto de todos os copos. Não gosto de copos de plástico. Por vezes vejo uns que ao longe parecem de vidro, quase sacavenenses, mas, se lhes chego e lhes pego, sinto ali um passou-bem mal apertado, um daqueles indesejados e que a pandemia erradicou, por assim dizer. Que não se desdenhe do mal, afinal. Por ora também já toda a gente sabe que. E aprendeu a. Qualquer dia deixamos de. Ou em. Mas os meus copos. Lamento não ter escolhido trazer os meio que azulados. Oh.

Vila Nicolau

A ti Leonarda foi morar para a casa onde vivi até aos seis anos. Não sei onde morava antes mas a casa que deixávamos deve ter-lhe calhado bem, afinal a Vila Nicolau era dela, assim ficava no que era seu. A minha vida tem dois marcos ocorridos pela mesma altura, a mudança de morada e a entrada na escola. Por coincidência, dez anos depois fui trabalhar numa pequena fábrica de costura que ficava num barracão junto às traseiras da Vila. O terreno onde estava o barracão era também pertença da ti Leonarda, que alugava o barracão à dona Ermelinda, a minha patroa. De vez em quando a ti Leonarda acedia ao barracão para cumprimentar a inquilina e as súbditas, às vezes até ficava a ajudar, cortando pontas ou cosendo botões. Perguntava sempre pelos meus pais e pelo meu irmão, não só por cordialidade mas porque gostava de nós. Lembro que se vestia sempre de preto porque entretanto enviuvara, tinha uma voz grave e uns lábios grossos. Usava lenço...? Vejo-a de lenço preto a cobrir a cabeça mas posso estar a confundir com as minhas avós, que essas sim, sempre as conheci enlutadas até mais não. Um dia adentrei a casa da ti Leonarda e estaquei, admirada com o tamanho da sala onde dei os primeiros passos. Mas que coisa mais minorca... Caraças. Nunca mais me esqueci disto. A ti Leonarda fez logo este mesmíssimo reparo, claro, mas eu, na altura tão jovem, nunca me havia passado pela cabeça que esta diferença fosse acontecer. Foi tal que nunca mais esqueci.

9924

o croqui que eu acabara de compor quando soube que a minha mãe morrera

sábado, 12 de junho de 2021

Coordenadas


Acima está uma foto que tirei porque gostei que as porcas tivessem impressas as letras CP, de Comboios de Portugal. São portanto porcas personalizadas. Gostei daquilo e captei. Gostei daquilo e não só, gosto de fotografar o chão. Gosto de pedras, folhas, terra, flores, calçada e, obviamente, linhas de comboio. São coisas de chão, rasteiras, algo pobres, não na existência ou na poesia, mas estão lá em baixo e são para pisar, essa poesia é feia. Por vezes coíbo-me de olhar para o chão, olhar para baixo é prisão, dormitório, nuvem, frio. Olhar para cima é avançar e tropeçar, avançar é sempre avançar e tropeçar não é cair. Antes para cima, antes antes. Tirei outras fotos, que fui colocando no blogue. Sobrou esta. Hoje fui dar com ela na memória do telefone: é de 22 de Maio, o último dia que vi a minha mãe. Abaixo está um print do ponto exacto onde se encontram as ditas porcas, disponibilizo as coordenadas do mapa: 38,020, - 7,800, quem sabe alguém as queira visitar e assim já pode lá ir.


mnemonizar

À conta de sei lá eu, já mal malembra, descobri uma palavra mui linda, tanto no seu significado como na construção – desde quando um éne logo seguido de um éme...?! Mas, mas, mas. Portanto: mnemonizar significa que é fácil de reter na memória. Ah, quão faltosa de mais itens com esta característica estou...

- e muita, muita louça.

Tenho (portanto) lavado a louça manualmente - e muita, muita louça. A máquina que me aliviará desse tormento já está encomendada, chegará ao lar, por essa altura faustoso, dentro de cinco dias.

Hum...?

A minha cadela não percebe quando digo 'linda da dona' nem 'ai que cão mais fofo que aqui está'. Está tudo nos conformes, afinal humano nenhum entenderia patavina disto dito assim. Singulares opiniões, estas, afinal.

O meu pai

Quando em conversa telefónica, que falta me fez perguntar ao meu pai pela minha mãe, que corte bruto que isto é. Porra. Mesmo.

me, a plant lady

Tenho outra planta que trep as flais, só não garanto a sua eficácia porque chegou recentemente. Esta, em vez de bocas, tem copos parecidos aos de champanhe, mas ainda não percebi se lá dentro permanece um líquido ou liberta um odor. Se um, se outro, tanto faz, o certo é que terá que ter um poder atractivo para que lá pouse o mosquedo e. Esta, oh pobre, tem de nome Carnivorous Plant. Acho simplório, planta carnívora parece-me um grupo, não um nome, mas pronto. Entretanto, mas não por isso, pus nomes nas minhas plantas, não para as distinguir, antes para enaltecer as suas existências. A que purifica o ar e da qual (ainda) desconheço a espécie, é a Rosária, o nome da minha mãe, a primeira carnívora, as das bocas, é a Chica Júlia, o nome da minha avó materna e, por último, a segunda carnívora é a Mariana, o nome da minha avó paterna.

A minha mãe

Encarei o meu irmão e senti-nos iguais - se a mãe é a mesma, igual é a perda.
Talvez duas frases resumam o que senti:
fomos manos
outra vez

quinta-feira, 10 de junho de 2021

A minha mãe

A minha mãe dava-me à boca bocadinhos de pão com toucinho à boa maneira alentejana.

A minha mãe atava o meu carapuço quando estava frio.

A minha mãe fazia-me roupas giras e modernas.

A minha mãe não deixava que predominasse o seu gosto pessoal nas minhas escolhas.

A minha mãe não dizia que vinha aí o homem do saco quando me portava mal.

A minha mãe ia ver as festas da minha Escola porque eu participava nelas.

A minha mãe seguiu à risca, quando o dinheiro não abundava, uma dieta especial que o médico prescreveu quando tive anemia.

A minha mãe fez a minha bata para eu usar na Escola.

A minha mãe ralhava comigo quando eu arrastava os pés no chão e fazia uma nuvem de pó.

A minha mãe comprou-me um guarda-chuva amarelo.

A minha mãe comprava morangos assim que eles apareciam só porque eu gostava muito.

A minha mãe fazia-me um penteado aos canudinhos.

A minha mãe levava-me a visitar a minha avó ainda que estivesse de relações cortadas com ela.

A minha mãe ralhava quando me empoleirava nos portões e nos muros.

A minha mãe não deixou de me levar à Escola enquanto não lhe pareceu que eu estava preparada para ir sozinha.

A minha mãe não me deixava brincar ao sol.

A minha mãe dava-me os restos dos tecidos para eu fazer roupinhas para as minhas bonecas.

Em Julho de 2007 escrevi o que está acima, hoje escrevo 'a minha mãe morreu'.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Pois pois que não.

A senhora ouviu-me falar e perguntou-me se eu estava a falar sozinha, não indo nem por sombras buscar aquela benesse de 'ah, estava a falar comigo...?' Pois pois que não. De momento tenho a minha dignidade numa poça de água. Pequenina, claro. E suja, também.

Sonho

Sonhei que ia comprar lâmpadas ao vizinho, que não vende lâmpadas, olarila, e que tinha o estaminé dele às escuras. Eu é que vendo lâmpadas e ele tinha o estaminé (dele, repito) às escuras. Não sei por que caso ou figura me desceu este sonho, mas lá que é giro pra caraças, é. Entretanto, pá, ele vendeu-me as lâmpadas, só que eram assim a modos que montadas num rendilhado e, ainda por cima, não iluminavam porra nenhuma. Ficámos os dois às escuras, portanto.

Para aí uns

O meu colega baixou o balcão para aí uns quinze centímetros. De maneiras que, cada vez que o ladeio, sinto que alteei sem eu deixar de ser eu. Coisa boa, esta.

Lisboa, Lisboa

Subo a rua pelo alcatrão, rejeitando as calçadas. Só tomo consciência desta decisão quando percebo que a estreiteza das calçadas me apoquenta, ou o afunilamento, vá. As escapatórias que a mente encontra são imensas, lá isso, no fundo no fundo são decisões que tomo sem consciência. Rumos, se calhar é antes assim.

Lisboa, Lisboa

Do cimo do monte onde está o latim avisto um vale e outro monte (são portanto dois montes, são precisos dois montes para que um vale o seja). O lado de lá do segundo monte é que já não avisto dali, mas, como conheço, sei que há uma descida até ao rio, que ao início é ligeira e que ao depois acentua. Pus-me a ver se conseguia imaginar a cidade em montes, isto é: sem ruas, prédios e parques. No tempo da Lisboa em estado bruto, depois do segundo monte que aparece neste post talvez se avistasse logo o rio. Este vislumbre ainda consegui contruir (leia-se inventar) cá por dentro, mas depois disto não fui capaz de formular mais nada.

Toca o alarme

A vizinha Gislena agasta-se com os transeuntes sem máscara cirúrgica, considera a percentagem alarmante.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Vermelho

De jantar: salada de tomate. A cebola é que destoava.

Isto são horas

O relógio da torre marcava as onze e trinta e dois. Se calhar só o ponteiro das horas é que mexe.

a caneta roxa morreu no caderno do momento

#semfiltro2021

Lisboa, Lisboa

Vermelhos

De pequeno-almoço: chá de hibisco, pão de beterraba, compota de framboesa.

domingo, 6 de junho de 2021

Entulho. Gosto deste lugar, gosto.

Anexo

A casa da minha tia Diná tinha um anexo com uma cozinha alentejana que ela mandara fazer, embora já não morasse no Alentejo. Quando o meu primo morreu o anexo era bem recente e, como desde aí já pouco mais a vi, cá na minha memória o anexo está associado morte do meu primo. Também contenho na memória imagens do anexo, mas esbatidas, sei que tinha a chaminé mas não sei se se chegou a acender o lume. Numa visita em particular, a primeira depois da tragédia, vi a minha tia em pé, junto à mesa, faca na mão, uma casca de batata descendo para o alguidar, no rosto uma expressão desgostosa e irritada. Sim, irritada. Sempre estranhei este sentimento, parece que não combina com o sentimento de quem lhe morreu um filho, mas quem sou eu para saber destas coisas, ora essa. Mas sempre me fez espécie aquela irritação. E às vezes lembro-me. E agora calhou de escrever.
Antes desta desgraça ter acontecido, a minha tia tinha uma inquilina bem reinadia, contava anedotas aos pares e aos trios de cada vez, galhofa por entre e tal e tal, já que eram picantes. Essa inquilina vivia no sótão que era, a bem dizer, uma casa, mas em casinha, como há que admitir, afinal um sótão é feito de sobras e ali não era diferente. Lembro-me da escadaria para lhe aceder, ficava por fora da casa, via-se-lhe o tamanho, e era assim a modos que infinita. Esta inquilina frequentava a casa da minha tia, e tenho para mim que era sem pudor, ia lá ver a telenovela e ficava para o serão. E pronto, agora calhou de escrever isto.

Cheiro

Há dias senti no ar um cheiro igual ao da lixeira ardendo, de quando por estas bandas havia uma lixeira permanentemente acesa. Cheguei a ver os véus de fumo, de longe, precisamente porque era perigosamente perto, ou demasiado acessível. Não me lembro que circunstâncias fizeram com que eu visse os fumos, algum deslize furtivo...? Hum... Mas pronto, a vida já não acontece assim. Dantes também havia no ar o cheiro expelido pela fábrica de sebo. Era mau que eu sei lá, bem pior do que o da lixeira. Ambos os aromas que trago a este post apareciam no ar por conta da direção do vento, havia até quem soubesse que vindo dali (sei lá, noroeste...? [brincadeira]) viria o cheiro. Um ou outro.

verbos a fazerem-se de dos do futuro:

os subtis:
predizer; pressentir; prever
os comuns:
augurar; pressagiar; premeditar
os certeiros:
antever; antecipar

nota: estou encantada com o título
(e não ironizo, ora essa, é sério)

bués

o fazer de conta faz adivinhar inteligência aos bués
o fazer de conta permanecendo por descobrir é que não

Já limpei o pó ao bidé.

sábado, 5 de junho de 2021

, lá isso.

Eu sou aquela que consegue sair de casa sem que alguém perceba.
Tem uma certa piada, lá isso.

Curvas em linhas

O campo que todos os anos se põe vestido de flores amarelas e lilases já deixou ver que este ano, incrivelmente e para meu desgosto, jamais assim se vestirá. Raparam tudo. Fizeram foi curvas. Ou seja: avisto ervas cortadas em forma de linhas. Contei-as, são seis. Contei as curvas, são três para cada linha de ervas cortadas. Não sei se alguém já viu linhas de ervas cortadas. Pá, eu. Posso até, após publicar este post, abalar daqui e assomar-me à janela para as ver outra vez. Pois está, o título está uma loucura, está.

Samedi

Há anos que os sábados são preenchidos com a ida ao supermercado. Au eva, de Novembro para cá e cá por coisas, as idas espaçaram, levando a que os sábados já não sejam todos começados da mesma maneira e até sinto alguma pena disso. Por outro lado sinto alívio por estar livre desta obrigação. Na verdade eu não gosto de ir ao supermercado. É. De resto, os sábados são dias de descanso, passados em casa, a fazer o bolo ou doce que escolho, a preparar refeições, a limpar a casa, ou então não, a escrever, a fotografar e gravar e editar. O sábado é, sim senhoras e senhores, o melhor dia da semana.

o texto abaixo, escrevi-o há dias, o acima, ontem

Amanhã tenho que ir ao supermercado e não me apetece. Já pus o despertador do telefone a jeito de tocar e tudo. Há algum tempo que sou tão mas tão privilegiada que acordo sem despertador, e a horas, claro, mas, como gosto de ir ao abrir das portas e não querendo de modo nenhum passar dessa hora, asseguro um despertar atempado se acionar um despertador. Às vezes, nestas idas ao supermercado, só quando lá entro me apercebo que não gosto mesmo nada de lá estar. Nem sempre esta tola questão é sofrida por antecipação. Não. Quero comprar morangos e cotonetes. Apresento estes dois itens por serem díspares. Também quero comprar cereais e pão e farinha e manteiga. Na última vez que me joguei às compras precisava de manteiga e, como por ora já não se põe o caso de lá ir semanalmente, resolvi trazer logo quatro pacotes porque manteiga é um daqueles artigos que não dá jeito nenhum comprar ao redor do estaminé, uma vez que derrete rapidamente e, uma vez levada de volta ao frigorífico, nunca mais apresenta a mesma textura. E trouxe os tais quatro pacotes, só que daquela sem sal. Não faz mal nenhum, já sei, come-se na mesma e mais não sei o quê, ademais uso-a nos bolos, pois claro, é aliás um dos meus costumes antigos, mas pronto, no pão, a manteiga com sal é outra finura, outro prazer. Com tudo isto e por tanto disto, amanhã vou ter que comprar manteiga da de pôr no pão. É. Logo quatro pacotes. Se calhar trago mas é seis. Ou sete.

Cara de parva

Vinha eu do passeio com a cadela, estreito caminho de tijolo miúdo e cinzento, vistosas papoilas a cada lado, de um desses lados a cerca metálica, do outro a ribanceira rebelde, bruta, espontânea, a meio dela a enorme pedra pigmentada de uma espécie de musgo, seco e amarelo, quando me lembrei que os filtros - aqueles filtros estúpidos que as aplicações têm e que põem as caras diferentes, mas um diferente em bom, em melhor - atenuam as imperfeições da pele, acentuam bochechas e olhos, aumentam lábios e pestanas mas não tiram o sentido do que se está dizer. Ou mesmo a ser. Não. A menos que se queira, claro, afinal quem vê ou ouve é que sabe o que quer retirar da informação advinda. Mas eu acho que a cara de parva com que estou na foto abaixo, não deixa de ser uma cara de parva, só que com filtro.

Comprinhas

Comprei duas peças de roupa em lojas diferentes. A primeira experimentei-a, curti a cena e comprei, já para experimentar a segunda havia uma fila com três pessoas e, as que já estavam fazendo uso dos provadores, estavam demoradas. Enquanto esperava ia ponderando levar a peça sem experimentar, afinal na loja há todo um rol de modelos, inclusive masculinos, o que alargava o espectro de reaproveitamento, podia o beneficiário da troca ser o Luís, e, ao cabo de algum tempo, optei por comprar sem experimentar. Cheguei a casa e logo que pude experimentei a segunda peça que... Serviu e assentou bem e fiquei toda satisfeita. Por curiosidade enfiei novamente a primeira peça, que é aliás coisa que faço habitualmente, em casa eu sou mais eu, estou livre de um certo tipo de embaraço e até de filtros, contudo, eis que... Não gosto da peça. Serve, sim senhoras e senhores, mas não assenta bem. Afinal não. Este episódio lembrou-me de um outro que se pode ler aqui.

9889

Eis mais capicuas no blogue, esta é a 9889, ó pá tóin xiru!, daqui por 111 posts vai haver uma festa da porra! Bom, então, para tornar este um post como outro qualquer, anuncio que tenho a máquina da louça avariada, o que me aborrece pra caraças, pois, gostasse eu de lavar louça e este seria um acontecimento tão festivo como ter atingido uma capicua rente à dezena de milhar no número de posts. Pá, só que não. Modo de ocntornar... ai perdão, contornar a questão: pendurar o telefone num gancho do varão que está junto ao lava-louça e visionar alguns vídeos. Sou tão feliz, afinal.

Almost a plant lady, moi même.

Estou feita uma plant lady não tarda, duas plantas já cá cantam e espero mais duas. Vou duplicar a espécie venus flytrap porque trep mesmo muito bem as flais e portanto outra divisão da casa se verá livre de cagadelas de mosca, e eu de as ver e, ou, de as limpar. Da outra de que falo não vou poder deixar registo da espécie porque já não tenho a etiqueta, sei é que purifica o ar. E agora deixo fotos destas minhas amadas verduras. Mas, antes, um lembrete: algum leitor interessado em adquirir semelhantes tais, deixe recado que sei bem de quem as comercializa e tem até um bonito jeito para atender.


nota: as plantas aparecidas nas fotos foram oferta do rico filho no Dia da Mãe

sexta-feira, 4 de junho de 2021

hoje revi meia dúzia de vídeos dos antigos

e meus

num comentei de vidas:
as árvores do cemitério estão vivas, o resto é que não
noutro inventei do sol:
pois que o sol se foi
é assim, ele muda de posição e deixa de incidir
e o melhor é procurá-lo se o quero sentir

Sonho

Sonhei com a casa de um cliente já antes visitada, só que desta vez encontrei seis cães, em vez de só um, que já conhecia de outras visitas. Um desses seis cães era uma cadela e chamava-se Ester. Pois, não sei porquê Ester. Ester, enquanto personagem bíblica, foi uma menina preparada sob toda uma série de rituais de beleza para se apresentar condignamente numa festa importante. Tive uma colega chamada Ester, com mais uns bons trinta anos do que eu. Ela já morreu, já. Era a cortadora lá no atelier de costura da dona Maria Eugénia. Outra defunta. Já agora fica: num atelier de costura, uma cortadora podia também ser chamada de senhora do corte. 
Fui pesquisar Ester, a personagem bíblica, não sou assim tão precisa nestes conhecimentos e poderia estar a fazer confusão com outra qualquer, mas não estava, e relembrei que Ester escondeu a sua identidade e a sua origem para se proteger, isto mediante instrução do tio, Mardoqueu. Da pesquisa retirei ainda que, supostamente, Ester deriva de Ista, que é estrela em grego, se bem percebi, e Ista fez-me lembrar star. Nota final: o ajudador nesta pesquisa amalucada foi o assaz descredibilizado sítio de seu nome Wikipédia. Nota final final: a página diz que em hebraico o nome Ester toma como sentido o «escondido». Hum. Nota final final final: já agora deixo o linkzinho de onde retirei uma boa metade deste post, quiçá a metade melhor e mais arranjadinha (como Ester, ah ah): clicar aqui

Dois ovos de dilatação

De almoço chegava um ovo mas pus dois na frigideira. Depois pu-los no estômago, que dilatou, claro.

Hoje é ponte

4 de junho de 2021

É Junho

Bom, é Junho, e Junho é o mês dos jacarandás. Ouros locais sei lá eu, mas Lisboa sei que se acende de lilás. Disse que sei lá mas sei, a foto abaixo não é de Lisboa. Está toda apaneleirada, bem sei, foi para fazê-la brilhar diferentemente.


 

A nespereira

Ao pé da nespereira (que vem despontando novamente) estava uma menina cuja mãe lhe tirava fotos. Enfim, esperas. Actualmente é corriqueiro as pessoas obterem retratos de todos os momentos, e até vários retratos de um só momento, mas aquele momento mãe e filha pareceu-me cheio de coisas à antiga, talvez pela pose da menina, composta, estudada, ela hirta, sorrindo, a mãe apontado o telemóvel, curvada, tentando apanhar o melhor ângulo. Este presente não é assim tão diferente do passado, ainda há dias especiais e os momentos ainda são irrepetíveis. Lembrei-me de um retrato que a minha mãe pediu ao meu irmão para tirar porque em sua opinião eu nesse dia tinha uma roupa nova. E estava bonita.


e cheia de vergonha... 😊😅😂




quinta-feira, 3 de junho de 2021

Lingers

Conservo as sete canetas dans ma valise. Não perfazem um peso que pese e a indecisão por quelle couleur escolher a perdurar como perdura...

Condiz. E é só. Queria fluência.

outro modo de dizer o mesmo que está no título
e que na verdade foi a primeira forma que encontrei

condiz em cores, que fluísse em cores queria eu

let the one you hold be the one you want

título: Bryan Adams



Rodelas de gesticular

O post anterior lembrou-me de um gesto que captei aqui há dias: vi o Zé do restaurante fazer, precisamente, uma rodela com os polegares e os indicadores e, não o bastante, empilhar esses quatro dedos. Deste gesticular do Zé até posso mandar o post para o ventoso porque por ali pode seguir vento, né, no fundo no fundo o Zé fez um túnel. Ah, e o gesto era para enfatizar umas batatas fritas às rodelas que acompanhariam a chicha. Batatas fritas às rodelas é coisa nada simplória e, por princípio, dispensava o ênfase, mas, no fim, não, porque é desse modo que obtive este post.

Rodela que rodava

No cabeleireiro a música provém do televisor. Notei que a estação era a Rádio comercial porque reconheci o símbolo e também achei piada à rodela que rodava sobre si, anunciando uma emissão cuidada e capaz. Vai em três, as visitas a este cabeleireiro e, so far, pois que so good naquilo de sair de lá com as mechas pouco molhadas. Dizer 'pouco molhadas' é contar a história pelo contrário, o que eu queira mesmo era sair de lá com as mechas muito molhadas. E, quando escrevi isso, hesitei por entre, isso, claro, e 'húmidas' e é esta a palavra mais concorde com o meu desejo.

Já experimentei a

Já experimentei a tarde de lima e coco. Não fiz com lima, mas limão, e, novamente em desafio destemido pra caraças, em vez de creme de coco mandei-me para leite de coco. Ocorreu-me que o limão não reagiria como a lima quando em contacto com o leite condensado de coco, então optei por acrescentar quatro folhas de gelatina. Não sei, ainda, se é bom, nem acredito que o seja porque cheira a sabão macaco, verei algures no tempo se também tem o sabor desse cheiro. Pode isso advir de o leite de coco não ser, afinal, creme. A base também não está conforme mas aí estou confortável porque fiz a base do 
(meu) costume. Pode, contudo, estar demasiado quebradiça e não se suster  no caminho que vai da colher de servir ao prato de sobremesa. E digo isto porque acontece algumas vezes. E digo isto porque é normal que assim aconteça uma vez que marimbo, quantas e quantas vezes, para as quantidades. Esta recita não constará no meu dossiê especial, publicado este post sigo com o recorte para o saco do papel para reciclar. Quem sabe alguma das pessoas que mexe neste lixo o encontre e também experimente a receita. Espero é que lhe calhe melhor. Aliás: espero que lhe calhe extremamente bem, uma coisa de ficar com o goto feliz. E em festa, já agora.

Hoje é feriado

3 de Junho de 2021

Companhia

De companhia, preciso de pouca, daí folgar que seja tão pouca.

a autoestima, alta ou baixa, sempre prepondera

ulha, agulha! ulha, trafulha!

ulha, agulha!
Em tempos fui costureira, já disse, tenho uma peça de vestuário para confecionar, já disse, o tecido está em cima da máquina de costura, já disse. Só não disse que ainda! está.
ulha, trafulha!
Não sou trafulha, no geralmente desta vida não sou. Tanto que, um dia, indo eu a uma entrevista, cuja ocupação profissional não me agradava, muito embora fosse obrigatório comparecer, logo que apanhei uma brecha revelei tudo à entrevistadora. Tudo. No meio da explicação dos meus motivos disse uma parolice qualquer e incrivelmente a senhora encontrou-lhe piada. Incrivelmente. Não nos demorámos mais, ela liberou-me logo ali. Logo. Como diz o povo, é bem melhor 'cair em graça do que ser engraçado'.

Lista de supermercado

A actual lista de supermercado contém itens com uma construção engraçada, daí o fica-bem-no-blogue e daí estar, então, no blogue. Precisamente, aqui.

Limas (para a tarte)
Queijo Ricota (para a lasanha)
Nescafés apaneleirados
Película (para vidros)
Detergente louça (para máquina, para mão)
Gel duche (tipo oleoso)
Protector solar (para rosto)

As (que disseram que são) gordas

Vai uma e diz à outra que tem um vestido muito bonito. Vai essa e diz à outra que é bom para tapar as misérias. Vai esta e diz à outra que não está assim tanto. Vai esta e diz à outra que está pois, que sabe é disfarçar. Vai esta e diz à outra que a gordura dela já não tem remédio senão à faca. Pensei em intitular este post como 'arrancar o mal pela raiz' ou então 'do verbo dizer'. Isso para além do título que, afinal, escolhi.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

3/3

Há dias, no lugar (que também pode ser) da musa, estavam três octogenários numa mesa, cada um dedicado a um jornal. Dois escolhiam palavras para caberem no jogo das palavras cruzadas e um corria os olhos pela notícia mais mais mais que encontrou. O trio pareceu-me deveras interessado, lá isso, mas não pareciam juntos, digo: um trio. Engraçado que a vida tende ao isolamento, não forçado, não planeado, mas há uma força que empurra e, ou, puxa para aí.

Há pó a sair da janela. Lixadoras nas paredes e tal e tal. Dantes via-se o vento que estava, se muito, mais ou menos, se pouco, pelo adejar da velha cortina, que alindava, por assim dizer, a velha janela. Aqui há dias homens da obra retiraram todas estas maravilhosas peças de arte antiga – banzé! chinfrim! orquestra! é escolher... – e colocaram uma peça moderna. Somente moderna, não arranja mais nhó nhó nhó porque a estadia é ainda curta. Há coisa que precisam de um certo tempo para que lhes retire apuramento. Que pode ser um qualquer, não sou esquisita com os apuramentos, mas preciso de tempo, lá isso. E há pó a sair da janela porque andam a lixar as paredes... pois, já tinha dito, mas não tinha dito que o pó sai porque a janela tem estado escancarada.

Lilás

«A cidade acende-se de lilás», foi o pensamento que tive há dias. Foi no mesmo dia em que percebi, finalmente, que o comboio vai vazio porque vai «sem serviço», que é o que diz o letreiro. Vejo sempre um comboio passar porque chego ali sempre à mesma hora. O cercado anuncia, também já percebi, porque se põe num estertor fininho e que não quer dar a conhecer, é uma coisa pequenina, mas eu noto, de silencioso que está o mundo a essa hora. A cidade é Lisboa e o lilás é dos jacarandás.

escrevi* erradamente, tanto rebolei na mente e afinal não chegou a ocorrer-me o mais acertado → 'verbos errados'

*...

Falei em espelho mas até nem é bem bem bem um espelho, pois que, espelho, é assim, ó:

*...

Pneus*

Já ocorreu a troca de *sapatas no meu automóvel de matrícula portuguesa. A bem dizer até já se passaram semanas, só que fui adiando a verdadeira demanda que é, como é consabido blogosfera afora, esta troca, digo aquilo de nas relações com a oficina eu servir para levar e trazer e tal e tal. Contudo, desta vez foi diferente, e muito, porque a bólide do rico filho também estava precisada de sapatas novas, de maneiras que a estadia do meu automóvel dobrou o número de dias fora do meu lugar de estacionamento predilecto porque, neste entremeio, o rico filho, ao deixar a sua bólide para tratamento, levou o meu automóvel, já tratadinho, e, chegada a hora de recolher a sua bólide, deixou o meu automóvel, o qual, na sequência, eu levaria, então, para o lugar de estacionamento, que já anteriormente referi como sendo o meu predilecto. Pronto, isto passou-se e, depois, percebi os pertences que o rico filho deixara na consola - os óculos escuros e uma peça que segura os elásticos das máscaras. Entretanto deixo nas malhas da blogosfera mais um costume, e até uma repetição, o estilo musical que o autorrádio emite quando rodo a chave – rap. Desta vez deixei estar e segui a ouvir. Quando ouvi umas das que mais gostei, fixei o número que apareceu no ecrã e, quando pude, fiz ok Google. Eis o que disse o pesquisador mais inteligente do mundo:

Dezoitos

Encontrei a dona Genoveva na avenida - ah...! a sério?! nada ocmum... ai perdão, comum, né? (é comum que se farta, 'migos) - que comentou o ar de menina de dezoito anos que (lhe) aparento. Depois de ela reflectir sobre a própria afirmação acrescentou que seja lá como for tenho os dezoito. Concordei enquanto fazia as contas de quantos dezoitos tenho de vida - daqui por treze meses completarei três dezoitos.

terça-feira, 1 de junho de 2021

em fotos, se pessoas, então crianças

são os ricos filhos – duas crianças, quatro expressões

hoje é Dia Mundial da Criança, e não era preciso dizerem na Rádio
na minha memória factual (contudo: incerta) a rica filha tinha sete anos e o rico filho quatro
são portanto fotos acontecidas há mais de duas décadas
como são, ainda, as crianças mais importantes do mundo, pu-las aqui
e não é vez primeira, que é lá isso

Sonho

Sonhei que uma menina se escondia deliberadamente de mim. Porém não muito bem sucedida, se afinal eu a via escondendo-se. Acordada percebo que aquela menina sou eu, mas no sonho a menina era outra.

A janela

👀

primeiro dia do sexto mês, hoje

e pumba, um quinto do primeiro semestre de dois mil e vinte e um já foi cu caraças