sábado, 24 de outubro de 2020

Diferenças


Uma coisa é pôr-me frente à lente e aproveitar-me das macacadas à disposição (foto ao lado) e depois ver cada clique na tela, considerando que afinal até fiquei bem, eh pá ca xiru qu' isto é!» 
Outra é pôr-me à frente da lente (vídeo abaixo), desenrolar o tema previamente escolhido, fazendo uso daquilo que sou 
– ou de como estou... -
enquanto comunico vocalmente, e ver-me como as pessoas me vão ver.
Olhem que é chocante, às vezes até dói.
Do vídeo abaixo, não revelo quais as expressões ou tiques que lamento ter, que é lá isso, tampouco revelo os que não lamento, queria era fazer esta comparação, que, sucintamente, é: brincar retira peso àquilo que somos. Ou como estamos. Pois.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A verdade da, e na, vassoura.

Na verdade, passei o dia em limpezas. Noutra verdade, a vassoura que aparece na foto não ajudou porra nenhuma.

 


Quantia

O homem da cafetaria barra mercearia articulou - digamos que gravemente mas, também, lentamente a quantia do custo do café
→ se – teeeen – ta!!!   cêntimos
não fosse eu entender o número que mais se lhe assemelha e promover um desfalque do caraças na receita diária, homessa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

O título

O meu colega estava a preencher umas coisas e pediu-me o nome, a data de nascimento e a categoria profissional. Eu cá, nisto, sou tal e qual como ele, da última é que não sei. Não em termos bonitos, quero eu dizer, pois que, num repente, tenho para mim que é um cargo de chefia.

posta-restante:
caixeira encarregada
(bem disse eu que era algo assim para o mete-nojo)

Não dão almoços, vendem-nos, e há conversas

Na mesa ao lado uns franceses diziam coisas como 'jambon blanc'. Ao lado, sim, mas lá atrás, não os via nem por obra da visão periférica. E aquilo do 'jambon blanc' há-de ser fiambre, com certeza. Quero dizer: neste blogue vai ficar a ser. É que, vamos lá a ver, fiquei desmedidamente entusiasmada com a ideia de blanc numa peça de fiambre das melhores pernas das porcas mais giras. E é bom que registe agora que eu, enquanto construtora (a modos que pretensiosa) deste blogue, considero que 'as melhores pernas das porcas mais giras' é um dos meus melhores tijolos.

Sonho

Sonhei que eu e a rica filha fazíamos um cheesecake com os sabores preferidos dela.

Já é Natal

E eu no outro dia com aquela conversa de fazer a Árvore de Natal ainda este mês - a novidade que isso seria, a alegria surgindo antecipadamente, a glória do anúncio: 'eh, olhem lá, eu cá já fiz a minha!' Ho-me-ssa-qual-quê. Não conseguirei, o que lamento. Fazendo as contas: já só tenho um fim-de-semana e mais meio. Ora, no que está inteiro, tenho mais que fazer e, no que está partido, não vai dar. Mas, quiçá, forçando aqui, contornando ali, dê. Disso farei notícia, creiam-me.
A par com este assunto tenho um outro que quero expor:
Outono instalado, frio instalado, tudo corresponde, tudo está conforme, já há enfeites de Natal em Lisboa. Tudo apagado, que a vida está cara mas, a seu tempo, o luzir há-de ver-se. Achei particularmente interessante que um dos enfeites eu recorde de outros anos, como é o caso dos fósforos. Parece-me que foi assim que lhes chamei. No fundo são uns paus vestidos de branco, com as extremidades como sendo uns pompons em vermelho. Não sendo fósforos ou tampouco se lhes assemelhem, a verdade é que este ano me faz lembrar fósforos.
Este post termina ao depois da foto fantástica:


 

Macieiras

Não sendo a primeira vez que aquelas macieiras aparecem no nosso caminho, houve até uma vez que provei uma maçã mas não me soube bem e desisti de futuros colhimentos, mas isto até um dia destes aí atrás. Por ora tenho um prato com cinco maçãs que a mim parece serem da espécie bravo esmolfe, mas em destratado, que aquilo ali ninguém lhes mexe e a fruta cresce sem mão. E eu, se lhes queria chegar a mão, e queria, era questão de o Luís me elevar, tal como em outras vezes que já tenho vindo contar (ver aqui) Só que a soma das nossas alturas não chegou às maçãs, então apanhámo-las do chão. Repito: tenho cinco maçãs num prato, que achei melhor pôr na varanda porque vi que algumas formigas vieram com elas, esperando eu que não fosse isso por estarem a fazê-las como se tratando das suas casas. Planeio fazer crumble, logo que encontre oportunidade.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Não incólume.

Estive dentro do carro, ouvindo a chuva do anoitecer. A do amanhecer ouvira-a de dentro de casa e, a do entardecer, de dentro do estaminé. Por entre, nem sempre passei nos intervalos dos pingos.


Pois não.

Não é lá muito abonatório que eu tenha concluído que sou mais bonita quando me encontro sob a penumbra. Foi com a noturna que me dei conta deste facto, portanto amanhã ponho-me debaixo da matinal para ver se.

Gina, a influencer

«Vou contar com a sua influência para conseguir que ele vá mais cedo.» Rematou o cliente depois de eu agendar um serviço que o meu colega faria no seu domicílio. Não havendo espaço para breve, a questão ficou para um bom bocado depois, contudo, com a hipótese de ser antecipada, daí o remate deste cliente. Nunca tinha pensado na possibilidade de ser influencer, mas olhem, assim fico a pensar se. Já aquela parte de ele dizer «Olhe que conto mais consigo do que com ele.» não me transformou numa boneca tão diligente e capaz porque me pressionou uma beca. Acrescento ainda a introdução dele – mas que assunto tão fértil que para aqui arranjei... - que foi:
«Lembra-se de mim?»
Respondi que sim e lembrei-me do quadro que me rendeu um post.

Post sexista

Agora já quase não há senhoras do Banco na minha vida, faço uso de uma máquina. Se é máquina, é impessoal, se não é gente, é fria. Uma pessoa habitua-se a tudo, é verdade, mas por vezes dá-me cá uma saudade de ter posts pra caraças para compor, expondo claramente o que a senhora do Banco disse e fez e tem. 
Ressalvo agora que a senhora do Banco é qualquer uma, todas com as quais me relacionei (e relacionarei, claro, assim haja oportunidade) recebem o epíteto. Sim, este é um post sexista, os cavalheiros não têm cá lugar.

Do tempo da pediatria

Quase todos os dias almoço no mesmo boteco que a pediatra dos ricos filhos. Sim, os ricos filhos estão bem crescidinhos mas houve tempo em que não, e aquela senhora era quem os via, media, pesava, medicava – obviamente quando necessário - e me descansava aquando das dúvidas. Mas o tempo passa e a senhora doutora está envelhecida. E manca. Quando nos cruzamos ela sorri levemente, o que me leva a pensar que me reconhece, mas sinto algum pudor em me apresentar. E se ela afinal não sabe que sou a mãe da menina Ana Cláudia e do menino André Luís?
Esta questão fez-me lembrar da minha professora primária. Uma vez, há muitos anos, encontrei-a no supermercado, cumprimentei-a, apresentei-me e ainda hoje me alegro de ela me ter reconhecido. Entretanto a vida foi correndo e às vezes pensava em visitá-la mas nunca me dediquei a isso. Portanto está bom de ver, né? Com vida já não vai dar.

Cor-de-rosa

A minha chávena de café preferida, aquela que parti, era cor-de-rosa. Entretanto já elegi outra como preferida mas, mesmo não tencionando que fosse dessa cor, o certo é que o é. E não é minha, é da rica filha, que lha deu uma amiga comme une souvenir. Falo en français parce que a chávena é toda parisiense. E, já agora, como não me pertence, abala-me de casa não tarda nada.

Os meus pneus

Bem digo eu que nos casos de manutenção ou avaria do meu automóvel de matrícula portuguesa sirvo apenas para o levar e trazê-lo à, e da, oficina. Tem então sapatas novas na parte de trás, este meu pertence móvel, acerca das quais mais não digo, pois, precisamente, mais não sei porque tudo é tratado pelo macho-alfa. Tudo. Até as preocupações, como já em outra vez pus no blogue. Desta vez, das preocupações fez parte saber se o novo material estaria conforme e, vá, como quem desvirginou os ditos pneus fui eu:
«Então o que é que sentiste no carro?»; «Notaste alguma coisa de diferente?»
Claro que sim:
I... Parece que deslizo (não sei se isto é o melhor dizer)
II.. Parece uma viagem de avião (oh! ganda bólide!)
III. Ouvi menos barulho (hum)
E, de buracos, pisei os mesmos. E, a propósito de deslizamento, viagem e buracos, o montador dos pneus aconselhou-me a que fosse devagarinho. E não conhece ele a minha história de vida, olha se.

o vestidinho da pêra nachy

a pêra nachy já vem daqui

Reconhecimento que facial é que não é

No outro dia, como acompanhante do meu colega em serviço ao domicílio, a cliente era a veterinária dos bichos-gato, à qual havíamos sido gentilmente recomendados pela dona deles. Este post existe porque a cliente, quando me viu aparecer à porta, foi logo toda pronta:
«É a Gina, não é?»
Respondi que sim, como responderia mesmo que em caso de a cliente prever o contrário, conheço-me há anos bastos para saber que o meu nome é Gina. E ela também sabe, só que quis confirmar. No blogue figuram alguns posts onde refiro que às vezes filmo os bichos-gato e envio as imagens à senhora, que, não contente, sei-o agora, os mostra à veterinária. Ó pá tóin xiru!, ah pois é. Intitulei este post como intitulei porque a veterinária já conhecia uma Gina, sem cara, afinal nos filmes só os bichos aparecem, de mim é só voz.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Quadradinho

Todas as noites adormeço «em quadradinho». A expressão não é minha, daí as aspas. Adormecer é ir para o desconhecido, parece-me, por isso vou 'buscar' o quadradinho. Para meu refúgio, ou escudo, talvez preveja que vá sonhar com merdas que não lembram a ninguém e pumba e coiso, toca de me pôr em quadradinho.
Agora a camisola está de azul. Boa noite.


 

Lisboa ao vento e a camisola amarela

Lisboa está agitada. Agitam-na as pessoas. Até os carros parecem agitados e quem lhes passa essa agitação são as pessoas. Pessoas, pessoas, antes assim.


Oh, olha só quanto vale envergar uma camisola amarela! Param logo na passadeira. Quase me sinto desafiadora. Bom, na verdade, vestir-me de amarelo num dia de mau tempo, desafio mas é o sol. Então que apareça.

Será que depois desta ventania, à árvore amarela lhe restarão ao menos algumas folhas? Hum, mais despida se me apresentará, é com o que conto. E será que as minhas orelhas são grandes o suficiente para que a máscara me não voe sem governo ou destino?

Faço a clássica fotografia das folhas rolando pelo chão? Filmo...? Ou o quê? Pois que nada disso. Foi giro de ver. Só.

Resumidamente

Perguntinha bem bem bem resumida de um cliente imigrante:

Isto preço quanto?

Torre de Babel

Temos um cliente francês que mora dois ou três prédios distos do estaminé e que fala tão mal o português como nós o francês, mas que, felizmente, tem um secretário que nos socorre quando as explicações acerca dos serviços carecem de mais do que meros rudimentos das Línguas. Ora acresce a isto que o secretário se encontra, geralmente, no Algarve, uma vez que o dito cliente, lá quando calha, também assenta praça aí. Portanto, o que é que sucede? Sucede que, aquando das tais situações necessitadas de fluência nas Línguas, o meu colega liga para o secretário, que seguidamente liga para o cliente, despacham a questão e, logo após, o secretário remete para o meu colega o que se apurou. E todos estes passos são dados por conta de um cliente que mora já ali! Não é tóin xiru?! É! É e até parece um carrossel. Entontece e tudo, mas lá que se resolve a Torre de Babel, resolve.

Conteúdos interceptados

Meses atrás coloquei um número de telefone na minha lista de assédio. É tão engraçado... E é engraçado porque, na verdade, não é assédio nenhum o que a pessoa me faz, ocorre é que, o que faz, faz insistentemente e, ademais, desnecessariamente porque... Não é comigo que ele quer falar, mas com quem está, frequentemente, mesmo aqui ao lado → o meu colega. Pois.

está tudo de abalada





 

Intróitos por género

Pedinte lisboeta que tem os fecundos no exterior:
«Boa tarde, minha senhora. Desculpe, não leve a mal, não tem» e blás e mais blás dispensáveis. Pedinte lisboeta que tem os fecundos no interior:
«Minha querida, dava-me» e blás e mais blás enfadonhos.

domingo, 18 de outubro de 2020

'isto anda tudo ligado'

A rica filha vai sair cá de casa. O facto isolado, é uma novidade do caneco, ah pois é, mas juntando outros factos, como aquele de ela ir morar para o mesmíssimo lugar onde morei depois de casar, atenua a falta que vou sentir, parece até que ficamos todos na mesma casa. Um facto que junto é que quando foi o rico filho que saiu cá de casa foi morar, precisamente e curiosamente, para a terra onde cresci. Isto anda tudo ligado, bem diz o povo. E anda. A foto abaixo tem que ver com a casa de que falo e é do mesmo momento de outra que publiquei há dias. Nesta, apeteceu-me pôr-lhe uma camadinha do filtro Fairy da aplicação LunaPic.

Cor-de-rosa

Tenho andado na reposição das roupas mais quentes, as quais se opõem ao frio. Afinal chegou o Outono e, por mais que queira prolongar a sensação de Verão instalado, recusando-me inclusive a vestir roupas mais de acordo com este Outubro, oh porra, é que não me apetece mesmo nada, mas tem que ser e blás e mais blás. Há pouco, observando de longe o interior do roupeiro, percebi que tenho um bom número de peças em cor-de-rosa. Gosto de cor-de-rosa, pois, quando não, jamais teria tantas peças dessa cor. Mas de repente lembrei-me que vem aí o Inverno, que mantém a porra do frio no activo e o sol a quedar-se por ténues momentos, portanto: empalidecerei e igual ao cor-de-rosa ficarei. É certo que também tenho (por exemplo) roupas cor-de-laranja, mas.

Novidades imensas na minha vida

Tenho duas canetas e um caderno que são novidade. Fui no outro dia até à papelaria do primo na enga de trazer de lá a agenda vinte-vinte|e|um, o qual há-de ser, ah pois há-de!, um ano típico em qualquer coisa. Mas as minhas novidades. O primo não tinha ainda recebido as agendas do ano que vem, de maneiras que deixei encomendado mas, como ia também na enga de um caderno, pedi ao primo que me mostrasse o que por lá havia, sendo que, a única característica que não dispensava era que tivesse argolas, porque são mais cómodos. Já possuí uns e outros e sei que são. Depois de escolhido o caderno, perguntei por canetas 'daquelas'. São umas que, de uma outra vez, o primo tinha num recipiente de plástico. Por serem de várias cores, e garridas, o recipiente quase parecia uma jarra com flores de plástico. Ou um arco-íris, vá, eu querendo ser poética. Nessa altura trouxe uma azul-turquesa. Que acabou. Fiz toda uma novela no lbogue... ai perdão, blogue, quem vem regularmente ler este blogue decerto sabe do que falo. Por ora, o dito recipiente já não existe e, as cores, já não são assim tantas, qual jarra composta, qual arco-íris, quais quê. O primo foi lá dentro buscar o restolho – havia roxas, vermelhas e azuis, estas, daquele azul ultramarino, que conheço como sendo o mesmo do pó azul com que os pedreiros fazem as marcas. Conheço porque o vendo no meu estaminé, quero eu dizer. Mas as canetas. Trouxe duas, uma vermelha e outra roxa. Só que a azul não me sai da cabeça. Devo estar apaixonada, ou coisa assim. Pois estou. Aliás: sou. Sou apaixonada por escrever e, para mim, canetas são acessórios, mas não meros.

em memória do futuro, num regresso ao passado


a foto de cima retrata claramente como tendo a redundar enquanto escrevente de coisas desimportantes
a foto de baixo reporta-me a um tempo em que rabiscava às corzinhas, e bem mais, e até melhor, do que actualmente

Post a fingir que é do 'precisamente'

Dificilmente me mostrarei (muito!) segura se não estiver, precisamente, (muito!) insegura. O balanceio faz-se por entre não lembrar que a segurança e, ou, precisamente, o seu contrário, são coisas a existir. Ah, quantas vezes o segredo para uma vida calma está no não pensamento, no não acrescentamento, na não existência, no vai-te mas é embora. E vou, mas volto.

pui ós pigos

Não mais virei ao blogue para dizer que pui ós pigos, pelo menos é o que parece, afinal tem estado um frio do caraças e, ademais, o Outubro já se nos mostra entradote. Aos mais anos, os do futuro, pois que lá tornarei. Pelo menos é o que está previsto. Ah, é verdade, isto do 'pui ós pigos' é novidade deste ano, apareceu na minah... ai perdão, minha cabeça e fui fazendo registo desta tolice, porque, afinal, caraças pá, isto é, somente, um lbogue... ai perdão, blogue.

sábado, 17 de outubro de 2020

Pequenas doses

Não tem par nem conta as vezes que troco os cremes de rosto – o de dia ponho à noite e ao contrário. Bom, na verdade troco mais o de noite pelo de dia, isto porque ao fim da jorna uma pessoa está com os níveis de atenção uma beca mais baixos, portanto vá. Com tudo e por tanto, decerto mla... ai perdão, mal não chega ao mundo por conta de. Se acaso dou pela troca na fase em que tenho o creme no rosto mas em doses, is est: antes de esfregar, is est: espalhar, não vou lá e tiro, ora essa, esfrego... id est: espalho.

Muito pequenos, não



Os meus ténis, ou são muito vistosos, ou muito feios, ou muito grandes. É que toda a gente os nota. Mais: os fixa. E pronto, de resto é o que está no título, muito pequenos é que não poderá ser, né, que não condiz com a temática.

O cotovelo



 

Ora bem, então temos aqui a árvore amarela aos quinze de Outubro do ano corrente. No passado dia treze, conforme referi num post, não deu para ir até lá para tirar fotos e tal e tal. Então, após dois dias, foi quando pude lá ir e clicar. A árvore amarela - a minha amiga árvore amarela – não está tão amarela como há dez anos. Nunca mais ficou assim (ver aqui), é facto, mas olhem que este ano não anda muito longe, não.
Acima temos a árvore amarela com cores extraídas, não só os amarelos como os verdes, e abaixo pode ver-se a foto nos originais tons, portanto sem filtros, mas, contudo, com um ligeiro retoque. Se reparem, há ali uma partezinha onde aparece um pixelizado - coisa pouca – que fui eu que pus. Achei que o pedaço de um sinal de trânsito que aparece - caso eu queira que se veja o cotovelo da árvore, que é algo de que gosto deveras – não ficava nada bem, nem no conjunto nem nesta história, então, olhem, pixelizei-o.



foto a modos que mais ou menos pertencente à etiqueta #semfiltro2020

mas, ainda assim, então vá lá... que seja!





ressalva:
hoje é dezassete, mais dois dias se passaram
este post está todo ele de dois em dois, que giro

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Vaivém

Não gosto de falar com mulheres, foi o que pensou o homem que passou rente ao degrau do meu estaminé, logo que apareci detrás do expositor. Para chegar ao degrau, descrevera uma curva e, para se afastar de mulheres, descreveu outra. Foi um vaivem nas nossas vidas. Nas vossas também, pois se leram, é porque. Notem, ainda, o bem que vou em autoestima, que pus o homem a não gostar de mulheres. Pronto, fiz uma coisa a modos que generalizada, nada de incidir em mim e, ou, no meu pesar.

Graminhas

Dois mil quatrocentos e quarenta gramas é quanto pesa a minha mala quando composta de tudo o que necessito. Chegada ao estaminé retiro toda uma catrefada de coisas, obviamente das que não necessito no decorrer do dia, passando a pesar mil seiscentos e trinta gramas. Quer isto dizer que o meu dia tem um certo tamanho em desafogo. Falta um item a esta apresentação assaz interessante: o caderno. O caderno nem sempre retiro. Sei lá, pode dar-me o apetite para escrever lá coisas e sentar-me no banco hater. Ou no muro de pedra. Ou no primeiro banco que encontra quem desce a rua mais bonita de Lisboa. Ou no segundo. Ou no terceiro. Ou algures. Ah, o caderno pesa trezentos e dez gramas e, andando com ele durante o dia, eis que a minha mala pesa então mil novecentos e quarenta gramas.

Post en français

Em tendo dói-dói, o meu colega lembra que temos ali os comprimidos, eu que tome logo dois, já que foram grátis. É paracetamol qui parle français, diz que é pour les douleurs et la fiévre. E sim, vieram os ditos lá das partes gaulesas que há neste mundo.

Mananciais

'Escrevo imenso porque senão rebento. Eu tenho que atirar para o papel as minhas raivas!' Era o desabafo da cliente que o meu colega atendera e com a qual ficara a conversar acerca da conjuntura em que está este nosso mundo. Vírus. Máscara. Obrigatoriedade. Convívio. Irresponsabilidade. Governo. Medidas. E eu a compor o blogue, escrevendo as merdas de sempre, enquanto a conversa dos dois se dava. Foi giro. Não foi 'ó pá tóin xiru!', mas, e, se não o foi, foi porque não somos, eu e ela, da mesma estirpe de grafomania.

ah, bom

ontem significa verdade
'foi assim que aconteceu' é cá de uma certeza!

pui ós pigos

Se no passado domingo fui aos figos? Pois fui. Foi giro pra caraças. Levámos a rica filha e o (quase) rico genro, que é grande que se farta. Até imitei o que diz o povo: 'olha, o Márcio é bom para ir aos figos!' E é. Quero dizer: foi. A questão é que o rapaz estava longe de saber quais os figos que devia colher. Pois. Ia tudo a eito, ele era grandes, pequenos, maduros, meio rijos, bué rijos. Enfim. Lá se ensinou-o (bem sei que a frase está esquisita, só por dizer que gosto e, como gosto, fica) quais as características dos figos que é para colher e ele aprendeu. Bom, resta dizer que o (quase) rico genro levou figos para a mãe e, por junto, duas mangas, que o meu vizinho de baixo voltou a oferecer uma caixa com umas quantas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Post com título

Do gatinho amarelo, dá-se o desaparecimento para aí a quinze/vinte minutos do terminus do meu trabalho. Ganda maluco. Não pára, 'migos, o bicho não pára. Nas últimas semanas tenho notado menos vontade de me 'acarinhar' com os dentinhos super afiados, e folgo com isso, e também não lhe noto tanto desgoverno para com chãos molhados. Claro que o tamanhão (comparando com o de há dois meses vai no dobro) ajuda um bocado. Anda um fofo, é o que é, houve até um dia que me recebeu em modo esfinge. Sério. Foi vez única, mas e dpeois... ai perdão, depois, né? Mas, nesta última entrada, pois que nem esfinge, nem aparição com vagar, nem corridas a ver quem entrava. Não dava notícia. Chamei-o:
Miau! Miau...
Apareceu.
Miau! Yay! Tu estás bom? Estás?
Devia estar entretido com algo de grande interesse. Depois tomou a postura habitual – Tudo tem graça, acho que até em mim ele encontra graça, afinal não me abandona. Bom, a não ser lá para o fim da jorna, como referi ao início do post.
Deixo foto de um gatinho amarelo, que também é giro pra caraças, mas de madeira, outrora pórtico do velho estaminé, actualmente destoutro.


 

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Até amanhã

Andam aí os pipagaios. Sim, era mesmo pipagaios que eu queria escrever. Em tempos havia uns outros, daqueles de serem animais de estimação, que diziam 'até amanhã' e tudo. Eu achava que os bichos me imitavam, isto porque, enquanto pessoa de balcão, sempre conheci muita gente e fui muito dada a despedir-me dessa gente toda. Até amanhã.

Tranquilidade insuficiente

A cliente queria comprar uma fita métrica. Nada de especial, dizia ela, daquelas só mesmo para medir. Bem sei que há mentes intranquilas o suficiente para encontrar outras funções numa fita métrica, mas.

'É a vida!'

'É a vida!' é remate comum a situações que se sabe evitáveis mas que se não evitam, tanto as com dolo como as sem.
Não tem muito a ver, mas a verdade é que o pensamento acima foi resgatado do que presenciei. Dizia a vizinha Gislena que tem visitado o dentista nos últimos dias e que não há meio de ter a boca boa e que aquilo a desconforta e mais isto e mais aquilo. E rematou com aquilo do 'É a vida!'. Mas foi mais longe, ai foi – 'a gente tem que ter alguma coisa para se queixar!'

Pois temos, vizinha Gislena, pois temos.

Podia ser 'depois de casa arrombada, trancas à porta', mas não, é 'em casa de ferreiro, espeto de pau'.

O meu colega furou no chão precisamente por conta da tranca que agora o estaminé já tem. Da broca, disse ele: - Vou ter que me pôr em cima do escadote. Já viste o tamanho da broca? - E, do pó, já que é branco, disse que haveria quem o quisesse snifar.
Pois bem, é que nem uma nem outra. O escadote já estava dispensado antes de o ir buscar, aquilo era uma piada das dele, e o pó já eu varri. Pára ainda um resto no passeio, é certo, mas está uma branca um bocado suja e assim é difícil alguém se interessar por aquilo.

Faz hoje anos

Há precisamente dez anos que a árvore amarela apareceu no blogue. Queria ter ido vê-la no decorrer deste dia, só que não deu. Tenho, porém, um registo fotográfico, o de um papel que tem andado comigo, numa de lembrete e tal. Portanto: esquecer, esquecer eu não esqueci.


 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Era expectável acastanhar. E eu até já previa isto, mas.

A bolota retratada abaixo já vem de outro post e o retrato aconteceu por conta de eu querer comparar a bolota, o que, resumidamente, transforma esta questiúncula num antes & depois. Para encontrar o post do 'antes' pesquisei no blogue por 'bolota' e, ó pá tóin xiru!, encontrei mais quatro posts onde escrevi essa mesma palavra, sendo todos datados do Outubro de há quatro anos (textos abaixo da foto). E, melhor ainda, mesmo tóin tóin tóin xiru!, é que ter assistido ao cair de uma bolota não foi vez primeira. Tudo isto que acabei de registar se parece com nada que valha a pena, mas deu-me que pensar, e não foi pouco. Quem era eu no Outubro de há quatro anos? A mesma, afinal. E, oh porra, como isso é bom.

 


Tenho para ali um saco onde guardei uma bolota (sóri se aquilo ali não for uma bolota, muitos sóris) desde o passado dia vinte de setembro. Vi-a cair ao chão, daí o preciosismo de a guardar. Eu vi. Em direto. Descia a rua mais bonita de Lisboa, e duma das árvores do lado direito (bem sei quão faltosa de referências, mas não fixei qual delas) eis que caiu uma bolota (não sei, já sabem, ah ah). A poesia. O momento. A poesia no momento. O momento da poesia. Daí o preciosismo, que mais posso eu fazer do que guardar uma bolota (hum, pois...) muito bem guardada num saco e mantê-la num saco e espreitá-la quando está no saco. Posso por exemplo escrever um post parvo, que um inteligente é difícil, e podia por exemplo tirar uma foto, mas isso, como se sabe, é matar o encanto que tem a bolota (dizer o quê agora...?). Há um povo qualquer (não sei qual nem vou pesquisar) que acredita que a fotografia retira a alma às pessoas, suga-lha impiedosamente. Nunca considerei essa crença descabida, raramente tiro fotos à árvore amarela ou à rua mais bonita de Lisboa, sei lá, parece que se dá o extermínio total e que a culpa disso é minha, não sei explicar o sentimento melhor que isto, desculpem, é meu dever, mas não sei.
16 Outubro 2016

Tenho de
pôr no lixo uma bolota seca e sugada, de onde já retirei todos os assuntos que queria, uma borracha de má qualidade e uma borracha tão pequenina que já não é manuseável com o conforto que espero, um relógio ao qual se lhe saltou o botãozinho da corda.
Tenho de
ah... eu também me jogar no lixo ou coisa assim, mas como deita mau cheiro, pois que não.
17 Outubro 2016

Ainda não pus no lixo aquelas coisinhas que andam na minha mala, portanto essas coisinhas ainda andam na minha mala. Inclusive a bolota, oh céus, que nunca mais dou conta do recado, até o relógio sem corda lá anda, a fazer peso, as borrachas idem. Ontem queria deixá-lo no cacifro do Ginásio mas entretanto esqueci-me. Ora.
19 Outubro 2016

Acrescentei uma peça ao rol que anda na minha mala: uma roda de plástico com um furo mesmo no meio a desenhar uma forma gira que se farta. Anda-me então isto tudo, isto tudo: o relógio parvo inútil (parvo e inútil, pronto, neste contexto são sinónimos) as borrachas desarrazoadas e a bolota seca de assuntos, ah... a bolota seca, de onde já não pinga nada. Entretanto encontrei uma castanha redonda. Caiu duma das árvores da avenida, não em direto, tipo cena de reálatichâu, como foi com a bolota que já secou, qual quê, o que lamento, pois está claro, só que não, infelizmente, oh. Trouxe-a comigo, quiçá daí desçam muitos assuntos. Desçam?! Hum, estou um bocado baralhada, será que os assuntos sobem? Serão um linha horizontal?
20 Outubro 2016

domingo, 11 de outubro de 2020

Gina, numa relação com o supermercado.

Saí de casa sem a chave do carro. E também sem os documentos, só por dizer que sem esses o carro circula e, sem a chave, pois que não. Havia porém uma solução fácil e rápida: subir, agarrar nos esquecidos, descer.

Fui a ouvir uma canção diferente. Tinha no leitor um CD diferente. Não me lembro de o ter lá enfiado, mas devo ter sido eu que tratei disso. É que não era Rap... Hum. Podia eu ter emprestado o carro ao rico filho e já nem me lembrar de semelhante tal. Portanto podia acontecer o rico filho ter usado o meu carro. Portanto podia acontecer o rico filho ter trocado o CD. Mas, contudo e todavia, não podia o rico filho ter mudado o CD para aquele! CD porque, lá está, não era Rap. A canção era uma que fala na highway e mais não sei o quê, encontra-se vulgarmente em playlists de viajantes sobre rodas. Mas para o supermercado não percorro highway nenhuma. Hoje não comprei nada de extraordinário. Quais frutas especiais, quais legumes de produção catita, quais lacticínios apaneleirados. Tudo do básico e conforme o mais comum há. Tão comum mas tão comum que fica reles de tão comum. É.

Ainda assim, eis que perante tamanha desolação por conta de ter efectuado umas compras tão mas tão, me surge, ou calha, uma caixeira em macho.
Ena, pensei eu, mas também há disto aqui? E cheira bem e tudo!
Pá, pronto, mandou-me o aipo ao chão, com aquilo de amontoar os artigos... Não que não tenha previamente perguntado se podia começar a passá-los. Mas enfim, mais vale um/a simpático/a que me mande o aipo ao chão do que um/a antipático/a que mo não mande.

Olhem, nem queiram saber, o cheiroso pousou os vinhos no tapete com muita delicadeza. Sério. Fiquei emocionada. Mas nada que não se tenha desvanecido logo que usou da mesmíssima delicadeza com os frascos de compota. Oh. E é uma pena que desta feita eu não tenha comprado tacinhas, seria assaz interessante ver quão delicadamente ele as pousaria no tapete, ao depois do bip-bip. Calhou-me, portanto, um caixeiro com muita delicadeza para com tudo o que fosse vítreo. 

Post em pedaços

Parti a minha chávena de café preferida. Escorregou-me da mão e oh! A gente não devia ter coisas preferidas. Quando a gente as tem, usa-las com uma frequência assustadora, é óbvio que quanto mais se mexe numa coisa mais probabilidades de a escaqueirar há!

Post palhaçal

Nunca gostei de palhaços, nem quando era criança, mas não era medo pelo 'escondido' a que a maquilhagem excessiva induz, pois, por ser excessiva, caminha para o grotesco. Não gostava porque não lhes achava a mais pequenina gracinha de todas as gracinhas que pode haver. Na plateia, os meninos riam muito daquelas trapalhadas todas, os adultos idem. Eu não. Eu delirava era com o trapézio. Caramba. Quem dera andar ali no ar, às cambalhotas, e cair no chão que nem uma pluma. Isso sim, palhaços é que não.

As meias

Tenho um par de meias para jogar no lixo. São brancas com bolinhas vermelhas e têm a ponta, o calcanhar e o bordo em azul-escuro. Tinham, quero eu dizer. De tanto serem lavadas, por vezes com lixívia, alguns fios do azul foram largando a cor e ficaram em vermelho. Portanto, o que outrora foi azul-escuro, actualmente está num matizado dessas duas cores, porque, suponho, há dois tipos de fios, sendo que, alguns, perderam uma cor para ganhar outra, e outros, pois que não. Mas não é por isto que as meias vão para o lixo, é porque os elásticos estão frouxos e as meias vão escorregando para debaixo do pé, ora isso dá mau andar, daí que.

Dias de um Ginásio

A modos que para a gente não ter que tocar em merdas que é para tocar o menos possível, uma das medidas do Ginásio foi implementar um dispositivo que lesse cartões mediante encosto. Ah e tal, chega-se esta que vos escreve à entrada do Ginásio - que já dantes contava com aquelas peças metálicas que giram num só eixo, empurra-se a peça e entra-se. A diferença, 'migos, a diferença é que o cartão agora vai de encosto, mas qual banda magnética, qual quê, é nada disso, encosta o cartão na parte escura, bip-bip, setinha verde indicando permissão para passar e tóingue!, empurra-se a mesmíssima peça e entra-se no mesmíssimo lugar. Outra curiosidade foi o enorme espaço que a gerência daquela espelunca encontrou para que as pessoas treinem sem grande proximidade, tendo em conta o tal vírus que - ainda é o - do momento. Esse espaço tem colunas maiores e mais potentes do que as salas do interior, e que, por estarem colocadas num sítio alto, tipo um palco, vá, parece até que estou de volta aos bailaricos lá na minha terra. As salas pequenas – que, na verdade, são as salas de sempre - também funcionam, ora essa, estão é sujeitas a esgotar o número de inscritos num ápice, por tão poucos lugares haver, mas tem havido espaço, tanto para esta que vos escreve, como para outros, ainda não vi ninguém à bulha.

sábado, 10 de outubro de 2020

dois filtros não deram conta das sombras,
e,
se não deram conta das sombras,
então também não deram conta do sol


 

Antes de mais, e entretanto, é sábado

Antes de mais fazer o bolo. Não, antes de mais beber um café. Não, antes de mais comer qualquer coisa. Não, antes de mais estender a roupa, isso sim, é prioritário, que está um ventinho mesmo bom para secar. 
Antes de mais fazer a cama. Não, antes de mais fazer o bolo e fazê-lo antes da lasanha, preparo-a enquanto o bolo está no forno e, estando cozido, tiro-o e enfio a lasanha. Nem desligo o forno.
Entretanto tenho que tratar da louça, editar os vídeos, escrever coisas no blogue (estas, por exemplo), limpar a despensa, organizar o balcão da cozinha.
Entretanto acho que ir passear o cão enquanto o bolo está no forno é uma boa ideia. Assim como acho que ligar o televisor e sintonizar o canal de culinária é uma muito boa ideia. Só naquela da companhia e coiso. Quero dizer: enquanto ando por aqui e ali, fazendo e tratando dos afins da domesticidade, espreito e ouço, em pequeníssimas doses, o que passa na TV. Há - pá, quiçá anos - que assim não procedo. (às vezes não me reconheço, e não é só no reflexo que o espelho de mim faz)

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

'noites duma grafómana'

dia um
Acordei às três e picos já não dormi. Levantei-me às seis e tal. Por entre, olhei para o relógio às três e não sei quê, às três e cinquenta e nove, às quatro e coiso e às cinco e tal. Pensei em descongelar as bananas para o batido. Pensei em arrumar a cozinha. Pensei em pôr a roupa em sabão. Pensei, por último, em escrever as merdas do costume.
dia dois
Acordei às cinco e trinta e sete e já não dormi. Levantei-me às sete e coisa e fui pôr a água ao lume para fazer o chá. Escolhi o de funcho, do qual gosto quase nada. Quando a chama do bico do fogão apareceu gostei de ver o azul a sobrepor-se ao branco. Ainda não tinha acendido a luz, daí o realce. Na carícia que fiz à minha cadela, a número trezentos e vinte e nove deste dia, julguei que teria sido boa ideia usar o tempo que estive a olhar para o escuro do tecto para a passear. Agora que até nem está assim tanto frio, nem nada.
dia três
Tive uma noite diferente. Embora tenha acordado várias vezes, não tive tanto tempo a mirar o escuro. Miraria o tecto, não estivesse tão escuro. Repito-me, bem sei. Digo: aquilo do tecto.
dia quatro
Acordei aos montes. Montes e montes de vezes. Em certa dessas vezes senti frio e calor em simultâneo. Se nunca pus no blogue que já tive esta sensação em outras noites, então foi porque me esqueci, e tanto queria ter posto, como realmente aconteceu. Noite afora fui sentindo um forte cheiro a café, que identifiquei como sendo da chávena que tinha em cima da mesinha-de-cabeceira. O remanescente da bebida tinha secado, dado o número de horas ocorridas desde a toma.
dia cinco
Ena! Acordei bem mais próximo à hora devida. Mas fui acordando na mesma e sei lá quantas vezes. Apercebi-me que sou também grafómana quando de noite. Deixo a questão na memória, só por dizer que não memorizo tudo, que é lá isso. Que seria? O que seria era eu levantar-me e pôr-me a escrever, pois seria. Já faltou mais para encontrar esse alento, já. Vou até intitular este post de 'noites duma grafómana'.
dia seis
Ena, ena, ena! Ena tantas 'enas'... Pá, acordei à hora que é justo acordar se fizer as contas com a hora que tenho que sair. Claro que acordei ressacada, mas e depois, né?
dia sete
Acordei. Acoredi... ai perdão, acordei. Acordada. Incómodo. Porra. E escrevi aos bués cá por dentro. Só me lembro do 'terrau! terrau!', nada do que me levou aí. Sei que era uma ideia apresentada sucintamente – duas frases – e intercalada com o 'terrau! terrau!'. Eu sei, eu sei, seria um post do caraças, mesmomesmomesmo imperdível, mas.
dia oito
Dormi quase toda a noite. Tem-me acontecido dormir melhor nas noites que sucedem os treinos. Nem sempre isto aconteceu assim, era até o contrário. Mas é claro que folgo que assim tenha acontecido.
dia nove
Acordei às cinco e coiso e já mal dormi. Mas dormi. Em certas noites de estar alerta (debalde, sem causa capaz, pois claro) ouço um despertador aí por volta das seis. Mas não foi o caso d' hoje, qu' hoje é domingo.
dia dez
Acordei à uma e não sei quê. O (bem, neste caso, um) vizinho fazia barulhos do tipo desencaixotar coisas e fazer por agrupá-las. Parecia que organizava qualquer coisa de porte médio, pelo barulho de pousar no chão. Acordei às quatro e fui dormindo e acordando desde aí. Na última vez que acordei já era dia. Ah, que estranho... Ulha! Claridade! Toca a levantar!
dia onze
Acordei rente às seis e ouvi alguém a tomar banho. Quero dizer: presumo muito presumidamente (se é que isto tenha escala) que era banho, é que, vamos lá a ver, aquilo não parava de jorrar. Quero dizer: presumo, também em alta escala (podendo ser), que era jorrar do cano e não ir pelo cano. Quero dizer: o ir e o vir sempre tem algumas diferenças.
dia doze
Acordei às 0:34, sei que sim, mas sem saber porquê. Ou seja: também não há razão nenhuma para acordar às quatro ou às cinco, só por dizer que à meia-noite e meia é ainda mais desarrazoado. Podia, para estender esta noite, expor o que pensei, como fiz em outras, mas é que, tirando este espanto da desrazão, não me lembro de mais porra nenhuma para pôr aqui.
noite treze
Pois, noite → 'noite treze'. Vejam lá que hoje é que me lembrei que não são dias, qual quê, são noites. Ora então vamos lá: 
Acordei às 0:54 mas com motivo. Quero dizer: acho eu, já que ouvi aqueles barulhos todos coisos – arrastar de cadeiras, correr de gavetas, desembrulhar de pacotes. Enfim. Adormeci algures na noite e voltei a acordar pelas quatro, não voltando a adormecer. Sério. Até me levantei bem mais cedo que o meu costume porque a cama já me estava a ser maléfica.
noite catorze
Acordei às 23: 40... Quê?! Isso. Mas por que raio acordei eu meia hora depois de adormecer? Mas anda-me a questão a piorar?! Oh ca porra! Adormeci montes de tempo depois, isso sei eu, e voltei a acordar às quatro e sei lá quê e, sei lá também, se dormi mais.

Pois, é isso, sei lá que mais. Termino mas é com este diário versus noitiário e pronto. Ao início gostei muito de o construir, depois foi-se-me esvaindo o gosto e, por ora, está a ser verdadeiramente chato construí-lo. Seja lá como for, tinha idealizado que este empenhamento duraria duas semanas, e durou.

Anéis

Andei de roda os o-rings e fiz o espalhafato que se vê na foto. Sim, foi uma tarefa trabalhosa mas, e, prazerosa, esta de agrupar estas pecinhas por tamanho. Entretanto lembrei-me de uma situação que vivi não há menos de duas décadas e que torna à altura em que me empenhei na catalogação das chaves, isto no velho estaminé. Lá, como aqui, não havia outro modo de fazer esse trabalho sem colocar tudo em cima do balcão e ir retirando pela ordem estipulada. Nesses tempos idos, em certo dia, entrou alguém que brincou comigo:
E eu mandasse isto tudo para o chão?
Compreendendo que era uma brincadeira mas não achando lá muita graça à ideia que se me afigurou na mente, reagi de imediato:
Eu caía-lhe em cima!


 

Bloco de notas esquecido

Tenho uma nota no meu telefone que já não tenho ideia nenhuma por conta de quê a apontei. Copio de lá a nota:

no momento do clique pareceu-me logo que ia ficar uma foto bonita, mas não pensei que saísse tão mas tão

Pois é. Então e agora, que porra de foto estava eu a comentar? Será que já a publiquei? Já corri o arquivo do telefone e, de todas as que por lá se passeiam, não me parece que alguma seja a de tão bom nome. Enfim. Mas há mais uma nota a modos que esquecida:

«viver saudável também é arte»

A frase acima está escrita no interior de um pequeno restaurante que disponibiliza, não só refeições, como produtos livres – ou com menor percentagem - de propriedades assim a modos que nocivas em mais que muito, vá. Tinha apontado a frase no telefone porque – é óbvio que! - achei curioso. E sim, acho de artista as voltas que se dá para abolir alimentos e, ou, componentes dos mesmos. E sim, oh sim, desta nota tenho eu memória do que queria dizer no blogue.

Descolamentos

Às vezes lá acontece ir buscar uma máscara nova à embalagem e, ao retirá-la, descola-se uma das tiras de um dos lados. O que é uma sorte, olha se fossem mais? Ou todas?! Oh! Bom. Então. Desconheço como se amanha a outra gente a quem acontece estes percalços (que os há, bem tenho ouvido histórias), conheço é como me amanho eu – agrafo a tira solta à máscara. Este é um estaminé da ferrugem mas que se mune dos consumíveis de escritório mais prementes que há, e acontece que agrafos consta nessa lista.

Línguas

Tenho um lciente... ai perdão cliente árabe. De vez em quando vem cá e só hoje me disse que é árabe, isto logo seguido de eu querer saber se ele falava inglês, já que português me estava a parecer que népia. Não é que eu seja fluente ine da brítiche tsingue, mas ele é bem pior na coisa à portuguesa. Ainda assim, a gente lá se entendeu, fomos tenteando e demos com o negócio.

Orelhas

O cliente queria um martelinho de orelhas e levou um martelo - não 'inho' - de uma só orelha inteira, a outra é cortada, formando um bico. Ainda que desiguais, as orelhas formam um vão que arranca pregos na mesma, o bico existe para que um carpinteiro possa estar empoleirado, se agarre com uma das mãos no que está a construir e use a outra para 'caçar' mais material, prosseguindo com a construção sem ter que descer.

Diz que disse

O Xano revelou (ou, quiçá, anunciou com o olho no engajamento) que a sua vida sexual é tão má que anda com uma fotografia da mão direita na carteira.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Nitidez

A senhora amarela e o senhor cinzento pareceram-me espantosamente nítidos. Eu gostava que fosse uma questão de olhos, mas tenho para mim que foi uma sugestão do momento. Não é mau, não, ora essa.

Os baldes

Kit, o bicho-gato, mirou atentamente o interior do balde. Tal e qual como o gatinho amarelo, só por dizer que bem mais pesado. Ui, se é. Hoje, quando tive que lhe pegar para o fazer sair da cozinha, é que percebi a diferença por entre aqueles dois. Caraças. Qual içar pela barriguinha, qual quê, é usar as duas mãos para agarrar toda a zona abdominal, mas é.

Sonho

Sonhei com muitas coisas. Havia pessoas e confusão, mas isso já é o costume e visto assim é simplório e, ainda por cima,  vago. Exactamente com o quê é que eu queria saber. Sei lá, se descia a colina em aflição, se escrevia no blogue mas as letras desapareciam (porra, ganda pesadelo qu' isso seria...), se metia o bolo no forno e depois me saía uma travessa de sardinhas. Pronto, concretos. Nem por isso concretizações, que - isso - já se sabe que - isto - é sonho.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Muro de pedra

Dantes havia um 'basta' escrito no muro de pedra. Um 'basta' igual a tantos. Em tempos falei muito no blogue acerca destes 'basta', actualmente já não me incitam textos. Não muitos, pelo menos. Sei porquê, sei - canso-me das minhas coisinhazinhas. Mas o muro. Lá estava o 'basta' que, tempos depois, foi tapado por nova camada de tinta. Ora acontece que uma tinta nova, mesmo sendo dos mesmos tipo, cor e marca, difere de uma que já esteja aplicada há tempo. Então ficou ali, não um, mas vários rectângulos de uma cor mais amarela, mais viva, mais nova. Os rectângulos são vários porque, para além do 'basta', outros escritos foram escritos no muro de pedra. É caso para dizer que umas pessoas são estragadoras, umas limpadoras. A arte não suja o mundo, tampouco a vontade imensa de apregoar 'ei, estive aqui' o faz, mas... Este tema divide-me, folgo que não tenha que tomar parte nenhuma.

Post muito bem aspirado

Oh que alegria, tenho um aspirador novo. Quero dizer: uso de um aspirador, que é novo. Mas que potência. Ena. Até suga os tapetes e nem era preciso ir até aí, quaisquer poeiras e migalhas seria o suficiente. O gatinho amarelo, que já tinha deixado o medo do barulho do aspirador de lado, voltou a ter, que eu bem o vi a correr para lá e a esconder-se. Ele esconde-se mas mantém-se a jeito de ficar a ver por onde anda o barulho. É tão engraçado. O aspirador também tem montes de piada, claro. Mas o Miau tem mais. Hoje, quando entrei, estava meio que deitado no tapete azul. Ficou-se, pouco me ligando. Depois miou a pedir festas. Fiz-lhas. E desalvorou. Muito corre ele. Parecia outro, acordou, ou coisa assim. Agora já lhe noto uma certa calma felina, contudo, não deixou de se esgueirar pelas portas que eu fechava, de observar com especial atenção os meus movimentos enquanto limpava o lavatório e de adentrar a despensa, metendo-se lá muito para dentro. Sim, continuo a içá-lo pela (ainda) barriguinha e a ter curtas conversas com o bicho: Miau, olha, és bem mais rápido do que eu mas, na verdade, não te quero aqui, está bem? Vai ter que estar.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

As horas que não são

Estávamos num anoitecido ainda não pleno e o relógio da torre marcava dezasseis e vinte e oito. Sim, precisamente, que eu bem vi o ponteiro grande um nadinha antes do seis. Desacertado por desacertado, é claro que podiam ser quatro e vinte e oito, que este relógio só faz o que quer.

Post com título

Inchou-me as bochechas, ou coisa assim. Não sei como esmiuçar isto, sei é que quando fecho a boca altero o trajecto dos dentes para não me morder. Ou então uso outra técnica: insuflo o interior da boca, o que afasta as bochechas dos dentes.

Meninas-estátua

Há as meninas-estátua, que, não duvido, ficam perdidas por não terem mãos, porque, se todos temos a maior parte do mundo nas mãos, então elas também terão.

sonidos

quando sonidos são, mas que não rimam nem condizem, vão buscar parecenças na mesma

um dia vais → medievais
pé de meia → pandemia

desta última, devo dizer que não é obra que me pertença, eu é que ia na rua (ia eu muito bem... trá-lá-lá!) e ouvi alguém comentar com quem ia consigo, quase soletrando: pé! de! meia; pan! de! mia

deixemo-nos disso
(complacência)

deixa estar
deixo
deixa ser
deixo
deixa ver
deixo
deixa fazer
deixo
deixa-me escrever
deixo, deixo

Em grande

A grande vantagem do capacete para com as melenas (tão mas tão) rebeldes (e que tomam reviravoltas, digamos que, não bonitas) é que aquele alisa estas.

É verdade, é. Chegeui... ai perdão, cheguei ao estaminé com um cabelão maravilhoso, fruto do alisamento que (também) um capacete consegue. A ver se não lhe dá para ficar escorrido, este maravilhoso. Podíamos ficar já com a ressalva: ah, ao fim do dia venho cá dizer como está e, ou, não está. Só que não, contenho também muita rebeldia pela parte de dentro da cabeça.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Manos

Fiz reparo na fotografia de grandes dimensões onde estou eu e o meu irmão:
– Olha! 
Observei silenciosamente a minha expressão pela milionésima vez - que infantil ainda. Tinha feito treze anos havia dois dias, num dia onze, calhando portanto este dia a treze (treze → treze), fixei a data. Sim, sou dada a memorizar estas minudências desde muito novinha. Depois da minha exclamação, o meu pai disse: 
- Pois, a gente querendo vê-los, é olhar para aí e vê-os logo.
Notei saudade no tom da sua voz e se eu não pusesse esta observação neste post, vocês nem iam dar por ela.

Sonho

Sonhei que ia visitar a minha mãe, que estava numa espécie de hospital, uma vez que havia pessoas com ar de enfermeiros e, ou, médicos. Quando ela soube que eu estava ali, sentou-se na cama e, com horror, vi que não havia chão para ela pousar os pés. Gritei-lhe: «Nãããão!» mas ela caiu do precipício. O sonho acabou aqui, não dando espaço ao pesadelo.

Gina, numa relação com o supermercado.

Fiz muitas caretas naquelas partes da canção que dizem 'eu não' e 'oh se te amo', adensando-as no 'eu' e no 'oh'. Foi também particularmente arrepiante o pedacinho do tu-tururu!, que é quando toca o instrumento e se calam as vozes. Pá, vamos lá a ver, seria arrepiante se alguém estivesse a ver-me, ou, e principalmente, a ouvir-me. Mas não.

Ia-me esquecendo de pôr a máscara. A bem dizer, esqueci-me. Lembrei-me quando me deparei com pessoas mascaradas. Ah! Não pus a máscara!, pensei eu, e pu-la. Sem pulos.

Desta vez não comprei muitas frutas, cingi-me às pêras vermelha e às laranjas algarvias. Só que o meu vizinho, parecendo até sabedor deste cesto mal cheio, ofereceu-me uma caixa com seis mangas. Se calhar eram sete. Ou oito.

Comprei uma beterraba enorme. Sério, preciso dos dois indicadores e dos dois polegares para a abarcar a toda a volta. Logo que a escolhi pensei: oh, às tantas é sensaborona, de grande que é o sabor dispersa-se ou coisa assim. Resolvi-me a metê-la no forno, enrolada em papel de alumínio, ao mesmo tempo que o bolo. Arrependi-me de não a picar com um garfo, isso acelera o processo. O tempo de cozedura do bolo não foi o suficiente para que a beterraba esteja no ponto certo, mas está quase quase quase cozida. E é doce que se farta. Afinal, os grandes também podem conter doçura em si.

Calhou-me a caixeira amiga. Aquela que é boa onda. A do 'está tudo bem', a do 'isso é que é preciso'. Pronto, coisas assim. Mas de mais coisas: 'ponho contribuinte, amor?', a do 'olhe querida, vai levar a revistinha?'. 

Molas para prender a roupa

Sou de molas fixas, gosto de dois modelos apenas, ainda que, há uns bons anos, me tenha dado na mona 'colecionar' um outro estilo, portanto constam nos meus pertences três modelos. Não quero de outras, mesmo que, por descuido dos vizinhos dos andares de cima, aterrem na minha varanda, não sendo daqueles dois modelos, vai para o lixo. Há dias chegou cá a casa uma mola diferente, dessas de que não gosto, mas vinda, oh vejam lá, de casa do rico filho. Foi assim: a rica filha foi lá jantar e trouxe um pacote (com qualquer coisa de comer) já encetado e fechado com essa mola. Quando vi a mola por ali fiz gesto de quem a ia jogar no lixo, só que a rica filha interveio: «mãe, essa mola veio da casa do mano...» E eu pronto, pu-la no bordo do alguidar onde moram as molas, que me deu pena deitá-la no balde do lixo. Mas há-de lá chegar, oh se há-de! Vai acontecer logo que publique este post.

Travessia

Durante a travessia da ponte, achei curioso que um dos tubos que pertence à balaustrada, neste caso o de cima, se mantivesse em cima do pedaço de terra lá ao fundo mais fundo a que a vista chegava. Da terra, quero eu dizer aquilo a que muitos chamam de horizonte e que eu também devia chamar, mas assim não ia dar para perceber e assim já se percebeu. Apesar da deslocação, o tubo, tão de mim próximo, tapava o horizonte. Outra preciosidade foi o Tejo em verde-água. Pode ser do sol estar onde estava, pode ser da luz estar da intensidade que estava, pode ser da maré estar onde estava. Mas estava em tom verde-água a água do Tejo.

Cheira(va)

De manhã cheirava a flores e ervas outonais.
De tarde cheira a não sei o quê.

não! pui ós pigos

Ora bem, ontem, concretamente: no post anterior, pus-me no blogue a anunciar que que 'não! fui ós pigos' - leia-se 'não! fui aos figos' - e hoje acrescento que hoje - que é feriado - também não vou porque creio fimrmemente que será, ou seria, desperdício de tempo. O frio tem sido muito, o sol tem sido pouco, a chuva tem estado presente, do Outubro estão cinco dias passados, da última vez já os figos estavam murchos e deslavados, e até escassearam, de maneiras que pronto, creio também firmemente que para o ano mais figos haverá. E tão bons como sempre.

domingo, 4 de outubro de 2020

não! pui ós pigos

Alentejo, Alentejo


Na foto de cima não é o 'meu' Alentejo, o dos idos anos setenta.
De sobremesa podia ser sericaia, migas doces, sopa dourada...
Só que não. Pavlova. Isso. E havia sericaia, havia.
Na foto de baixo é o Alentejo que conheço desde esses anos.
E dei somente um passinho para o lado e dois ou três para a frente.

depois fui à praia dos cinco reis

já é de dia

sempre a mesma janela || sempre o mesmo cansaço
sempre a mesma tristeza || sempre a mesma dor
dia igual || dia irrepetível
portanto __ e afinal__ dia diferente


 

sábado, 3 de outubro de 2020

Receitas (para que vos quero?)

Já recebi a revista do costume, a tal trimestral. Estranho que não venha com receitas de Natal, mas é bom que esteja cá tal como está, é só uma estranheza de nada, coisa pouca. 
Desenvolvo alguns pontos.
Há uma receita de bolachas de aveia. Achei graça à frase de incentivo: «vai experimentar?» Mas não vou, que tenho lá em casa a receita de umas bem boas. A ver se as repito. Talvez no sábado trate disso. Mas até tenho pena de não experimentar, sabem? São feitas de farinha de aveia. Que giro. Pus-me logo a imaginar mudar aquilo tudo e triturar eu a aveia. Ficariam com mais textura, presumo.
Há uma receita de sopa de cebola gratinada. Há anos que quero fazer uma sopa dessas. Tenho dado tanta atenção que até sem ler sei que leva (obviamente cebola) pão, bacon e queijo.
Há uma receita de focaccia. Apetece-me fazer esse pão. Sei que é molinho, quando ainda em massa. Muito azeite. Por isso fica macio. Azeitonas. Como que a temperar, vá.
Há uma receita de tacos. Caraças, pá! Sempre é fácil fazer os meus próprios tacos! Há que fazê-los! Há que fazê-los! É só fazer como que uma massa para rissóis, mas com farinha de milho, deixar arrefecer, estender e cozer na frigideira. Pronto, este é um daqueles casos em que a frigideira coze. Cose. Ah ah. Não, é coze.
Há uma receita de waffles em modo salgado. Parece-me uma boa alternativa aos... Aos quê? Aos tacos, por exemplo. Ou mesmo às pizzas.
Há uma catrefada de receitas de bolos, porém, nada de especial. Bolo de maçã, bolo de laranja, bolo de marmelada, bolo de amêndoa e, pasmei, bolo de abóbora. Não, não é a primeira vez que dou com uma receita de bolo de abóbora, mas, que me lembre, nunca me tinha encantado. Este, vou experimentar.
Há uma receita de torta de arroz com recheio de café. Ora bem, considerações acerca da ideia (de planear) fazer esta torta: 
o arroz está ali por conta de ser uma massa que, de farinha, leva a de arroz
o recheio será outro qualquer que não o de café

E pronto, gostei muito deste bocadinho, até uma próxima vez. Não, que é lá isso, falta dizer que, da última vez que construí um post deste género, fi-lo há muito tempo (clicar aqui), contudo, não experimentei ainda todas essas receitas.

Dias de um Ginásio

Em tempos idos esta canção (vídeo abaixo) soava com frequência nas aulas de alongamentos. Nesse tempo as aulas eram dadas na sala que depois foi das bicicletas estáticas e que agora é não sei de quê. A ver se me inteiro disso em breve. Serve de distração. Serve de complemento a este post. Serve para aumentar o número de posts. Em tempos, desta feita uns tempos mais próximos a este, fiz duas ou três aulas nessas bicicletas. Não gostei, daí tão poucas. E nem se pode dizer que não tenha feito o suficiente, que não foi largar à primeira experimentadela. Pois não, 'experimentadela' não consta nos dicionários. Mas olhem lá a canção. Isto por ora, porque há mais coisas escritas abaixo do vídeo.





Numa dessas aulas das bicicletas, desequilibrei-me e resvalei, fazendo uma enorme nódoa negra na perna, que me durou semanas. Sei que o professor viu o resvalamento, mas não se mostrou interessado. Obviamente não seria preciso descer da sua bicicleta, parando o trânsito da aula só porque uma senhora resvalara, oh pobrezita. Não. O que desaprovei, e desaprovo, é que nem sequer tenha levantado o polegar, gesticulando a pergunta: 'está bem?', que eu imitaria o gesto para responder: 'estou.' Mas não. De momento é como lembro este episódio. Sei que o registei no blogue e vou pesquisá-lo. Sempre quero ver se tenho a memória certa.

Já encontrei, não está longe do que escrevi acima. Transcrevo:

Ontem fui fazer cycling, de maneiras que saí de lá roída naquela partezinha do corpo que assenta no assento. O assento é fino e rijo e a partezinha não tem tanta chicha como parece, afinal quando esta que escreve se senta a chicha afasta-se do osso, de maneiras que. Falta de hábito, bem sei. Assim como é falta de hábito pensar que o téni se vai encontrar com a proteção da corrente e me fazer resvalar da bicicleta. Pois foi o que aconteceu, não é que tenha caído no meio do chão, não, mas fiquei apoiada na bicla de uma maneira nada correta e dolorosa. Tenho três nódoas negras para contar melhor esta história. E agora querendes saber se alguém me socorreu? Pois.Não.Senhores. Mas tudo bem, até porque tenho idade e força para me safar e levantar-me sozinha, mas senti falta de um certo apego que vejo noutras aulas, noutros/as professores/as, é que nem um olhar de interesse vi, e neste caso estou a falar exclusivamente do professor. Saí aos trinta e cinco minutos de aula. Nada teve que ver com o que contei, mas com o facto de me apetecer muito fazer a aula do costume, que é stretching. E assim fiz - fui. Claro que ter visto alguns colegas de bicla abandonar a aula pesou na minha decisão. E foi o melhor, se há modalidade de que gosto é stretching, enquanto que de cycling, ó pá, pronto, gosto tipo assim mais ou menos. O bom daquilo é a queima de calorias num curto espaço de tempo e o desinchar de pernas que acontece e perdura, o que me apraz e não é pouco. Bom, não sei se é para continuar com isto, até porque a aula começa cedo o suficiente para me tornar ansiosa com o pouco tempo que tenho para chegar a horas, o que aliado ao facto de não morrer de amores por biclas imóveis, pronto, ó pá, coiso.
|26 Maio 2018|
originalmente publicado aqui

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Post sem medida

«O tamanho do parafuso não interessa, tem é que caber lá.»
Ora bem, ao que parece temos aqui uma incoerência com o tamanho de um problema sem solução. Quando me chega algo dentro deste género, e garanto que as vezes não são poucas, resolvo desinteressando-me convictamente da primeira parte da exposição do cliente e, com afinco, agarro-me à segunda.

Post com pormenores

Não tenho mais nada que fazer, daí atentar em pormenores e, por ter pouco conteúdo na cabeça, é-me fácil fixar uns quantos desses. Não noto todos, tampouco fixo todos aqueles que noto, ora essa.

A folha do tempo

O calendário da cliente mostrou-se-me na folha de Março/Abril de 2015. Nem bem nem mal, é cinco anos e meio que daqui dista. Já bem, mas mesmo bem, é uma boa mão-cheia de molas de madeira estarem mergulhadas num alguidarinho. Decerto é para que inchem e não se lhes salte a mola. De metal. Que giro, acabo de descobrir que nomeamos as molas para prender a roupa como sendo de madeira ou de plástico, mas, a mola propriamente dita nem se dá por ela.

Criatividade

pa pari pa pa! pa pi! pa pa! hum hum!

É assim o novo cantarolar do Zé. Sempre criativo, este cavalheiro.

quando esta que vos escreve tapa com os dedos
precisamente aquilo que vos quer mostrar


 

Destino

Como não colocar no blogue um papelinho dos da rica filha onde ela dava destino a um certo conteúdo? Não ia dar, qual quê.

Lista telefóncia... ai perdão, telefónica

Temos aqui três caligrafias.
Pelo desfoque, ilegíveis, é certo, mas pá, é uma lista telefónica, vai daí, né...?
O foco é uma velha e obsoleta lista telefónica que pertencia ao velho estaminé.

Pevides

Eis Outubro chamando o Verão
- Verão! Verão! -
Não mais virá. Este ano, não.

banco branco
branco banco
(trava-línguas)


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Água

Perguntei ao bicho-gato se queria água, já que se debruçava sobre o balde – Tu queres água, Kit? Esqueces-te que tens um bebedouro? Divide-lo com a tua mana, mas pronto, tem-lo. Durante as incumbências quase mandei ao chão o tampo da mesa - que é de vidro -, um quadro e um espelho – emoldurados - e um candeeiro de mesinha-de-cabeceira. Isto são coisas que estão encostadas a uma parede, ou seja, eu dando cabo da compostura do vidro da mesa, dava-se ali um dominó com estilhaços. É comum as pessoas desajeitadas terem piada. Fiquem-se com esta, vá.

Línguas

Recentemente chegado ao rectângulo que é este nosso país, o cliente vinha de telefone na mão, a postos para ir questionando Mr. Google na sua língua materna e esperando que este lho traduzisse por escrito, e em português, por modo a que eu lesse e, tendo dúvidas, que as tive, avançasse na minha língua materna e, o tal do Mr. Google, por sua vez, as traduzisse em russo para o meu cliente, e vai que, oh porra, Mr. Google não nos servia convenientemente, arranjando outras questões ao meu cliente, que era russo. Estivemos nisto dentre cinco a dez minutos, e o pior de tudo é que o trabalho foi inglório.

Vozes

«Dá-me um mosquetão daqueles mêmo fixes qué pó gajo não perder as chaves!» - Pediu a cliente ao meu colega. Achei, como acho há tempo, que ela tem a voz do Cocas mas em feminino e sexual, opinião que transmiti ao meu colega logo que ela abalou do estaminé. O meu colega só me respondeu -«Pronto! Já estragaste a minha infância!» Portanto: talvez a gente comparando a Miss Piggy... Hum? Afinal sempre é uma voz efeminada. Duas vozes efeminadas. Três vozes efeminadas, isto contando com a minha. A daqui, do blogue.

E vá fruta!

No supermercado, tenho andado a comprar frutas a modos que diferentes. Digo eu: pêras (recuso-me a não colocar o acento nas pêras, quando no plural, sem ele ficam inertes, desprovidas, e afinal isto aqui é só um blogue) vermelhas, pêras nachy, kiwis minhons e kiwis amarelos. Destes quatro, o que não voltarei a comprar é a pêra nachy. A pêra nachy é, na sua forma, como uma maçã de casca amarelo claro, o sabor é uma mescla de pêra e maçã e a textura é a das pêras (olha eu, a blogger rebelde). A pêra vermelha foi cá uma descoberta! São tão boas! Geralmente apresentam uma das metades vermelha e a outra verde, o que não significa que a parte verde seja menos gostosa. Os kiwis minhons são um miminho, um aperitivo doce. São minhons, como já referi, mas, não chegando para atingir o ponto de satisfação almejado, é comer até que. E compre-se várias caixinhas, já contando com a gula. Os kiwis amarelos (não guardei o nome, por isso assim lhes chamo) são uma preciosidade. A quem gostar do equilíbrio entre a doçura e a acidez, é comprar, 'migos, é comprar.

Lanchinho

Lisboa, 1 de Outubro de 2020
É quinta-feira e são 11:sei lá

O nepalês da frutaria aconselhou-me a escolher as uvas mais acastanhadas, que são 'doce, doce, doce'. Depois de escolher as que mais gosto, e gosto por serem ácidas, digo eu as verdes, fui na conversa dele porque, afinal, também gosto das outras. Fui até mais longe, ou seja: fui na minha conversa, escolhendo umas acastanhadas, sim senhoras e senhores, mas também piriris, que essas upa-upa, são ainda mais docinhas.


quinhentos e cinco gramas de uvas
mil duzentos e quarenta gramas de laranjas
quatrocentos e dez gramas de maçãs
mil cento e noventa gramas de bananas

Sonho

«Você também não é simpática, está sempre trombuda!» Foi o que ouvi de alguém quando me queixei da sua antipatia. Às vezes, isto na vida real, lamento que não me queixe desta maneira. Se não por ter que lidar com antipatia, então por outros casos. Agora, outrossim na realidade, folgo que haja mais gente que encolhe queixas, mormente as que de mim serão.