A minha mãe dava-me à boca bocadinhos de pão com toucinho à boa maneira alentejana.
A minha mãe atava o meu carapuço quando estava frio.
A minha mãe fazia-me roupas giras e modernas.
A minha mãe não deixava que predominasse o seu gosto pessoal nas minhas escolhas.
A minha mãe não dizia que vinha aí o homem do saco quando me portava mal.
A minha mãe ia ver as festas da minha Escola porque eu participava nelas.
A minha mãe seguiu à risca, quando o dinheiro não abundava, uma dieta especial que o médico prescreveu quando tive anemia.
A minha mãe fez a minha bata para eu usar na Escola.
A minha mãe ralhava comigo quando eu arrastava os pés no chão e fazia uma nuvem de pó.
A minha mãe comprou-me um guarda-chuva amarelo.
A minha mãe comprava morangos assim que eles apareciam só porque eu gostava muito.
A minha mãe fazia-me um penteado aos canudinhos.
A minha mãe levava-me a visitar a minha avó ainda que estivesse de relações cortadas com ela.
A minha mãe ralhava quando me empoleirava nos portões e nos muros.
A minha mãe não deixou de me levar à Escola enquanto não lhe pareceu que eu estava preparada para ir sozinha.
A minha mãe não me deixava brincar ao sol.
A minha mãe dava-me os restos dos tecidos para eu fazer roupinhas para as minhas bonecas.
Em Julho de 2007 escrevi o que está acima, hoje escrevo 'a minha mãe morreu'.


































