quinta-feira, 10 de junho de 2021

A minha mãe

A minha mãe dava-me à boca bocadinhos de pão com toucinho à boa maneira alentejana.

A minha mãe atava o meu carapuço quando estava frio.

A minha mãe fazia-me roupas giras e modernas.

A minha mãe não deixava que predominasse o seu gosto pessoal nas minhas escolhas.

A minha mãe não dizia que vinha aí o homem do saco quando me portava mal.

A minha mãe ia ver as festas da minha Escola porque eu participava nelas.

A minha mãe seguiu à risca, quando o dinheiro não abundava, uma dieta especial que o médico prescreveu quando tive anemia.

A minha mãe fez a minha bata para eu usar na Escola.

A minha mãe ralhava comigo quando eu arrastava os pés no chão e fazia uma nuvem de pó.

A minha mãe comprou-me um guarda-chuva amarelo.

A minha mãe comprava morangos assim que eles apareciam só porque eu gostava muito.

A minha mãe fazia-me um penteado aos canudinhos.

A minha mãe levava-me a visitar a minha avó ainda que estivesse de relações cortadas com ela.

A minha mãe ralhava quando me empoleirava nos portões e nos muros.

A minha mãe não deixou de me levar à Escola enquanto não lhe pareceu que eu estava preparada para ir sozinha.

A minha mãe não me deixava brincar ao sol.

A minha mãe dava-me os restos dos tecidos para eu fazer roupinhas para as minhas bonecas.

Em Julho de 2007 escrevi o que está acima, hoje escrevo 'a minha mãe morreu'.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Pois pois que não.

A senhora ouviu-me falar e perguntou-me se eu estava a falar sozinha, não indo nem por sombras buscar aquela benesse de 'ah, estava a falar comigo...?' Pois pois que não. De momento tenho a minha dignidade numa poça de água. Pequenina, claro. E suja, também.

Sonho

Sonhei que ia comprar lâmpadas ao vizinho, que não vende lâmpadas, olarila, e que tinha o estaminé dele às escuras. Eu é que vendo lâmpadas e ele tinha o estaminé (dele, repito) às escuras. Não sei por que caso ou figura me desceu este sonho, mas lá que é giro pra caraças, é. Entretanto, pá, ele vendeu-me as lâmpadas, só que eram assim a modos que montadas num rendilhado e, ainda por cima, não iluminavam porra nenhuma. Ficámos os dois às escuras, portanto.

Para aí uns

O meu colega baixou o balcão para aí uns quinze centímetros. De maneiras que, cada vez que o ladeio, sinto que alteei sem eu deixar de ser eu. Coisa boa, esta.

Lisboa, Lisboa

Subo a rua pelo alcatrão, rejeitando as calçadas. Só tomo consciência desta decisão quando percebo que a estreiteza das calçadas me apoquenta, ou o afunilamento, vá. As escapatórias que a mente encontra são imensas, lá isso, no fundo no fundo são decisões que tomo sem consciência. Rumos, se calhar é antes assim.

Lisboa, Lisboa

Do cimo do monte onde está o latim avisto um vale e outro monte (são portanto dois montes, são precisos dois montes para que um vale o seja). O lado de lá do segundo monte é que já não avisto dali, mas, como conheço, sei que há uma descida até ao rio, que ao início é ligeira e que ao depois acentua. Pus-me a ver se conseguia imaginar a cidade em montes, isto é: sem ruas, prédios e parques. No tempo da Lisboa em estado bruto, depois do segundo monte que aparece neste post talvez se avistasse logo o rio. Este vislumbre ainda consegui contruir (leia-se inventar) cá por dentro, mas depois disto não fui capaz de formular mais nada.

Toca o alarme

A vizinha Gislena agasta-se com os transeuntes sem máscara cirúrgica, considera a percentagem alarmante.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Vermelho

De jantar: salada de tomate. A cebola é que destoava.

Isto são horas

O relógio da torre marcava as onze e trinta e dois. Se calhar só o ponteiro das horas é que mexe.

a caneta roxa morreu no caderno do momento

#semfiltro2021

Lisboa, Lisboa

Vermelhos

De pequeno-almoço: chá de hibisco, pão de beterraba, compota de framboesa.

domingo, 6 de junho de 2021

Entulho. Gosto deste lugar, gosto.

Anexo

A casa da minha tia Diná tinha um anexo com uma cozinha alentejana que ela mandara fazer, embora já não morasse no Alentejo. Quando o meu primo morreu o anexo era bem recente e, como desde aí já pouco mais a vi, cá na minha memória o anexo está associado morte do meu primo. Também contenho na memória imagens do anexo, mas esbatidas, sei que tinha a chaminé mas não sei se se chegou a acender o lume. Numa visita em particular, a primeira depois da tragédia, vi a minha tia em pé, junto à mesa, faca na mão, uma casca de batata descendo para o alguidar, no rosto uma expressão desgostosa e irritada. Sim, irritada. Sempre estranhei este sentimento, parece que não combina com o sentimento de quem lhe morreu um filho, mas quem sou eu para saber destas coisas, ora essa. Mas sempre me fez espécie aquela irritação. E às vezes lembro-me. E agora calhou de escrever.
Antes desta desgraça ter acontecido, a minha tia tinha uma inquilina bem reinadia, contava anedotas aos pares e aos trios de cada vez, galhofa por entre e tal e tal, já que eram picantes. Essa inquilina vivia no sótão que era, a bem dizer, uma casa, mas em casinha, como há que admitir, afinal um sótão é feito de sobras e ali não era diferente. Lembro-me da escadaria para lhe aceder, ficava por fora da casa, via-se-lhe o tamanho, e era assim a modos que infinita. Esta inquilina frequentava a casa da minha tia, e tenho para mim que era sem pudor, ia lá ver a telenovela e ficava para o serão. E pronto, agora calhou de escrever isto.

Cheiro

Há dias senti no ar um cheiro igual ao da lixeira ardendo, de quando por estas bandas havia uma lixeira permanentemente acesa. Cheguei a ver os véus de fumo, de longe, precisamente porque era perigosamente perto, ou demasiado acessível. Não me lembro que circunstâncias fizeram com que eu visse os fumos, algum deslize furtivo...? Hum... Mas pronto, a vida já não acontece assim. Dantes também havia no ar o cheiro expelido pela fábrica de sebo. Era mau que eu sei lá, bem pior do que o da lixeira. Ambos os aromas que trago a este post apareciam no ar por conta da direção do vento, havia até quem soubesse que vindo dali (sei lá, noroeste...? [brincadeira]) viria o cheiro. Um ou outro.

verbos a fazerem-se de dos do futuro:

os subtis:
predizer; pressentir; prever
os comuns:
augurar; pressagiar; premeditar
os certeiros:
antever; antecipar

nota: estou encantada com o título
(e não ironizo, ora essa, é sério)

bués

o fazer de conta faz adivinhar inteligência aos bués
o fazer de conta permanecendo por descobrir é que não

Já limpei o pó ao bidé.

sábado, 5 de junho de 2021

, lá isso.

Eu sou aquela que consegue sair de casa sem que alguém perceba.
Tem uma certa piada, lá isso.

Curvas em linhas

O campo que todos os anos se põe vestido de flores amarelas e lilases já deixou ver que este ano, incrivelmente e para meu desgosto, jamais assim se vestirá. Raparam tudo. Fizeram foi curvas. Ou seja: avisto ervas cortadas em forma de linhas. Contei-as, são seis. Contei as curvas, são três para cada linha de ervas cortadas. Não sei se alguém já viu linhas de ervas cortadas. Pá, eu. Posso até, após publicar este post, abalar daqui e assomar-me à janela para as ver outra vez. Pois está, o título está uma loucura, está.

Samedi

Há anos que os sábados são preenchidos com a ida ao supermercado. Au eva, de Novembro para cá e cá por coisas, as idas espaçaram, levando a que os sábados já não sejam todos começados da mesma maneira e até sinto alguma pena disso. Por outro lado sinto alívio por estar livre desta obrigação. Na verdade eu não gosto de ir ao supermercado. É. De resto, os sábados são dias de descanso, passados em casa, a fazer o bolo ou doce que escolho, a preparar refeições, a limpar a casa, ou então não, a escrever, a fotografar e gravar e editar. O sábado é, sim senhoras e senhores, o melhor dia da semana.

o texto abaixo, escrevi-o há dias, o acima, ontem

Amanhã tenho que ir ao supermercado e não me apetece. Já pus o despertador do telefone a jeito de tocar e tudo. Há algum tempo que sou tão mas tão privilegiada que acordo sem despertador, e a horas, claro, mas, como gosto de ir ao abrir das portas e não querendo de modo nenhum passar dessa hora, asseguro um despertar atempado se acionar um despertador. Às vezes, nestas idas ao supermercado, só quando lá entro me apercebo que não gosto mesmo nada de lá estar. Nem sempre esta tola questão é sofrida por antecipação. Não. Quero comprar morangos e cotonetes. Apresento estes dois itens por serem díspares. Também quero comprar cereais e pão e farinha e manteiga. Na última vez que me joguei às compras precisava de manteiga e, como por ora já não se põe o caso de lá ir semanalmente, resolvi trazer logo quatro pacotes porque manteiga é um daqueles artigos que não dá jeito nenhum comprar ao redor do estaminé, uma vez que derrete rapidamente e, uma vez levada de volta ao frigorífico, nunca mais apresenta a mesma textura. E trouxe os tais quatro pacotes, só que daquela sem sal. Não faz mal nenhum, já sei, come-se na mesma e mais não sei o quê, ademais uso-a nos bolos, pois claro, é aliás um dos meus costumes antigos, mas pronto, no pão, a manteiga com sal é outra finura, outro prazer. Com tudo isto e por tanto disto, amanhã vou ter que comprar manteiga da de pôr no pão. É. Logo quatro pacotes. Se calhar trago mas é seis. Ou sete.

Cara de parva

Vinha eu do passeio com a cadela, estreito caminho de tijolo miúdo e cinzento, vistosas papoilas a cada lado, de um desses lados a cerca metálica, do outro a ribanceira rebelde, bruta, espontânea, a meio dela a enorme pedra pigmentada de uma espécie de musgo, seco e amarelo, quando me lembrei que os filtros - aqueles filtros estúpidos que as aplicações têm e que põem as caras diferentes, mas um diferente em bom, em melhor - atenuam as imperfeições da pele, acentuam bochechas e olhos, aumentam lábios e pestanas mas não tiram o sentido do que se está dizer. Ou mesmo a ser. Não. A menos que se queira, claro, afinal quem vê ou ouve é que sabe o que quer retirar da informação advinda. Mas eu acho que a cara de parva com que estou na foto abaixo, não deixa de ser uma cara de parva, só que com filtro.

Comprinhas

Comprei duas peças de roupa em lojas diferentes. A primeira experimentei-a, curti a cena e comprei, já para experimentar a segunda havia uma fila com três pessoas e, as que já estavam fazendo uso dos provadores, estavam demoradas. Enquanto esperava ia ponderando levar a peça sem experimentar, afinal na loja há todo um rol de modelos, inclusive masculinos, o que alargava o espectro de reaproveitamento, podia o beneficiário da troca ser o Luís, e, ao cabo de algum tempo, optei por comprar sem experimentar. Cheguei a casa e logo que pude experimentei a segunda peça que... Serviu e assentou bem e fiquei toda satisfeita. Por curiosidade enfiei novamente a primeira peça, que é aliás coisa que faço habitualmente, em casa eu sou mais eu, estou livre de um certo tipo de embaraço e até de filtros, contudo, eis que... Não gosto da peça. Serve, sim senhoras e senhores, mas não assenta bem. Afinal não. Este episódio lembrou-me de um outro que se pode ler aqui.

9889

Eis mais capicuas no blogue, esta é a 9889, ó pá tóin xiru!, daqui por 111 posts vai haver uma festa da porra! Bom, então, para tornar este um post como outro qualquer, anuncio que tenho a máquina da louça avariada, o que me aborrece pra caraças, pois, gostasse eu de lavar louça e este seria um acontecimento tão festivo como ter atingido uma capicua rente à dezena de milhar no número de posts. Pá, só que não. Modo de ocntornar... ai perdão, contornar a questão: pendurar o telefone num gancho do varão que está junto ao lava-louça e visionar alguns vídeos. Sou tão feliz, afinal.

Almost a plant lady, moi même.

Estou feita uma plant lady não tarda, duas plantas já cá cantam e espero mais duas. Vou duplicar a espécie venus flytrap porque trep mesmo muito bem as flais e portanto outra divisão da casa se verá livre de cagadelas de mosca, e eu de as ver e, ou, de as limpar. Da outra de que falo não vou poder deixar registo da espécie porque já não tenho a etiqueta, sei é que purifica o ar. E agora deixo fotos destas minhas amadas verduras. Mas, antes, um lembrete: algum leitor interessado em adquirir semelhantes tais, deixe recado que sei bem de quem as comercializa e tem até um bonito jeito para atender.


nota: as plantas aparecidas nas fotos foram oferta do rico filho no Dia da Mãe

sexta-feira, 4 de junho de 2021

hoje revi meia dúzia de vídeos dos antigos

e meus

num comentei de vidas:
as árvores do cemitério estão vivas, o resto é que não
noutro inventei do sol:
pois que o sol se foi
é assim, ele muda de posição e deixa de incidir
e o melhor é procurá-lo se o quero sentir

Sonho

Sonhei com a casa de um cliente já antes visitada, só que desta vez encontrei seis cães, em vez de só um, que já conhecia de outras visitas. Um desses seis cães era uma cadela e chamava-se Ester. Pois, não sei porquê Ester. Ester, enquanto personagem bíblica, foi uma menina preparada sob toda uma série de rituais de beleza para se apresentar condignamente numa festa importante. Tive uma colega chamada Ester, com mais uns bons trinta anos do que eu. Ela já morreu, já. Era a cortadora lá no atelier de costura da dona Maria Eugénia. Outra defunta. Já agora fica: num atelier de costura, uma cortadora podia também ser chamada de senhora do corte. 
Fui pesquisar Ester, a personagem bíblica, não sou assim tão precisa nestes conhecimentos e poderia estar a fazer confusão com outra qualquer, mas não estava, e relembrei que Ester escondeu a sua identidade e a sua origem para se proteger, isto mediante instrução do tio, Mardoqueu. Da pesquisa retirei ainda que, supostamente, Ester deriva de Ista, que é estrela em grego, se bem percebi, e Ista fez-me lembrar star. Nota final: o ajudador nesta pesquisa amalucada foi o assaz descredibilizado sítio de seu nome Wikipédia. Nota final final: a página diz que em hebraico o nome Ester toma como sentido o «escondido». Hum. Nota final final final: já agora deixo o linkzinho de onde retirei uma boa metade deste post, quiçá a metade melhor e mais arranjadinha (como Ester, ah ah): clicar aqui

Dois ovos de dilatação

De almoço chegava um ovo mas pus dois na frigideira. Depois pu-los no estômago, que dilatou, claro.

Hoje é ponte

4 de junho de 2021

É Junho

Bom, é Junho, e Junho é o mês dos jacarandás. Ouros locais sei lá eu, mas Lisboa sei que se acende de lilás. Disse que sei lá mas sei, a foto abaixo não é de Lisboa. Está toda apaneleirada, bem sei, foi para fazê-la brilhar diferentemente.


 

A nespereira

Ao pé da nespereira (que vem despontando novamente) estava uma menina cuja mãe lhe tirava fotos. Enfim, esperas. Actualmente é corriqueiro as pessoas obterem retratos de todos os momentos, e até vários retratos de um só momento, mas aquele momento mãe e filha pareceu-me cheio de coisas à antiga, talvez pela pose da menina, composta, estudada, ela hirta, sorrindo, a mãe apontado o telemóvel, curvada, tentando apanhar o melhor ângulo. Este presente não é assim tão diferente do passado, ainda há dias especiais e os momentos ainda são irrepetíveis. Lembrei-me de um retrato que a minha mãe pediu ao meu irmão para tirar porque em sua opinião eu nesse dia tinha uma roupa nova. E estava bonita.


e cheia de vergonha... 😊😅😂




quinta-feira, 3 de junho de 2021

Lingers

Conservo as sete canetas dans ma valise. Não perfazem um peso que pese e a indecisão por quelle couleur escolher a perdurar como perdura...

Condiz. E é só. Queria fluência.

outro modo de dizer o mesmo que está no título
e que na verdade foi a primeira forma que encontrei

condiz em cores, que fluísse em cores queria eu

let the one you hold be the one you want

título: Bryan Adams



Rodelas de gesticular

O post anterior lembrou-me de um gesto que captei aqui há dias: vi o Zé do restaurante fazer, precisamente, uma rodela com os polegares e os indicadores e, não o bastante, empilhar esses quatro dedos. Deste gesticular do Zé até posso mandar o post para o ventoso porque por ali pode seguir vento, né, no fundo no fundo o Zé fez um túnel. Ah, e o gesto era para enfatizar umas batatas fritas às rodelas que acompanhariam a chicha. Batatas fritas às rodelas é coisa nada simplória e, por princípio, dispensava o ênfase, mas, no fim, não, porque é desse modo que obtive este post.

Rodela que rodava

No cabeleireiro a música provém do televisor. Notei que a estação era a Rádio comercial porque reconheci o símbolo e também achei piada à rodela que rodava sobre si, anunciando uma emissão cuidada e capaz. Vai em três, as visitas a este cabeleireiro e, so far, pois que so good naquilo de sair de lá com as mechas pouco molhadas. Dizer 'pouco molhadas' é contar a história pelo contrário, o que eu queira mesmo era sair de lá com as mechas muito molhadas. E, quando escrevi isso, hesitei por entre, isso, claro, e 'húmidas' e é esta a palavra mais concorde com o meu desejo.

Já experimentei a

Já experimentei a tarde de lima e coco. Não fiz com lima, mas limão, e, novamente em desafio destemido pra caraças, em vez de creme de coco mandei-me para leite de coco. Ocorreu-me que o limão não reagiria como a lima quando em contacto com o leite condensado de coco, então optei por acrescentar quatro folhas de gelatina. Não sei, ainda, se é bom, nem acredito que o seja porque cheira a sabão macaco, verei algures no tempo se também tem o sabor desse cheiro. Pode isso advir de o leite de coco não ser, afinal, creme. A base também não está conforme mas aí estou confortável porque fiz a base do 
(meu) costume. Pode, contudo, estar demasiado quebradiça e não se suster  no caminho que vai da colher de servir ao prato de sobremesa. E digo isto porque acontece algumas vezes. E digo isto porque é normal que assim aconteça uma vez que marimbo, quantas e quantas vezes, para as quantidades. Esta recita não constará no meu dossiê especial, publicado este post sigo com o recorte para o saco do papel para reciclar. Quem sabe alguma das pessoas que mexe neste lixo o encontre e também experimente a receita. Espero é que lhe calhe melhor. Aliás: espero que lhe calhe extremamente bem, uma coisa de ficar com o goto feliz. E em festa, já agora.

Hoje é feriado

3 de Junho de 2021

Companhia

De companhia, preciso de pouca, daí folgar que seja tão pouca.

a autoestima, alta ou baixa, sempre prepondera

ulha, agulha! ulha, trafulha!

ulha, agulha!
Em tempos fui costureira, já disse, tenho uma peça de vestuário para confecionar, já disse, o tecido está em cima da máquina de costura, já disse. Só não disse que ainda! está.
ulha, trafulha!
Não sou trafulha, no geralmente desta vida não sou. Tanto que, um dia, indo eu a uma entrevista, cuja ocupação profissional não me agradava, muito embora fosse obrigatório comparecer, logo que apanhei uma brecha revelei tudo à entrevistadora. Tudo. No meio da explicação dos meus motivos disse uma parolice qualquer e incrivelmente a senhora encontrou-lhe piada. Incrivelmente. Não nos demorámos mais, ela liberou-me logo ali. Logo. Como diz o povo, é bem melhor 'cair em graça do que ser engraçado'.

Lista de supermercado

A actual lista de supermercado contém itens com uma construção engraçada, daí o fica-bem-no-blogue e daí estar, então, no blogue. Precisamente, aqui.

Limas (para a tarte)
Queijo Ricota (para a lasanha)
Nescafés apaneleirados
Película (para vidros)
Detergente louça (para máquina, para mão)
Gel duche (tipo oleoso)
Protector solar (para rosto)

As (que disseram que são) gordas

Vai uma e diz à outra que tem um vestido muito bonito. Vai essa e diz à outra que é bom para tapar as misérias. Vai esta e diz à outra que não está assim tanto. Vai esta e diz à outra que está pois, que sabe é disfarçar. Vai esta e diz à outra que a gordura dela já não tem remédio senão à faca. Pensei em intitular este post como 'arrancar o mal pela raiz' ou então 'do verbo dizer'. Isso para além do título que, afinal, escolhi.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

3/3

Há dias, no lugar (que também pode ser) da musa, estavam três octogenários numa mesa, cada um dedicado a um jornal. Dois escolhiam palavras para caberem no jogo das palavras cruzadas e um corria os olhos pela notícia mais mais mais que encontrou. O trio pareceu-me deveras interessado, lá isso, mas não pareciam juntos, digo: um trio. Engraçado que a vida tende ao isolamento, não forçado, não planeado, mas há uma força que empurra e, ou, puxa para aí.

Há pó a sair da janela. Lixadoras nas paredes e tal e tal. Dantes via-se o vento que estava, se muito, mais ou menos, se pouco, pelo adejar da velha cortina, que alindava, por assim dizer, a velha janela. Aqui há dias homens da obra retiraram todas estas maravilhosas peças de arte antiga – banzé! chinfrim! orquestra! é escolher... – e colocaram uma peça moderna. Somente moderna, não arranja mais nhó nhó nhó porque a estadia é ainda curta. Há coisa que precisam de um certo tempo para que lhes retire apuramento. Que pode ser um qualquer, não sou esquisita com os apuramentos, mas preciso de tempo, lá isso. E há pó a sair da janela porque andam a lixar as paredes... pois, já tinha dito, mas não tinha dito que o pó sai porque a janela tem estado escancarada.

Lilás

«A cidade acende-se de lilás», foi o pensamento que tive há dias. Foi no mesmo dia em que percebi, finalmente, que o comboio vai vazio porque vai «sem serviço», que é o que diz o letreiro. Vejo sempre um comboio passar porque chego ali sempre à mesma hora. O cercado anuncia, também já percebi, porque se põe num estertor fininho e que não quer dar a conhecer, é uma coisa pequenina, mas eu noto, de silencioso que está o mundo a essa hora. A cidade é Lisboa e o lilás é dos jacarandás.

escrevi* erradamente, tanto rebolei na mente e afinal não chegou a ocorrer-me o mais acertado → 'verbos errados'

*...

Falei em espelho mas até nem é bem bem bem um espelho, pois que, espelho, é assim, ó:

*...

Pneus*

Já ocorreu a troca de *sapatas no meu automóvel de matrícula portuguesa. A bem dizer até já se passaram semanas, só que fui adiando a verdadeira demanda que é, como é consabido blogosfera afora, esta troca, digo aquilo de nas relações com a oficina eu servir para levar e trazer e tal e tal. Contudo, desta vez foi diferente, e muito, porque a bólide do rico filho também estava precisada de sapatas novas, de maneiras que a estadia do meu automóvel dobrou o número de dias fora do meu lugar de estacionamento predilecto porque, neste entremeio, o rico filho, ao deixar a sua bólide para tratamento, levou o meu automóvel, já tratadinho, e, chegada a hora de recolher a sua bólide, deixou o meu automóvel, o qual, na sequência, eu levaria, então, para o lugar de estacionamento, que já anteriormente referi como sendo o meu predilecto. Pronto, isto passou-se e, depois, percebi os pertences que o rico filho deixara na consola - os óculos escuros e uma peça que segura os elásticos das máscaras. Entretanto deixo nas malhas da blogosfera mais um costume, e até uma repetição, o estilo musical que o autorrádio emite quando rodo a chave – rap. Desta vez deixei estar e segui a ouvir. Quando ouvi umas das que mais gostei, fixei o número que apareceu no ecrã e, quando pude, fiz ok Google. Eis o que disse o pesquisador mais inteligente do mundo:

Dezoitos

Encontrei a dona Genoveva na avenida - ah...! a sério?! nada ocmum... ai perdão, comum, né? (é comum que se farta, 'migos) - que comentou o ar de menina de dezoito anos que (lhe) aparento. Depois de ela reflectir sobre a própria afirmação acrescentou que seja lá como for tenho os dezoito. Concordei enquanto fazia as contas de quantos dezoitos tenho de vida - daqui por treze meses completarei três dezoitos.

terça-feira, 1 de junho de 2021

em fotos, se pessoas, então crianças

são os ricos filhos – duas crianças, quatro expressões

hoje é Dia Mundial da Criança, e não era preciso dizerem na Rádio
na minha memória factual (contudo: incerta) a rica filha tinha sete anos e o rico filho quatro
são portanto fotos acontecidas há mais de duas décadas
como são, ainda, as crianças mais importantes do mundo, pu-las aqui
e não é vez primeira, que é lá isso

Sonho

Sonhei que uma menina se escondia deliberadamente de mim. Porém não muito bem sucedida, se afinal eu a via escondendo-se. Acordada percebo que aquela menina sou eu, mas no sonho a menina era outra.

A janela

👀

primeiro dia do sexto mês, hoje

e pumba, um quinto do primeiro semestre de dois mil e vinte e um já foi cu caraças

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Hi, my name is Gina!

À conta de uma questão que permanecerá secreta para vocês, o cliente perguntou-me o nome. Respondi o óbvio. O acompanhante deste cliente mostrou-se agradado e ainda revelou «oh, I love your name!» Depois percebi que o cliente perguntador havia preenchido o rectângulo com Jeana. Comentei o deslize, aliviando com alguns 'but it's ok, it's ok'. Depois disto o acompanhante fez de mãe revisora, quase ralhando com o amigo e, retirando-lhe o material da mão – papel e caneta – rabiscou o meu nome no papel. Irrepreensivelmente. Devia ter guardado esse papelinho.

Duas & Duas

Duas perguntas de frente do balcão:
Olha, tens cá disto? E coiso para pôr nisto?
Duas respostas de trás do balcão:
E vai que não - é que nem disto, nem nisto.

De repente este post pareceu-me negativo, afinal estou a publicar que não! tenho cá isto (tampouco aquilo) para vender. Ocorre porém que sou ajudada pelas modernices 'hastag autenticidade' ou 'hastag sem filtro'. É que têm uma adesão massiva, levando a que toda a gente dê desculpas, dispensando até o pedido delas. Quem me ensinou o balcão (não, não foi o meu colega) sublinhou por todas as vias que não se dá o 'não há', ao manifesto, tampouco se deixa transparecer o 'poucochinho' sob pretexto algum. Enfim, nunca se esquece quem nos ensinou, não é? Por isso este meu pipocar, ainda que concorde, e sem luta, que o mais autêntica que posso ser, serei.

Trinta e um

Maio é o mês
Dia o seu último

domingo, 30 de maio de 2021

... boa noite.

Avis, 2 de Maio de 2021

... boa noite.

verbos estrangeiros

quando tiro a roupa, encho as mãos de molas, é até não caber mais

Pode-se parar o tempo, lá isso.

Já foi mais nova, esta rosa. Não quero contudo dizê-la mais nova, mas já o foi.
Encho o blogue de fotografias, lá isso. As fotografias param o tempo, e, isso, é, bom,

... boa tarde!

já marquei a aula no Ginásio para amanhã
fui-me à aplicação e pumba
e ocorreu o clique tão mas tão atempadamente
que é por isso que
merece


destaque


a minha abordagem a este clique foi a selfie e fiquei muito pouco selfiemeiáda*

*...

Ouvi na Rádio

vagido
é o choro dos recém-nascidos, embora por vezes surja num sentido figurado
lemniscata
é o símbolo do infinito, bem como o de um 8, e também aparece como equilíbrio em alguns contextos
floema
é o fiozinho que as bananas apresentam ao longo de si (quiçá outros frutos os contenham)
petricor
é o cheiro que se liberta da terra (se) seca quando (é) molhada pela chuva

... bom dia!

refrear os ímpetos também é viver
uma onda não o é sem andar às arrecuas

sábado, 29 de maio de 2021

Voleibol

Quando andava no Ciclo Preparatório (hum-hum, sou desse tempo) as aulas de Ginástica continham por vezes jogos com bola e um desses era o Voleibol. Não me vou alongar no que toca a pôr-me defeitos, digo simplesmente que não jogava a ponta dum corno àquela merda. Vá, já agora acrescento que não gostava nada nada nada daquilo e que, quiçá por isso, me esforçava debalde. Um dia, uma das minhas colegas, ciente das características desta Gina pré-adolescente, instruiu-me: nunca ficas com a bola na mão, lança sempre para a frente, para a frente. Pois bem, o que é que eu fiz logo que a bola me parou nas mãos? Segurei-a, olhei em redor, atónita, incapaz, e vi o desespero no semblante de umas quantas miúdas da minha idade. Se no fim do dia estavam todas lá fora à minha espera para me ir aos cornos? Claro que não, andei no Ciclo Preparatório, o bullying ainda estava por inventar.

Dias de um Ginásio

Pela primeira vez desde que a palavra confinamento, neste blogue, se refere a pandemia e não a chapéus-de-chuva, não pude reservar uma aula através da aplicação – caraças pá, tudo cheio. Fiquei na lista de espera. Mas fiquei meio que coisa com a questão porque há quem reserve aulas e depois acabe por não comparecer. Bem sei que o contratempo é uma coisa que existe, também tenho uma vida onde o inesperado acontece, o que não está bem é esquecerem, ou, pior, marimbarem e nem sequer retirarem a reserva da aula. Fiada nisto, quiçá tivesse vaga, porém não reservada, e isso estava a fazer-me confusão, imagine-se eu, que neste caso iria como intrusa, adentrando a sala, cheia de glória e tal e tal, e vai que entrava o resto da turma e pumba, eu a mais...? Pois, ficaria deveras incomodada. Mas tal não aconteceu, fui vigiando a aplicação, esperançada que alguém desistisse com cliques, o que realmente aconteceu. E foi esse acontecimento que me permitiu penetrar na sala com justa permissão. Que maravilha.

Porque hoje é sábado

Podia dizer que não ligo a ponta dum corno às estatísticas que o blogger apresenta – nomeadamente se houve visitas - mas ligo, ligo é pouco, e ligo pouco porque não as acho credíveis - podem os cliques não passarem de visitas e visitas não serem, afinal, leituras. Hoje tenho publicado as minhas coizinhazinhas ao desbarato, tinha para aqui um montão de rascunhos a impedirem-me de ser feliz, a encher-me a folha do que está pronto a seguir para a lbogosfera... - ulha! também aqui troco as letras! - ai perdão, blogosfera, a caotizar a minha delicada existência, e vai disto, tudo para lá! Entretanto, consultando então o tal gráfico de coisas acontecidas ao blogue, noto que cada um dos posts publicados hoje tem três visitas e ainda só passaram três ou quatro horas, ademais, pasme-se, é sábado! Oh.

Aqui pode-se comprar sem dinheiro?

O que está no título é pertença de um cliente e é uma introdução ao negócio das mais engraçadas que ouvi até hoje. Fez-me lembrar de Mr. Google quando faz perguntas acerca do que têm e do que vendem e o que fazem os mais variados pontos de venda por onde passo, ou encalho, ou caio. Eu é que permiti estes contactos, claro, não é invasão nenhuma, pelo contrário: gosto. Acontece porém que acabo por responder a pequenas questões acerca do meu próprio estaminé:
«pode-se comprar escovas de dentes aqui?»
«pode-se comprar rebarbadoras aqui?»
«pode-se comprar lixívia aqui?»
«este local tem acesso a cadeiras de rodas?»
«este local está aberto agora?»
«este local tinha muita gente na sua última visita?»

A última questão ser dirigida a mim torna-a hilariante e, ou, absurda. Mas pronto, o que está no título deste post é o que queria mesmo mesmo mesmo registar mas entretanto lembrei-me que em certos dias encontro, inclusive, o meu comentário acerca do me próprio estaminé. Não sei como encalho aí, mas sei que um dia me copiei de lá e que agora aqui deixo:
«Trabalho aqui. A loja é minha. Como não adorá-la?!»

Lisboa, Lisboa

As fotos abaixo vesti-as de aguarela (jamais me atreveria a dizer que as pintei) porque necessito de as distanciar da realidade. Pá, cenas. Vai uma pessoa em visita de trabalho ao sui generis habitáculo do magnata deste pedaço de calçada e depois o melhor é disfarçar toda a informação, não vá surgir alguém que se insurja (ai, adoro escrever mal) ou coisa no género. Mas pronto, pedi ao magnata se os meus cliques não o apoquentavam e tal e tal, e saiu-me o que se vê abaixo. Estive então num sexto andar de Lisboa, logo eu, que ando sempre tão rasteirinha, quando de Lisboa falo. Vivi uma raridade, lá isso.

Triângulo de três pontos

Isto aqui é o reflexo do sol num farol. Fazemos todos um triângulo, se eu disser que o ponto do clique é o das limas folha de oliveira e agora estou a redigir este post atrás do balcão.

Jacarandás

É Maio e, em Maio, chegam os jacarandás às partes de Lisboa que geralmente percorro e avisto e digiro e rabisco e sei lá que mais. Uma dessas partes é uma rua onde há prédios com azulejos meio que liláses, que é a cor, nada por meio, dos jacarandás, que ladeiam a rua, fazendo com que, sob determinada perspectiva, assentem em cima dos azulejos. Em alguns dos Maios últimos fotografei essa perspectiva. Não me lembro se em alguma dessas vezes fui bem sucedida mas sei que desta não fui. Pá, não se nota que as cores sejam iguais, o que lamento largamente, uma vez que, pelos meus olhos, são. E ai a porra das vírgulas, ah pois é.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

a minha abordagem a este clique não foi a selfie, au eva, fiquei selfiemeiáda
já a frase considero-a puramente interessante

setas

Por acaso, mas só mesmo mesmo mesmo por acaso, um daqueles meros acasos, mas mesmo mero, muito muito mero – já chega, ó Gina - as setas que desenhei no placar estão uma merda. Já as da foto, que não são propriamente desenhadas, antes manuscritas, até se safam. Alindei-as com o filtro aguarela do meu telefone, que é o que mais gosto.

Resquícios do meu colega: um canivete.
Em todas as circunstâncias.
Todas.

Vendredi

No último post desta sequência registei que as sextas-feiras são a modos que sugadas pelo fim-de-semana. Pois são. A importância da sexta-feira está sobretudo na proximidade ao fim-de-semana. Lembra-me a ideia, quanto a mim acertada, de que a viagem é melhor do que chegar ao destino. Se bem que o sábado me seja deveras agradável, lá isso... Mas contenho o sábado, em outro sábado logo me jogo. Ora bem, isto tudo não significa que não goste das sextas-feiras, gosto da tal preparação, que obviamente não vivo sozinha, há todo um burburinho agitado, porém feliz, energia e disposição boas. Pronto, todo um rol. Contente. Um rol contente. As sextas-feiras sabem mesmo construir um rol todo ele contente.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Caneta azul

Mediante pedido, emprestei uma caneta a seu Freitasse, quando circulávamos na rua, nós dois e o meu colega. À pergunta inicial «alguém aí tem uma caneta que me empreste?» o meu colega apontou para mim. Respondi com entusiasmo que tenho sete canetas e que com prazer lhe emprestava uma delas sim senhor. O meu colega apurou a questão:
«Oh, ela tem sempre canetas. Gosta de escrever.»
Não fora o meu colega e o número de pessoas sabedoras disto meu (tão meu... digo: o blogue, mas digo principalemente o gosto pela escrita) seria ainda mais reduzido. Coloquei então a caneta azul na posse de seu Freitasse, não sem antes lhe mostrar orgulhosamente o molho que viaja comigo diariamente e, quando ma devolveu, seu Freitasse disse: «Obrigado, Gina. Acho que a tua caneta me deu sorte, viu?» Não me foi dado a conhecer para que serviu, mas se lhe deu sorte, tanto melhor.

É o que faltava

Faltou dizer que a nova impressora geme quando lhe falta o papel. Quero dizer: gemer gemer gemer ela geme quando lhe é levantada a tampa. Agora que penso melhor nesta interessante questão, até nem é gemer, é piar. É piar, é: piu piu piu, qual pissarinho. Sim, era mesmo pissarinho que eu queria escrever.

O Batman

O Batman, é como lhe chamamos desde o tempo imemorial em que ele se deslocava rua afora – e adentro, lados, cimos e baixos – envergando uma gabardine porque corria a época fria. Pá, alguém se lembrou e ficou. Acontece porém que tenho para mim que a gabardine já não ocorre nas nossas vidas, isto aquando das estações frias – fica aqui um lembrete para mim: ó Gina, às primeiras chuvas do próximo Outono, tu vê lá – mas pronto, adiante. E novo parágrafo, para isto ficar jolie.
O Batman é o moço de recados, portanto passa para lá e para cá uma data de vezes por dia. O verdadeiro motivo deste post é dizer que em todas essas vezes – todas! - me cumprimenta. Podia ser sem nome, mas é com.

Bolinha a pensar

'Bolinha a pensar, bolinha a pensar.' Foi a giríssima expressão que o Zé do restaurante usou para explicar ao técnico de software que o dito não estava a corresponder às expectativas mais básicas. É tipo assim como quando a gente não pensa ou não faz ou não é. Da 'bolinha a pensar', queria o Zé dizer de quando o computador procura resposta e nos mostra um círculo girando sobre si, desenhando-se e apagando-se, girar esse terminável, felizmente.

A dona disto tudo

Qualquer dia venho cá e parto isto tudo!
E eu deixo.
Ficou cheia de medo, não ficou?
Sim.

Não se apoquente o mundo com o diálogo exposto acima, o estaminé mantém a sua 'inteirice' e eu também. Se bem que tenha sido uma brincadeira, a verdade é que quando ouvi, ouvi como se a brincadeira fosse um disfarce mal amanhado para a vontade recalcada. Mas pronto, isto sou eu a.

Carregamento

Pára a camioneta, ou camião ou lá que é, e vai o meu colega e fica contentíssimo, pois que, ao invés do fornecimento de mercadoria que significa 'trabalho', veio foi duas caixas com garrafas de vinho, encomendadas via online pelo meu colega.
À parte disto, conto que a ideia de me safar lindamente na escolha de vinhos lá nas prateleiras do supermercado caiu por terra, e terra sem vinhas, uma vez que um amigo das motas afirmou, e firmou, que os vinhos que vão para o supermercado estão cheios de químicos, daí os descontos consideráveis que sempre por lá encontro e mais não sei o quê. Oh. E eu que até me convencia através da poesia que encontrava descrita nos rótulos e tudo... Por causa disso é que há montes e montes de tempo que não compro vinho.

furfusos

O sô Valdemar chamava furfusos aos parafusos, ainda que ciente do modo correcto. Morreu o sô Valdemar mas ficam-me os furfusos. Não sei se o blogue serve para esticar a presença das pessoas no mundo, mas lá que é uma ideia bonita, é.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Lisboa, Lisboa

«C' est un grand soleil!» Exclamou uma menina, pousando os pés no grande sol desenhado no solo da esquina mais próxima do estaminé. Tenho andado a ver se decoro quantos mais itens por lá vejo. Para já decorei um gato e uma ave. O gato percebe-se bastante bem mas a ave só ainda lhe distingui o bico. É que aquela curva só pode ser um bico de ave. Será preciso algo mais distintivo? - Deixem-se estar sossegados, a pergunta é para ser eu a responder. - Não.

Lisboa, Lisboa

Mr. Flanders vinha subindo a escadaria do Metro. Pesadamente. Idosamente, antes, que mais parece uma coisa de idade que de peso. Sim, idosamente não é coisa de se ver na Língua Portuguesa. Não para já, pois, pesquisando, ouvi zunzuns. Mas isto ocorreu há uns quantos dias, desde aí já vi Mr. Flandres outras vezes, só que estéreis. Ou então sou eu que.

Lisboa, Lisboa

Uma conhecida que se cruzou comigo na avenida mirou-me em todo o comprimento, embora eu não duvide que ela tenha medido mas é a largura. Agora é ela a gorda, pensei eu, cheia de glória e de cobardia. O desplante estou a usá-lo para escrever este post, que bem precisei dele, agora imagine-se as carradas que eu precisaria para do pensamento fazer voz. Venceu a cobardia, foi o que foi.

Lisboa, Lisboa

Quatro mulheres iam rua afora, trolleys a rolar na calçada, claramente em processo de chegada ao alojamento (a rua do estaminé tem um AL, anda para aqui uma certa modernidade, lá isso), notei-lhes o ânimo característico de quem chega – blás e mais blás, contudo: em língua estrangeira. Simultaneamente, à porta do número xis, uma moradora recebeu uma encomenda das que não entra na ranhura da caixa do correio e agradeceu com um 'obrigadíssimo' deveras agradecido. E bastante gratificante, bem como audível pra caraças, tanto que uma das mulheres espantou-se e comentou com outra: 'obrigadíssimo?!' e eu fiquei com a certeza que o 'obrigado' já antes constava no seu vocabulário. Não estou porém certa de ser ajuda do ok Google, mas pronto. E gosto de imaginar que o sabem através daqueles dicionários ajudadores de traduções simples, tipo: como se diz cadeira em francês, e chaire em português.

Lisboa, Lisboa

Desta vez não fui atractiva indo de plafonier na mão e sei porquê: é que a asa da caixa soltou-se, obrigando-me a levá-la debaixo do braço, acabando por lhe esconder parte do encanto. A caixa é um bocado grande, já eu disse, mas não em demasia, uma vez que coube entre a axila e a palma da mão. De resto: lá vim eu, Lisboa afora, nestas condições absurdamente incríveis. A parte, logo ao início, em que digo 'desta vez', quer dizer que é uma outra vez em que andei com um plafonier nas condições já descritas.

Lisboa, Lisboa

Foi na sexta-feira passada que vi que iam cortar as belas flores lilases de beira de estrada cosmopolita – se é que isto existe fora da minha cabeça, digo: estrada cosmopolita – homens empunhando motorroçadoras já haviam feito razia próximo a elas, portanto: as belas flores seriam cortadas logo logo. Foi na segunda-feira – ontem, portanto – que vi a esperada razia. A ausência. O vazio. A desolação. O desespero. Sim, sou um bocado depressiva, mas olhem que estou a ironizar. No outro dia, acho até que foi ontem, ouvi nas netes alguém dizer que aproveita os seus estados tristes e, ou, depressivos para brincar às piadas. Conheço o sentimento e faço também eu uso desse mesmo modo aqui no blogue.

domingo, 23 de maio de 2021

Aceitação às discrepâncias

Estou com oito caixas de plástico por companhia. Têm dentro de si roupas que raramente uso e, por isso, têm em si raros costumes. Isto dos raros costumes, para mim pode ser, au eva, para as caixas é uma discrepância. Bai da uei: o chá de camomila põe-me um bocado triste. Ainda bem que tenho um blogue, é pessoa que me aceita as discrepâncias e tudo.

Post musical

Se não me engano, a nota lá fica no terceiro espaço. O dó (mais grave que esse lá) é a nota pobre, ajudada por uma linha suplementar que alguém condescendente desenhou. Sempre tem o seu poiso, afinal. Realmente parece mesmo rejeitada, ou posta de castigo. Pesquisei, estava certa, é isso mesmo. Entretanto, através da pesquisa, relembrei que a escala é a de dó maior, ou seja: este post está redigido em dó maior. Relembro, agora de cabeça, que meios tons há-os de mi para fá e de si para dó, qualquer outra subida é de um tom. Por isto é que em teoria um fá é um mi sustenido e um si é um dó bemol. Digo teoria porque são expressões que se não usam, são a modos que dispensáveis. Mais: um sustenido aumenta a agudez da nota em meio tom e um bemol diminui-lha. Em tempos estudei música, era para ser acordeonista. Depois desisti.

Sons

Um som que já vem da minha infância é o aterrar dos pombos no quintal – zô zô zô zô, em ritmo frenético. Por traduzir o som para zôs, lembrei-me agora mesmo da palavra zoada. E é mesmo uma zoada, o aterrar. Que giro, há muitas palavras que nasceram do som que fazem, como raspar – rre rre rre. Mas sei lá eu se a zoada apareceu dos zôs que alguém ouviu, isto são, obviamente e somente, conjecturas. Ah, o meu pai era columbófilo, daí os pombos e o aterrar deles no quintal terem aparecido no blogue, e lembrei-me disto ontem, por conta das aterragens de pombos a que assisti numa vila alentejana.

temos medo

as pessoas, é umas com medo de ouvir, outras de falar - lá isso - portanto: as do medo de ouvir falam falam falam para que as do medo de falar só ouçam, que é precisamente o que mais querem, todos
e assim ficamos - precisamente todos - com os medos compostinhos e os desejos no melhor dos lugares

8:52

Não posso apontar as horas certas mas vou apontar que são oito e vinte e sete.
Hum, não, afinal são oito e cinquenta e dois.